QUESTÃO ERRADA
2.1 OBJETIVOS CONSTITUCIONAIS DA SEGURIDADE SOCIAL
do sistema. Os objetivos da Seguridade Social estão fixados no art. 194 da nossa Constituição Federal. O Decreto nº 3.048/99, em seu art. 1º, enumera esses mesmos objetivos, no entanto, denomina-os princípios e diretrizes da Seguridade Social.
Os objetivos da Seguridade Social, também chamados de princípios são aplicáveis à saúde, à assistência social e à previdência social. Toda via, a Lei nº 8.213/91, que trata dos Planos de Benefícios da Previdência Social aborda princípios específicos da previdência social, os quais serão estudados em momento oportuno.
CF/88, Art. 194. A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. (EC nº 20/98)
Parágrafo único. Compete ao poder público, nos termos da lei, organizar a seguridade social, com base nos seguintes objetivos:
I – universalidade da cobertura e do atendimento;
II – uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais;
III – seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços;
IV – irredutibilidade do valor dos benefícios;
V – equidade na forma de participação no custeio;
VI – diversidade da base de financiamento;
VII – caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e do governo nos órgãos colegiados.
Passamos a análise do Princípio Constitucional da Seguridade Social:
Universalidade da cobertura e do atendimento (CF, art. 194, parágrafo único, inciso I): O termo universalidade tem sua aplicabilidade em duas vertentes, universalidade da cobertura, entendida como (universalidade objetiva), estabelecendo que, a seguridade deve abranger todas as contingências sociais que geram necessidade de proteção social as pessoas, tais como maternidade, velhice, doenças, acidentes, invalidez e morte.
A universalidade do atendimento equivale a (universalidade subjetiva), todas as pessoas residentes no país, inclusive estrangeiras podem participar da proteção social patrocinada pelo Estado.
Com relação à saúde, esse princípio é aplicado sem nenhuma restrição. No tocante à assistência social, será aplicado para todas aquelas pessoas que necessitem de suas prestações. Quanto à previdência social, por ter caráter contributivo, todos, desde que contribuam para o sistema, podem participar. Para atender a esse princípio constitucional, foi criada, no regime geral de previdência social, a figura do segurado facultativo. Assim, todos, mesmo que não exerçam atividade remunerada, têm a cobertura previdenciária, para tanto, é necessário contribuir para o sistema previdenciário.
ATENÇÃO: Em provas de concurso é comum o examinador trocar as terminologias dos princípios. Ex.: UNIVERSALIDADE da cobertura e do atendimento, por UNIFORMIDADE da cobertura e do atendimento. O examinador vai fazendo essa espécie de trocadilhos.
Quanto ao Regime Geral de Previdência Social - RGPS, os menores de dezesseis anos podem ser segurados, na qualidade de segurados obrigatórios observado as exigências prevista na legislação. A regra geral é idade mínima de dezesseis anos, porém, a Constituição Federal prevê exceção à regra (art. 7º, inciso XXXIII), tornando possível a filiação aos quatorze anos de idade na condição de menor aprendiz, na qualidade de segurado empregado.
O menor aprendiz, que é o maior de 14 anos e menor de 24 anos de idade, sujeito à formação técnica-profissional metódica, sob a orientação de entidade qualificada, conforme disposto nos arts. 428 e 433 da CLT, na redação dada pela Lei nº 11.180/05, deve contribuir obrigatoriamente na qualidade de segurado obrigatório.
QUESTÃO ERRADA
16 – [CESPE - 2008 - INSS - Analista do Seguro Social] De acordo com o princípio da uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais, uma das condições para a aposentadoria por idade do trabalhador rural é a exigência de que atinja 65 anos de idade, se homem, ou 60 anos de idade, se mulher.
Certo [ ] Errado [ ]
A Constituição Federal implementou algumas diferenças em relação aos benefícios e serviços previdenciários das populações urbanas e rurais, com a finalidade de adequar a prestação às características de cada atividade. A própria Constituição prevê que os trabalhadores rurais pode aposentar-se por idade, com redução de 5 anos, ou seja, enquanto o trabalhador urbano se aposenta com 65 anos, se homem, e 60 anos, se mulher, os rurais aposentam-se com 60 anos, aposentam-se homem, e 55 anos, aposentam-se mulher.
CF/88, art. 201, § 7º É assegurada aposentadoria no regime geral de previdência social, nos termos da lei, obedecidas as seguintes condições:
[...]
II – sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta anos de idade, se mulher, reduzido em cinco anos o limite para os trabalhadores rurais de ambos os sexos e para os que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, nestes incluídos o produtor rural, o garimpeiro e o pescador artesanal.
É fato que o preceptivo em epígrafe é a franca especificação do indigitado art.
194, parágrafo único, inciso II, permitindo-se a adoção do importante aforismo do princípio Uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais, o qual, propende corrigir defeitos da legislação previdenciária rural que sempre apresentou um tratamento desigual em relação ao trabalhador rural.
A uniformidade diz respeito às contingências que irão ser cobertas, logo, os benefícios previdenciários devem ser idênticas para trabalhadores rurais e urbanos, não sendo lícita a criação de benefícios diferenciados. No que se refere à Seguridade Social, equivale dizer que as mesmas contingências que receberam, garantia no meio urbano deverão também receber garantia no meio rural.
Anterior a Carta de 1988 o tratamento dado à população rural era diferenciado, sendo que em regra, agora seguem a mesma normatização previdenciária, contudo existem exceções postas pela própria Constituição (art. 195, § 8º e 201, § 7°), por conta das peculiaridades dos trabalhadores rurais na condição de segurado especial que tem uma forma ímpar de contribuir para o sistema e para comprovar sua atividade rural.
A equivalência refere-se ao aspecto pecuniário dos benefícios ou à qualidade dos serviços, que não serão necessariamente iguais, mas
está relacionada com o valor pecuniário do benefício, que entre urbanos e rurais o valor deve ser equivalente, não necessariamente igual.
O fato de não ser necessariamente igual, é atribuído à forma diferenciada adotada para o cálculo do benefício a ser concedido. Como exemplo citamos a aposentadoria por tempo de contribuição, que para o cálculo do valor deste benefício é levado em consideração à idade do segurado, o tempo de contribuição, a expectativa de sobrevida, o salário-de-contribuição, elementos estes que podem influenciar no valor do benefício para mais ou para menos, a depender dos critérios previstos em lei.
Sendo assim, comparando os benefícios concedidos a diferentes segurados, é perfeitamente presumível a existência de benefícios com valores diferenciados, toda via a mesma fórmula matemática adotada para os trabalhadores urbanos, será também utilizado para os trabalhadores rurais, o resultado final da aplicação da fórmula vai depender dos critérios considerados para o cálculo do benefício.
Equivalência dos serviços dos trabalhadores urbanos e rurais, não tem como relacionar com valor pecuniário, até porque serviços não é prestação pecuniária. Para relacionar a equivalência dos serviços entre trabalhadores urbanos e rurais é atribuída a qualidade na concessão dos serviços, o que vale dizer que, a qualidade do serviço prestado a população urbana deve ser equivalente à população rural.
IMPORTANTE: Qualquer diferenciação entre os benefícios e serviços dos trabalhadores urbanos e rurais deve estar prevista no corpo do texto constitucional, sob pena de poder ser declarada inconstitucional, por afronta ao princípio em estudo.
QUESTÃO ERRADA
17 – [CESPE - 2013 - SEGER-ES - Analista Executivo – Adaptada] A aplicação do princípio da seletividade e distributividade dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais objetiva a correção dos equívocos da legislação previdenciária anterior, com a eliminação de qualquer discriminação entre trabalhadores urbanos e rurais.
Certo [ ] Errado [ ]
O princípio que objetiva a correção dos equívocos da legislação previdenciária anterior, com a eliminação de qualquer discriminação entre trabalhadores urbanos e rurais atualmente, é o princípio da uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais (art. 194, inciso II, CF/88). Vide comentário da questão 16.
Seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços (CF, art. 194, inciso III). Trata-se de princípio constitucional cuja aplicação ocorre no momento da elaboração da lei e que se desdobra em duas fases, quais sejam, a seleção de contingências e distribuição de proteção social.
A SELETIVIDADE atua na escolha dos benefícios e serviços a serem mantidos pela seguridade social. Seletividade na prestação dos benefícios e serviços implica dizer que, deve ser feita uma seleção pela lei quanto à outorga de benefícios ou serviços às pessoas, visto que pode acontecer de um risco social não acarretar dano a uma determinada pessoa.
Já a DISTRIBUTIVIDADE direciona a atuação do sistema protetivo para as pessoas com maior necessidade. É pertinente a distributividade dos benefícios e serviços da Seguridade Social, estabelecer preferências, de acordo com as possibilidades econômico-financeiras dos indivíduos. O princípio da seletividade é um desdobramento do princípio da igualdade, no sentido de que devem ser tratados os desiguais como desiguais, favorecendo, portanto, os que se encontrem em situação inferior. O princípio da distributividade é melhor aplicável à previdência e à assistência social.
Para uma melhor compreensão tomamos como exemplo a seguinte situação.
Imagine o benefício criado pelo legislador chamado de aposentadoria por invalidez, o risco social nesta situação é a invalidez para o trabalho, logo, o benefício deve ser direcionado não as pessoas que possuem capacidades para trabalhar, e sim para as pessoas que perderam a capacidade laboral. Outro exemplo interessante é a própria assistência social, que somente será prestada a quem dela necessitar, o que restringe a sua cobertura.
18 – [CESPE - 2012 - AGU – Advogado] Em face do princípio constitucional da irredutibilidade do valor dos benefícios previdenciários, a aplicação de novos critérios de cálculo mais benéficos estabelecidos em lei deve ser automaticamente estendida a todos os benefícios cuja concessão tenha corrido sob regime legal anterior.
Certo [ ] Errado [ ]
O princípio da irredutibilidade deve ser entendido como uma garantia de que os benefícios não terão seu VALOR DE FACE (inicial) reduzido.
O valor do benefício deve suprir os mínimos necessários à sobrevivência com dignidade, e, para tanto, não pode sofrer redução no seu valor mensal. O princípio da irredutibilidade deve ser entendido como uma garantia de que os benefícios não terão seus valores NOMINAIS reduzidos. Assim sendo, o STF entende que esse mandamento não exige que os valores dos benefícios sejam corrigidos, para preservar seu valor real, mas apenas que o valor nominal dos benefícios não seja reduzido (RE 298.694 - DJ 23/04/2004 e MS 24.875-1 - DJ 06/10/2006). O princípio da irredutibilidade do valor dos benefícios é princípio da Seguridade Social, aplicado à Previdência Social e à Assistência Social, exceto a Saúde, pois a saúde não é um benefício e sim um serviço comum a todos que dela necessitar.
É importante fazermos algumas considerações quanto ao dispositivo do art.
201, § 4º, da Constituição Federal de 1988, que diz: “É assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes, em caráter permanente, o valor real, conforme critérios definidos em lei”.
O texto constitucional faz alusão à preservação do valor real do benefício concedidos pela PREVIDÊNCIA SOCIAL, significa que periodicamente o benefício da previdência deverá ser reajustado para que possa ser mantido o seu poder de compra, corrigindo os efeitos provocados pela inflação. Sem grandes complicações, é pacífico o entendimento que APENAS os benefícios da previdência social encontram-se amparados pelo princípio da irredutibilidade dos benefícios e pelo princípio da preservação do valor real dos benefícios.
Sendo assim, o princípio constitucional da irredutibilidade do valor dos benefícios previdenciários, não se confunde com a aplicação de novos critérios para cálculo mais benéficos estabelecidos em virtude de lei nova.
Será aplicada a lei vigente na época do requerimento do benefício ou em momento anterior desde que o segurado possuía direito adquirido ao benefício, ou seja, aplica-se o princípio tempus regit actum para a concessão de benefício.
EMENTA: PREVIDENCIÁRIO E CONSTITUCIONAL. BENEFÍCIO CONCEDIDO ANTERIORMENTE À MAJORAÇÃO DO COEFICIENTE DE CÁLCULO DAS PARCELAS PREVIDENCIÁRIAS, IMPLEMENTADA PELAS LEIS 8.213/91 E 9032/95.
IMPOSSIBILIDADE DE RETROAÇÃO. ENTENDIMENTO DO SUPREMO TRIBUNAL
FEDERAL. RECURSO PROVIDO. REVOGAÇÃO DA TUTELA ANTECIPATÓRIA CONCEDIDA, SEM REPETIÇÃO DOS VALORES, DE CARÁTER ALIMENTAR E DE BOA-FÉ PERCEBIDOS. 1. Ressalvado entendimento pessoal, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal firmou-se no sentido de que os benefícios previdenciários se regerão pela legislação vigente à época de sua concessão. Súmula 359, STF. 2. As Leis 8.213/91 e 9.032/95, ao majorarem o coeficiente de cálculo dos benefícios previdenciários por elas disciplinados, sem conferirem retroatividade a seus efeitos, submetem-se à exigência normativa estabelecida no art. 195, § 5º, da Constituição: “Nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado, majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio total” (RE 518124 / PE).
QUESTÃO ERRADA
19 – [CESPE - 2013 - SEGER-ES - Analista Executivo - Adaptada] Em virtude do princípio da equidade na forma de participação no custeio, é possível, no âmbito do regime geral de previdência social (RGPS), a estipulação de alíquotas de contribuição social diferenciadas, de acordo com as diferentes capacidades contributivas.
Certo [ ] Errado [ ]
Equidade na forma de participação no custeio previsto na (CF/88, art.
194, inciso V), tem como fundamento a justiça social fundada na igualdade.
Este princípio desdobra os princípios da igualdade e da capacidade contributiva, tendo como destinatário o legislador ordinário, uma vez que, cabe ao legislador mediante lei, instituir contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, buscando exigir do indivíduo quando possível, contribuição equivalente a seu poder aquisitivo.
Assim, significa que cada indivíduo deve contribuir na medida de suas possibilidades, quer seja pelo lucro do empregador, quer seja pelos salários dos empregados. Apenas os que estiverem em igualdade de condições poderão contribuir da mesma forma.
LOGO: QUEM GANHA MAIS R$, PAGA MAIS. QUEM GANHA MENOS R$, PAGA MENOS.
Este princípio assegura que, a norma previdenciária estabeleça contribuições diferenciadas, art. 195, § 9º, CF/88 “As contribuições sociais previstas no inciso I do caput deste artigo poderão ter alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão da atividade econômica, da utilização intensiva de mão-de-obra, do porte da empresa ou da condição estrutural do mercado de trabalho”.