2 O PROJETO ORIGINAL E AS EXPECTATIVAS GERADAS
2.2 OBJETIVOS E EXPECTATIVAS
O lançamento do Complexo Costa do Sauípe gerou muitas expectativas: nos seus empreendedores, nos moradores do entorno do empreendimento, na sociedade baiana e brasileira, nos órgãos governamentais ligados ao turismo, no governo do estado e no mercado hoteleiro nacional. O alto grau de expectativas gerado pelo empreendimento pode ser contextualizado através das declarações prestadas à imprensa por formadores de opinião em diversos setores da sociedade (governo estadual e federal, representantes do setor de turismo, comerciantes e imprensa), algumas delas inclusive, explicitamente referindo-se à importância do empreendimento.
“Este empreendimento deverá ser exemplo para uma nova etapa do turismo no País e a Bahia vem mostrando as melhores condições para desenvolver este segmento, frisou o ministro do Esporte e Turismo, Carlos Melles.” (BARNUEVO, 2000).
Mas não só a iniciativa privada aguarda o sucesso de Sauípe. O governo do estado aposta no investimento como parte fundamental do projeto que visa tornar a Bahia o destino turístico número um do Brasil até 2005. Nós vamos
dar nosso apoio trabalhando em parceria com a Bahiatursa, com nossas embaixadas, promovendo mais vôos charters. Acredito sim que a Bahia, se manter a mesma política, pode tirar do Rio de Janeiro o posto de número um do turismo nacional, declara Caio Carvalho, presidente da Embratur. (INAUGURADA..., 2000).
“Para o senador Antônio Carlos Magalhães, o Porto de Sauípe é importante na medida que levará o turismo para aquela área da Linha Verde.” (FUNDO..., 1997).
“Na avaliação do governador Paulo Souto, o projeto Sauípe é tão importante que vai significar um novo patamar de qualidade para o turismo no estado.” (FUNDO..., 1997).
“Este empreendimento reforça o caráter receptor turístico do estado. Estávamos certos quando apostamos no setor como grande gerador de emprego e renda para a população, diz o governador César Borges.” (BROTAS, 2000).
O sofisticado empreendimento alimenta ainda a intenção do governo de alçar o estado à primeira colocação do ranking no turismo brasileiro, a ponto de o secretário de Cultura e Turismo, Paulo Gaudenzi, classificá-lo como um divisor de águas, com efeito multiplicador sobre outros destinos do estado. ‘Teremos um incremento tanto quantitativo quanto qualitativo no nosso fluxo’, analisa Gaudenzi. (BROTAS, 2000).
O governo muniu a região de serviços básicos porque o complexo, além de representar um marco para o fortalecimento do turismo no estado, tem um reflexo social muito forte, definiu o secretário de Infra-Estrutura, Roberto
Moussallem. (SANTANA, 2000).
“O empreendimento causou a melhor impressão possível. Na realidade, ele deixa a Bahia apta a receber turistas de classe A e B, com maior poder aquisitivo, opina o presidente da Abav na Bahia, Pedro Galvão.” (BROTAS, 2000).
Com inauguração prevista para o primeiro dia do ano 2000, o Complexo Turístico Sauípe já demonstra influência na vida dos moradores de Porto Sauípe, aprazível vila do município de Entre Rios, situada a 93 quilômetros de Salvador. Os comerciantes afirmam que a situação ficará excelente dentro de dois anos. (FUTURO..., 1998).
Dentre muitas comemorações dos 500 anos da chegada da esquadra de Cabral à Bahia, uma definitivamente poderá marcar a história do turismo no estado. É a inauguração do Complexo Turístico Sauípe, previsto para entrar em operação no primeiro dia do ano 2000. (SOUZA, 1998).
A iniciativa colocará o país na era dos grandes hotéis de lazer, os mega-
resorts. [...] O projeto [...] pretende mudar a escala dos negócios do turismo
Sauípe é um exemplo do que pode ser feito para livrar o Brasil de um velho paradoxo: o de ser o país privilegiadíssimo, com enorme diversidade natural e cultural e, apesar disso, acolher apenas 0,7% do fluxo turístico mundial. Sul. (MORAIS, 2000).
Inauguração de megaresort em estilo caribenho coroa a explosão do turismo no Nordeste Quando for inaugurado, em julho, o Brasil entrará, enfim, na era dos megaresorts, ao estilo dos que existem há décadas no Caribe e na Polinésia Francesa. [...] A aposta é ambiciosa. Com ela, pretende-se mudar a escala do turismo nacional. (CAMACHO, 2000)
A realização da audaciosa meta, apontada em veículos de grande circulação nacional como as Revistas Exame e Veja – de mostrar ao Brasil o caminho para escapar do paradoxo de ter um desempenho abaixo do esperado no turismo internacional, apesar da sua grande diversidade cultural e muitas belezas naturais – passava inequivocamente pelo sucesso do projeto enquanto empreendimento. A lógica era que os resultados positivos para os investidores atrairiam mais investimentos para a região, seja de investidores locais, nacionais ou internacionais, consolidaria a Costa dos Coqueiros como destino internacional e justificaria os investimentos governamentais através da geração de empregos diretos e indiretos.
Os empreendedores de Costa do Sauípe declararam na imprensa nacional esperar uma taxa de retorno de investimento equivalente ao “padrão internacional no segmento de resorts” (MORAIS, 2000), ou seja, de 16% ao ano, o que representa um lucro anual médio esperado de R$40 milhões. Esta taxa de retorno garantiria a recuperação do capital investido (R$340 milhões) em pouco mais de oito anos.
“A meta é ter uma resposta entre oito e doze anos, mas caso se mantenha esta procura, em breve vamos investir em ampliações”, ressaltou Luiz Tarquínio, presidente do Previ (INAUGURADA..., 2000).
A expectativa de retorno dos empreendedores mostrava-se compatível com a simulação do estudo de viabilidade de equipamentos turísticos típicos para equipamentos do tipo Resort, apresentado pela Secretaria de Cultura e Turismo (SCT) no PRODETUR, que apontava um retorno do investimento de cinco anos após o início das operações e de sete anos após o investimento inicial (ver Anexo A). Nesta simulação, a expectativa em relação a operações típicas de Resort seria de obtenção de lucro já no primeiro ano.