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Observações e padronização para notas textuais

A bula de medicamentos em Braille

3.1 O Sistema Braille

3.1.2 Conceituação, normas de aplicação e uso do Sistema Braille 27

3.1.2.1 Observações e padronização para notas textuais

Quando o Instituto Nacional de Cegos se refere a observações, trata-se do que é desejável para as transcrições, porém há a possibilidade de se fazer uma estrutura de texto diferenciada, desde que o sistema Braille seja respeitado em seus

fundamentos e normas.

Segundo as observações que o Instituto expõe, sempre que em alguma obra a transcrever ocorram sinais cuja grafia não tenha sido prevista e normalizada neste código, deve o transcritor atribuir-lhes o correspondente sinal Braille, evitando toda a possibilidade de confusão com os sinais e as normas brasileiras. É aberta a possiblidade de criação de sinais, em casos específicos, com os devidos cuidados sobre as normas de transcrição. Apenas adverte-se que os sinais que tiverem de ser criados deverão ser objeto de nota de rodapé em que se indique o seu significado, quando se empreguem pela primeira vez; sendo muitos estes sinais, devem figurar

em lista própria e em página(s) exclusiva(s) no início do volume onde se encontram.

Sobre os cuidados nas transcrições é exposto que o texto original deve ser seguido o máximo possível. O sistema e as normas têm algumas soluções para problemas nas transcrições, como um sinal de transpaginação para indicar o local de mudança de páginas no documento original.

Sempre que o fim das páginas Braille e em tinta não for coincidente, pode-se indicar a mudança de página do texto em transcrição, colocando, entre espaços, o sinal de transpaginação (5 25). Se a página em texto convencional terminar por uma palavra translineada, o sinal de transpaginação será colocado somente depois de toda a palavra escrita. Quando se utilizam ambas as faces do papel e não se inclui a paginação do original em tinta, basta numerar as páginas ímpares.

Os títulos, subtítulos, etc, devem ficar bem destacados em relação aos

repectivos textos. É interessante destacar que como alternativoa para substituir os itálicos ou caixa alta para ênfase em títulos e subtítulos é indicado que se use sublinhados ou saltos de linha, dizendo-se que estes os substituem com

“vantagem”. Além disso, se observa que os títulos e subtítulos não devem ser escritos em página diferente daquela em que os respectivos textos começam; pelo contrário, devem ser seguidos de, pelo menos, duas linhas de texto.

Um texto só deve terminar num princípio de página, se nela figurarem, pelo menos, duas linhas de texto. A observância deste preceito é de particular

importância, se n mesma página começar novo texto, pois assim se evitará tomar título deste o final do texto anterior.

Os parágrafos devem ser claramente destacados. A abertura pode variar, mas tem de fazer-se pelo menos no terceiro espaço. O parágrafo americano (que consiste em não fazer qualquer abertura e deixar uma linha em branco entre parágrafos), embora muito utilizado no texto convencional, não é recomendável em Braille, por provocar a descontinuidade do texto e prejudicar a economia de espaço.

Quando não há a necessidade de economizar espaço (em apontamentos, publicações periódicas, etc.), pode se usar o ‘parágrafo compacto’. O sinal de pontuação pelo qual um parágrafo termina é seguido de três espaços em branco; o

novo parágrafo principia a seguir, na mesma linha, e a linha imediata começa, pelo menos, no terceiro espaço.

O processo de parágrafo compacto não se aplica circunstancialmente quando o início de cada parágrafo não puder ser claramente assinalado pela reentrância da linha imediata e quando os parágrafos estiverem referenciados com números, letras, etc. Faz-se então a abertura do parágrafo (como se estabeleceu acima) e retoma-se depois o parágrafo compacto.

As molduras (caixas) em que se destacam textos podem e devem ser

reproduzidas em relevo, utilizando linhas horizontais e verticais. As caixas ao redor de textos também podem ser feitas com pontos consecutivos ao redor.

Sobre a paginação dos documentos observa-se que nos textos Braille reserva-se a primeira ou a última linha da página. O número é colocado, geralmente, no extremo direito da linha ou no meio dela, podendo, nesta última posição, ser dispensado o emprego do sinal de número.

Segundo o Instituto, sempre que se quiser aplicar ao texto Braille a forma mais comum de numerar as páginas do livro em escrita convencional, ou seja, nos extremos mais afastados da lombada, os números deverão manter, pelo menos, três espaços em branco à esquerda.

Ainda se expõe que quando, sobre a página Braille se indica o número da que lhe corresponde no texto em tinta – o que é sempre vantajoso nas obras didáticas – esta indicação deve figurar na mesma linha utilizada para a paginação Braille, a partir da terceira cela. Se a página Braille contiver texto de duas ou mais páginas do original em tinta, podem-se escrever os números da primeira e da última, ligados por hífen.

Se os extremos da linha se ocupam com a paginação do livro Braille e do livro em tinta, a parte central pode ser aproveitada para a inclusão de quaisquer referências; se a paginação do original não for representada e a paginação Braille se faz somente nas páginas da direita, o restante da linha pode ser preenchido com texto. Tanto num caso como em outro, é necessário manter uma distância não inferior a três espaços entre o texto e os números das páginas.

Além das observações de estruturação geral do texto, o Instituto Nacional de Cegos também indica a forma como as notas devem ser estruturadas. As notas ao texto devem escrever-se, sempre que possível, no rodapé da página Braille em que

ocorrem as respectivas referências. As notas podem ser referenciadas por meio de números, letras, asteriscos, etc. Em Braille, as referências colocam-se sempre entre parênteses e isoladas, por espaço em branco, relativamente à palavra ou expressão que é objeto da nota. Nas transcrições para Braille, as notas à margem devem ser convertidas em notas de pé de página. Para isso, é necessário

referenciá-las, escolhendo-se um tipo de referência que permita distingui-las de outras notas de pé de página que possam existir.

O texto das notas deve observar uma margem diferenciada de dois ou três espaços e ser separado do texto principal por uma linha de pontos que, partindo do primeiro espaço, preencha, pelo menos, um terço da linha. Cada nota deve

começar em novo parágrafo, com a indicação da respectiva referência. Quando o texto de uma nota já não puder ser inserido no pé da página em que a referência aparece ou aí não couber integralmente, escreve-se, total ou parcialmente, no pé da página seguinte, também separado do texto principal por uma linha de pontos.

Pode acontecer que, na mesma página onde se insere total ou parcialmente uma nota com referência na página anterior, outras referências apareçam. Então, todas essas referências deverão formar uma seqüência ordenada que só terminará quando o final do texto da última nota ocorrer no final da página.

Se as notas forem extremamente freqüentes ou muito extensas, também podem inserir-se no fim do capítulo ou do volume. Se for inserido no fim do volume, o texto das notas deverá então figurar em página nova e ser introduzido pelo título

‘notas’.

As “observações” expostas pelo Instituto Nacional de Cegos para a transcrição de documentos podem ser norteadoras no momento de design da bula de

medicamentos em Braille, pois, apresentam soluções de estruturação gráfica e informacional que não são especificadas nas normas, sendo bastante úteis e até mesmo indispensáveis no processo de design do documento.

3.1.3 Características físicas dos documentos em Braille

O desenvolvimento tecnológico propiciou formas de impressão, equipamentos e materiais que facilitam o uso do Braille, sendo que este pode ser impresso até

mesmo em larga escala, como livros didáticos, faturas públicas como contas de água (no Paraná) e luz (Pernambuco), e outros documentos.

O Braille pode ser impresso manualmente através da reglete, com o uso da máquina Perkins de datilografia e atualmente por sistemas eletrônicos. As

impressoras eletrônicas possibilitaram a impressão em frente e verso, através do sistema chamado "interponto”, onde é feito um deslocamento para que a impressão dos pontos Braille do verso não coincidam com os pontos da frente do documento (Lerpraver, 2000).

Atualmente há no mercado o acesso a impressoras compactas, de uso pessoal para impressos em geral. Há as impressoras que imprimem a frente e o verso e as que só imprimem em uma face da folha30.

Através de softwares específicos (WinBraille, Braille Fácil), é feita a transcrição de texto automaticamente, o que permite a formatação de textos de acordo com o sistema Braille.

Neste estudo o software Braille Fácil é utilizado, pois, este é utilizado pelas Imprensas Braille. As impressoras Braille funcionam por um sistema de agulhas que pressionam o papel e produzem os pontos. Há impressoras com sistemas de

alimentação de folhas soltas de papel ou em formulários contínuos.

É possível a produção de grandes tiragens, como livros didáticos e literários, documentos, formulários, e quaisquer outros. Há impressoras que possibilitam a impressão de linhas cheias ou pontilhadas e formas em relevo, o que não é comum.

Também há os sistemas de impressão com vernizes e hot stamping, o que possibilita a impressão de texturas e figuras complexas.

Algumas limitações com relação à impressão de figuras e formas complexas se dão pelas características perceptivas do usuário, pois, estes têm dificuldades em perceber e diferenciar relevos muito semelhantes, ou o exagero no uso de texturas, principalmente em impressos, o que pode prejudicar a legibilidade (Lerpraver, 2000).

A gramatura e textura do papel também influenciam na legibilidade do documento, dependendo das características da máquina impressora, que pode imprimir com maior ou menor pressão. Quanto mais liso o papel mais fácil o

30 http://www.lerpraver.com/mam/produtos/braille_impressoras.html

reconhecimento do que foi impresso, reduzindo-se a interferência do fundo, caso seja esta a intenção para o impresso.

Há algumas imprensas Braille no Brasil. A de São Paulo (Laramara31), no Rio Grande do Sul, Porto Alegre e em Curitiba no Paraná, são alguns exemplos.

Em Curitiba a Adevipar -Associação dos Deficientes Visuais do Paraná- realiza os impressos Braille. Atualmente a imprensa Braille de Curitiba atende escolas para a produção de livros didáticos, empresas como a Sanepar -Empresa de Saneamento do Paraná- e também usuários em geral. Os livros e materiais em geral, são

impressos e encadernados pelos funcionários da Imprensa Braille local. A média de produção mensal atual é de 5000 folhas32.

Também para fins de estudos há os núcleos de acessibilidades das universidades federais (Universidade Federal do Paraná e Universidade Tecnológica Federal do Paraná) em Curitiba.

As formas de impressão e as possibilidades de materiais a serem utilizados interferem nas características do documento final com relação à sua estrutura gráfica. Portanto, ao se desenvolver um documento em Braille é necessário avaliar as possibilidades.

3.1.4 Exemplos de aplicação do Braille e outras formas de representação