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3 O CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM GESTÃO DE SAÚDE: UMA ANÁLISE

3.6 Objetivos e Finalidades que Estimulem o Ensino e a Aprendizagem

Pensar em possibilidades reais de efetivação de uma Educação com qualidade social pressupõe elencar objetivos e finalidades que, de fato, estimulem o ensino e a aprendizagem nas instituições escolares.

Estes objetivos devem envolver, segundo Dourado e Oliveira (2009), a coletividade escolar, de forma satisfatória e engajada em todo o processo político e pedagógico, principalmente, no que se refere ao ensino e à aprendizagem. Com o intuito, de fomentar o sucesso dos alunos através da melhoria de seu desempenho escolar e da qualidade da Educação ofertada pela escola.

a) Projeto Pedagógico

Em seu Projeto Pedagógico (IFPA, 2004, p. 7), o Curso Superior de Tecnologia em Gestão de Saúde prevê “formar um profissional que atua na promoção, proteção e recuperação da saúde, assim como no gerenciamento dos serviços de saúde”.

Esta visão está estritamente vinculada àquela prevista pelos documentos oficiais que regulam a Educação Profissional e Tecnológica, em que,

Os currículos dos Cursos Superiores de Tecnologia devem ser estruturados em função das competências a serem adquiridas e ser elaborados a partir das necessidades oriundas do mundo do trabalho. O objetivo é o de capacitar o estudante para o desenvolvimento de competências profissionais que se traduzam na aplicação, no desenvolvimento (pesquisa aplicada e inovação tecnológica) e na difusão de tecnologias, na gestão de processos de produção de bens e serviços e na criação de condições para articular, mobilizar e colocar em ação conhecimentos, habilidades, valores e atitudes para responder, de forma original e criativa, com eficiência e eficácia, aos desafios e requerimentos do mundo do trabalho. (CNE/CP, 2002, p. 19).

Como pudemos perceber, em consonância com o que está previsto nos documentos oficiais, o Projeto Pedagógico do Curso visa a uma formação orientadapara o desenvolvimento de determinada função, não prevendo uma formação voltada para as necessidades da vida cotidiana, para além das necessidades e demandas do mercado de trabalho.

O Projeto Pedagógico do Curso, além dos objetivos, não trata de finalidades em seu texto; ele descreve apenas as competências e as habilidades, como requisitos necessários para que o aluno efetive sua aprovação nas disciplinas e sua posterior integralização curricular.

As competências e as habilidades referem-se à peculiaridade de cada disciplina da matriz curricular. Elas se configuram na base determinante para a formação do Curso em questão e visam aplicar fundamentos que possibilitem ao educando identificar, conhecer, elaborar, aplicar, compreender funções específicas na área de Gestão de Saúde.

b) Os Sujeitos da Pesquisa

Para a Coordenação do Curso, os objetivos do Curso pressupõem,

Uma qualidade na formação que é fortalecida pela interação com o serviço (trabalho). Isso é algo bem real nos estágios. Isso tem estimulado muito os alunos ao se sentirem ainda enquanto alunos, parte importante do serviço (trabalho). O que contribui com o processo de ensino e aprendizagem. (CGS)

Percebemos uma relação direta da formação com o mercado de trabalho, para o desenvolvimento de uma função específica, compondo, assim, o perfil profissional dos alunos do Curso.

Nesta mesma direção, com objetivos claros intencionando a formação para o trabalho, o docente 3, descreve sua resposta para este indicador:

Capacitar os alunos para o mercado de trabalho. (DGS3)

Quanto aos docentes 1 e 2, estes indicam objetivos e finalidades que levem em consideração uma certa “reflexão” acerca da formação/profissão dos alunos. Contudo, percebemos que estes docentes discutem essa reflexão no que tange aos conteúdos e às atividades relativas à sua disciplina.

Reforçar os conteúdos através de momentos práticos e destacando para os educandos que os espaços pedagógicos podem ser qualquer lugar, desde que a orientação dos conteúdos seja bem definida no contexto da disciplina. (DGS1)

Na minha visão, os objetivos e finalidade foram definidos sim para estimularem o ensino e aprendizagem com qualidade, pois, na medida em que direciono a disciplina para uma reflexão de sua profissão na realidade em que eles estão inseridos. (DGS2)

Ao tratarmos sobre a efetividade deste indicador para a promoção da qualidade em sua formação, os alunos 2, 3 e 4 comentaram que:

Sim. As atividades desenvolvidas estimulam e beneficiam de maneira concreta em nossa formação. (AGS2).

Sim, pois, o IFPA se difere das outras instituições por ter profissionais que atuam em diversos Cursos, tendo um olhar amplo, em conhecimento maior. Com isso, nos estimula a sair da teoria para ir à prática atendendo aos objetivos prescritos no Curso. (AGS3).

Sim, pois, as disciplinas ministradas no Curso, trabalhadas em conjunto, fornecem um embasamento para o melhor desempenho da gestão, objeto do Curso. (AGS4).

Estes alunos acreditam que os objetivos e as finalidades propostos para o Curso proporcionam qualidade para a sua formação, seja, pelo desenvolvimento de conteúdos específicos das disciplinas; seja pelas atividades desenvolvidas nas comunidades,

possibilitando a “interação” entre teoria e prática.

Para os alunos 1 e 5, existe uma outra visão sobre este indicador. Suas falas indicam negativamente para a qualidade da formação, em se tratando dos objetivos e das finalidades descritos no Projeto Pedagógico do Curso. Segundo eles, para a efetivação de qualidade na formação através deste indicador, seria necessário:

Atuar no meio profissional de modo mais adequado, no que tange ao planejamento estratégico e adequação de políticas públicas de acordo com a realidade atual. (AGS1).

Um corpo docente maior, além, de contratos com as instituições de saúde para a inserção de alunos através de convênios de estágios. (AGS5).

A partir das falas descritas, percebemos um limitado reconhecimento sobre qualidade, a partir dos objetivos e das finalidades estabelecidos na Educação ofertada para aqueles que buscam uma formação técnica para a atuação no mercado, mas, sem levar em consideração uma formação crítica e autônoma para uma possível contestação de sua condição de vida e nas relações cotidianas, dentro e fora do trabalho.

Portanto, a formação específica para o desenvolvimento de funções para atuação no mercado, ofertada no Curso estudado, não aponta para a aquisição de conhecimentos que considere a reflexão e a crítica como componentes fundamentais para a elevação sua condição humana e social e para a compreensão da sua vida laboral.

A qualidade prevista no Projeto Pedagógico e na opinião dos sujeitos entrevistados refere-se ao envolvimento do profissional com o contexto específico de sua atuação. Esta qualidade pouco tem contribuído com a sua formação pessoal. Assim, para Estevão (2001), a qualidade deve estar proposta no bojo de objetivos e de finalidades bem delineados para a promoção de uma formação que não esteja apenas a serviço do que requer o mercado de trabalho, visando ao controle social. É preciso que uma formação qualificada leve em consideração a gestão democrática política, administrativa e pedagógica da instituição, na qual os alunos serão sempre beneficiados com uma formação integral e de qualidade.

Mesmo indicando alguma preocupação nas suas competências no primeiro ano, em relação a “conhecer as relações sociais e a importância da cultura popular na comunidade”, o Projeto Pedagógico do Curso não assinala para o desenvolvimento de aspectos que promovam a qualidade de vida dos futuros profissionais. Também, o Projeto Político do Curso não expressa intenção de consubstanciar a formação em

relação à compreensão da realidade e das condições nas quais atuarão os alunos como profissionais. O documento busca apenas prestigiar o conhecimento da realidade em que o aluno atuará no combate à doença, a partir de uma formação técnica.

De acordo com seu Projeto Pedagógico e com as falas dos sujeitos pesquisados, o que percebemos é a oferta de uma formação que prima por ações que visem “atuar na Vigilância Ambiental”, “coordenar e planejar programas e estratégias emergenciais”, “gerenciar” e “avaliar”. Estas são terminologias presentes nos objetivos do Projeto Pedagógico do Curso, os quais evidenciam seu caráter especificamente técnico, com vistas à formação e à aquisição de especialidades técnicas para atuar com algumas demandas da área da Saúde.