ANÁLISE DE CONJUNTURA
OBJETO (HEGEMONIA) Presidência da República
DESTINADOR DESTINATÁRIO
Leonel Brizola povo brasileiro
Denuncia o golpe
ADJUVANTE SUJEITO OPONENTE
sindicalistas GOVERNO – João Goulart (PTB-PSD) militares, Udenistas trabalhadores empresários nacionais profissionais liberais e estrangeiros pequenos empresários
UNE
*Elaboração própria a partir de coleta de dados.
Estabelecem-se relações de força, de luta pela hegemonia no governo brasileiro. E é nesse cenário de luta pela hegemonia, entre militares, governo e povo, que Luiz Beltrão percebe uma forte articulação popular. É dessa força persuasiva da comunicação popular, que emerge a idéia sobre a Folkcomunicação que, para Beltrão, deve promover a inclusão social e a integração nacional, que neste contexto estava ameaçada. Era preciso que os intelectuais da nação, a classe dirigente, desse uma resposta plausível e explicasse o que estava acontecendo, o que aproxima em muito as idéias de Beltrão a Gramsci na Itália, no sentido de que cabe aos intelectuais da nação buscar soluções cabíveis aos problemas do país (GRAMSCI, S/D).
Esse era o movimento citado por Luiz Beltrão em suas entrevistas. Nessa época, o economista Celso Furtado divulgava um plano para combater a inflação e alavancar o desenvolvimento do país. Eram anunciadas também várias reformas, como a agrária, tributária, administrativa, bancária e educacional. Porém, o plano econômico elaborado por Celso Furtado foi boicotado pelos setores reacionários e o governo brasileiro viu-se obrigado a negociar empréstimos junto ao FMI – Fundo Monetário Internacional, ressaltando que os Estados Unidos exigiram cortes significativos nos investimentos nacionais.
Contexto Social
Emergem movimentos sociais civis, que abriram espaço a uma revolução comportamental e a Psicologia Social busca entender a causa e as possíveis conseqüências,
pedindo direitos iguais em relação aos marginalizados, às mulheres e crianças, aos negros, aos homossexuais, que também manifestavam a indignação das insuportáveis guerras, seguindo- se de protestos contra a Guerra do Vietña.
A América Latina assiste à Revolução Cubana, que leva Fidel Castro ao poder (1959), permanecendo como presidente daquele país durante mais de quarenta anos. Simultaneamente, alguns países da África e do Caribe lutam pela independência e pelo processo de descolonização das antigas colônias européias.
O inimigo principal é o neoliberalismo, que, nos anos 60, ainda não existia na versão atual de irrestrita liberdade do mercado. A gente lutava contra a ditadura e pelo socialismo. Nos inspiravam revoluções populares como a cubana, a vietnamita e a chinesa; queríamos trazê-las para o Brasil. Pretendíamos não apenas derrubar a ditadura, mas, também, mudar o mundo. Éramos idealistas e ousados. O inimigo da nossa geração usava farda; (...) Na nossa época, muito menos gente chegava a concluir o curso superior, o que garantia emprego a quase todos que obtivessem o diploma (POERNER, on-line).
Artistas, como Caetano Veloso e Gilberto Gil, projetavam-se no cenário mundial com músicas engajadas, que cantavam as transformações sociais necessárias ao mundo, de cunho ideológico, utilizando-se de figuras de linguagem e de pensamento, para a expressão de suas idéias e opiniões, frente a uma realidade de conseqüências das duas grandes guerras, da guerra Fria e movimentos revolucionários que eclodiam em várias partes do mundo.
O Brasil em números
O Rio de Janeiro deixava de ser a capital da República. Oscar Niemayer projetava a cidade satélite e o presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961) passava o núcleo político do país para Brasília, construída por centenas de nordestinos trazidos em pau-de-arara. Pesquisas sociais revelavam, em 2000, conforme citação abaixo, as transformações sociais ocorridas no país durante o período de 60 anos (1940-2000), contando com grandes diferenças em diversos âmbitos. Porém, o mais interessante, à Folkcomunicação, é a taxa de analfabetismo, pois refere-se ao entendimento da informação transmitida pelos meios massivos de comunicação. Tem-se que o percentual de escolarização entre as crianças de 7 a 14 anos subiu de 30,6% para 94,5%, conforme consta abaixo, em um estudo do Censo brasileiro que revela as transformações sociais que ocorreram no Brasil, na década de 1960.
Entre os Censos de 1940 e 2000, a população brasileira cresceu quatro vezes. O Brasil rural tornou-se urbano (31,3% para 81,2% de taxa de urbanização). Nesse período, houve o envelhecimento da população brasileira, que na faixa de 15 a 59 anos, aumentou de 53% para 61,8%. O número de pessoas autodeclaradas pardas aumentou de 21,2% para 38,5%, reflexo do processo de miscigenação racial. Quanto à religião, nesses 60 anos, os evangélicos cresceram de 2,6% para 15,4% da população. O país conseguiu reduzir em cinco vezes a taxa de analfabetismo, que caiu de 56,8% para 12,1%. A taxa de escolarização, entre crianças de 7 a 14 anos, aumentou de 30,6% para 94,5%. Já o percentual de casados cresceu de 42,2% para 49,5%. Os brasileiros natos passaram de 96,6% para 99,6%. No período em foco, agricultura, pecuária e silvicultura, que em 1940 representava 32,6% da população ocupada, declinou para 17,9%, em 2000 (IBGE, on-line).
Os dados mostram o grande êxodo rural, em busca de trabalho e melhores salários nas grandes capitais, principalmente no eixo Rio-São Paulo, centros econômicos do país. Enfatizamos, porém, a reduação em 5 (cinco) vezes da taxa de analfabetismo, que cai de 56,8% para 12,1% e a taxa de escolarização de crianças, que passa de 30,6% para 94,5%, o que melhora em muito o nivel de intelecção do receptor massivo.
TABELA 0-1: População Urbana e Rural (1960-2000)
0 20000000 40000000 60000000 80000000 100000000 120000000 140000000 1960 1970 1980 2000 P.Urbana P. Rural
Entendemos que quanto maior for a taxa de analfabetismo, maior a necessidade de um líder folk (que utiliza os MCF), ou de um folkcomunicador (que tem acesso aos MCM), considerando o acesso do receptor aos meios de difusão de informações.
A realidade de dívida externa impagável frente ao FMI (Fundo Monetário Internacional) deixava a América Latina em situação de intensa pobreza, o que desencadeava outras conseqüências.
Taxa de urbanização. Nos anos 60, o Brasil ainda era um país agrícola, com uma taxa de urbanização de apenas 44,7%. Em 1980, 67,6% do total da população já vivia em cidades. Entre 1991 e 1996, houve um acréscimo de 12,1 milhões de habitantes urbanos, o que se reflete na elevada taxa de urbanização (78,4%).
Os dados estatísticos do IBGE revelam a População Urbana e Rural brasileira, desde a década de 1960 aos anos 2000 (últimos dados conseguidos). Já o próximo gráfico revela a taxa de mortalidade infantil, que na década de 1960 estava em cerca de 12 e hoje em cerca de 7 anos de idade; além de revelar a expectativa de vida do brasileiro, que na década de 1960 estava na casa dos 50 anos e hoje, beira aos 70 anos de idade.
TABELA 0-2: Taxa de mortalidade e expectativa de vida2
0 10 20 30 40 50 60 70 1960 1970 1980 1990 2000 Taxa Bruta de Mortalidade Expectativa de Vida
O gráfico revela a progressão nas últimas décadas no Brasil, em termos de alfabetização do país. O que muito interessa a folkcomunicação para tentar medir a possibilidade de compreensão da mensagem emitida nos meios de comunicação massivos. Ou seja, a mensagem emitida é inteligível a uma pessoa analfabeta, semi-analfabeta, ou alfabetizada?
Em que grau de complexidade? Total, parcial, ininteligível. São exemplos de pesquisas que podem ser elaboradas e realizadas em folkcomunicação, para buscar averiguar o grau de intelecção popular em determinados assuntos importantes ao povo, porém de difícil compreensão.
Tabela 0-3: Taxa de Alfabetização acima de 15 anos, por sexo e Região brasileira3.
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 1970 1980 1991 2000 1970 67,1 62,9 47,1 45,3 68,5 62 81,1 73 79,6 73 67,1 1980 70,6 68,1 54,2 55 77,8 74,8 85,8 80,6 86 81,6 74,6 1991 74,9 75,8 59,9 64,6 83,5 83 89 86,4 89,4 86,9 79,9 2000 83 84,4 71,7 75,8 89,2 89,2 92,6 91,1 93,2 91,5 86,4 Homem Mulher Homem Mulher Homem Mulher Homem Mulher Homem Mulher TOTAL Norte Nordeste Centro Sudeste Sul BRASIL
O IBGE revela a taxa de alfabetização, que compreende pessoas acima de 15 anos de idade, portanto que possivelmente trabalham e de alguma maneira produzem para o país. Segundo os dados fornecidos, ainda há 12% da população brasileira, ou seja, cerca de 21.600.000 milhões de pessoas, acima dos 15 anos de idade, que não sabe ler e escrever: é analfabeta num mundo globalizado. Num contexto, em que as informações transitam em fluxo e contra-fluxo, do global ao local e do local ao global. Na realidade, o analfabetismo é apenas um índice dentre vários outros que seriam necessários para provarmos, com maior exatidão, a dimensão dessa desigualdade econômica e social no Brasil.
O próximo gráfico revela-nos a miscigenação racial brasileira, que desencadeou outros processos, principalmente de aculturação e de intercâmbio de costumes, culinária, religiosidade e, principalmente, comunicacionais, que devem ser averiguados.
Tabela 0-4: Miscigenação racial brasileira.4 0 10 20 30 40 50 60
BRANCA PARDA INDIGENA AMARELA PRETA
RURAL