4.2 PNLD LITERÁRIO E OBRAS SELECIONADAS
4.2.2 Obras selecionadas
Neste estudo, foram selecionadas 5 obras provenientes do PNLD Literário de 2018 para compor os ateliês poéticos, sendo esse o principal critério de escolha. No entanto, as obras foram definidas considerando que a leitura não necessitasse da visualidade (ilustrações) para complementar o entendimento das crianças, visto que no ateliê elas apenas ouviram os textos lidos pela professora e podiam apenas ver a capa do livro. Também foi previsto o tamanho do texto em função do tempo destinado para a realização de cada ateliê. No quadro 6, constam as obras selecionadas para cada um dos ateliês:
18 O Guia do PNLD Literário 2018 para a EI pode ser conferido no seguinte endereço eletrônico:
https://pnld.nees.ufal.br/pnld_2018_literario/etapa-ensino/2018-literario_educacao_infantil.
Quadro 6 – Obras selecionadas para os ateliês poéticos
Ateliê Título Autor
1
Que bichos engraçados!
Maria Antonia Pietrucci Gonzalez
2
Gato pra cá, rabo pra lá
Sylvia Orthof
3
Reviranvento
Silvana Tavano
4
Curuminzice
Tiago Hakiy
5
Que quintal!
Laís Correa de Araújo Ávila
Fonte: elaborado pela autora (2022).
Vale observar que as obras são apenas apontadas, visto que o foco do estudo não são as obras, mas como as crianças reverberam as obras partir dos ateliês poéticos propostos.
O livro Que bichos engraçados! (GONZALEZ, 2018) é composto por um poema que tem frases simples, e traz a figura de animais. É um texto que evidencia o metro e a sonoridade por meio das rimas, como no caso da frase “O galo Tuca é lelé da cuca.” (GONZALEZ, 2018,
p. 9). A escolha deste livro para o primeiro ateliê, além dos critérios descritos anteriormente, foi devido a sua simplicidade, como se fosse o mobilizador, a abertura para a continuidade dos próximos ateliês.
Em Gato pra cá, rato pra lá (ORTHOF, 2014), texto usado no segundo ateliê, há a presença da sonoridade por meio das rimas, assonâncias e aliterações que dão ritmo à leitura.
Mas também há a presença da imagem poética como podemos perceber no seguinte trecho que diz:
[...] mas vendo a lua, o gato, de fato, Ficou amoroso, miando poesia.
A lua, tão gata, tão prata, sorria.
(ORTHOF, 2012, p. 19)
Em Reviravento (TAVANO, 2018), texto lido no terceiro ateliê, quem tem o vento como seu protagonista, há também a presença marcante da imagem poética, além das aliterações presentes. Este já se mostra um texto rebuscado, construído em estrofes de quatro ou três linhas, que dão ritmo por meio da imagem e sentidos, como podemos perceber no trecho que segue:
[...] porque o vento espalha poeira mas também carrega magia sopra segredos, conta histórias contamina o ar com sua poesia (TAVANO, 2018, p. 7)
Tanto em Reviravento como em Gato pra cá, rato pra lá, a imagem poética é um recurso que, segundo Paz (2012), dá sentido ao poema e que pode ser plurissignificada pelo leitor/ouvinte a partir do seu olhar, do seu sentir, de modo que o mesmo a possa recriar no seu entendimento a partir do que foi posto pelo autor. É um poema que traz requinte na forma como é construído por meio do uso proposital das palavras.
Na obra Curumimzice (HAKIY, 2014), podemos perceber um texto escrito em estrofes compostas por quatro versos, com presença de rimas percebidas pelas aliterações e assonâncias.
Há a presença de algumas palavras do folclore indígena, como xerimbabo e banzeiro, por exemplo. Toda essa construção configura teor lúdico e sonoridade para o texto, com podemos perceber no verso:
CURUMIM DA FLORESTA
ACORDA COM O CANTAR DE UM PASSARINHO TUDO PARA ELE E A MAIOR FESTA
A ÁGUA DO RIO E BRISA LHE DÃO CARINHO (HAKIY, 2014, p. 8)
Por fim, a obra Que quintal!, lida no último ateliê poético, poema que fala de barulhos existentes no quintal. Construído em versos de quatro frases, com rimas marcadas pelas aliterações, bem como assonâncias, tem repetições de palavras que dão musicalidade ao texto como podemos perceber no verso seguinte:
OLHA SÓ QUANTO BARULHO, LÁ NO FUNDO DO QUINTAL!
_CHAP, CHAP, BATE O VENTO, NAS FOLHAS DO MILHARAL.
(ARAÚJO, 2013, p.19)
Cada uma das obras tem características próprias que evidenciam seu teor poético. Das mais simples às mais rebuscadas, elas têm uma intenção para com o leitor, para ouvi-las e significá-las. O que cada uma delas despertou nas crianças durante os ateliês? Quais suas expressões verbais e não verbais acerca do texto? Tais respostas serão evidenciadas no capítulo 5 e 6 desta dissertação.
5 SOPRO DOS VENTOS: ATELIÊ DE VIVÊNCIAS POÉTICAS
Poesia
é brincar com palavras como se brinca com bola, papagaio, pião
Só que
bola, papagaio, pião de tanto brincar se gastam.
As palavras não:
quanto mais se brinca com elas mais novas ficam.
Como a água do rio que é água sempre nova.
Como cada dia
que é sempre um novo dia Vamos brincar de poesia?
José Paulo Paes
Abrimos este capítulo com “Convite” de José Paulo Paes. O poema nos convida a fazer uma viagem no “túnel do tempo” para nossa infância, fazendo-nos relembrar os tempos do nosso brincar e, consequentemente, possibilitando-nos enxergar e compreender a poesia como uma brincadeira, porque a poesia para a criança surge assim, como brincadeira. E, se para a criança a poesia é vivida como brincadeira, quanto mais para crianças pequenas, que estão no início da formação básica, apropriando-se da cultura letrada mesmo não sendo alfabetizadas.
O ateliê de vivências poéticas se configurou como estratégia metodológica lúdica para alcançar os objetivos almejados nesta pesquisa, conforme já explicitado no capítulo 4. O presente capítulo ganhou o título desta estratégia visto que pretendemos mostrar como crianças pequenas se relacionam com a poesia presente em textos provenientes do PNLD Literário 2018 direcionado à pré-escola com base na expressão verbal e não verbal. Convidamos agora para que conheçam brevemente os ateliês realizados.