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A GÊNESE, O DESENVOLVIMENTO E A DIFUSÃO

DA FOLKCOMUNICAÇÃO

Universidade Metodista de São Paulo

Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social São Bernardo do Campo - SP, 2010.

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MARIA ISABEL AMPHILO

A GÊNESE, O DESENVOLVIMENTO E A DIFUSÃO

DA FOLKCOMUNICAÇÃO

Tese apresentada em cumprimento parcial às exigências do Programa de Pós-graduação em Comunicação Social, da UMESP – Universidade Metodista de São Paulo, para obtenção do grau de Doutor.

Orientador: Prof. Dr. José Marques de Melo

Universidade Metodista de São Paulo

Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social São Bernardo do Campo - SP, 2010.

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FOLHA DE APROVAÇÃO

A Tese de Doutorado sob o título “A gênese, o desenvolvimento e a difusão da Folkcomunicação”, elaborada por Maria Isabel Amphilo, foi defendida e aprovada em 20 de maio de 2010, perante a banca examinadora composta por Dr. José Marques de Melo (orientador), Dr. Jorge A. González Sánchez, Dr. Antonio Carlos Hohlfeldt, Dra. Cicília M. Krohling Peruzzo e Dra. Maria Cristina Gobbi.

Declaro que a autora incorporou as modificações sugeridas pela banca examinadora, sob a minha anuência enquanto orientador, nos termos do Art. 34 do Regulamento dos Cursos de Pós-graduação.

Assinatura do orientador: ____________________________________________________ Nome do orientador: Dr. José Marques de Melo

Data: São Bernardo do Campo, 20 de junho de 2010.

Visto do Coordenador do Programa de Pós-graduação: ___________________________

Área de Concentração: Processos Comunicacionais Linha de Pesquisa: Midiologia Brasileira

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In Memoriam

Luiz Beltrão de Andrade Lima (1918-1986)

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As revoluções se estão fazendo por décadas e não por séculos e têm o seu suporte na tecnologia e na comunicação, juntas, de mãos dadas para reformar a face da terra e conferir novos padrões de vida à humanidade. Não temos mais tempo para esperar a lenta germinação das sementes que se acham, em estágios variáveis de evolução, no espírito de um e de outro Brasil. Que precisam entender-se, comunicar-se, com vistas à interação, a fim de que sovreviva o Brasil com o patrimônio físico e espiritual que recebemos das gerações antecedentes e que temos o dever de transmitir, integral e enriquecido, aos nossos pósteros. (...) É, portanto, da importância vital para o nosso País (...) o encaminhamento de soluções para a Comunicação do Brasil que, como assinalávamos no início, é o problema fundamental da sociedade contemporânea.

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PUEDES LLEGAR

Composição: Gloria Estefan

Soñar con lo que más queremos Aquello difícil de lograr Es ofrecer llevar la meta a su fin

Y creer que la veremos cumplir Arriesgar de una vez Lo que soy por lo que puedo ser

Puedes llegar... lejos A las estrellas alcanzar A hacer de sueños realidad

Y puedes volar... alto Sobre las alas de la fe Sin más temores por vencer

Puedes llegar

Hay días que pasan a la historia Son días difícil de olvidar Sé muy bien que puedo triunfar

Seguiré con toda mi voluntad Hasta el destino enfrentar Y por siempre mis huellas dejar

Puedes llegar... lejos A las estrellas alcanzar A hacer de sueños realidad

Y puedes volar... alto Sobre las alas de la fe Sin más temores por vencer

Puedes llegar

Puedes llegar... lejos A las estrellas alcanzar A hacer de sueños realidad

Y puedes volar... alto Sobre las alas de la fe Sin más temores por vencer

Puedes llegar

Puedes llegar Quieres llegar

Sobre las alas de la fe Sin más temores por vencer

Puedes llegar

Que el más allá

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AGRADECIMENTOS

A Deus pelo dom da vida, pela saúde, pela proteção e por iluminar meu caminho.

Agradeço, primeiramente e especialmente, ao meu orientador, Prof. Dr. José Marques de Melo, que me ajudou muito desde a origem desta tese, me orientou e guiou pelos caminhos do conhecimento, dando-me força, coragem e motivação. Além de encaminhar-me ao Estágio Doutoral com o Prof. Dr. Jorge González. Muitíssimo obrigada!

Agradeço, também, ao meu co-orientador Prof. Dr. Jorge Alejandro González Sanchez, pelas efetivas contribuições à tese, pelas aulas, viagens de pesquisa e pelo incentivo e motivação a ser uma pesquisadora, pela amizade e suporte. Como também, pelo grande presente de poder conhecer o pueblo e a rádio comunitária, em que realizou suas pesquisas, em Zilacatipán, Vera Cruz. Minha gratidão!

À FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, que financiou esta pesquisa e possibilitou o Estágio Doutoral realizado na Universidad Nacional Autônoma de México - UNAM.

À UMESP – Universidade Metodista de São Paulo, onde estudei desde 1998, realizando estudos de graduação, especialização, mestrado e doutorado. Aos meus Professores, que contribuíram para o meu desenvolvimento intelectual, especialmente aos professores Dr. Joseph Luyten (in memoriam), Dra. Cecília Peruzzo, Dr. Daniel Galindo, Dra. Sandra Reimão, Dra. Beth Gonçalves, Dra. Anamaria Fadul e Dr. Isaac Epstein. À Profa. Dra. Maria Cristina Gobbi pelas importantes conversas sobre a tese, como também, pela utilização do acervo da Cátedra Unesco. Às bibliotecárias das Bibliotecas: Central, Ecumênica e de Teologia, principalmente, à Noemi.

À UNAM – Universidad Nacional Autónoma de México/DF, especialmente a Direção do Centro de Investigaciones Interdisciplinárias en Ciencias e Humanidades (CEIICH), LABcomPLEX – Laboratório de Comunicación Compleja, em que agradeço por ter me recebido para a realização do Estágio Doutoral com o Prof. Dr. Jorge A. González, como também, pelas importantes e significativas contribuições dos professores Dr. José Amozzurrutia, Dra. Margarita Maass e da amiga e Dra. Laura González. Agradeço, especialmente, também, ao Prof. Dr. Rolando Garcia com quem tivemos a oportunidade de estudar História de la Ciência, e ao Prof. Dr. Gilberto Gimenez, pelas aulas e conferências, no Seminário de Cultura y Representaciones Sociales, no Centro de Investigaciones en Ciéncias Sociales - UNAM. Também agradeço, de maneira muito especial, as efetivas contribuições dos amigos de pesquisa Dr. Manuel Meza, Ms. Mônica Carles e Dr. Manuel Herrera, em que juntos crescemos no conhecimento. Ao Prof. Dr. Manuel Velazquez Mejía, pela gentileza em conceder-me o livro de Alberto Cirese: Cultura hegemónica y culturas subalternas. Agradeço, também, pela disposição dos bibliotecários do CEIICH, que sempre me ajudaram com dedicação, Sr. Sérgio e seu auxiliar, como também da dedicada amiga e assistente do laboratório, Jenny Sámano.

Ao Prof. Dr. Nestor Garcia Canclini pela atenção, pela conversa motivadora sobre a cultura popular, além de suas aulas na UAM – Universidad Autônoma Metropolitana (Iztapalapa), División de Ciéncias Sociales y Humanidades, Departamento de Antropologia, em novembro de 2007. Ao Prof. Dr. Enrique Sánches Ruiz pela disponibilidade em

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atender-me, como também agradeço às bibliotecárias da Pós-graduação em Ciências Sociais e Humanidades da Universidad de Guadalajara/Jalisco, no contexto do Ibercom/Guadalajara.

Aos Professores da Rede Folkcom, que sempre me apoiaram, Prof. Dr. Roberto Benjamin, Prof. Dr. Osvaldo Trigueiro, Profa. Dra. Cristina Schimidt, Prof. Dr. Antonio Hohlfeldt, e todos aqueles que de alguma maneira contribuíram para esta pesquisa.

À minha família, pelo amor, carinho e suporte. Obrigada mãe, pai e Eduardo. E à minha família mexicana (Guadalajara) ao casal Noé Alfaro e Célia Galindo e minha companheira de passeios culturais Hortência Alfaro, além das crianças Liz, Daniel e Samy. Obrigada pela amizade, pelo cuidado e atenção. Muchissimas gracias por todo! Saudades!

Aos familiares e amigos, que me motivaram, incentivaram e me ajudaram a chegar até aqui: Roseli e Claudemir Ferreira, Cris Gobbi, Cláudia Simões, Edmar e Adriana, Valdirene e Alfredo, Virgínia e Bernardo, David Morales, Manuel e Sophia, Jorge e Mônica, Margarita e Hector, Pepe e Busy, Rev. Edman e Rosi, entre vários amigos e amigas que me ajudaram e motivaram nesse período e, especialmente, às amigas Ms. Ester Marçal Fér, Ms. Andréa Eugênio e a Lic. Márcia Dias, pelas efetivas contribuições e correções realizadas. Também ao doutorando Francisco de Assis, que realizou correções. Super obrigada a todos vocês!

Ao Bispo Nelson Luiz Campos Leite pelo apoio constante e oração. Ao Prof. Dr. Josias Pereira pelo acompanhamento e pelo cuidado e ao Rev. Laurindo Prieto, pela orientação, compreensão e acolhida ao seio da Igreja Metodista.

A Lucineide Caixeta, da Secretaria Acadêmica, pelos trâmites burocráticos, como também agradeço às secretárias da Cátedra Damiana Rosa e Ronia Francisca e à secretária da pós-graduação Kátia França. Ao Rev. Oswaldo de Souza, pela maneira generosa com que realizou os acertos finaneiros, além do apoio, amizade e compreensão.

A todos, que de alguma maneira contribuíram para que eu chegasse ao final desta etapa importante da minha vida e concluísse meu Doutorado. Sinceramente, muito obrigada a todos vocês!

Abraços, Com Carinho,

Isabel Amphilo

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Mural da Rádio Comunitária em Huayacocotla, Veracruz, México. Fotografia de Maria Isabel Amphilo, 21 de fevereiro de 2009.

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LISTA DE TABELAS

TABELA 0-1: População Urbana e Rural (1960-2000) ... 48

TABELA 0-2: Taxa de mortalidade e expectativa de vida ... 49

Tabela 0-3: Taxa de Alfabetização acima de 15 anos, por sexo e Região brasileira. ... 50

Tabela 0-4: Miscigenação racial brasileira. ... 51

Tabela 0-1: Autores mais citados na Tese de Doutorado de Luiz Beltrão (1967/2001) ... 131

Tabela 0-2: Sistema de Comunicação Popular (Marques de Melo e Luyten) ... 230

Tabela 0-1: Temas e Linhas de Investigação - FOLKCOM 1998... 269

Tabela 0-2: Temas e Linhas de Investigação - FOLKCOM 1999... 281

Tabela 0-3: Temas e Linhas de Investigação - FOLKCOM 2000... 284

Tabela 0-4: Temas e Linhas de Investigação - FOLKCOM 2001... 291

Tabela 0-5: Temas e Linhas de Investigação - FOLKCOM 2002... 302

Tabela 0-6: Simpósios FOLKCOM 2002 ... 302

Tabela 0-7: Temas e Linhas de Investigação - FOLKCOM 2003... 305

Tabela 0-8: Temas e Linhas de Investigação - FOLKCOM 2004... 313

Tabela 0-9: Temas e Linhas de Investigação - FOLKCOM 2005... 325

Tabela 0-10: Temas e Linhas de Investigação - FOLKCOM 2006... 338

Tabela 0-11: Temas e Linhas de Investigação - FOLKCOM 2007... 353

Tabela 0-12: 10 Anos de Produção Científica do Congresso FOLKCOM ... 365

Tabela 0-13: Gráfico Comparativo da Produção (1998-2007) ... 366

Tabela 0-14: Quadro Comparativo das Universidades ... 367

Tabela 0-15: Sub-áreas da Folkcomunicação e Folkmídia ... 367

Tabela 0-16: Quadro Atual dos Temas e Linhas de Investigação ... 368

Tabela 0-17: Linhas de Pesquisa - NP INTERCOM (2007) ... 369

Tabela 0-18: ARTIGOS - INTERCOM 1998 ... 371

Tabela 0-19: ARTIGOS INTERCOM 1999 ... 373

Tabela 0-20: ARTIGOS INTERCOM 2000 ... 380

Tabela 0-21: ARTIGOS INTERCOM 2001 ... 383

Tabela 0-22: ARTIGOS INTERCOM 2002 ... 387

Tabela 0-23: ARTIGOS INTERCOM 2003 ... 397

Tabela 0-24: ARTIGOS INTERCOM 2004 ... 408

Tabela 0-25: ARTIGOS INTERCOM 2005 ... 411

Tabela 0-26: ARTIGOS INTERCOM 2006 ... 415

Tabela 0-27: ARTIGOS INTERCOM 2007 ... 423

Tabela 0-28: TOTAL PRODUÇÃO ARTIGOS INTERCOM (1998-2007) ... 432

Tabela 0-29: Gráfico Evolutivo... 433

Tabela 0-30: Quadro GT (Alterações)... 433

Tabela 0-31: CONGRESSO BRASILEIRO DE FOLCLORE 2007 ... 437

Tabela 0-32: CONGRESSO BRASILEIRO DE FOLCLORE - ARTIGOS ... 438

Tabela 0-33: QUADRO ARTIGOS ALAIC 1998 ... 441

Tabela 0-35: QUADRO ARTIGOS ALAIC 2002 ... 448

Tabela 0-36: QUADRO ARTIGOS ALAIC 2004 ... 454

Tabela 0-37: QUADRO ARTIGOS ALAIC 2006. ... 462

Tabela 0-38: QUADRO ARTIGOS ALAIC 2008 ... 465

Tabela 0-39: TOTAL PRODUÇÃO CONGRESSOS ALAIC (1998-2008) ... 470

Tabela 0-40: Gráfico Comparativo Produção Cientifica ... 470

Tabela 0-41: GRÁFICO COMPARATIVO PRODUÇÃO CIENTIFICA ... 472

Tabela 0-42: QUADRO DA INCURSÃO DE ESTRANGEIROS NA FOLKCOMUNICAÇÃO ... 473

Tabela 0-1: Quadro da CAPES da Área de Avaliação das Disciplinas em Comunicação ... 555

Tabela 0-2: Quadro dos Pesquisadores em Folclore, Cultura Popular e Meios de Comunicação... 556

Tabela 0-3: Quadro dos Pesquisadores em Folkcomunicação e Folkmídia registrados... 556

Tabela 0-4: LINHAS DE PESQUISA EM FOLKCOMUNICAÇÃO E FOLKMÍDIA ... 558

Tabela 0-1: A Produção Acadêmica em Folkcomunicação nas Universidades Brasileiras ... 566

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LISTA DE ESQUEMAS

Esquema 1 – Estrutura Teórica Da Folkcomunicação ...p. 77 Esquema 2 - Meios De Expressão Popular ...p. 162 Esquema 3 - Grupos Marginalizados ...p. 179 Esquema 4 – A Estrutura Da Folkcomunicação – Beltrão ...p. 188 Esquema 5 - Mapa Conceitual De Folkcomunicação ...p. 212 Esquema 6 – Processo 1: Partindo dos MCM...p. 214 Esquema 7 – Processo 2: Fonte MCM, Fato/Acontecimento/Situação Vivencial ...p. 217 Esquema 8 – Canal = MCM (Meios De Comunicação De Massa) ...p. 218 Esquema 9 – Canal = MCF (Meios De Comunicação Folk) ...p. 219 Esquema 10 – Canal - Comunicação Alternativa ...p. 225 Esquema 11 – Folkcomunicação Na Época Colonial ...p. 229 Esquema 12 - As Três Dimensões Da Folkcomunicação ...p. 233 Esquema 13 – Relações de Primeira Ordem ...p. 234 Esquema 14 – Relações de Relações de Segunda Ordem ...p. 235 Esquema 15 – Relações de Terceira Ordem ... p. 236 Esquema 16 – Relações De Quarta Ordem (MCM e Institucionalizada) ...p. 498 Esquema 17 – Comunicação Cultural – Luiz Beltrão ...p. 586

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO _________________________________________________________________ 22 MARCO TEÓRICO E METODOLÓGICO _________________________________ 23

Marco epistêmico ______________________________________________________ 29 Hipóteses ____________________________________________________________ 30 Objetivo da Pesquisa ___________________________________________________ 33 Geral ________________________________________________________________ 33 Específicos ___________________________________________________________ 33 Justificativa ___________________________________________________________ 33 Metodologia __________________________________________________________ 34 Relevância científica____________________________________________________ 37 Relevância Social ______________________________________________________ 38 ANÁLISE DE CONJUNTURA_____________________________________________________ 40 Introdução ____________________________________________________________ 40 Cenário Mundial _______________________________________________________ 40 Cenário latino-americano ________________________________________________ 41 Brasil, década de 1960 __________________________________________________ 42 Contexto Social _______________________________________________________ 46 O Brasil em números ___________________________________________________ 47

PARTE I – GÊNESE - A GÊNESE E OS FUNDAMENTOS DA FOLKCOMUNICAÇÃO ___ 55 CAPÍTULO I - MATRIZES EPISTEMOLÓGICAS ___________________________________ 56 1.1. Marco epistêmico de Luiz Beltrão _____________________________________ 59 1.2. Um problema a resolver _____________________________________________ 63 1.3. Um problema a investigar ____________________________________________ 69 1.4. Marco metodológico ________________________________________________ 71 1.5. Problemáticas epistemológicas ________________________________________ 73 1.6. Predição suicida ____________________________________________________ 84 CAPÍTULO II - MATRIZES ANTROPOLÓGICAS E SOCIOLÓGICAS DA

FOLKCOMUNICAÇÃO __________________________________________________________ 88 1. Estudos Científicos do Folclore Brasileiro _________________________________ 89 2. A Folkcomunicação e a Sociologia Brasileira _____________________________ 107 2.1. A formação da sociedade brasileira ____________________________________ 108 2.2. As relações e a formação da cultura brasileira ___________________________ 111 2.3. Casa Grande & Senzala: comunicação intercultural _______________________ 114 2.4. A abolição da escravatura e os processos decorrentes _____________________ 120 Conclusão ___________________________________________________________ 123 CAPÍTULO III - MATRIZES COMUNICACIONAIS DA FOLKCOMUNICAÇÃO _______ 125

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1.1. A formação da teoria _______________________________________________ 129 1.2. O Agente de Folk __________________________________________________ 134 1.3. Os grupos ________________________________________________________ 139 1.4. A distinção _______________________________________________________ 142 1.5. Classificação e tipologias ___________________________________________ 143 2. Teoria da Folkcomunicação ____________________________________________ 147 2.1. Delimitação e Características do Campo ________________________________ 154 2.2. Rede de conceitos _________________________________________________ 158 2.3. O Folkcomunicador – um mediador ___________________________________ 180 2.4. Mapa Conceitual da Folkcomunicação _________________________________ 187 2.6. Proposta metodológica para a Folkcomunicação _________________________ 189 3. Processos Folkcomunicacionais _________________________________________ 199 3.1. Elementos do Processo _____________________________________________ 204 3.2. As Variantes do Processo ___________________________________________ 220 3.2.1. Enfoques da Pesquisa em Folkcomunicação ___________________________ 221 3.3. Sistemas Folkcomunicacionais _______________________________________ 222 3.4. As redes de relações da comunicação popular ___________________________ 231

PARTE II - DESENVOLVIMENTO: O DESENVOLVIMENTO DAS IDÉIAS PELOS

AGENTES E O CONFRONTO COM OUTRAS TEORIAS ____________________________ 244 CAPÍTULO I - A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA FOLKCOMUNICAÇÃO _____________ 245 INTRODUÇÃO ________________________________________________________________ 245 1. Marcos Históricos ____________________________________________________ 246

1.1. Geração Precursora ________________________________________________ 246 1.2. Geração Pioneira (década de 60-70) ___________________________________ 251 1.3. Geração Inovadora (década de 80-90) __________________________________ 254 1.4. Geração Renovadora (1998 aos nossos dias) ____________________________ 262 CAPÍTULO II - ANÁLISE DOS CONGRESSOS: 10 ANOS DE PRODUÇÃO CIENTÍFICA 266

1. CONGRESSOS NACIONAIS __________________________________________ 267 1.1. FOLKCOM – Conferência Brasileira de Folkcomunicação. _______________ 267 1.1.1. FOLKCOM 1998: Universidade Metodista de São Paulo (SP) ____________ 268 1.1.2. FOLKCOM 1999: Universidade Federal de São João Del-Rey (MG) _______ 279 1.1.3. FOLKCOM 2000: Universidade Federal da Paraíba (PB) ________________ 282 1.1.4. FOLKCOM 2001: Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (MS) ______ 289 1.1.5. FOLKCOM 2002: Centro Universitário Mont Serrat (SP) ________________ 301 1.1.6. FOLKCOM 2003: Faculdade de Filosofia de Campos (RJ) _______________ 303 1.1.7. FOLKCOM 2004: Centro Universitário do Vale do Taquari (RS) __________ 312 1.1.8. FOLKCOM 2005: Centro Universitário de Teresina (PI) _________________ 323 1.1.9. FOLKCOM 2006: Universidade Metodista de São Paulo (SP) ____________ 338 1.1.10. FOLKCOM 2007: Universidade Estadual de Ponta Grossa (PR) _________ 353 Conclusões __________________________________________________________ 365 2. INTERCOM – Associação Brasileira de Estudos Interdisciplinares em

Comunicação __________________________________________________________ 369 2.1. INTERCOM 1998: Universidade Católica de Pernambuco (PE) ____________ 370 2.2. INTERCOM 1999: Universidade Gama Filho (RJ) _______________________ 373 2.3. INTERCOM 2000: Universidade do Amazonas (AM) _____________________ 380

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2.4. INTERCOM 2001: Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do

Pantanal (MS) _______________________________________________________ 383

2.5. INTERCOM 2002: Universidade do Estado da Bahia (BA) ________________ 387 2.6. INTERCOM 2003: Pontificia Universidade Católica de Minas Gerais (MG) __ 397 2.7. INTERCOM 2004: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (RS) 408 2.8. INTERCOM 2005: Universidade do Estado do Rio de Janeiro (RJ) __________ 411 2.9. INTERCOM 2006: Universidade de Brasília (DF) _______________________ 415 2.10. INTERCOM 2007: Católica de Santos, Sta. Cecília e Monte Serrat (SP) _____ 423 Conclusões __________________________________________________________ 432 1.2. CNF: Congresso Nacional De Folclore _________________________________ 434 2. CONGRESSOS INTERNACIONAIS ___________________________________ 440 2.1. ALAIC – Asociación Latino-americana de Investigadores en Comunicación __ 440 2.1.1. ALAIC 1998: Universidade Católica de Pernambuco/UFRPE (Brasil) ______ 441 2.1.2. ALAIC 2000: Universidad Diego Portales (Chile) ______________________ 444 2.1.3. ALAIC 2002: Universidad Privada de Santa Cruz de la Sierra (Bolivia) ____ 447 2.1.3. ALAIC 2004: Universidad Nacional de La Plata (Argentina) _____________ 454 2.1.4. ALAIC 2006: Universidade do Vale do Rio Sinos (Brasil) ________________ 461 2.1.5. ALAIC 2008: Centro Tecnológico de Monterrey (Mexico) _______________ 465 Conclusões __________________________________________________________ 469 Considerações Finais sobre os Congressos _________________________________ 472 CAPITULO III - FOLKCOMUNICAÇÃO EM CONFRONTO COM OUTRAS TEORIAS _ 474

1. Folkcomunicação e as Teorias Sociais ___________________________________ 475 2. Folkcomunicação e as Mediações Culturais _______________________________ 486 3. Folkcomunicação e a Teoria das Representações Sociais ____________________ 488 4. Folkcomunicação e a Teoria das Frentes Culturais _________________________ 500

PARTE III – DIFUSÃO: A DIFUSÃO DA FOLKCOMUNICAÇÃO E A LEGITIMAÇÃO ACADÊMICA _________________________________________________________________ 520 CAPÍTULO I - PROBLEMÁTICAS QUE FREARAM A DIFUSÃO ____________________ 521 1. Problemáticas na difusão da Folkcomunicação ____________________________ 522

1.1. A aplicação das categorias de Rogers ________________________________ 527 2. A Incursão de estrangeiros na Folkcomunicação ___________________________ 533 3. A internacionalização da Folkcomunicação _______________________________ 534 CAPÍTULO II - LEGITIMAÇÃO ACADÊMICA ____________________________________ 539 INTRODUÇÃO ________________________________________________________________ 539 1. As primeiras pesquisas em Folkcomunicação _____________________________ 540 2. Ações legitimadoras _________________________________________________ 546 3. A Folkcomunicação enquanto disciplina cientifica _________________________ 551 1.1. Pesquisadores em Folkcomunicação _________________________________ 554 1.2. Linhas de Pesquisa ______________________________________________ 557 CAPÍTULO III - PRÁTICAS ACADÊMICAS _______________________________________ 561

1. Teses e dissertações sobre Mídia e Cultura Popular ________________________ 561 1.1.Geração Pioneira___________________________________________________ 562 1.2.Geração Inovadora _________________________________________________ 562 1.3. Geração Renovadora _______________________________________________ 565 2. Escolas de Comunicação e Orientadores Em Folkcomunicação e Folkmídia ___ 567

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3. A Folkcomunicação nas Revistas de Comunicação _________________________ 568 3.1. REVINTFOLK ___________________________________________________ 568 3.2. Revista Comunicação & Sociedade ____________________________________ 577 3.3. Revista Intercom __________________________________________________ 577 3.4. Anuário UNESCO _________________________________________________ 577 3.5. PCLA - Pensamento Comunicacional Latino-Americano___________________ 577 3.6. ALAIC __________________________________________________________ 577 3.7. Anais ELACOM __________________________________________________ 578 3.8. Razón Y Palabra __________________________________________________ 578 4. Livros e Artigos ______________________________________________________ 580 5. Produção Científica Total _____________________________________________ 582 CAPÍTULO IV - FOLKCOMUNICAÇÃO E FOLKMÍDIA: A OPERACIONALIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO REGIONAL____________________________ 585

1. Folkcomunicação ____________________________________________________ 588 1.2. Folkcomunicação musical ___________________________________________ 595 1.4. Folkcomunicação Visual ____________________________________________ 597 1.5. Folkcomunicação Icônica ___________________________________________ 598 1.6. Folkcomunicação de Conduta (Cinética) _______________________________ 600 2. Folk - Publicidade e Propaganda _______________________________________ 603 3. Folk - Relações Públicas _______________________________________________ 605 4. Folk – Turismo ______________________________________________________ 605 5. Folkarte: a alta comunicabilidade folclórica ______________________________ 607 5.1. Teatro Popular e as Danças __________________________________________ 607 5.2. Feiras e Festas Populares ____________________________________________ 610 5.3. Pintura __________________________________________________________ 614 6. Folkmídia – A indústria cultural ________________________________________ 615 6.1. Interfaces midiáticas _______________________________________________ 618 6.2. Cultura de massa __________________________________________________ 623 CONCLUSÃO _________________________________________________________________ 631

Conclusões da Parte I __________________________________________________ 631 Conclusões da Parte II _________________________________________________ 633 Conclusões da Parte III _________________________________________________ 634 Considerações Finais __________________________________________________ 635 BIBLIOGRAFIA _______________________________________________________________ 636

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RESUMO

AMPHILO, Maria Isabel. A Gênese, o Desenvolvimento e a Difusão da Folkcomunicação. 2010. Tese (Doutorado em Comunicação Social) – Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2010.

Investigação sobre a gênese da teoria da Folkcomunicação, tendo por objetivo identificar suas matrizes epistemológicas e suas raízes metodológicas, bem como caracterizar sua natureza interdisciplinar, gravitando em torno das ciências da comunicação e da cultura. O estudo parte da análise do desenvolvimento dos conceitos de Luiz Beltrão, contextualizando sua ancoragem inicial na teoria do jornalismo (1967) e sua posterior ampliação para incluir as dimensões do processo social da comunicação (1980). Com base na exegese da obra seminal do fundador da Folkcomunicação, buscamos extrair as contribuições do autor para o avanço das teorias da comunicação ao adaptar dimensões de bilateralidade e de formas de expressão da cultura popular nos processos da comunicação. Realizamos, também, a análise crítica dos avanços teóricos e das estratégias metodológicas construídas pelos estudiosos que deram continuidade aos estudos de Luiz Beltrão. Em seguida, investigamos a disseminação dos conhecimentos sobre folkcomunicação no Brasil e no âmbito acadêmico internacional. O

corpus analisado foi a obra de Beltrão sobre o tema, bem como, dissertações, teses, livros,

artigos e comunicações cientificas, que tratam da folkcomunicação. A metodologia utilizada terá por base a pesquisa bibliográfica e documental e a análise taxonômica. O período analisado compreenderá os estudos publicados sobre a Folkcomunicação desde a obra original de Beltrão, em 1967 até 2007.

Palavras-chave: Teoria da Comunicação, Midiologia Brasileira, Folkcomunicação, Luiz Beltrão.

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RESUMEN

AMPHILO, Maria Isabel. La génesis, el desarrollo y la difusión de la Teoría de la Folkcomunicación. 2010. Tesis (Doctorado en Comunicación Social) – Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2010.

Investigación sobre la génesis de la teoría de la Folkcomunicación, objetivando identificar sus matrices epistemológicas y sus raíces metodológicas, bien como caracterizar su naturaleza interdisciplinaria, gravitando alrededor de las ciencias de la comunicación y de la cultura. El estudio es parte de la análisis de desarrollo de los conceptos de Luiz Beltrão, en el contexto de su retención inicial en la teoría del periodismo (1967) y su posterior ampliación para incluir las dimensiones del proceso social de la comunicación (1980). Basado en la exégesis de la obra original del fundador de la Folkcomunicación, buzcamos extraer las contribuciones del autor para el avance de las teorías de la comunicación al adaptar las dimensiones de bilateralidad y de formas de expresión de la cultura popular en los procesos de la comunicación. Realizamos, también, la análisis crítica de los avances teóricos y de las estrategias metodológicas construidas por los estudiosos que dieran continuidad a los estudios de Luiz Beltrão. En seguida, investigamos la diseminación de los conocimientos sobre folkcomunicación en Brasil y en el ámbito académico internacional. El corpus a ser analizado será la obra de Luiz Beltrão sobre el tema, así como disertaciones, tesis, libros, artículos y comunicaciones científicas que tratan de la Folkcomunicación. La metodología utilizada tendrá por base la investigación bibliográfica y documental y el análisis taxonómico. El período analizado comprenderá los estudios publicados sobre la Folkcomunicación desde la obra primera de Beltrão, en 1967, hasta 2007.

Palabras-clave: Teoría de la Comunicación, Midiología Brasileña, Folkcomunicación, Luiz Beltrão.

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ABSTRACT

AMPHILO, Maria Isabel. The genesis and the development of the Folk-communication Theory’s in Brazil and your diffusion. Thesis (Doctoral Thesis in Social Communication) – Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2010.

The research project examines the folk-communication theory and pretends to identify his epistemological and methodological sources, likewise to answer how we could characterize his inter-subjected nature, dealing with the communication and culture sciences. The study starts out with a survey of the developments of Luiz Beltrão‟s ideas and concepts, after that it links an initial Beltrão‟s ground with a journalism theory (1967) and with his further enlargement, which includes the social process dimensions of communication (1980). On the base of exegesis of the main work of the communication theory founder, we draw out author‟s contributions for an advance of communication theories, which applies opposite-side dimensions and dimensions of expression forms of a popular culture to the communication process. We maked the critical analysis of the theoretical developments and methodological strategies outlined by the scholars, which continued Luis Beltrão‟s researches. Afterwards, we examine the dissemination of folk-communication knowledge‟s in Brazil and in the international academic society. The corpus, that will be analyzed, is Beltrão‟s work about the subject, likewise dissertations, theses, books, essays and scientific passages that deal with the folk-communication. The methodology used is based on the bibliographical and documental research and on the taxonomical analysis. The analyzed period consists of the studies about a Folk-communication published since the main Beltrão‟s work in 1968 until 2006.

Key-words: Communication Theory, Midiology Brazilian, Folk-communication, Luiz Beltrão.

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As revoluções se estão fazendo por décadas e não por séculos e têm o seu suporte na tecnologia e na comunicação, juntas, de mãos dadas para reformar a face da terra e conferir novos padrões de vida à humanidade. Não temos mais tempo para esperar a lenta germinação das sementes que se acham, em estágios variáveis de evolução, no espírito de um e de outro Brasil. Que precisam entender-se, comunicar-se, com vistas à interação, a fim de que sovreviva o Brasil com o patrimônio físico e espiritual que recebemos das gerações antecedentes e que temos o dever de transmitir, integral e enriquecido, aos nossos pósteros. (...) É, portanto, a da importância vital para o nosso País (...) o encaminhamento de soluções para a Comunicação do Brasil que, como assinalávamos no início, é o problema fundamental da sociedade contemporânea.

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INTRODUÇÃO

A Folkcomunicação é a tese elaborada pelo primeiro Doutor em Comunicação Social no Brasil, Luiz Beltrão de Andrade Lima. A tese, defendida em 1967, sob o regime militar, foi considerada subversiva, por sua linha neomarxista. Por esse motivo, sua publicação se deu em 1971, intitulada “Comunicação e Folclore”, com a parte teórica mutilada.

A proposta desta pesquisa, inicialmente, era o estudo apenas da gênese da Folkcomunicação. Porém, após conversas com o orientador, decidimos abraçar o desenvolvimento, averiguando as práticas científicas (artigos científicos e congressos) e a sua difusão, fazendo praticamente um inventário das práticas acadêmicas (teses e dissertações). O objetivo foi averiguar o respaldo científico e acadêmico que sustenta a Folkcomunicação, enquanto disciplina científica nos cursos de comunicação social.

Esta pesquisa aborda a gênese da Folkcomunicação, enquanto teoria da comunicação popular, mostrando como se deu o processo da gênese e as matrizes epistemológicas, sociológicas e comunicacionais, que originaram e sustentam a folkcomunicação; do desenvolvimento dos conceitos realizados pelos pesquisadores nos congressos FOLKCOM (específico da área), INTERCOM (GT - nacional) e ALAIC (GT - latino-americano); e a difusão, enquanto práticas acadêmicas que dão suporte à pesquisa, como também a internacionalização da folkcomunicação, que começa com Joseph Luyten após o término de seu doutorado; e a incursão de latino-americanos, principalmente o mexicano Jorge González (UNAM), que aborda a comunicação popular a partir da análise semiótica da cultura. Percebemos que alguns pesquisadores, embora não citem o termo “folkcomunicação”, realizam em suas pesquisas trabalhos nesta linha, averiguando o discurso popular e os processos comunicacionais populares: isso é folkcomunicação.

O objetivo principal deste trabalho, em primeira instância, é investigar as origens da folkcomunicação, identificando não somente os teóricos da comunicação, cientistas sociais e folcloristas que respaldaram a tese de Beltrão, mas também, as teorias e metodologias que deram sustentação às pesquisas em folkcomunicação e outras que identificamos no decorrer da pesquisa, como também os problemas epistemológicos, teóricos e a dificuldade da difusão desta inovação científica, devido a sua complexidade, de natureza interdisciplinar.

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MARCO TEÓRICO E METODOLÓGICO

A mass communication (Escola de Chicago) foi fortemente influenciada por uma teoria de linha positivista, que emergiu em finais do século XIX e meados do século XX: o Difusionismo. Inicialmente na Europa e, posteriormente, nos Estados Unidos, o difusionismo encontrou adeptos que desenvolveram pesquisas em comunicação a partir da pesquisa empírica, apontando como se dava o processo comunicacional nas eleições americanas numa perspectiva sincrônica (analisando o processo comunicacional em si), bem como numa perspectiva diacrônica (desenvolvendo um viés histórico-crítico) das pesquisas em comunicação.

O difusionismo americano, ou Escola Americana, tem como seu principal expoente Franz Boas. Conforme Mello (2005, p. 230), “a principal característica desta escola foi talvez ter delimitado o campo de estudo da antropologia”. Para ele, a cultura é ampla e complexa, assim sistematizou delimitando em campos pequenos visando um estudo histórico-cultural. “Foi esta consciência, com certeza, que levou a escola americana a um aperfeiçoamento metodológico. Deu-se preferência às informações e dados primários. Vale dizer que a prioridade absoluta foi dada aos estudos e pesquisa de campo” (MELLO, 2005, p. 231).

A prioridade nesse período era a coleta de dados e sistematização das informações, sobre grupos primitivos (tribo, clã ou federação) transformando-os em unidade de estudo. Essa postura acadêmica resultou aprofundamento de estudos e ampliação temática. Assim, esta escola foi a que mais contribuiu para a teoria antropológica.

A obra de Franz Boas “Race, Language & Culture”, em que Boaz afirma que “o material para a reconstrução de cultura é sempre mais fragmentário porque os mais amplos e mais importantes aspectos de cultura não deixam traços na terra; linguagem, organização social, religião – em resumo, tudo o que não é material – desaparecem com a vida de cada geração” (MELLO, 2005, p. 250)

Na verdade, Boas em seu texto aponta que esse processo de difusão entre as culturas (gera sua hibridização) acaba por dificultar o estudo histórico de determinada cultura, pelo fenômeno da hibridização. Porém, uma informação de Mello nos salta aos olhos (MELLO, 2005, p. 232):

O que se pode dizer é que os propósitos dos evolucionistas e dos difusionistas são diversos daqueles defendidos pelo funcionalismo. Enquanto os primeiros se preocupavam com a explicação diacrônica, o funcionalismo abraçara a explicação sincrônica.

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Enquanto os difusionistas preocupavam-se com a reconstrução histórico-crítica dos povos apontando os momentos em que foram perceptíveis a difusão de informações culturais, de valor simbólico; o funcionalismo procurava ater-se a explicação desse processo de difusão de informações.

A importância da difusão foi tão firmemente estabelecida pela investigação da cultura material norte-americana, cerimônias, arte, mitologia, assim como pelo estudo das formas culturais africanas e pelo da pré-história da Europa, que não podemos negar sua existência no desenvolvimento de qualquer tipo cultural local. Não só se provou objetivamente por meio de estudos comparativos, como também o investigador de campo tem amplas provas das maneiras de atuar da difusão. Sabemos de casos em que um só indivíduo introduziu toda uma série de mitos importantes. Podemos mencionar, como exemplo disso, a lenda da origem do corvo (...) A introdução de novas idéias não se deve de forma alguma considerar como resultante puramente mecânica de adições ao padrão cultural, mas ao mesmo tempo como um importante estímulo de novos desenvolvimentos internos. Um estudo puramente indutivo dos fenômenos étnicos leva à conclusão de que tipos culturais mesclados geográfica ou historicamente situados como intermediários entre dois extremos fornecem provas da difusão (BOAZ apud MELLO, 2005, p. 232-233).

Em 1963, Everett Rogers, renova o “modelo difusionista”, sob o prisma comunicacional, em que conceitua difusão como “o processo pelo qual uma inovação é

comunicada por intermédio de certos canais durante um corte temporal aos componentes de um sistema social” (ROGERS, 1995, p. 5). Para Rogers, o processo de difusão é um tipo

especial de comunicação, em que as mensagens são concernentes com novas idéias. Dessa maneira, os indivíduos que participam desse processo comunicacional têm o compromisso mútuo de informar com o objetivo de obter entendimento nesse intercâmbio de informações.

A difusão de uma inovação está condicionada a alguns fatores que possam garantir a disseminação de idéias, pois, quanto mais simples e adaptada aos valores dos grupos, maiores serão as chances de adoção de uma inovação (MIÈGE, 2000, p. 78).

O processo comunicacional para Rogers é uma “via de mão dupla”, em que a comunicação acontece de maneira linear, com o objetivo de atingir efeitos seguros (apud ROGERS, KINCAID, 1981). Conforme uma concepção linear da comunicação, o processo de difusão pode ser entendido como um ato comunicacional, como o ato persuasivo de um agente tentando convencer seu cliente a adotar determinada inovação. Porém, Rogers abre-nos uma outra possibilidade, a da interação entre agente-cliente. “Por exemplo, o cliente pode vir

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solução possível para esta necessidade.” Mas, essa interação pode continuar depois através

de ciclos, como um processo de intercâmbio de informações. Dessa maneira, o modelo difusionista adota quatro etapas de difusão: informação, persuasão, decisão, aplicação, confirmação (MIÈGE, 2000, p. 78). Esse feedback pode proporcionar um conhecimento mútuo sobre o problema, tanto no lado do agente que quer vender um produto tecnológico de melhor qualidade que supra as necessidades de seu cliente; quanto o cliente tem interesse em ter um produto que venha de encontro às suas expectativas, com um melhor aproveitamento do produto, ou com um custo baixo, ou algum outro benefício possível.

Se assim é, na concepção de Rogers, difusão é um “tipo especial de comunicação”, pois as mensagens são carregas de uma nova idéia e esta novidade deu ao conteúdo da mensagem um caráter especial. Dessa maneira, podemos entender a difusão como “um tipo de comunicação, no qual as mensagens são sobre uma nova idéia”. Ou seja, a inovação da idéia no conteúdo da mensagem dá a difusão um caráter especial.

Porém, por ter esse caráter inovador, a difusão gera incertezas. Esse grau de incerteza do novo faz parte do processo de difusão, pois entra a variável da “probabilidade”. “O incerto envolve uma necessidade de predição de estrutura de informação”. Através da informação, as incertezas tendem a diminuir. Rogers define a informação como: “Informação é uma

diferença em energia-motriz que influencia sobre incertezas em uma situação onde uma mudança existe entre um conjunto de alternativas” (apud ROGERS; KINCAID, 1981, p. 64).

Entendemos que, para Rogers, a informação, como uma energia-motriz, tem o poder de reduzir as incertezas sobre determinados problemas. Assim, a difusão pode ser entendida como uma espécie de “transformador social”, sendo o processo no qual ocorrem alterações na estrutura e função de um sistema social. A partir do momento em que essas novas idéias, que foram intercambiadas, discutidas, desenvolvidas e foram adotadas, podem conduzir para conseqüências mais seguras, de maneira a proporcionar uma transformação social.

Rogers questiona, porém, autores que restringem o significado de difusão, a uma simples disseminação de idéias, sem considerar as idéias que estão embutidas no conteúdo das mensagens, nem seu aspecto inovador. Porém, de nada vale todo um processo de difusão, sem que o sistema seja adotado. Persuadir o cliente é fundamental para que a difusão possa chegar ao seu objetivo-primeiro: a transformação social.

Autores franceses, como Michel Callon e Bruno Latour (1985, p. 13-25), criticam o modelo difusionista devido a mudança de várias realidades mundiais, que levam interlocutores para novas redes, o que pode gerar uma interdependência. Eles defendem que os inovadores devem ter a possibilidade de traduzir (Michel Serres) uma inovação para sua

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realidade, assim, as contribuições desses novos aliados podem gerar um “interesse” pelas novas tecnologias (MIÈGE, 2000, p. 78). A questão levanta é que, se nesse processo de rede, se ela não teria uma função abranger a noção de ator, dessa maneira os autores questionam se a rede se modifica aleatoriamente, ou se é manipulada pelo ator, que desempenha um papel estratégico. Assim, a pergunta que fica é: “será que o inovador é, afinal de contas, um hábil manipulador que sabe tirar partido de todos os elementos? Será que inovar equivale, essencialmente, a criar uma relação de forças a seu favor?” (MIÈGE, 2000, p. 78).

Refutando essa idéia, Patrice Flichy acredita que se deve levar em consideração os movimentos tecnológicos e sociais, entendendo os processos num movimento circular e interativo, ou seja, “uma vez captada, a demanda ajuda a modificar a oferta”. Porém, Flichy, retoma essa tese e propõe a noção de “quadro de referência sócio-tecnológico”, defendendo que “uma inovação só se torna estável se os atores tecnológicos conseguirem criar uma ligação entre quadro de funcionamento e quadro de utilização” (MIÈGE, 2000, p. 79).

Ex-aluno de Rogers, o boliviano Luis Ramiro Beltrán, critica o modelo de difusão de inovações, na medida em que alicerçado na Teoria da Modernização, prega a utilização dos meios de comunicação de massa, como canal para a difusão, principalmente em lugares longínquos, os modelos de desenvolvimento dos países de Primeiro Mundo, porém Beltrán critica esse modelo, na medida em que não dá margem para conceitos próprios e não leva em consideração a estrutura social, os problemas sócio-econômicos e as especificidades culturais da região. “Na essência, objetivava-se fazer com que os países tidos como „sub-desenvolvidos‟ imitassem passivamente os países „„sub-desenvolvidos‟, como forma de alcançar o desenvolvimento” (PERUZZO, 1998, p. 89).

Há três correntes na América Latina, que tratam da temática do desenvolvimento e da modernização. A Teoria da Modernização (Walter Rostow, Thomas Tufte) considera o desenvolvimento um processo linear, que é obtido através de uma estratégia de modernização. A Teoria da Dependência (Celso Furtado, Fernando Henrique Cardoso) rompe com os postulados da modernização e defendem que através da difusão de bens simbólicos, os países subdesenvolvidos continuariam dependentes culturalmente dos países de Primeiro Mundo. E, finalmente, a Teoria do Desenvolvimento participativo baseia-se na ação comunitária participativa, em que o desenvolvimento é visto como um processo de construção da realidade (PERUZZO, 1998, p. 89-90).

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a. a crença de que a comunicação, por si mesma pode gerar desenvolvimento, independente das condições sócio-econômicas e políticas;

b. a idéia de que o incremento da produção, o consumo de bens e serviços, constituem a essência do desenvolvimento e que no devido tempo levaria a distribuição justa da riqueza;

c. pressuposto de que o segredo para o incremento da produtividade estaria no uso de tecnologias avançadas.

Conforme a crítica que Peruzzo apresenta-nos de Moragas, que este modelo de desenvolvimento exposto pela teoria difusionista não dava conta da realidade Latino-americana, por esses motivos. Para Beltrán, a pura e simples transferência de tecnologia acentuava os vínculo de dependência.

Absorvendo o modelo difusionista, a Folkcomunicação, na realidade, pode proporcionar, a partir da inter-relação entre uma inovação tecnológica e as manifestações folclóricas, a preservação de conteúdos simbólicos de uma cultura que podem estar definhando, ou ter acontecido no passado e através da reconstituição folclórica e do cinema, conseguirmos a preservação histórica, como por exemplo, o filme: Cafundó, que conta a história de um homem místico chamado João de Camargo, interpretado por Lázaro Ramos, em que é resgatada a história de um quilombo existente na região de Sorocaba, estado de São Paulo.

A difusão de manifestações folclóricas, através dos meios de comunicação de massa, pode alavancar o desenvolvimento local e regional, na medida em que uma manifestação folclórica, entra na grade de programação da TV Regional e esta projeta na TV aberta, uma programação local, divulgando, por exemplo, “O Círio de Nazaré” (AMPHILO, 2006), incentivando a participação do receptor, que vem de várias partes do país e do exterior a Belém do Pará, que tem um aumento significativo de turistas nesse período, movimentando a economia formal e informal. Dessa forma, a TV regional, disponibiliza via satélite, via cabo e via internet, suprindo essa brecha no mercado audiovisual. Nesse sentido, as Festas Populares têm sido acompanhadas pelos seus fiéis e admiradores, através dos meios de comunicação que lhe são dispostos. Além disso, percebemos que a partir da publicização das Festas Populares, neste caso a Festa do Círio de Nazaré, que é um evento religioso, há um impulso ao desenvolvimento regional, movimentando o turismo e o comércio da região na época do evento.

(...) a concepção de desenvolvimento que prevalece é a de modernização (...) que incentivam outras mudanças na estrutura da sociedade, como: industrialização, urbanização, alfabetização, exposição dos cidadãos aos

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mass media e participação coletiva nas decisões nacionais e comunitárias (MARQUES DE MELO, 1998, p. 292).

Sem essa visão de macro-estrutura, o investimento em comunicação para o desenvolvimento regional fica fragmentado. Dessa forma, a participação comunitária nas festas populares gera emprego e renda aos cidadãos locais. Marques de Melo afirma (1998, p. 294-295) que:

“o desenvolvimento é, inevitavelmente, um processo de participação. As pessoas somente podem fazer as coisas novas que o planejamento do desenvolvimento diz que podem ser feitas. Quando a atenção das pessoas é mobilizada e o interesse delas atraído (...) então a participação criativa está operando e o avanço do desenvolvimento tem probabilidade de se acelerar”. Os meios de comunicação de massa criam, portanto, o ambiente fértil à participação e cumprem sua função-motriz no processo de desenvolvimento.

Dessa forma, entendemos que a mídia regional pode contribuir para o desenvolvimento regional, na medida em que realiza a cobertura de um evento local ou regional e o projeta nos meios de comunicação de massa, alcançando, no caso específico da Festa do Círio de Nazaré, fiéis católicos do mundo inteiro, através da TV via satélite, via cabo, via internet, via rádio, proporcionando a publicização de um espetáculo religioso a fiéis do mundo inteiro.

Porém, se adaptarmos o modelo difusionista à nossa realidade brasileira, com as devidas variações, perceberemos que num país com dimensões continentais como o Brasil, os meios de comunicação social podem ser utilizados para a difusão de bens simbólicos. A TV aberta, que diariamente apresenta-nos conteúdos de dominação cultural, também pode ser utilizada para a veiculação de conteúdos do folclore brasileiro, manifestando a crítica e a opinião pública popular, além de resgatar conteúdos de resistência cultural.

A apropriação da cultura popular pelos meios de comunicação de massa tem realizado o fenômeno da destribalização, defendido por Marques de Melo (2001) em que na era da globalização da cultura, abordado por García Canclini em sua obra Culturas Híbridas (2005), os meios de comunicação de massa, em nível de TV aberta, TV a cabo, Rádio, Internet, Webrádio, entre outros meios de difusão; a cultura popular tornou-se acessível a qualquer indivíduo que queira adquirir por exemplo, um CD de um artista brasileiro, um DVD do Auto

da Compadecida (AMPHILO, 2004), isso em escala global. A possibilidade de difusão de

bens simbólicos, culturais, consolidando o fenômeno da glocalização, defendido por Roland Robertson, possibilita-nos a publicização, a democratização da cultura, o resgate de certas manifestações populares, que se perderam com o passar do tempo e subsistem em lugares

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longínquos do país, onde somente pesquisadores podem ter acesso a essas pequenas comunidades e conhecendo seus costumes e sua cultura, com seus mitos, ritos, crenças.

Marco epistêmico

O marco epistêmico é o condicionador ideológico do discurso do investigador, em que se pode identificar sua cosmovisão. Para a definição de marco epistêmico, utilizaremos a tese de Rolando Garcia, que define:

Marco epistémico como el conjunto de preguntas o interrogantes que un investigador se plantea con respecto al domínio de la realidad que se há propuesto estudiar. Dicho marco epistémico representa cierta concepción del mundo y, en muchas ocasiones, expresa la yerarquia de valores del investigador. Las categorias sociales bajo las que se formula una pregunta inicial de investigacion, no constituyen un hecho empírico observable sino una construcción condicionada por el marco epistémico (GARCIA, 2006, p. 35).

Dessa maneira, nosso marco epistémico emerge como um conjunto de perguntas norteadoras da Teoria da Folkcomunicação. Nossa proposta de estudo pretende ser epistemológica, buscando identificar os conceitos e idéias, bem como, os procedimentos metodológicos que geraram a teoria da folkcomunicação. Para isso, levantamos algumas questões norteadoras, que pretendemos responder nesta pesquisa:

1. Em que matrizes epistemológicas se fundou Luiz Beltrão para a elaboração da teoria da folkcomunicação e qual a sua relação com os acontecimentos da época?

2. Qual a metodologia utilizada por Beltrão para chegar aos resultados desejados? 3. Quais os objetos comuns que vem sendo estudados? O que se estuda em

folkcomunicação?

4. Quais os avanços teóricos que têm sido alcançados pelos pesquisadores em folkcomunicação?

5. Qual a contribuição efetiva dos congressos FOLKCOM (já na sua 13ª edição, em 2010), para a difusão do pensamento de Luiz Beltrão?

6. Qual a dimensão atual das pesquisas em folkcomunicação, visto que, já se percebe sua internacionalização, através de artigos apresentados em congressos internacionais (América Latina e Europa), como: ALAIC, LUSOCOM, IBERCOM.

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Hipóteses

A teoria da folkcomunicação é o resultado da observação de Luiz Beltrão, enquanto profissional de jornalismo e professor de comunicação, em que concentrava seus conhecimentos na cultura popular nordestina e, com sua sensibilidade, transforma o registro jornalístico em objeto de pesquisa acadêmica. Beltrão, apesar da prática jornalística, só tomará contato com as teorias da comunicação existentes na época, na sua experiência enquanto professor. No CIESPAL, Beltrão conhece teorias comunicacionais de pesquisadores paradigmáticos da comunicação, como: os norte-americanos Danielson, Schramm, Nixon, McNelly, Deutschmann; os franceses Kayser, Godechot, Dumazedier e Leauté; o alemão Maletzke; o espanhol Beneyto (que fez parte de sua banca de doutorado); o belga Clausse; o italiano Rovigati; o russo Kachaturov etc. A eles agregam-se os pesquisadores pioneiros latino-americanos, como: Jobim, Rios, Cortez Ponce, Fernandez e Samaniego (MARQUES DE MELO, 1999, p. 20).

A Folkcomunicação vem contribuir para o avanço da teoria da comunicação, a partir da constatação de uma lacuna teórico-metodológica no âmbito acadêmico latino-americano. As teorias da comunicação oriundas da Europa e dos Estados Unidos “não davam conta” da realidade conjuntural latino-americana (no contexto global da Guerra Fria). Assim, enquanto alguns pesquisadores utilizavam postulados funcionalistas, outros relativizavam as metodologias dialéticas, para superar a perspectiva de denúncia. Em conseqüência disso, emerge a consciência da inadequação desses modelos teóricos e metodológicos forâneos, o que começa a gerar caminhos alternativos, objetivando a superação da dependência intelectual.

A independência do pensamento latino-americano sobre comunicação social, assumindo uma fisionomia distinta das escolas forâneas que lhe deram origem, já vinha sendo reconhecida tanto por cientistas europeus (Moragas Spa, 1981; Schlesinger, 1989; McAnany, 1986; White, 1989). Os traços distintivos da escola latino-americana estão, por um lado, na superação da dicotomia metodológica, combinando métodos quantitativos e qualitativos, e, por outro lado, na inovação teórica resultante da interatividade entre reflexão e ação (MARQUES DE MELO, 1996, p. 13).

Nesse contexto, Beltrão vem com a proposta de analisar a comunicação popular (visto que os olhos dos pesquisadores estavam sobre a imprensa formal) e publica, em 1965, O

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ex-voto como veículo jornalístico1 (2004, p. 117-124). Beltrão propõe uma reflexão sobre um modelo de comunicação comunitária/horizontal, que seria “embrião” da folkcomunicação. Ele afirma que “um dos grandes canais de comunicação coletiva é, sem dúvida, o folclore” (BELTRÃO, 2004, p. 117).

Beltrão percebe um bloqueio no sistema comunicacional, um entrave que não permite o avanço do país e mais, Beltrão questiona que se os intelectuais e a elite não se voltassem às classes populares, um problema maior poderia emergir, estremecendo a unidade nacional. Beltrão cita de maneira enfática (2001, p. 64) os dramáticos dias de Agosto de 1961:

Naqueles dramáticos dias de Agosto-Setembro de 1961, em que se registrou o impressionante e inédito episódio da reação unânime contra o expresso veto dos comandantes supremos das Forças Armadas à posse legítima do vice-presidente da República, com a renúncia do titular. Fomos todos testemunhas dessa manifestação espontânea, global, esmagadora, contra decisão personalista, que pretendia sobrepujar-se à letra e ao espírito da lei e da justiça. Sobre os meios convencionais de comunicação, exerceu-se estrita censura. As classes populares valeram-se, então, de seus próprios

veículos - folhetos, volantes, atos de presença - opondo à força militar a sua vontade soberana. (grifo meu)

Em consonância com o pensamento comunicacional latino-americano, Beltrão aborda de maneira paralela com o funcionalismo norte-americano e o materialismo histórico, trabalhando em duas fases: primeiro mostrando os processos comunicacionais e os elementos do processo, concentrando-se no discurso popular; num segundo momento, averiguando os processos históricos e as mudanças sociais, os processos de aculturação. Essa confluência é acrescida ao contato com os pressupostos teóricos dos cientistas sociais brasileiros, antropólogos e folcloristas, aos quais citamos os mais evidenciados na pesquisa de Beltrão: Câmara Cascudo (9ª Edição, S/D), Gilberto Freyre (1947, 1961), Djacir Menezes (1938) e, principalmente, Edison Carneiro (1965), que afirma que, assim como a sociedade é dinâmica, o folclore também o é. A partir desta tese, Edison Carneiro defende que “o processo mais constante, nas coisas do populário, é o da recomposição folclórica” (1965, p. 20). Para Edison Carneiro, o povo atualiza e recompõe suas manifestações folclóricas, manifestando suas idéias e opiniões e, dialeticamente, as atualiza. Como exemplo, ele nos dá a capoeira, que

(...) era a forma de afirmação pessoal do liberto ou do negro emancipado da cidade – os „moleques de sinhá‟ lembrados nas cantigas da diversão. Enquanto esses negros foram perseguidos, e na medida em que o foram, a

1 Publicado pela primeira vez na revista: Comunicação & Problemas, vol. 1, nº1, Recife, ICINFORM, 1965, p.

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capoeira se manteve, praticamente inabalada, mas, quando novas condições surgiram, com a República, a luta de Angola perdeu a sua agressividade e se tornou um folguedo inocente ou, como no Recife, se resolveu no passo (CARNEIRO, 1965, p. 20, grifo nosso).

Na realidade, Beltrão despertava no meio acadêmico um objeto de pesquisa, que, conforme Marques de Melo (2001, prefácio), já vinha sendo competentemente estudado pelos antropólogos, sociólogos e folcloristas, mas negligenciado pelos comunicólogos. Dessa forma, Marques de Melo afirma:

Seu argumento implícito era o de que as manifestações populares, acionadas por agentes de “informação de fatos e expressão de idéias”, tinham tanta importância comunicacional, quanto àquelas difundidas pelos mass media. Por isso mesmo ele recorria ao arsenal metodológico já testado e aperfeiçoado no estudo das manifestações convencionais do mass-journalism (formatadas de acordo com os canais pós-gutenbergianos) e as transportava para analisar as ricas expressões daquilo que ele sugeria como integrantes do folk-journalism (veiculadas em canais pré-gutenbergianos ou usando tecnologias tão rudimentares quanto a prensa de Mogúncia) (2001, prefácio).

Assim, para provar que as manifestações populares também revelavam a opinião popular, Beltrão lança mão dos pressupostos teóricos da escola norte-americana de comunicação, de base empírico-funcionalista, primeiramente nas teorias da Comunicação de Paul Lazarsfeld e Elihu Katz (1941), especialmente sobre o papel do líder de opinião como mediador e, nos desdobramentos da Teoria da Comunicação de Schramm (1954a.), que defende a comunicação em múltiplos estágios e o campo de experência em comum. Ou seja, Luiz Beltrão inter-relaciona e conflui as Teorias da Comunicação com que tivera contato e a Teoria Sócio-cultural brasileira, gerando, assim, a Folkcomunicação. Dessa forma, a Folkcomunicação emerge da realidade conjuntural, particularmente da região do nordeste do Brasil e conquista seu espaço na academia.

Hoje, a Folkcomunicação, pertencente ao quadro da Escola Latino-americana de Comunicação e é difundida no Brasil e, de maneira mais tímida, na América Latina e na Europa, através de publicações e do trânsito de pesquisadores. A Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares de Comunicação) criou o Prêmio Luiz Beltrão, em que são homenageados os recém-pesquisadores que sobressaem na academia. A Cátedra UNESCO/UMESP de Comunicação para o Desenvolvimento Regional que criou, em 2005, o Portal Luiz Beltrão, que tem por objetivo principal não somente difundir as idéias de Luiz Beltrão, mas apoiar pesquisadores e estudantes de comunicação nas pesquisas da área de

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Folkcomunicação. Também, há que se destacar a Universidade Autônoma de Barcelona, que instituiu 2006 como o “Ano Luiz Beltrão”, em que o foco das pesquisas acadêmicas estará sobre o pensamento comunicacional de Luiz Beltrão e, conseqüentemente, sobre a Folkcomunicação, contribuindo ainda mais para a sua difusão.

Objetivo da Pesquisa

Geral

O objetivo principal deste trabalho, em primeira instância, é investigar sobre as origens da folkcomunicação, identificando, não somente os teóricos da comunicação, cientistas sociais e folcloristas que respaldaram a tese de Beltrão, mas também, as teorias que deram sustentação às pesquisas em folkcomunicação. Num segundo momento, verificar como se deu o desenvolvimento das idéias de Beltrão veiculadas nos congressos nacionais e internacionais e, num terceiro momento, iremos verificar o processo de difusão desta teoria em âmbito nacional, alcançando universidades no exterior, através do trânsito de pesquisadores entre as universidades, bem como a presença destes em congressos comunicacionais trazendo contribuições significativas para a disseminação do pensamento comunicacional de Beltrão.

Específicos

Investigar sobre as teorias da comunicação e teorias sócio-culturais brasileiras que deram origem à Folkcomunicação, bem como, seus pensadores;

Identificar como se deu esse processo inicial da gestação da folkcomunicação;

Verificar os avanços teóricos construídos pelos inovadores e renovadores que deram continuidade aos estudos de Luiz Beltrão;

Averiguar de que forma se deu o processo de difusão da folkcomunicação e quais foram seus pilares;

Traçar o mapa da sedimentação da Folkcomunicação.

Justificativa

A principal justificativa é a atualidade do tema. O estudo da folkcomunicação está se expandindo, não somente no Brasil, como também no exterior. A internacionalização da Folkcomunicação deve-se à circulação de pesquisadores, em que a teoria da folkcomunicação,

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nascida em solo brasileiro, está servindo de referencial teórico às pesquisas sobre os mass

media e a cultura popular. Ou seja, a teoria de Beltrão se expandiu, rompendo as fronteiras

brasileiras e difundiu-se internacionalmente. Essa constatação pode ser verificada a partir das comunicações apresentadas em congressos nacionais e internacionais, através dos anais dos congressos e, também, nas revistas cientificas, em que a teoria da folkcomunicação tem sido utilizada como referencial teórico-metodológico para as pesquisas que tratam da cultura popular e a intermediação dos mass media.

Metodologia

Esta pesquisa foi dividida em três partes, com o objetivo de abordar os processos pelos quais passou a folkcomunicação em termos teóricos, como também, de difusão, sedimentação e institucionalização da folkcomunicação, principalmente a sua legitimidade acadêmica.

Esta tese apresenta-se de maneira característica latino-americana, em seu hibridismo teórico e metodológico, o que foi um ponto complexo de trabalho. Buscamos seguir, na verdade, a linha do Orientador, Prof. Dr. José Marques de Melo, que trabalha sob o viés Positivista de cunho funcionalista, com o objetivo de explicitar as matrizes epistemológicas da Folkcomunicação.

Ressaltamos que buscamos trabalhar de maneira científica, utilizando meta-teorias, com o objetivo de validar a Folkcomunicação, enquanto uma teoria da comunicação que busca operacionalizar a informação no espaço social, independente de classes sociais. Fazer circular a informação no espaço social é o objetivo da folkcomunicação e é o que buscamos mostrar. Assim, utilizamos, nesse processo, várias teorias da comunicação e teorias sociais para explicar esses processos, ora assimilando posições, ora confrontando-as.

Trata-se de pesquisa bibliográfica e documental, em que foram realizadas a coleta de dados e análises quantitativa e qualitativa, na Parte II, na Análise dos Congressos; além de pesquisa taxionômica, na Parte III, em relação às teses e dissertações, e inventário da produção bibliográfica e documental.

A mestiçagem metodológica ocorreu devido às metas traçadas. Para isso, em cada parte, foi utilizado um viés. Para a primeira parte, em que o objetivo era abordar A Gênese e os

Fundamentos da Folkcomunicação, trabalhamos a partir do estrutural-funcionalismo,

mostrando de que maneira foi elaborada a teoria, apontando suas principais matrizes: epistemológicas, antropológicas e sociológicas, e comunicacionais. O objetivo foi apresentar

Referências

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