SUMÁRIO
10. RESULTADOS E DISCUSSÕES
10.1. Resultados dos estudos exploratórios
10.1.1. Estudo 1 - Prazer evocado pelos elementos estéticos: uma abordagem sobre usabilidade percebida
Participaram 12 estudantes universitários do gênero masculino, do curso de Design da Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” – UNESP- Campus Bauru. Os participantes apresentaram idade média de 22,50 anos (d.p. 1,56).
O material dos objetos foi relacionado em 50% das sentenças chave como um veículo de fisio prazer. Quanto à cor do objeto, o principal prazer citado foi o psico prazer (59%). De modo semelhante, o psico prazer foi apontado como o principal prazer percebido pela forma dos objetos (Figura 61).
Figura 61 – Prazeres proporcionados pelos elementos estéticos de configuração dos objetos avaliados.
Fonte: do autor
Observou-se que o material dos objetos avaliados evocou um maior número de prazeres físicos (50%), seguidos dos prazeres psicológicos (33%). De modo similar, porém com uma relação inversa forma dos objetos evocaram principalmente estes dois tipos de prazeres, entretanto com maior representatividade os prazeres psicológicos (49%), seguidos dos prazeres físicos (28%).
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Os ideo-prazeres e os sócio-prazeres apresentaram menor contribuição para ambas variáveis. Os sócio-prazeres apareceram com maior freqüência com relação à variável cor, na qual observaram-se também maior número de psico-prazeres (59%) seguidos dos sócio-Prazeres (20%).
De modo geral observou-se que os prazeres mais estreitamente ligados às variáveis de avaliação da ergonomia e usabilidade (psico-prazer e fisio-prazer) foram o material e a forma, já que estes prazeres foram os mais citados para ambos. Para a cor os principais prazeres associados foram o Psico e o Socio -Prazer.
Compreender a influência de variáveis subjetivas na percepção de uso de um produto não é tarefa fácil. São muitas variáveis perceptivas envolvidas na análise de um produto e isolá-las para buscar compreender melhor a influência de cada uma delas na usabilidade parece ser uma tarefa ainda mais complexa. Conhecer quais características podem estar mais relacionadas às variáveis ergonômicas e de usabilidade pode ser um caminho para a estruturação de uma metodologia para avaliação do objeto considerando a influência da sua configuração estética na usabilidade percebida pelos usuários. Neste estudo, o resultado desta análise exploratória foi essencial para a definição da variável estética a ser estudada: a forma.
10.1.2. Estudo 2 - Avaliação dos produtos por escala de diferencial semântico com diferentes níveis de integração
Os resultados apresentaram que as variáveis de estilo Simples/Sofisticada e Moderna/Clássica não apresentaram diferença significativa na comparação entre os resultados dos níveis de interação; apenas uma dentre estas três variáveis de estilo (Bonita/Feia) apresentou resultados significativamente diferentes (p≤0,05) entre fases de duas tesouras (Figura 62). Ambas tesouras (C e F) foram avaliadas como mais bonitas após o uso.
Figura 62- Resultados do teste Wilcoxon (p≤0,05) para variável de estilo (Bonita/Feia).
Fonte: do autor.
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Dentre as variáveis de qualidade e robustez do objeto, duas delas (Pesado/Leve;
Fraca/Potente), apresentaram diferença significativa na comparação dos resultados entre fases de três tesouras avaliadas (Figura 63). As tesouras B e E foram avaliadas nas fases iniciais como mais pesadas do que nas fases em que foi possível tocar e utilizar os produtos. Já a tesoura C foi avaliada como mais leve nas fases iniciais e após ser utilizada, como mais pesada. Os sujeitos avaliaram as tesouras A e E como mais potentes nas fases iniciais e mais frágeis nas ultimas fases.
O contrário foi observado para a tesoura B.
Figura 63 - Resultados do teste Wilcoxon (p≤0,05) para variáveis de Robustez/Qualidade.
Fonte: do autor.
Duas variáveis (Frágil/Resistente; Durável/Provisória) apresentaram resultados com diferenças significativas entre fases para duas tesouras; e uma variável (Grande/Pequena) não apresentou resultados significativamente diferentes entre fases para nenhuma tesoura (Figura 64).
As tesouras A e E foram consideradas mais duráveis nos níveis mais superficiais de interação. De igual modo foram consideradas mais frágeis nos níveis de maior interação tátil com o produto.
Figura 64 - Resultados do teste Wilcoxon (p≤0,05) as variáveis de Robustez/Qualidade.
Fonte: do autor.
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Já as variáveis de uso (Eficaz/Ineficaz; Acionamento Difícil/Acionamento Fácil; Corte Fácil/Corte Difícil; e Corte instável/Corte Firme) apresentaram diferenças significativas (p≤0,05) entre fases para a maioria das tesouras (Figura 65).
Figura 65 - Resultados do teste Wilcoxon (p≤0,05) variáveis de Uso.
Fonte: do autor.
As tesouras E e D foram avaliadas nas primeiras fases como mais eficazes, que depois de utilizadas. Já A e F foram consideradas mais eficazes nesta fase. Quanto à facilidade de acionamento, observam-se diferenças significativas entre as fases 1 e 2 para três tesouras. C e D foram mais bem avaliadas na fase inicial (P1) comparada à segunda fase (P2). O oposto ocorreu para a tesoura B. F também recebeu melhor avaliação na fase inicial (1) comparado à fase 3, nesta mesma fase E recebeu pior avaliação, comparada à fase final (4). Quanto ao corte, F foi considerada de corte mais fácil após o uso e C comparando-se a fase 1 com a fase 2. D e E foram consideradas de mais difícil corte conforme se aumentou o NI. Estas tesouras também foram avaliadas como de corte mais instável com o aumento nível de interação. Já F e C foram
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consideradas de corte mais firme com este aumento.
Para outras quatro variáveis de uso (Confortável/Desconfortável; Imprecisa/Precisa;
Amadora/Profissional; e Cabo aderente/Cabo deslizante) apresentaram diferenças significativas (p≤0,05) entre fases para metade das tesouras (50%) (Figura 66).
Figura 66 - Resultados do teste Wilcoxon (p≤0,05) variáveis de Uso.
Fonte: do autor.
C e F foram consideradas mais desconfortáveis ao serem visualizadas na fase 2, comparada com à fase inicial (1). O oposto ocorreu para E, que foi avaliada como mais confortável nas fases iniciais. B e F foram avaliadas como mais precisas com o incremento do NI, verificando-se o oposto para E. C foi considerada mais profissional à medida que o NI aumentou; e F principalmente após ser utilizada (fase 4). O oposto foi verificado para E. O cabo da tesoura C foi considerado mais deslizante nas fases iniciais que após ser utilizado. Verificou-se o oposto para E e B.
Para as outras sete variáveis (Ergonômico/Não Ergonômico; Irrestrito/Restrito;
Polivalente/Limitada; Desagradável/Agradável; Segura/Perigosa; Corte impreciso/Corte Preciso;
e Corte duro/Corte macio) diferenças significativas (p≤0,05) entre fases de duas tesouras (33%) foram observadas (Figura 67).
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Figura 67 - Resultados do teste Wilcoxon (p≤0,05) variáveis de Uso.
Fonte: do autor.
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As tesouras C e E foram avaliadas como menos ergonômicas com o incremento do nível de interação. A tesoura E foi considerada mais restrita, mais limitada, menos agradável, e de corte mais impreciso após ser utilizada. F, mais irrestrita, mais segura e de corte mais macio, conforme o aumento da interação. B foi considerada mais desagradável e mais segura ao comparar-se a fase 1 com a fase 2. Finalmente C foi avaliada com corte mais preciso e macio, ao incrementar-se o nível de interação. Finalmente, para a variável Cabo duro/Cabo macio foi verificada diferença significativa entre fases de apenas uma tesoura. Os sujeitos avaliaram o cabo da tesoura B como mais duro após utilizá-la.
A análise permitiu verificar que a percepção das variáveis modificou-se nos diferentes NI.
Verificou-se que as variáveis de uso são as mais afetadas pelo NI, tanto pelo número de tesouras em que estas diferenças foram observadas quanto pelo número de variáveis afetadas. Vergara et al. (2011) também verificou que as “variáveis físicas” foram as mais afetadas. Este estudo permitiu verificar que em tesouras de poda, assim como no caso dos martelos (VERGARA et al., 2011) o NI também influencia a percepção dos usuários.
Esta informação é de interesse na especificação da metodologia de análise de produtos com a aplicação de testes (DS) e foi essencial para o desenho metodológico da avaliação das tesouras a qual incluirá avaliação visual considerando níveis de integração com o produto.
10.1.3. Estudo 3 - Taxonomia dos cabos de tesouras de poda: uma abordagem para avaliação do design ergonômico
Os resultados da alocação das tesouras em suas classificações correspondentes e suas respectivas nomenclaturas são apresentados nas Figuras a seguir. A Figura 68 apresenta as tesouras do Tipo A, cuja característica geral consiste na presença de cabo superior e inferior oval e suas variações.
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Figura 68 - Tesouras do Tipo A. Cabo superior e inferior oval e suas variações.
Fonte: do autor
Na Figura 69 está representado o grupo de tesouras com característica de cabos superior e inferior retangular, aqui nomeados como cabos do tipo B. Esta Figura apresenta também suas variações.
Figura 69 - Tesouras do Tipo B. Cabo superior e inferior retangular e suas variações.
Fonte: do autor.
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Finalmente, na Figura 70, apresentam-se os resultados para a tesoura do Tipo C, cuja característica principal refere-se ao cabo superior oval e inferior redondo, além de suas variações.
Figura 70 - Tesouras do Tipo C. Cabo superior oval e inferior redondo e suas variações.
Fonte: do autor.
Avaliações do design ergonômico de tesouras de poda têm sido desenvolvidas (PÄIVINEN et al., 1999/2000; ROQUELAURE et al., 2004, ROQUELAURE et al., 2001, ROQUELAURE et al., 2003), entretanto observa-se que não há um consenso quanto à redução do esforço biomecânico propriamente dito em relação aos modelos comparados.
Päivinen et al. (1999/2000) avaliaram as lâminas de tesouras do tipo bigorna e Bypass, mas não verificaram a influência do tipo do cabo, o que gerou resultados pouco expressivos, já que dentre as tesouras com melhor desempenho biomecânico, duas eram do tipo Bypass e duas do tipo bigorna.
No estudo desenvolvido por Roquelaure et al. (2004), apesar das diversas variações no desenho da ferramenta (inclinação da lâmina e rotação do cabo), estas não foram suficientemente expressivas a ponto de serem significativas. Já Hwang et al. (2011) encontraram algumas diferenças no desempenho das três tesouras avaliadas, as quais continham variações no nível de aderência dos cabos.
Observa-se a importância de uma classificação criteriosa sobre as expressivas diferenças entre estas ferramentas, particularmente quanto ao cabo destas interfaces. Neste sentido, a taxonomia apresenta-se como um método adequado para organização das classes e famílias de cabos disponíveis em tesouras de poda.
Esta classificação permitiu considerar cada uma das características analisadas
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separadamente (forma geral do cabo, presença ou ausência de sulcos no cabo inferior; simetria; e comprimento do cabo). Pode permitir selecionar tesouras com conFigurações de tipos tão diferentes quanto possível, as quais, hipoteticamente, poderão possuir desempenhos expressivamente distintos. Tais resultados poderão apresentar importantes informações quanto ao desempenho biomecânico de tais ferramentas.
Neste estudo, não foi possível identificar nenhum tipo de cabo superior e inferior redondo e suas variações, e nem superior redondo e inferior oval e suas variações. Além disso, não houve a possibilidade de se exemplificar com pelo menos um modelo de tesoura, cada uma das características apresentadas, sendo esta proposta possível de ser desenvolvida em estudos futuros.
10.1.4. Estudo 4 - Avaliação de tesouras com base em uma avaliação estética
Com base na análise geral dos dados coletados, verificou-se que a maioria dos sujeitos selecionaram a tesoura G como a mais bonita, seguida das tesouras H, D, A, I, F e C. Finalmente, a tesoura E foi considerada a mais feia pela maioria (Figura 69).
Figura 71 - Tesouras em ordem decrescente de beleza (da mais bonita para a mais feia).
10.1.5. Estudo 5 - Definição do espaço semântico pra definição dos descritores de avaliação da qualidade hedônica de tesouras de poda
O espaço semântico definido contou com uma lista de 18 descritores para os quais foram definidos opostos com auxílio de dicionários, resultando finalmente, em 18 pares de adjetivos que compuseram o protocolo de avaliação da qualidade hedônica. Estes descritores são apresentados na Tabela 24.
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Tabela 24 - Pares de adjetivos bipolares usados na escala DS.
Pares de adjetivos bipolares elaboração do Protocolo de avaliação estética. Os resultados foram analisados a fim de verificar quais eram os melhores descritores, dentre os definidos, para beleza em tesoura de poda.
Considerando a tesoura que foi avaliada como mais bonita, a Tabela 25 apresenta em ordem decrescente os melhores descritores para beleza nesta tesoura. Dentre as 10 primeiras posições, os adjetivos presentes em pelo menos dois grupos foram selecionados para compor o Protocolo de avaliação estética (qualidade hedônica) definitivo.
Tabela 25 - Pares de adjetivos bipolares usados na escala DS.
Leigos Alunos Professores
Bem proporcionado Elegante Bem proporcionado
Gracioso Bem proporcionado Agradável
Agradável Harmonioso Prazeroso
Diferenciado Prazeroso Cativante
Bonito Bonito Benfeito
Fonte: do autor.
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Foram definidos os seguintes pares de adjetivos (Tabela 26).
Tabela 26 - Pares de adjetivos bipolares usados na escala DS.
Pares de adjetivos bipolares
No estudo final desta pesquisa, participaram 300 sujeitos, conforme definido no cálculo da amostragem, 150 sujeitos de cada cidade, igualmente distribuídos nas faixas de 18 a 29 anos (25♂ e 25♀); 30 a 55 anos (25♂ e 25♀); acima de 55 (25♂ e 25♀). As características gerais e antropométricas dos sujeitos participantes da pesquisa estão apresentadas na Tabela 27.
Tabela 27 – Características gerais e antropométricas dos sujeitos da pesquisa
São Luís