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2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICO-EMPÍRICA

2.3 PROCESSOS ADMINISTRATIVOS

2.3.1 Objetivos organizacionais

Para Simon (1979) a maioria das organizações são orientadas por determinada finalidade ou objetivo que constitui o propósito em função do qual as decisões e as atividades da organização são dirigidas. Etzioni (1976) corrobora com o autor e ainda assegura que as organizações são unidades sociais que procuram atingir objetivos específicos, ou seja, sua razão de ser é servir a esses objetivos.

Ainda para Etzioni (1976) os objetivos das organizações indicam uma orientação que a organização procura seguir e para isso estabelecem linhas mestras para a atividade da organização. Os objetivos constituem, também, de acordo com o autor, uma fonte de legitimidade que justifica as atividades de uma organização e, na verdade, até sua existência. Além disso, o autor destaca que os objetivos servem de padrões, através dos quais os membros das organizações e os estranhos a ela podem avaliar o êxito da organização – isto é, sua eficiência e seu rendimento. Por fim, o autor destaca que os objetivos servem também, de maneira semelhante, como unidades de medida para o estudioso de organizações, que tenta verificar sua produtividade.

De acordo com March e Simon (1958) há três tipos de objetivos: os objetivos oficiais, que são os objetivos publicamente anunciados, encontrados nos estatutos e normas; os objetivos operativos,

que são os objetivos que refletem a real intenção dos líderes; e objetivos operacionais, que são os objetivos que podem ser medidos de maneira concreta, podendo ser vistos como intermediários.

Perrow (1976) também distingue os objetivos, entretanto o faz em cinco categorias de objetivos: objetivos da sociedade (têm como ponto de referência a sociedade em geral); objetivos de produção (têm como referência o público que entra em contato com a organização); objetivos de sistemas (têm como ponto de referência o estado ou maneira de funcionar da organização); objetivos de produtos (têm como ponto de referência as características dos bens e serviços produzidos) e objetivos derivados (têm como ponto de referência os usos que a organização faz do poder originado na consecução de outros objetivos). Diante dessa distinção, o autor ainda sugere que primeiramente a organização defina seus objetivos societários e de produção, antes de discutir os objetivos de sistemas, produtos ou objetivos derivados. Essa diferenciação dos objetivos societários e de produção se deve ao fato de que são estes que definem os produtos ou serviços serão produzidos, justificando sua existência.

Outro conjunto de distinção entre os objetivos é destacado por Mohr (1973). Para o autor há três tipos possíveis de objetivos. O primeiro está relacionado ao fato de que os indivíduos têm metas para si, desta forma, são os objetivos que o motivarão a trabalhar. O segundo está relacionado aos objetivos que os indivíduos querem para o grupo ou organização. E por fim, o terceiro está relacionado ao fato dos objetivos da organização serem apresentados de modo coletivo. Ainda para o autor, os objetivos envolvem intenção e resultados (envolvendo metas com referências externas e internas).

Diante disso, cabe destacar ainda que o objetivo da organização, segundo Etzioni (1976), é a situação futura que a organização, como uma coletividade, procura atingir. E para poder atingir essa situação futura Simon (1979) destaca que o objetivo da organização acaba sendo, indiretamente, um objetivo pessoal de todos os seus participantes. Tal objetivo é influenciado, em parte, pelos objetivos dos grandes diretores, pelos da comissão de diretores e pelos dos subordinados, é determinado, às vezes, numa consulta pacífica, às vezes numa luta de poder entre as várias divisões, instalações, conspirações, subordinados e “personalidades” da organização (ETZIONI, 1976).

Etzioni (1976) assevera que muitos fatores entram em choque a fim de determinar o objetivo ou os objetivos de uma organização, como, por exemplo: os departamentos ou divisões da organização, os quais,

desempenham um papel predominante no processo; as personalidades dos membros da organização; e até mesmo as forças do ambiente.

Além de muitos fatores entrarem em choque na determinação dos objetivos, cabe ainda destacar que estes são frequentemente estabelecidos num complicado jogo de poder, que inclui diversos indivíduos e grupos, dentro e fora da organização, através da referencia aos valores que dirigem o comportamento em geral e ao comportamento específico dos indivíduos e grupos importantes numa determinada sociedade.

Diante do comportamento dos indivíduos e grupos, Simon (1979) destaca que grande parte desse comportamento, e particularmente o comportamento dos indivíduos nas organizações administrativas, é planejado, isto é, orientado no sentido de metas e objetivos. Ainda para o autor, se a administração consiste em realizar coisas por parte de grupos de pessoas, a existência de um objetivo se torna, portanto, o principal critério para determinar que coisas serão feitas. O autor ainda comenta que quase todos os membros de uma organização acabam imbuídos, em maior ou menor grau, dos objetivos desta, e são por estes influenciados no seu comportamento. Assim, pode-se perceber a importância da difusão dos objetivos dentro da organização. Entretanto, ainda sobre o comportamento dos indivíduos na organização, Simon (1979) ainda assegura que este orienta-se pelo objetivo da organização, isto não explica tudo, porque o próprio objetivo muda em resposta à influência daqueles para quem a sua realização satisfaz determinados valores pessoais.

Existem muitas organizações que, simultânea e legitimamente, têm dois ou mais objetivos. Algumas acrescentam novos objetivos aos originais, mas muitas formaram-se, inicialmente, para atingir mais de um objetivo ao mesmo tempo (ETZIONI, 1976). Ainda de acordo com Etzioni (1978), mesmo que os objetivos mais abstratos permaneçam constantes, a aplicação desses objetivos requer nova definição ou interpretação, na medida em que ocorram modificações na organização, no seu ambiente ou em ambos. Simon (1979) corrobora com Etzioni e complementa ao afirmar que o objetivo da organização não é estático, sendo assim pode ocorrer mudanças e transformações.

Segundo Simon (1979) a modificação do objetivo da organização representa, geralmente, uma conciliação dos interesses de diversos grupos de possíveis participantes, a fim de assegurar sua cooperação conjunta sempre que cada grupo é incapaz de conseguir individualmente e sem ajuda os seus próprios objetivos. Por essa razão, para o autor, o objetivo da organização raramente coincide de maneira

exata com os objetivos pessoais inclusive daqueles participantes cujo interesse na organização reside na realização de sua finalidade. A questão crucial, que o autor coloca, é que, para cada um desses indivíduos consiste em saber se o objetivo da organização se aproxima de seu objetivo pessoal, a ponto de fazê-lo escolher esse determinado grupo ao invés de tentar alcançar seu objetivo isoladamente, ou como membro de outro grupo qualquer.

Ainda diante da modificação dos objetivos, Simon (1979) destaca que o indivíduo que é leal aos objetivos da organização se oporá à modificação desses objetivos, e pode mesmo deixar de participar dela, se eles forem mudados de maneira radical. O indivíduo leal à organização apoiará as mudanças nos seus objetivos desde que sejam oportunam e se destinem a promover sua sobrevivência e expansão (SIMON, 1979).

Esse processo de acrescentar novos objetivos aos que já existem, ou modificá-los ou até mesmo redefini-los vai depender do interesse da organização. Segundo Etzioni (1976) os interesses da organização podem, portanto, levá-la a substituir os objetivos originais por objetivos secundários ou por meios, bem como, depois de atingir os objetivos iniciais, a procurar ativamente novos objetivos, ou a aceitar objetivos adicionais. O autor ainda assegura que no começo, esses últimos objetivos são muitas vezes justificados pelo fato de estimularem o trabalho com os objetivos iniciais, mas, frequentemente, tornam-se totalmente equivalentes àqueles, quando não os “dominam”.

Ainda sobre a substituição de objetivos, o mesmo autor afirma que

A forma mais comum e mais suave de substituição de objetivos é o processo pelo qual uma organização inverte a prioridade entre seus objetivos e meios, de maneira que os meios se transformam em objetivos, e os objetivos em meios. Os meios mais comuns substituídos dessa forma são a própria organização. As organizações são instrumentos; foram criadas para servir a um ou mais objetivos específicos. Todavia, no seu processo de formação, de obtenção de recursos e de mobilização de pessoal, formam-se grupos de interesse, mais preocupados em preservar e construir a organização que em auxiliá-la a cumprir sua finalidade inicial. Esses grupos de interesse utilizam os objetivos da organização

como meios para levantar fundos, obter isenções de taxas ou posições na comunidade, em resumo, como meios para seus objetivos pessoais. (ETZIONI, 1976, p.21)

Às vezes, as organizações chegam ao ponto de abandonar seus objetivos iniciais e adotar outros, mais ajustados às necessidades da organização (ETZIONI, 1976). É isso que Etzioni (1976) quer dizer ao afirmar que o objetivo da organização se torna um servo da organização, e não o seu senhor.

Diante dos objetivos organizacionais, cabe destacar que tem estado em grande voga na literatura sobre administração de empresas discutir o propósito de uma empresa, se o objetivo dela é a prestação de serviços ou a obtenção de lucros. Segundo Simon (1979) quando se examina o próprio sistema do comportamento organizativo, vê-se que tanto os objetivos referentes à prestação de serviço como os relacionados com a obtenção do lucro, influem nas decisões da organização. Desta forma, percebe-se que os objetivos organizacionais estão ligados diretamente com a tomada de decisão, assunto este do próximo tópico.