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2.1 Geral

Avaliar os efeitos da imunossupressão materna pela administração de Micofenolato de Sódio no perfil reprodutivo, bioquímico e imunológico em ratas Wistar prenhes.

2.2 Específicos

Analisar a influência do tratamento com Micofenolato de Sódio nos seguintes parâmetros: • Parâmetros ponderais maternos:

- Peso (g)

- Consumo alimentar (g) e hídrico (mL) - Glicemia (mg/dL)

• Pesos relativos de órgãos maternos :

- Rins (g/100g pc) - Baço (g/100g pc) - Fígado (g/100g pc) - Coração (g/100g pc) - Gordura periovariana (g/100g pc) • Índices reprodutivos:

- Índice de fertilidade feminina (%) - Índice de prenhez (%)

- Índice de parto (%)

• Análises bioquímicas:

- Colesterol total (mg/dL) - Triglicerídeos (mg/dL)

- Lipoproteínas: Densidade alta (HDL) e de Densidade muito baixa (VLDL), todos em mg/dL - Transaminases hepática: Alanina aminotransferase (ALT) e Aspartarto aminotrasnferase (AST), todos em U/L

• Análises imunológicas

- TNF

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3. MATERIAIS E MÉTODOS

3.1. Animais

Foram utilizadas 41 ratas Wistar adultas em idade reprodutiva (90 dias de vida), provenientes do Laboratório de Fisiologia de Sistemas e Toxicologia Reprodutiva (FisioTox) – Campus Universitário do Araguaia-UFMT (Figura 01). Estas ratas permaneceram em gaiolas coletivas de polietileno com capacidade máxima de cinco animais, em temperatura ambiente regulada em 25°C±2, fotoperíodo de 12 horas e umidade relativa entre 45% a 55%, recebendo água filtrada e ração ad libitum. Além disso, todos os procedimentos experimentais realizado neste estudo foram seguidos pelo Guia de Experimentação Animal e aprovados pelo Comitê de Ética no Uso de Animais desta Universidade, protocolo 23108.045215/2014-39 (Anexo).

3.2. Grupos experimentais

Todas as ratas foram distribuídas aleatoriamente em dois grupos experimentais primários: - Grupo controle (CONT) (n=10): ratas que receberam diariamente por via oral, água filtrada, no mesmo volume que o grupo tratado (MICO) de acordo com o peso. Apenas para sofrer as mesmas condições que as ratas do outro grupo.

- Grupo tratado (MICO) (n=31): ratas tratadas via oral com MMS (20 mg/Kg) diariamente por no mínimo 15 dias, até o diagnóstico de prenhez.

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De acordo com o dignóstico positivo de prenhez, essas ratas foram divididas em três grupos experimentais:

- Grupo controle (CONT) (n=10): ratas que receberam diariamente por via oral, água filtrada, no mesmo volume que o grupo MICO-2, de acordo com o peso.

- Grupo tratado 1 (MICO-1) (n=10): ratas que receberam diariamente por via oral, água filtrada, no mesmo volume que o grupo MICO-2, de acordo com o peso.

- Grupo tratado 2 (MICO-2) (n=12): ratas tratadas via oral com MMS (20 mg/Kg) diariamente durante os 21 dias de prenhez.

3.3. Sequência experimental

3.3.1 Período de tratamento prévio

As ratas dos grupos MICO-1 e MICO-2 foram tratadas diariamente com Micofenolato de Sódio (MMF) na dose de 20 mg/Kg, via oral (gavage) por no mínimo 15 dias e o grupo CONT água (Figura 02). De acordo com Nielsen et al. (2003), após duas semanas de tratamento as ratas já são diagnosticadas imunossuprimidas, e desta forma, foram colocadas para acasalamento. Foram avaliados semanalmente o peso corpóreo, consumo alimentar e hídrico e glicemia.

3.3.2 Período de acasalamento

Este período compreendeu uma duração máxima de 7 dias. As ratas foram distribuídas quatro a quatro em gaiolas de polietileno, com cama de maravalha, na presença de um macho saudável no final da tarde. Na manhã subsequente, os machos foram retirados e os esfregaços

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vaginais coletados pela introdução de hastes flexíveis com pontas de algodão embebido em solução fisiológica a 0,9%. A presença de espermatozóides e as características da fase estro do ciclo estral confirmam o diagnóstico de prenhez, sendo considerado o dia zero (Figura 03). Esta fase é caracterizada como a fase estrogênica máxima, onde são encontradas apenas células queratinizadas (VOLPATO et al., 2008; DAMASCENO et al., 2011). O medicamento foi administrado até o dignóstico de prenhez e durante este período as que não apresentaram diagnóstico positivo de prenhez foram excluídas.

3.3.3 Período de prenhez

Durante os 21 dias de prenhez, ocorreu o tratamento por via oral (gavage). Para o grupo CONT e MICO-1, foi administrada água destilada apenas para provocar o estresse fisiológico. Para o grupo MICO-2, as ratas prenhes receberam diariamente MMS, na dose e período já descritos no item 2.

Foram mensurados semanalmente o peso corpóreo, consumo alimentar e hídrico e glicemia, antes e durante a prenhez. No 17° dia de prenhez, para avaliação do desenvolvimento da intolerância à glicose foi utilizada um marcador empregado rotineiramente na clínica, – teste oral de tolerância à glicose (TOTG) em todas as ratas. Após jejum prolongado (em torno de 6 horas),

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foi coletada uma gota de sangue para determinação glicêmica por glicosímetro convencional

Prestige IQ® (tempo 0 = jejum). Em seguida, os ratas receberam solução de glicose (200 g/L) via

intragástrica (gavage) na dose de 2,0 g/Kg peso corpóreo. A glicemia foi determinada nos intervalos 30, 60 e 120 minutos após a administração da solução (MOURA et al., 2002). A resposta da glicose durante o TOTG foi avaliado pela estimativa total obtida na área sob a curva (ASC) (CAMPOS et al., 2007).

3.3.4. Avaliação da toxicidade

Durante todo o período experimental, as fêmeas foram examinadas para avaliar sinais clínicos indicativos de toxicidade materna, tais como piloereção, movimentos estereotipados, alteração da motilidade do animal, diarréia, perda de peso, redução de consumo de alimento, perdas sanguíneas vaginais e mortes.

3.4. Resolução da prenhez

Na manhã do 21º dia de prenhez (das 8 às 10 horas da manhã), as ratas foram anestesiadas com pentobarbital sódico (Hypnol®) a 3% e, posteriormente, submetidas à eutanásia por decapitação. O sangue total foi colhido para análises de bioquímica, os órgãos (coração, fígado, baço, rins e gordura periovariana) foram submetidos a pesagem e houve a maceração das placentas e coleta do sobrenadante para análises imunológicas.

3.5. Coleta de material e Parâmetros reprodutivos

A partir da pesagem dos órgãos foi realizado o cálculo do peso relativo de acordo com a seguinte equação matemática: [(peso do órgão / peso corporal) x 100]. Após os procedimentos da coleta de material biológico de todos os grupos (sangue), foram estimados índices reprodutivos maternos. Os índices de fertilidade, prenhez e de parto foram utilizados para avaliar o efeito do tratamento com MMS sobre a fertilidade, viabilidade da prenhez e do parto, respectivamente. Os índices foram apresentados de acordo com os seguintes cálculos matemáticos sugeridos por Clegg

et al. (2001).

Para o cálculo do Índice de fertilidade feminina foram utilizados os números de ratas que pariram normalmente e o número de ratas postas para acasalamento com machos no período noturno:

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Índice de fertilidade feminina= N° de fêmeas que pariram x 100 N° total de fêmeas

A fim de determinar o Índice de parto, foram utilizados os números de ratas que pariram normalmente e o número de ratas prenhes (diagnóstico positivo de prenhez pelo exame histológico de esfregaço vaginal):

Índice de parto= N° de fêmeas que pariram x 100 N° de fêmeas prenhes

Para se estimar o Índice de prenhez, foram utilizados os números de ratas que apresentaram RN vivos e também o número de ratas prenhes (diagnóstico positivo de prenhez pelo exame histológico de esfregaço vaginal):

Índice de prenhez= N° de ratas-mães com RN vivos x 100 N° de fêmeas prenhes

3.6.. Teste para confirmação dos sítios de implantações e de reabsorções

No caso de ausência de desenvolvimento fetal ou de pontos de implantações visíveis, o útero foi então colocado em reativo de Salewski (1964) para coloração dos pontos de implantação (Figura 8).

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3. 7. Análises séricas materna

Para determinação dos parâmetros bioquímicos, as amostras de sangue coletadas foram colocadas em tubos de ensaio livres de anticoagulante e então centrifugados a 3500rpm por 10 minutos, o sobrenadante foi coletado como soro e estocado a –80ºC. Para a avaliação da contagem total de leucócitos foi coletado sangue em tudo com anticoagulante EDTA.

Todos os parâmetros bioquímicos foram mensurados por técnicas utilizando-se a espectrofotometria de luz, pelo analisador bioquímico Bioplus-2000. As concentrações dos níveis séricos de Colesterol total (mg/dL), Triglicerídios (mg/dL), HDL-C (mg/dL) (Lipoproteína de alta densidade) e as transaminases hepáticas ALT (U/L) (Alanina aminotransferase) e AST (U/L) (Aspartato aminotransferase) foram determinados pelo método enzimático (YOUNG et al., 2000). Todos os parâmetros foram mensurados pelos Kits de determinação bioquímica da Wiener®.

O valor estimado do nível sérico do VLDL-C (Lipoproteína de densidade muito baixa) foi determinado baseado nas determinações das concentrações séricas de Triglicerídeos, pelo cálculo estabelecido por Fridewald et al. (1972), em mg/dL.

VLDL (mg/dL) = Triglicerídios (mg/dL) 5,0

Para análise do perfil de citocinas neste estudo foram coletado o sobrenadante dos tecidos placentários os quais foram armazenados a uma temperatura de – 80 ºC, que posteriormente foram avaliados através do método enzyme-liked immunoabsorbent assay (DuoSet ELISA) de captura (R & D System, Inc., Minneapolis, USA) que se baseia na interação anticorpo-antígeno TNF. Para a dosagem de citocinas no tecido placentário, uma amostra do tecido foi coletada e macerada, acrescido de 1 ml de PBS (Tampão fosfato salino). Após a homogeneização, foi centrifugado a 3500 rpm por 10 minutos seguindo metodologia adaptada de LOURENÇO (2009).

No leucograma, para a contagem total de leucócitos, as amostras de sangue com anticoagulante EDTA foram diluídas (1:20) em solução de TURK (ácido acético a 3%) (STIBBE

et al., 1985). Os leucócitos foram contados em Câmara de Neubauer com auxílio do microscópio

óptico (Figura 05). O resultado foi obtido com a equação matemática:

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4 Na qual:

Lc= número total de leucócitos contados em 4mm2 ; 4= fator de conversão para 1mm3;

20= fator de conversão da diluição utilizada;

10= fator de conversão para 1mm3 (profundidade da lâmina).

Para contagem diferencial de leucócitos foi utilizada a metodologia do esfregaço sanguíneo. Para coloração do esfregaço foi utilizado o kit Panótico Rápido LB (Laborclin Ltda, BR). Os diferentes elementos foram determinados por contador eletrônico KACIL com teclas correspondentes a cada tipo de célula (LEANDRO et al., 2006). (Figura 06).

Figura 06: Demonstração da técnica para o leucograma e as células analisadas. Figura 05: Câmara de Neubauer para contagem de leucócitos

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3.8. Análise estatística

Para comparação dos valores encontrados nos parâmetros reprodutivos, foi utilizado o teste de Qui-quadrado, com 5% limite de significância. Em relação os valores médios encontrados nos parâmetros séricos analisados, foram empregados análises de variância (ANOVA), seguidas do Teste de Comparações Múltiplas de Tukey, considerando 5% como limite de significância. (VIEIRA et al.,1997).

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4. RESULTADOS

Inicialmente foram utilizadas 31 ratas em tratamento com Micofenolato de Sódio, porém 13 vieram a óbito, sendo 10 antes do período gestacional e 3 durante a prenhez, todas do grupo MICO-2. Além disso, 6 delas não apresentaram diagnóstico positivo de prenhez, tendo os dados coletados destas ratas descartadas.

A Tabela 01 mostra os dados obtidos semanalmente, durante a fase de tratamento prévio à gestação. Em relação ao peso corpóreo não houve diferença significativa entre os grupos CONT e MICO. Porém, quanto ao consumo alimentar e hídrico, houve uma diminuição em relação ao grupo CONT, e aumento no índice glicêmico.

Tabela 01: Parâmetros fisiológicos em ratas controle (CONT) e tratadas com MMS na dose de 20 mg/Kg antes do período da gestação.

Parâmetros CONT (n=10) MICO (n=22)

Peso corpóreo (g) Dia 0 246,1±13,8 255,2±14,9 Dia 7 247,3±11,6 256,4±14,7 Dia 14 250,9±8,0 257,2±15,4 Consumo alimentar (g) Dia 0 17,5±4,3 14,4±3,7# Dia 7 16,3±2,3 13,2±1,5# Dia 14 18,6±2,4 15,2±1,2# Consumo hídrico (mL) Dia 0 35,0±9,4 33,0±4,2 Dia 7 36,1±5,2 31,7±2,8# Dia 14 39,4±1,6 35,5±6,8# Índice glicêmico (mg/dL) Dia 0 101,0±7,3 99,0±8,5 Dia 7 99,6±6,4 109,3±13,2*# Dia 14 99,7±7,6 120,0±13,7*#

*diferença significativa comparado ao dia 0 do seu próprio grupo (Teste t de Student) #

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A Tabela 02 mostra os mesmos parâmetros fisiológicos mensurados durante a gestação nos grupos experimentais, tratados durante a prenhez com água (CONT e MICO-1) ou com 20mg/Kg de MMS (MICO-2). Em comparação com o dia 0, houve aumento do peso corpóreo nos grupos CONT e MICO-1 nos dias 14 e 21, sendo no dia 7 aumento mensurado apenas no grupo MICO-1. O tratamento contínuo com MMS (MICO-2) durante a prenhez fez com que o peso aumentasse até o 14° dia, mas não até 21 dia. Além disso, as ratas dos grupos MICO-1 e MICO-2 apresentavam maior peso corpóreo nos dias 0 e 7, mas no dia 14 apenas no grupo MICO-1, em comparação ao grupo CONT. Contudo, houve uma diminuição de peso corpóreo nos dias 7 e 21 do grupo MICO-2 em relação aos outros grupos e também uma queda deste valor apenas em comparação as ratas CONT.

O consumo alimentar também foi alterado na prenhez e/ou durante o tratamento. No grupo CONT e MICO-1 houve aumento no consumo em todas as semanas em relação ao dia zero e o uso contínuo do medicamento (MICO-2) resultou em diminuição significativa do consumo apenas no último dia de prenhez. De forma quase similar, o consumo hídrico também foi alterado, pois aumentou progressivamente nas semanas subsequentes do grupo CONT em comparação ao primeiro dia de prenhez. O consumo hídrico do grupo MICO-1 também aumentou nos dias 7 e 14 de prenhez. O uso prévio de MMS fez com que aumentasse o consumo de água no primeiro dia de prenheez (MICO-1 e MICO-2), porém no transcorrer da gestação o consumo diminuiu.

O uso de MMS alterou drasticamente os valores glicêmicos dos grupos estudados. Tanto os grupos CONT e MICO-1 apresentaram diminuição glicêmica apenas no último dia de prenhez, em relação ao dia 0, enquanto que o (MICO-2) tratado antes e durante a prenhez fez com que a glicemia fosse aumentada em valores compatíveis com o estado de hiperglicemia leve.

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Tabela 2: Parâmetros fisiológicos em ratas controle (CONT) não tratadas (MICO-1) e tratadas (MICO-2) na dose de 20 mg/Kg durante o período de prenhez.

*diferença significativa comparado ao seu próprio grupo

# diferença significativa comparado ao grupo controle

diferença significativa comparado entre os dois grupos tratados

(p<0,05 – ANOVA seguida do Teste de comparações múltiplas de Tukey)

Parâmetros CONT MICO-1 MICO-2

Peso corpóreo (g) Dia 0 243,8±14,5 264,7±4,8# 252,5±14,9# Dia 7 246,3±14,5 282,4±3,5*# 268,4±11,5# Dia 14 276,3±13,4* 312,3±15,0*# 272,9±13,3* Dia 21 333,1±16,2* 363,5±16,3*# 256,8±13,3# Consumo alimentar (g) Dia 0 15,5±1,7 19,8±2,9# 16,4±5,5 Dia 7 19,0±1,0* 23,1±3,7 20,7±5,2 Dia 14 22,8±2,9* 25,6±6,2 22,5±4,0 Dia 21 20,5±2,2* 26,3±5,0 18,9±7,6 Consumo hídrico (mL) Dia 0 31,0±1,9 37,0±6,7# 46,0±5,6# Dia 7 41,5±4,1* 46,2±9,1 48,7±8,7 Dia 14 49,0±1,9* 52,2±7,0* 42,5±10,6 Dia 21 49,6±3,2* 52,0±9,1* 37,2±8,7# Índice glicêmico (mg/dL) Dia 0 102,5±3,1 116,8±9,2 161,1±22,2# Dia 7 101,0±8,3 109,3±14,9 166,9±36,5# Dia 14 94,3±3,5 101,5±10,6 179,4±52,2# Dia 21 87,1±10,2* 80,5±15,6* 190,2±64,7#

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As curvas glicêmicas do teste oral de tolerância à glicose (TOTG) de todos os grupos experimentais estão apresentadas na Figura 07. Comparando-se os tempos glicêmicos 0 e 120 minutos em cada curva, não foram encontradas diferenças significativas p>0,05. Comparando-se valores glicêmicos no mesmo intervalo de tempo, o tratamento contínuo de MMS (MICO-2) aumentou mais que duas vezes sua glicemia (p<0,05). Em relação à Figura 08, a quantidade de glicose percorrida no sangue em 120 minutos foi muito maior que os outros grupos, mostrando que a hiperglicemia leve se manteve durante o teste.

Figura 07 – Teste oral de tolerância à glicose (TOTG) em ratas controle (CONT), ratas não tratadas (MICO-1) e tratadas (MICO-2) com MMS na dose de 20mg/Kg durante o período de prenhez. Os dados foram expressos com média ± desvio-padrão.

# diferença significativa comparada ao controle (tempo 0) (p<0,05 – ANOVA seguida do Teste de Tukey)

diferença significativa comparada entre o grupo tratado e não tratado (p<0,05 – ANOVA seguida do Teste de Tukey). 0 50 100 150 200 250 0 30 60 120 G li cem ia (m g/ dL ) Tempo (minutos) CONT MICO-1 MICO-2 # # # #

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Figura 08 – Médias glicêmicas ± desvio-padrão da área sob a curva (ASC) em ratas controle (CONT), ratas não tratadas (MICO-1) e tratados (MICO-2) com Micofenolato de Sódio na dose de 20mg/Kg durante a prenhez.

#diferença significativa comparada ao controle (tempo 0) (p<0,05 – ANOVA seguida do Teste de Tukey)

diferença significativa comparada entre o grupo tratado e não tratado (p<0,05 – ANOVA seguida do Teste de

Tukey).

A Tabela 03 mostra a performance reprodutiva das ratas. Das 10 ratas do grupo CONT, 100% alcançaram o período final, tiveram ninhadas com recém-nascidos (RN) vivos e nenhuma veio a óbito durante o período de tratamento. Contudo, os grupos MICO-1 e MICO-2 apresentaram resultados diferenciados, sendo que, no grupo MICO-1, das 14 ratas utilizadas, apenas 10 tiveram resultado positivo de prenhez, com reabsorções fetais (incluindo-se RN vivos). Quanto ao grupo MICO-2, das 17 ratas utilizadas, 15 tiveram diagnóstico positivo de prenhez, 03 morreram durante o tratamento e as outras 12 tiveram reabsorção total.

Com relação a fertilidade feminina, o índice de parto e índice de prenhez no grupo CONT foi 100%. Os animais do grupo MICO-1 apresentaram diminuição do Índice de fertilidade (37,5%). O tratamento durante a prenhez (MICO-2) interferiu em todos esses índices, com ausência de recém-nascidos no processo de laparotomia.

0,0 5000,0 10000,0 15000,0 20000,0 25000,0 30000,0

CONT MICO-1 MICO-1

G li ce m ia (m g/ dL/ 120 m in) #

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Tabela 03. Performance reprodutiva de ratas controle (CONT) não tratadas (MICO-1) e tratadas (MICO-2) no período de prenhez com Micofenolato de Sódio na dose de 20 mg/Kg.

CONT MICO-1 MICO-2

Ratas utilizadas 10 31

Ratas acasaladas 10 10 15

Ratas com gestação completa Ratas mortas

Ratas com reabsorção total Ratas com reabsorção e recém-nascidos vivos

Ratas com gestação inalterada

10 0 0 02 08 10 0 0 10 0 0* 03* 12* 0 0 Índice de fertilidade 100% 62,5%# 0%# Índice de parto 100% 100% 0%# Índice de prenhez 100% 100% 0%#

#diferença significativa comparada ao controle (tempo 0) (p<0,05 – Teste de Qui-quadrado)

diferença significativa comparada entre o grupo tratado e não tratado (p<0,05 – Teste de Qui-quadrado).

A tabela 04 mostra a média do peso relativo dos órgãos dos grupos. É possível verificar que os animais pertencentes ao grupo MICO-1 apresentaram um aumento do peso do fígado em relação ao grupo CONT. Quanto ao grupo MICO-2, em comparação ao MICO-1, houve aumento do coração e baço, com diminuição do valor hepático. Já a comparação entre MICO-2 e CONT mostrou uma diminuição no peso do fígado e da gordura periovariana, porém, houve aumentou do baço e rim direito.

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Tabela 04: Peso relativo dos órgãos de ratas controle (CONT), não tratadas (MICO-1) e tratadas (MICO-2) durante a prenhez na dose de 20mg/Kg de Micofenolato de Sódio.

Órgãos CONT MICO – 1 MICO – 2

Coração (g) 0,33 ± 0,02 0,31 ± 0,03 0,35 ± 0,03 Fígado (g) 3,83 ± 0,38 4,4 ± 0,41# 3,04 ± 0,30#  Baço (g) 0,18 ± 0,02 0,19 ± 0,03 0,24 ± 0,03# Rim direito (g) 0,28 ± 0,02 0,30 ± 0,02 0,32 ± 0,04# Rim esquerdo (g) Gordura Periovariana (g) 0,28 ± 0,02 1,35 ± 0,43 0,28 ± 0,02 1,04 ± 0,24 0,30 ± 0,02 0,92 ± 0,35#

#p<0,05 – diferença estatisticamente significativa comparado ao grupo controle (ANOVA seguida do Teste de comparações múltiplas de Tukey). diferença estatisticamente significativa entre os grupos tratados

Os parâmetros bioquímicos avaliados no final da prenhez estão apresentados na Tabela 05. Os níveis séricos de Colesterol Total, Triglicerídios, liporoteínas HDL e VLDL, e também da atividade enzimática da ALT do grupo MICO-2 apresentaram diminuição de seus valores comparado entre os grupos CONT e MICO-1. O grupo MICO-1 apresentou apenas uma diminuição dos níveis séricos da lipoproteína VLDL comparado ao grupo CONT. Quanto aos parâmetros imunológicos, a concentração de TNF placentário do MICO-1 teve uma diminuição em relação ao grupo CONT.

Tabela 05: Parâmetros Bioquímico de ratas controle (CONT), não tratadas (MICO-1) e tratadas (MICO-2) durante a prenhez na dose de 20mg/Kg de Micofenolato de Sódio.

CONT MICO – 1 MICO – 2

Colesterol (mg/dL) 83,5±10,8 78,5±5,4 54,6±7,6# Triglicérides (mg/dL) 146,0±28,9 180,2±80,0 51,4±8,9# HDL(mg/dL) 55,0±2,2 51,4±8,9 39,1±5,7# VLDL(mg/dL) 29,2±5,7 15,2±1,0# 10,2±2,1# ALT (U/L) 70,7±9,3 72,0±4,1 57,7±12,0# AST (U/L) 186,2±50,2 153,3±38,0 172,5±26,4 TNF placentário 100,3±24,5 40,8±14,9* -

#p<0,05 – diferença estatisticamente significativa comparado ao grupo controle (ANOVA seguida do Teste de comparações múltiplas de Tukey). diferença estatisticamente significativa entre os grupos tratados

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A Tabela 06 mostra o leucograma de todos os grupos experimentais. Embora não foram encontradas alterações na contagem de linfócito, neutrófilo e eosinófilo, o tratamento com MMS prévio à prenhez fez com que aumentasse as taxas de monócitos e leucócitos totais e o uso contínuo de MMS na prenhez aumentou o número de leucócitos totais.

Tabela 06: Leucograma de ratas controle (CONT), não tratadas (MICO-1) e tratadas (MICO-2) durante a prenhez na dose de 20mg/Kg de Micofenolato de Sódio.

CONT MICO-1 MICO-2

Linfócito (%) 59,6 ± 7,8 61,1 ± 3,1 63,0 ± 5,0

Neutrófilo (%) 35,4 ± 7,5 34,4 ± 1,1 31,6 ± 4,9

Eosinófilo (%) 1,1 ± 0,9 0,9 ± 0,9 0,8 ± 0,9

Monócito (%) 3,5 ± 1,5 5,5 ± 1,4* 4,7 ± 1,5

Leucócitos Totais (103/mm3) 8,2 ± 1,03 12,0 ± 0,72* 12,5 ± 2,8*

*p<0,05 – diferença estatisticamente significativa comparado ao grupo controle (ANOVA seguida do Teste de comparações múltiplas de Tukey)

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No documento NÁGILLA ORLEANNE LIMA DO CARMO (páginas 20-37)

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