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SUMÁRIO

3. OBJETO DE ANÁLISE: TESOURAS DE PODA

Uma atividade frequente no cuidado com plantas é o ato de podar (Figura 01), que para Souza (2005) consiste em remover partes da planta a fim de: modificar seu vigor; produzir mais e melhor; manter o porte conveniente; modificar tendências; suprimir ramos supérfluos, inconvenientes, doentes ou mortos, dentre outros. Segundo Souza (2005) para isso é necessário utilizar pelo menos uma tesoura de poda, a qual é empregada para ramos de até ½ pol, ou seja (12,7 mm) de espessura.

Figura 1 – Atividade de podar plantas. Fonte: Fiskars (2014)

Dentre diversas atividades cotidianas, o cultivo de plantas em ambiente doméstico é campo de estudo da Etnobotânica, a qual é definida por Ford (1978) como o estudo das inter-relações diretas entre seres humanos e as plantas. Segundo pesquisas da área, cultivar e cuidar de plantas não é uma prática apenas nas zonas rurais, mas mesmo em áreas urbanas, ou com características menos rurais, há presença de locais em que pessoas cultivam plantas alimentares, medicinais, ornamentais, entre outras, em espaços como quintais (AMOROZO, 2008). Os quintais, em áreas urbanas, são também frequentemente destinados à produção de alimentos e remédios, principalmente entre as camadas mais carentes da população (AMOROZO, 2008).

As tesouras de poda, além do ambiente doméstico, também são amplamente utilizadas nas indústrias de produção de hortaliças, de frutas e de flores. Muitas marcas e modelos estão disponíveis com uma grande variedade de preços e características. Segundo Parish (1998), uma das qualidades mais importantes de uma tesoura de poda é a capacidade de cortar a madeira com o menor esforço possível (PARISH, 1998). Entretanto, além deste tipo de qualidade, o design de tesouras de poda tem sido avaliado e premiado por concursos mundiais em Design, como por exemplo, o prêmio Red Dot design, o maior prêmio da Alemanha; o Prêmio iF design, o maior concurso de design europeu; e o prêmio Good Design, o mais antigo prêmio anual dos EUA; o que revela a importância do projeto deste objeto enquanto “produto de design”, o qual apresenta além de seus atributos técnicos de funcionamento, características capazes de atrair o usuário no

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nível dos processos sensoriais, e promover a sensação de bem estar e prazer com a aparência global do produto.

A marca Finlandesa Fiskars® é uma grande vencedora nesses prêmios com tesouras de poda, dentre outros instrumentos manuais (FISKARS, 2014).

Dentre as tesouras premiadas da marca Fiskars® no Red Dot Design encontram-se: Red Dot Design 2002 (Figura 2); Red Dot Design 2009 (Figura 3); Red Dot Design 2011 (Figura 4); Red Dot Design 2012 (Figura 5); e Red Dot Design 2013 (Figura 6).

Figura 2 – Tesouras premiadas no Red Dot Design 2002: PowerLever™ Anvil Pruner P53 e PowerLever™ Bypass Pruner P54. Fonte: FISKARS (2014).

Figura 3 - Tesouras premiadas no Red Dot Design 2009: PowerStep™ Pruner Anvil P83. Fonte: FISKARS (2014).

Figura 4 - Tesouras premiadas no Red Dot Design 2011: SingleStep™ Pruners, SingleStep™ Anvil P25, SingleStep™

Bypass P26, SingleStep™ Snip SP27, SingleStep™ Universal Snip SP28. Fonte: FISKARS (2014).

Figura 5 - Tesoura premiada no Red Dot Design 2012: Quantum Bypass Pruner. Fonte: FISKARS (2014).

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Figura 6 - Tesoura premiada no Red Dot Design 2013: Fiskars SmartFit™ Pruner Bypass. Fonte: FISKARS (2014)

As tesouras de poda tradicionais são instrumentos manuais que são encontrados em dois tipos: tipo bigorna e tipo bypass. Conforme mostra a Figura 7, tesouras de poda bigorna têm uma lâmina afiada (normalmente reta) que é pressionada contra uma bigorna plana para fazer o corte (PARISH, 1998).

Figura 7 – Tesoura de poda do tipo bigorna. Fonte: Adaptado de ORIGINALLOWE (2013a)

Já a tesoura do tipo bypass, tem uma lâmina afiada e curvada, que fecha ao lado de uma segunda lâmina curvada que não está afiada. A ação de bypass das tesouras é semelhante a uma tesoura convencional, exceto que as lâminas são curvadas e uma não é afiada, conforme a Figura 8.

Figura 8 – Tesoura de poda do tipo bypass. Fonte: Adaptado de ORIGINALLOWE (2013b)

Segundo Päivinen et al. (1999/2000) esquematicamente, ferramentas como tesouras de poda são constituídas de mandíbulas com lâminas, uma articulação (eixo), duas pegas e, por vezes, um mecanismo de retorno, tais como uma mola e um sistema de bloqueio para mantê-la fechada, enquanto não estiver em uso (Figura 9).

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Figura 9 – Visão esquemática de tesouras de poda.

Fonte: Adaptado de Päivinen et al. (1999/2000)

A forma e a colocação de elementos estruturais devem ser concebidas de tal forma que a ferramenta torne-se eficiente. Peças, tais como o sistema de bloqueio devem ser fáceis de alcançar e operar. Todas as peças devem ser resistentes à sujeira e todos os materiais devem ser fáceis de manter e limpar (FREIVALDS, 1987 apud PÄIVINEN et al. 1999/2000).

Parish (1998) realizou um procedimento de ensaio consistiu em medir a força sobre a pega necessária para cortar cavilhas de madeira de vários diâmetros: 6.4, 7.9, 9.5, 12.7, 15.9, e 19,1 mm (0,25, 0,31, 0,38, 0,50, 0,63, 0,75 pol.). As cavilhas foram utilizadas para simular ramos de uma videira. A força foi medida com uma balança de mola aplicando-se força (no sentido de fechamento) vertical na empunhadura inferior, enquanto a outra pega foi fixada em um suporte de ensaio (Figura 10).

Figura 10 – Esquema do suporte de ensaio para medição da força necessária para cortar cavilhas de madeira.

Fonte: Adaptado de Parish (1999, n/p).

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Nos resultados de Parish (1998) algumas das tesouras de poda não cortaram as cavilhas maiores, seja porque as cavilhas maiores não se enquadravam no corte ou porque a força necessária excedeu os limites do aparelho de teste. Algumas diferenças significativas entre as forças para corte com as diferentes tesouras foram observadas, conforme apresenta a Tabela 1.

Tabela 1 - Tabela de forças necessárias para corte de diferentes cavilhas com diferentes tipos de tesoura de poda.

Fonte: Adaptado de Parish (1998, n/p).

Segundo Päivanen et al. (1999) em um sistema de trabalho onde instrumentos manuais são utilizados para realizar as tarefas, a qualidade destes instrumentos será determinante na quantidade de força que o indivíduo conseguirá exercer, na eficiência e no grau de conforto experimentado durante o trabalho e o projeto ergonômico da ferramenta influenciará a carga de trabalho físico.

Tesouras de poda são tipicamente utilizadas com uma mão e seguradas com uma força de preensão, a pega da palma é pressionada na linha que une a base do polegar em direção a área oposta (hipotenar) enquanto o manipulo inferior é ativado por flexão dos dedos (PÄIVINEN et al., 2000). Devido à exigência de repetitiva força manual, seu uso aumenta o risco de distúrbios musculoesqueléticos da mão e punho (ROQUELAURE et al., 2001), principalmente por causa da carga de magnitude física durante a tarefa de poda, a qual requer preensões e movimentos repetitivos do punho (ROQUELAURE et al., 2002), combinado com o trabalho estático no sistema superior braço-ombro (WAKULA et al., 2000). Portanto, devido à sua ampla utilização, é essencial melhorar as qualidades ergonômicas poda convencionais.

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