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Objetivos e problemáticas da investigação

PARTE I DEFINIÇÃO E EVOLUÇÃO DO CRIME CONTRA A

Capítulo 4. Pressupostos metodológicos

4.1. Objetivos e problemáticas da investigação

Partimos para esta investigação com duas questões de partida e quatro objetivos de investigação. As duas questões foram as seguintes:

 Qual é a atual situação do município de Guimarães face ao crime contra a propriedade?

 Quais são as perceções dos vimaranenses relativamente aos crimes de furto e roubo que ocorrem em Guimarães?

No que concerne aos objetivos centramo-nos nos seguintes:

 Caraterizar os crimes contra o património existentes no município de Guimarães;

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 Aferir os fatores propiciadores e impeditivos à ocorrência do crime no município de Guimarães;

 Avaliar os impactos do crime de furto e roubo no espaço;

 Aferir a perceção dos residentes sobre o crime contra a propriedade mais representativo no município de Guimarães.

Estas foram as nossas metas de trabalho e pelas quais nos fomos guiando ao longo do processo de recolha/pesquisa de informação, bem como mais tarde na fase de levantamento de dados.

Para podermos prosseguir com a investigação, e a par da escolha dos objetivos e da problemática, também delineamos estratégias de trabalho baseadas em métodos de recolha de informação através de fontes primárias e secundárias. No caso das fontes primárias começamos por recorrer à recolha e tratamento do número de queixas de crime contra o património (em particular os crimes de furto e roubo) declarados ao Tribunal da Comarca de Guimarães.

Iniciamos em 2011 os primeiros contactos com o Tribunal de Guimarães. No dia 17 de novembro 2011 dirigimo-nos através de carta ao Senhor Presidente do Tribunal da Comarca de Guimarães solicitando os dados pretendidos (Anexo 9). Foi- nos respondido inicialmente que não existia nenhuma informação disponível, resposta esta que nos pareceu um pouco vaga, decidindo voltar a insistir e explicitando todos os dados que pretendíamos (Consultar Anexo 10). A esta segunda carta não nos foi remetida qualquer resposta, decidindo enviar uma terceira carta a 12 de março de 2011, mas também sem resposta (Consultar Anexo 11).

Visto estarmos perante um problema de comunicação, dirigimo-nos ao Tribunal de Guimarães solicitando a informação pretendida, mas foi-nos respondido que a informação existia mas que não estava em formato digital, o que obrigaria à recruta de um funcionário para recolher os dados. Visto se tratar de um razoável período temporal de recolha de informação (2009 a 2012) tal não era possível de concretizar.

Fechada esta possibilidade de obtenção de informação tivemos de equacionar outro método de recolha de informação, decidindo contactar as duas forças policiais com maior atividade no município, a Guarda Nacional Republicana (G.N.R.) e a Polícia de Segurança Pública (P.S.P.). No dia 13 de outubro de 2011 enviamos as primeiras cartas às duas Forças de Segurança (Consultar Anexos 2 e 7). Durante cerca de 1 ano

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mantivemos negociações, até que nos foi dada a autorização por parte das duas forças policiais para podermos ter acesso aos dados referentes às queixas-crime apresentadas pelas vítimas entre os anos de 2009 e 2012 (Consultar Anexos 3, 4, 5, 6 e 8).

O acesso ao número de vítimas/crimes de furto praticados no município constitui a principal base do trabalho prático realizado. Só a análise das características da ocorrência do crime nos pode fornecer padrões de atividade criminosa, e ajudar a perceber as dinâmicas da criminalidade no município. Os dados em bruto do número de crimes estão disponíveis no portal das Estatísticas Oficiais da Justiça da Direção-Geral da Política da Justiça, mas o nosso interesse era ir mais longe na investigação. O nosso objetivo era aferir os fatores propiciadores e impeditivos à ocorrência do crime no município de Guimarães. Era perceber, de que modo, os munícipes, de forma inconsciente, se tornavam agentes de segurança. Os vários estudos que lemos de Newman (1972), Jacobs (1961), Jeffery (1971, 1977), Fonseca (1984), Crowe (1991), Alves et al. (1994), Esteves (1999), Leal (2007), Machado (2008), todos eles defensores de várias teorias têm em comum o seguinte: a população sendo ela residente, turista ou transeunte, influencia, de algum modo, a forma de estar, ver, sentir e imaginar os espaços. Com base neste pressuposto quisemos perceber a influência do povo vimaranense nos espaços.

Aliado ao conceito da influência da comunidade, decidimos explorar a importância da componente urbanística e o peso que esta exerce na conceção de criminalidade nos mapas mentais positivos e negativos dos munícipes. Para tal tínhamos como objetivo, a par do levantamento das várias características do crime, obter junto das Forças de Segurança o local/rua do crime de forma a perceber até que ponto o mobiliário urbano e a sua disposição influenciam o comportamento dos transeuntes e dos criminosos. Este objetivo não pôde ser alargado a todo o município devido à existência de várias falhas nas duas bases de dados obtidas. Então optamos por selecionar a freguesia com maior número de crimes e dentro desta, a rua com maior incidência de um tipo de crimes, de modo a podermos através do exemplo de uma rua explorar os possíveis fatores propiciadores do tipo de crime em causa.

Apesar dos anteriores objetivos delineados, ainda existia a necessidade de dar voz aos munícipes, de modo a tentar perceber o que eles sentem/pensam sobre a problemática da criminalidade (furtos/roubos) no município. Aplicámos um inquérito aos munícipes de Guimarães usando um questionário com questões maioritariamente

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fechadas quanto à forma, seguindo a estrutura usada por Esteves (1999) num inquérito de vitimização aplicado no município de Lisboa, aquando da sua dissertação de mestrado realizada em 1995. Foi solicitado à autora o questionário usado bem como foi pedida autorização para o aplicar ao município de Guimarães. Posteriormente, foi elaborado um questionário mais curto e com outra orientação.