• Nenhum resultado encontrado

Parte III – ENQUADRAMENTO DO ESTUDO

1. Objetivos da pesquisa

De modo a focar a pesquisa a realizar devem ficar definidos os objetivos gerais e específicos que a mesma respeita. Uma pesquisa desta natureza não atende inicialmente a quaisquer hipóteses que se pretendam vir a comprovar, ou mesmo à definição de questões de partida, sendo característica inicial do estudo a empreender, própria de um percurso exploratório, e posteriormente, assumirá uma caraterística interventiva.

Num primeiro momento de investigação visa-se descobrir em si mesma quais as logicas associadas às perceções e práticas sobre segurança e saúde no trabalho, dos trabalhadores do município de Albufeira. Numa segunda etapa, ambiciona-se mobilizar o conhecimento adquirido para definir tipologia que autorizem a formulação de programas e estratégias de intervenção conjuntamente com os atores sociais.

Tomamos em consideração que a pesquisa qualitativa que empreenderemos não visa comprovar quaisquer hipóteses que possam ficar definidas a priori. Guerra (2006b: 37) reforça a afirmação de que a construção inicial do objeto prolongar-se no tempo, pois este não está inteiramente formado à partida, visto que vai construindo-se progressivamente no terreno a partir da recolha de dados e na análise, e portanto, na interação, não existindo à partida “um quadro teórico e um quadro de hipóteses”. Tendo em conta o contexto metodológico, os objetivos que aqui ficam definidos não impedem no entanto que o percurso da investigação possa ser dinâmico e flexível (Vila et al., 2007). Mesmo não sendo obrigatória a explicitação de um quadro de objetivos rígidos, toma-se como importante definir à partida qual a contribuição teórica

que se espera alcançar com a investigação, assumida enquanto objetivo global do estudo e que se materializará nos objetivos gerais a empreender no campo da ação, e se reportam ao produto a obter no trabalho empírico.

Importa frisar que “o primeiro desenho do objeto é geralmente descritivo e empírico”, e que deve afastar desde logo as ideias pré-concebidas, “interrogando as evidências”, visto que o “primeiro obstáculo epistemológico” que se coloca ao investigador é, quase sempre, “a familiaridade com o objeto de análise, pelo que o foco da curiosidade sociológica é sempre um objeto reconstruido” (Guerra, 2006b: 37). Delimitaremos assim uma primeira definição do objeto, que pretende contribuir com um relato da “informação empírica indutivamente analisada”, constituindo-se como uma monografia critica, ou um documento que relate e inventarie as problemáticas a introduzir no processo de planeamento de uma futura intervenção participativa. Aí sim, posteriormente, e num segundo momento, procurar-se-á o ambicionado processo de intervenção-ação, onde considera poder dar-se “a segunda construção do objeto e o papel da teoria” (Guerra, 2010).

Como ponto de partida para a pesquisa apresentam-se os objetivos norteadores da mesma, divididos em duas etapas ou fases, uma fase correspondente a uma etapa de investigação (fase A), e uma segunda, correspondente a uma etapa de intervenção- ação (fase B), que aproveitará o conhecimento obtido para a construção de estratégias de intervenção.

Apresentam-se de forma estruturada os objetivos gerais e específicos previstos, sendo de salientar que a primeira fase componente da investigação, integrará técnicas de investigação tradicionais, em metodologia qualitativa, e as quais darão corpo ao diagnóstico que se pretende realizar. Posteriormente, como consequência da fase de diagnóstico previsto, e considerando a utilização da metodologia de investigação-ação, são alinhavados o conjunto de objetivos futuros que se propõem para a etapa seguinte de intervenção, e que dará continuidade à primeira componente investigativa e de recolha de dados.

Para evidência e devida descrição dos objetivos de investigação e de ação, apresentamos um diagrama que pretende demonstrar as relações que se estabelecem entre as diversas intenções de pesquisa-ação.

1.1 Objetivos da componente de investigação (fase A)

OBJECTIVO GERAL

Conhecer como concebem, explicam e atuam os trabalhadores do Município de Albufeira em matéria de segurança e saúde;

Diagnosticar as necessidades de abordagem dos fenómenos sociais relacionados com as perceções e práticas dos trabalhadores e capacidade de definir as intervenções dirigidas às suas causas.

OBJECTIVOS ESPECIFICOS

Analisar as conceções e as práticas de segurança e saúde dos trabalhadores do Município de Albufeira, em contexto de trabalho;

Identificar as necessidades apontadas pelos trabalhadores em matéria de segurança e saúde em contexto de trabalho;

Construir tipologias explicativas que autorizem posteriormente a formulação de programas e estratégias de intervenção com a participação dos trabalhadores, utilizando uma metodologia participativa.

1.2 Objetivos da Ação (fase B)

OBJECTIVO GERAL

Implicar os trabalhadores em comportamentos de segurança e saúde nos seus locais de trabalho (Envolvimento);

Estimular a aquisição de conhecimentos pelos trabalhadores, em matéria de segurança e saúde no trabalho (Formação);

Consolidar a participação dos trabalhadores no campo da segurança e saúde em contexto de trabalho (Empoderamento);

OBJECTIVOS ESPECIFICOS

Fomentar a cooperação dos trabalhadores na melhoria do sistema de segurança e saúde no trabalho;

Colocar na agenda dos trabalhadores, a preocupação e importância de zelar pela sua segurança e saúde e dos outros intervenientes;

Instituir vias efetivas de comunicação («canais» formais e informais), entre os trabalhadores e os seus representantes, em matéria de segurança e saúde no trabalho

Planear e executar ações de formação internas, dirigidas a temas específicos de acordo com as necessidades dos trabalhadores;

Concretizar a realização de reuniões semanais temáticas – diálogos de

segurança, com os diferentes grupos profissionais ou equipas de trabalho;

Planear e executar campanhas de promoção da saúde nos locais de trabalho, envolvendo os trabalhadores;

Influenciar e reforçar o compromisso dos diversos agentes no estabelecimento de práticas seguras e saudáveis nos locais de trabalho;

Incrementar a participação dos diferentes agentes na melhoria das condições de trabalho e definir as intervenções dirigidas às suas causas; • Efetivar a cooperação entre os trabalhadores e a equipa técnica de

1.3 Relação entre os objetivos de investigação e os da ação