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OBSOLESCÊNCIA + ÁREA TECNOLÓGICA

2.4.2 Interpretação contratual

2.4.2.5 Objeto de Transferência

O objeto de transferência é caracterizado pela tecnologia que é transferida; trata-se não dos DPIs que surgem de um conhecimento, mas do conhecimento científico, da tecnologia física em si, dos processos etc. Dentro da TCT, pode ser enquadrado como integrando a dimensão da especificidade de ativos.

Previamente, é importante destacar alguns objetos de transferência – aqui entendidos como áreas tecnológicas – que, para algumas instituições, não podem ser transacionados devido a condições que evocam à reputação:

“Unethical business (eg tobacco selling) by licensee, or not wanting to develop the IP (ie just sit on it to stop competitors from using it), refusal to give the University academic rights on the IPR, wanting an asset for free (this has happened, and killed a deal!)”, pela Universidade de Oxford;

“over or under valuation; ther are certain types of businesses we would not license technology to (eg tobacco companies and patent trolls)”, pela Universidade de St Andrews.

Pelas observações acima, depreende-se que alguns objetos de transferência (no caso, particularmente a indústria de tabaco) têm custos transacionais tão elevados que impedem completamente o estabelecimento de contratações TIT. Pode-se inferir essa questão analisando-se os dois termos do segundo membro da Equação 1.

Inicialmente, pode-se inferir que a reputação da organização – conforme analisada no item 2.3.2.2.1 a) – tem duas componentes: a objetiva e a “subjetiva”. A componente objetiva pode ser decomposta nos termos da discussão anteriormente levantada, onde questões como internacionalização e influência científica podem ser avaliadas e compõem

os rankings internacionais (e.g. THE). A componente “subjetiva” demanda uma abordagem indireta.

A reputação de uma organização baseia-se em como o meio no qual ela se encontra inserida a enxerga e consequentemente em como os indivíduos que lhe são internos reagem a essa visão. Considerando-se a universidade como uma organização que forma indivíduos (ensino) e gera conhecimentos (pesquisa) para o progresso da sociedade (extensão), a componente reputacional tem conexão com a capacidade de manutenção dessa missão, que envolve capacidade de financiamento. No caso de universidades que têm financiamento misto (público e privado), a questão da reputação “subjetiva” pode ser ainda mais sensível – como demonstraram as observações das universidades de Oxford e Saint Andrews. A capacidade de atrair bons pesquisadores (e consequentemente bons projetos científicos e de inovação), formando um corpo docente renomado capaz de atrair bons alunos (muitos com disposição e capacidade de pagar pelo ensino), sendo que futuramente alguns ex- alunos poderão contribuir com doações (endownment) forma um círculo virtuoso em que reputação “subjetiva” da organização é uma componente essencial. Esta rationale ajuda a interpretar ambos os termos da Equação 1.

Em relação à componente de negociação e elaboração de minutas x, se a comercialização de conhecimentos relativos a algum objeto de transferência (e.g. indústria de tabaco) é uma questão não negociável por diretrizes internas da organização, pode-se inferir que seus custos são infinitos, o que já inviabiliza o estabelecimento de contratos para tais objetos.

Analisando-se o segundo termo do segundo membro da Equação 1 sob a mesma ótica, pode-se inferir que, para assuntos que já estiveram sob disputas judiciais – e particularmente com decisões desfavoráveis, como acontece com a indústria de tabaco – as universidades sabem que os custos a serem incorridos em uma eventual disputa serão elevados e a probabilidade de uma decisão favorável extremamente baixa. Assim, os custos transacionais desse segundo termo da Equação 1 também acabam sendo muito elevados, o que inviabiliza o estabelecimento de contratações que envolvam objetos de transferência sensíveis como o tabaco.

Deve-se considerar também que, particularmente no caso da indústria do tabaco em que resultados científicos demonstraram que o mesmo traz muitos malefícios para o

indivíduo, é extremamente contraditório que uma universidade estabeleça parcerias para o estudo e desenvolvimento de tal produto.

Os comitês de ética em pesquisa, não obstante não terem sido objeto deste estudo, também podem ser considerados como um órgão interno à organização – um agente de transferência – que detém capacidade de avaliação de custos transacionais para o estabelecimento de contratações TIT e outras.

Superando as áreas tecnológicas não comercializáveis, como anteriormente exposto, foi constatado que tecnologias pertencentes às demais áreas (Figura 17) podem ser contratadas, sendo que o perfil de pesquisa da universidade é que definirá quais áreas serão abordadas.

A especificidade dos ativos é que influenciará os custos transacionais, e no caso dos objetos de transação, a correlação com as áreas tecnológicas não pode ser feita diretamente; entende-se que a influência da especificidade de ativo é analisada caso a caso. Isso porque as áreas tecnológicas discriminadas na Figura 17 têm uma natureza eminentemente transversal, sendo que podem vir a ser utilizadas em uma área ou outra. Nanotecnologia e biotecnologia são exemplos clássicos de áreas tecnológicas cujas tecnologias podem vir a ser utilizadas em um setor industrial ou outro, o que claramente diminui a especificidade do ativo.

A obsolescência da tecnologia – avaliada como a idade do pedido de patente / patente – não é uma condição para a especificidade do ativo, mas tem influência no custo de transação, particularmente na negociação. Tecnologias mais antigas costumam ser negociadas em condições que visam apenas a um retorno – financeiro ou não – que justifique os investimentos realizados para o desenvolvimento das mesmas. Dado que a tecnologia encontra-se a caminho da obsolescência (e.g. expiração do prazo de validade da patente), o TTO acaba por adotar valorações e modelos de negociação menos ambiciosos para que a mesma seja transferida. Sob tais considerações, pode-se dizer que os custos de transação tendem a ser menores conforme a tecnologia vai se tornando obsoleta, tendo em vista que os esforços para sua transferência acabam por diminuir.

O estágio de desenvolvimento, ou maturidade, da tecnologia é uma característica diretamente relacionada à especificidade do ativo: quanto maior o TRL da tecnologia, maior sua especificidade, tendo em vista que para seu desenvolvimento mais conhecimento e direcionamento a uma determinada aplicação são a ela adicionados. Assim, o TRL é um

indicativo dos custos transacionais relativos à negociação e elaboração de minutas x: negociações de tecnologias mais desenvolvidas certamente serão mais complexas e custosas para sua definição.

2.4.3 Sumário dos custos de transação em contratações internacionais universidade-