PARTICIPANTES E MÉTODOS
1 OBJETIVOS DO ESTUDO
O principal objetivo da investigação, centra-se no estudo das repercussões da esquizofrenia no(s) filho(s) e no cônjuge.
Explicitamos os objetivos específicos, que pretendemos atingir:
• Caracterização da família do doente com esquizofrenia
• Avaliar o impacto nos filhos associado à doença psicótica do(s) progenitor(es). • Comparar os filhos dos doentes com esquizofrenia com um grupo de controlo. • Reunir informação que possa ser útil para um melhor conhecimento das
características da família com esquizofrenia, das suas necessidades e suas implicações, assim como contribuir para a definição de estratégias de intervenção no doente e na família.
2 POPULAÇÃO
A população em estudo foi constituída pelos doentes com o diagnóstico de esquizofrenia, seguidos num hospital Psiquiátrico do norte do país.
Para identificação de todos os doentes com o diagnóstico de esquizofrenia (CID9: 295), recorreu-se à base de dados de uma instituição psiquiátrica (registos dos serviços da consulta e do internamento). Foram identificados 3056 doentes com o diagnóstico de esquizofrenia.
3 AMOSTRA
Foi constituída por todos os doentes da população que cumpriram os seguintes requisitos:
Esquizofrenia e família: repercussões nos filhos e cônjuge
3.1 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO
• Indivíduos adultos de ambos os sexos, com o diagnóstico de esquizofrenia [diagnosticados pelos clínicos responsáveis, como casos de esquizofrenia (código: 295 de acordo com o CID 9)] e com filhos.
• O doente a viver ou ter contacto frequente com o(s) filho(s). • A existência de filhos biológicos
• A idade dos filhos situar-se entre os 6-18 anos, devido à validade dos instrumentos de avaliação utilizados.
• Saber ler e escrever por parte do doente e cônjuge.
• Aceitar participar voluntariamente no estudo e assinar o documento de consentimento informado.
3.2 CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO
• Encontrarem-se numa fase da doença que inviabilize as respostas. • Contacto com os filhos ausente ou demasiado distante.
• Idade dos filhos que não permitam participar no estudo.
3.3 PROCEDIMENTOS DE AMOSTRAGEM
Para a seleção da amostra foram utilizadas estratégias com a finalidade de obter o máximo de doentes referenciados.
1. Foi solicitado o apoio ao pessoal de Enfermagem da consulta externa, que ajudou a referenciar o maior número de doentes (melhor conhecimento dos doentes) com filhos.
2. Foi solicitada, colaboração a outros aos profissionais de saúde mental (psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais), pelo conhecimento que podiam ter dos doentes e famílias.
3. Foram consultados os processos clínicos no arquivo da instituição, para deteção de referências à existência de filhos. Esta consulta revelou-se pouco eficaz pela dificuldade em encontrar referências explícitas, relativamente aos descendentes. 4. Depois desta 2ª etapa, foram contactados os doentes e familiares, para validar e
completar informações relativas ao agregado familiar: situação conjugal do doente identificado, conferir a existência de filhos, número, sexo, idades, com quem viviam os filhos (ambos os progenitores, progenitores não doente ou progenitores doente).
Esquizofrenia e família: repercussões nos filhos e cônjuge
Este primeiro contacto foi realizado, pessoalmente, no espaço da consulta externa e pelo telefone. Aos doentes/familiares, eram explicados os objetivos e a finalidade do estudo e solicitada a participação para a etapa seguinte de recolha de dados.
Pelo método de seleção da amostra, conseguimos referenciar 213 (6,9%) doentes com o diagnóstico de esquizofrenia e que tinham filhos.
Dos doentes referenciados, foi possível contactar 155 famílias (72,8%) e temos a informação da existência de 274 filhos.
O processo de seleção dos doentes que reuniam os critérios para integrar a amostra do estudo passou por várias etapas (Figura 3).
Dos 58 doentes em que não foi possível estabelecer contacto, deveu-se ao facto de falta de informação atualizada.
Foram excluídos no processo de seleção da amostra 91 doentes, devido a vários fatores, essencialmente por não cumprirem os critérios de inclusão na amostra, como doentes a viver fora do país, doentes sem contacto directo com os filhos, doentes com idades avançadas, filhos já adultos e sem contacto com os pais… e dois doentes faleceram durante o período previsto para a recolha de dados.
Esquizofrenia e família: repercussões nos filhos e cônjuge
Figura 3 – Processo de seleção da amostra
ESQUIZOFRENIA 3056 doentes
(base dados)
Referenciados como tendo filhos 213 doentes – (274 filhos) (6,9% População) 58 doentes sem contacto (27,2% ref.) Contactados 155 doentes (72,8% referenciados) 64 doentes com critérios inclusão 91 doentes sem critérios de inclusão 12 doentes sem possibilidade de efetuar a colheita de dados 6 doentes recusam participar no estudo 2 doentes sem competências comunicacionais 2 doentes com filhos do cônjuge e sem contacto com os seus. 4 doentes apenas com parte da informação colhida 38 doentes (50 filhos/58) AMOSTRA (17,8%referenciados) (59,4%critérios) PARTICIPANTES E MÉTODOS
Esquizofrenia e família: repercussões nos filhos e cônjuge
Dos 64 doentes que reuniam as condições para participar no estudo, 26 doentes foram excluídos pelos seguintes motivos:
• 12 em que não foi possível efetuar a recolha de dados.
• 6 recusaram a participação, para evitar que os filhos tivessem conhecimento da doença dos pais.
• 2 por se encontrarem muito deteriorados mentalmente e sem competências comunicacionais.
• 2 que apesar de terem sido referenciados como progenitores, efetivamente não eram pais biológicos.
• 4 em que o casal parental estava separado e embora o doente tenha aceite participar no estudo, o progenitor com a guarda dos filhos, recusou a participação.
No final deste processo de seleção, conseguimos identificar como participantes no estudo 38 famílias de doentes, com o diagnóstico de esquizofrenia e que têm filhos.
Sendo a amostra constituída por três grupos:
• 38 doentes com o diagnóstico de esquizofrenia e que têm filhos • 25 cônjuges dos doentes
• 50 filhos dos doentes com idades compreendidas entre os 6 e os 18 anos. PARTICIPANTES E MÉTODOS
Esquizofrenia e família: repercussões nos filhos e cônjuge