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Sentimentos negativos IN

PFQP Alfa Cronbach

Ajuda Recebida Sobrecarga Objetiva Atitudes Positivas Criticismo Sobrecarga Subjetiva Sobrecarga crianças Carvalho, 2011 ,55 ,82 ,64 ,31 ,60 ,87

Xavier et al., 2002 ,74 ,86 ,67 ,38 ,80 N.A.

N.A. – não avaliado

Curiosamente, este instrumento apresenta duas questões relativas aos filhos/descendentes dos doentes, mais especificamente, relativas à sobrecarga nos filhos, uma aproximação à importância e atenção que devem prestar aos seus filhos. Nesta dimensão, o valor de alfa de Cronbach é o mais elevado de toda a escala, o que nos permite inferir que este questionário avalia estes itens.

Apesar de não possuirmos valores, para poder comparar os dados, apresentamos na tabela 54, os valores obtidos pelo estudo original de validação e um trabalho realizado com este instrumento. Os resultados, apresentam valores médios sobreponíveis aos valores de referência (Xavier et al., 2002) e ao estudo de implementação de um programa de psicoeducação aos familiares de doentes com esquizofrenia (Guedes, 2008).

Tabela 54 – Médias e desvio padrão de algumas dimensões do PFQP, em diferentes estudos.

PFQP M (DP) Ajuda Recebida Sobrecarga Objetiva Atitudes Positivas Criticismo Sobrecarga Subjetiva Carvalho, 2011 2,88 (±,48) 1,56 (±,78) 2,94 (±,64) 1,79 (±,84) 2,03 (±,52) Xavier et al.,2002 2,53 (±,63) 1,73 (±,57) 2,48 (±,63) 1,44 (±,60) 2,11 (±,59) Guedes, 2008 2,74 (±,38) 2,38 (±,71) 2,42 (±,92) N.A. 2,37 (±,50) N.A. – não avaliado

Esquizofrenia e família: repercussões nos filhos e cônjuge

FILHOS

Embora grande parte dos doentes mentais não tenha filhos, a verdade é que quando os há, a repercussão da psicopatologia na relação parental e na atmosfera familiar constitui um risco aumentado para a saúde mental das crianças (Beardslee et al., 1983; Dunn, 1993; Turner, 1993, Hunstman, 2008).

Existe uma multiplicidade de riscos psicológicos, todos eles contribuindo para uma menor adaptabilidade da criança.

Uma vinculação insegura, é mais frequente em pais com doença mental assim como os conflitos familiares e nas relações sociais e de trabalho.

Quando se fala em vulnerabilidade, seja biológica, emocional e económica (Hatfield, 1979), não tem necessariamente de ser uma “determinante fatalista”, uma vez que que nem todos os pais exercem papel parental de forma menos adequada ou eficiente… (Wang e Goldschimdt, 1994). Muitas crianças, conseguem ter recursos suficientes para lidar com situações de doença mental parental, ainda que esses recursos dependam de inúmeros fatores, um dos quais a idade.

O número de filhos, apesar de ser um número redondo e emblemático (50 filhos), foi quase acidental, uma vez que a tentativa era aumentar o número de doentes com filhos, não propriamente o dos descendentes. Este número, resulta da existência de vários filhos por casal o que nos permitiu ter um número de superior.

A distribuição por sexo apresenta um valor exatamente igual, o que não foi intencional, apenas uma coincidência.

A idade das crianças/adolescentes foi intencional, uma vez que pretendíamos filhos com idades compreendidas entre os 6 e os 18 anos. Verificamos a existência de vários filhos com idades extremas a esta condição, que foram excluídos, quer devido à validade dos instrumentos e à facilidade/dificuldade nas respostas, assim como pela idade superior a 18 anos, pela possibilidade de lidarem com a doença do progenitor de outra forma, mais distante, com maior afastamento/menor contacto, ou por apresentarem mecanismos de adaptação à doença do progenitor.

A opção pelo intervalo de idades entre os 6 e os 18, está de acordo com outros estudos, que fazem a prevalência dos problemas psiquiátricos, devido à validade e aplicabilidade dos instrumentos de avaliação (Fombonne, 2005).

Esquizofrenia e família: repercussões nos filhos e cônjuge

O número de filhos implicados, não nos permitem extrapolar, nem fazer análises de determinados comportamentos.

Os resultados encontrados, são meramente indicadores, uma vez que não existem termos de comparação em Portugal, por este motivo, a investigação foi mais difícil, mas também mais desafiante.

As médias encontradas no CBCL e no YSR estão de acordo com os valores de referência para a população não clínica de Achenbach (2001).

Os resultados originais são apresentados, em função da idade (6-11 e 12-18) e do sexo. Achenbach considerou dois tipos de resultados, um em função de um perfil do jovem americano (T score) quer seja amostra clínica ou não clínica (Ref ou Nonref) e os valores brutos do instrumento (Raw Score). Estes resultados, são apresentados na tabela 53, em que podemos verificar as diferenças de médias nas dimensões que compõem o CBCL, no GE e no GC assim como os resultados padrão de Achenbach (2001).

Como referenciado anteriormente e apesar dos resultados diferentes em algumas dimensões, não apresentam diferenças estatisticamente significativas.

Pela interpretação e comparação dos dados nesta tabela, verificamos que os dados do nosso estudo são globalmente superiores aos dados brutos da população não clínica de

Achenbach, ainda que com maior significado no grupo de estudo.

Esta observação é mais evidente quando analisados os dados dos rapazes com idades entre os 6 e 11 anos. As dimensões “comportamento delinquente” e “comportamento agressivo”, são as que recebem as médias mais elevadas e consequentemente a dimensão “externalização”, no entanto ainda muito longe dos valores de referência do para a população clínica.

Esquizofrenia e família: repercussões nos filhos e cônjuge

Tabela 55 – Valores das médias e desvio padrão do CBCL no GE e no GC e os valores de referência de Achenbach (2001)

Appendix D, pag. 221-224 Achenbach, 2001

A aplicação do CBCL, tem sido utilizada em vários países, desde o Canadá (Offord et al.), aos EUA (Costello et al.), em Porto Rico (Bird et al.), na Suíça (Steinnhausen et al.), na Holanda (Verhulst et al.) de acordo com Fombonne, (2005).

Ivanova et al., 2007, apresentam um estudo em que fazem uma revisão da estrutura do CBCL e dos 8 síndromes que o compõem, em 30 países sendo Portugal representado por António Fonseca, da Universidade de Coimbra.

Em 2010, Ivanova et al., fazem o mesmo teste de validação da estrutura do CBCL, mas direcionada para a idade do pré-escolar em 23 países, com a colaboração portuguesa de Pedro Dias e Miguel Gonçalves, comprovando a importância da bateria ASEBA no estudo do comportamento das crianças.

Este instrumento tem sido usado regularmente como fonte de estudos em diferentes patologias, como o caso da asma (Klinnert et al., 2008), no estudo do comportamento pré-cirúrgico, na utilização de diferentes técnicas cirúrgicas (Ericson, 2006), em estudos em crianças com atraso mental (Embregts, 2000), em crianças com epilepsia (Bender, 2008) entre outros exemplos.