• Nenhum resultado encontrado

Observações

No documento Download/Open (páginas 111-114)

CAPÍTULO 2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

2.4 Instrumentos de coleta dos dados

2.4.2 Observações

Mesmo cientes de que a presença do pesquisador no ambiente pode interferir no curso natural das atividades a serem observadas, a observação ainda consiste numa ferramenta valiosa para as pesquisas qualitativas por permitir identificar quais as reais ações que acontecem no fenômeno a ser estudado.

Como afirma Queiroz e colaboradores (2007, p. 277):

Observar significa aplicar atentamente os sentidos a um objeto para dele adquirir um conhecimento claro e preciso. A observação torna-se uma técnica científica a partir do momento em que passa por sistematização, planejamento e controle da objetividade. O pesquisador não está simplesmente olhando o que está acontecendo, mas observando com um olho treinado em busca de certos acontecimentos específicos.

Em nossa pesquisa, a observação foi do tipo sistemático, em razão de fazermos uso de uma ficha por nós elaborada (ver apêndice A) que nos permitiu organizar os dados a primeira vista, além de nos nortear nessa fase da pesquisa (OLIVEIRA, 2005) para compreendermos como e que tipo de contextualização está sendo desenvolvida na formação inicial de futuros professores de Ciências e Biologia, sem abrir mão das observações mais livres, as quais foram registradas em espaço reservado da ficha durante toda às 60 horas da disciplina.

A propósito, a ficha de observação conta dos seguintes elementos: identificador da aula, turno e sua data de realização; informações gerais sobre a aula (local, horário de início e término, e quantidade de estudantes presentes e ausentes); atividade planejada segundo o plano de ensino entregue pela docente; temas discutidos na aula; dinâmica da aula, que se refere as sequências de atividades transcorridas; informações emitidas pela professora formadora e também pelo licenciando que são alusivas à contextualização; aportes teóricos e metodológicos apresentados pela professora relacionados com a contextualização; e de espaço livre para anotações de outras informações e observações mais livres.

2.4.3 Entrevista

A entrevista foi possivelmente originada no campo da Medicina, em virtude da necessidade de informações detalhadas do paciente para auxiliar no diagnóstico, e provavelmente utilizada pela primeira vez como técnica de pesquisa social por Booth em 1886, quando estudava as condições socioeconômicas de habitantes de Londres (FRASER; GONDIM, 2004). A entrevista é considerada uma das modalidades de interação entre duas ou mais pessoas com um propósito diferente da mera conversação, pois nela se valoriza o uso da palavra, símbolo e signo devido ao seu valor para as relações comunicativas (Ibidem, 2004). Além de ser muito útil quando se deseja investigar indivíduos que não sabem ler e/ou escrever, e aqueles que têm dificuldades de expressar em palavras escritas o seu pensamento (GIL, 2002), o que não representa nosso sujeito entrevistado: uma docente.

Ainda conforme Gil (2002, p. 117, destaques do autor):

É fácil verificar como, entre todas as técnicas de interrogação, a entrevista é a que apresenta maior flexibilidade. Tanto é que pode assumir as mais diversas formas. Pode caracterizar-se como informal, quando se distingue da simples conversação apenas por ter como objetivo básico a coleta de dados. Pode ser focalizada quando, embora livre, enfoca tema bem específico, cabendo ao entrevistador esforçar-se para que o entrevistado retorne ao assunto após alguma digressão. Pode ser parcialmente estruturada, quando é guiada por relação de pontos de interesse que o entrevistador vai explorando ao longo de seu curso. Pode ser, enfim, totalmente estruturada quando se desenvolve a partir de relação fixa de perguntas. Nesse caso, a entrevista confunde-se com o formulário.

No caso desse trabalho, optamos pela entrevista parcialmente estruturada, pois além de investigar sobre a concepção da nossa entrevistada acerca da contextualização, julgamos também ser importante compreendermos sua concepção sobre a PCC e se considera pertinente a essa disciplina ao menos discutir e/ou estudar a contextualização. Nisso encontramos concordância com Fraser e Godim (2004, p. 140) quando mencionam que a entrevista na pesquisa qualitativa é um recurso que ―[...] permite atingir um nível de compreensão da realidade humana que se torna acessível por meio de discursos, sendo apropriada para investigações cujo objetivo é conhecer como as pessoas percebem o mundo‖.

Além disso, a escolha dessa modalidade de entrevista visa explorar possíveis pontos de interesse ou de dúvidas que poderão surgir na fala da entrevistada. Mas há também riscos dos quais estamos cientes: como a retenção de informação devido ao anonimato do seu entrevistador; requerer maior tempo da entrevistada para a realização da entrevista; faz-se

necessário de um bom planejamento; e ficar atentos para a não ―fuga‖ do tema de interesse conforme recomendam Boni e Quaresma (2005).

Nesse sentido, o roteiro de entrevista (apêndice D) é composto por sete questões norteadoras, passíveis de serem acrescidas outras perguntas a depender da resposta apresentada pela entrevistada, divididas da seguinte forma:

 Questão de nº 1: conhecer a trajetória formativa e profissional da docente;

 Questões de nº 2: voltadas para a compreensão da docente quanto ao papel da disciplina Prática de Genética na formação dos professores de Ciências e Biologia.

 Questão de nº 3: visa identificar o tempo de atuação da docente com Prática de Genética e se a mesma gosta de atuar com a disciplina;

 Questões de nº 4 e 5: relacionadas à concepção de contextualização e à pertinência da contextualização nas aulas e Genética;

 Questões de nº 6: voltada a identificar como a disciplina Prática de Genética contribui para que os licenciandos aprendam a contextualizar em relação aos conteúdos de Genética;

Como se pode perceber, a estruturação desse roteiro conta com perguntas específicas, mas que não nos impossibilitam de realizar perguntas complementares; e que se trata de um modo particular de organizar uma sequência mais coerente de perguntas pertinentes à pesquisa, e vistas como essenciais para atender aos objetivos estabelecidos.

Vale destacar que a entrevista foi realizada no dia 14 de julho de 2016, com duração de 46 minutos gravada em áudio por meio de um aparelho telefônico, na sala da coordenação do Restaurante Universitário da qual a professora Carol é coordenadora. O áudio posteriormente foi transcrito para ser submetido à análise de conteúdo de Bardin (1994).

2.4.4 Questionário

Segundo Oliveira (2005, p. 89), o questionário é ―uma técnica para obtenção de informações sobre sentimentos, crenças, expectativas, situações vivenciadas e sobre todo e qualquer dado que o pesquisador(a) deseja registrar para atender os objetivos de seu estudo‖. Para dá respostas aos nossos objetivos, optamos por um questionário tanto com questões abertas como fechadas (ver apêndice E). As questões visam:

 Conhecer a concepção de contextualização dos futuros professores de Ciências e Biologia;

 Saber se eles conseguem apresentar situações de Ensino de Genética contextualizadas; O questionário foi aplicado aos licenciandos nos dias 05 e 06 de julho de 2016, respectivamente, nas turmas LB1 e LB3, ao final do último dia de apresentação das atividades da 2ª Verificação de Aprendizagem (2ª V.A.). Este período foi estabelecido em virtude da aprovação antecipada da maioria dos licenciandos na disciplina de Prática de Genética, de modo que ainda fosse possível aplicar o questionário ao maior número possível dos matriculados nessa disciplina.

Os dados fornecidos pelo questionário foram analisados às cegas, ou seja, sem se conhecer o nome do licenciando com a exceção do turno ao qual estudava. Agindo desta forma, tivemos a intenção de não analisar com profundidade o perfil conceitual de cada licenciando, mas o conjunto que participou da formação dada pela professora Carol, objetivando entender como estes futuros professores de Ciências e Biologia concebem a contextualização e relacionam-na com os conteúdos específicos de Genética.

No documento Download/Open (páginas 111-114)