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ANÁLISE DO QUESTIONÁRIO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

8.2. Análise quantitativa das respostas ao Bloco 2: apresentação dos resultados

8.2.1. Observando a influência da experiência em sala de aula

Para esta pesquisa, analisou-se a diferença entre as médias das respostas dadas pelos sujeitos consoante o seu tempo de serviço (menos de 5 anos /mais de cinco anos) e experiência no estrangeiro uma vez que eram as variáveis que neste estudo poderiam influenciar mais diretamente os resultados que viessem a ser obtidos nos questionários.

O objetivo era testar se haveria uma relação entre os anos de prática do professor em sala de aula com as suas respostas. Para o efeito comparam-se as médias através do teste t de Student para amostras independentes, para um nível de confiança de 95%, de modo a verificar a hipótese abaixo:

− Visto que as crenças se correlacionam com as experiências dos indivíduos (Barcelos, 2004), a forma como os professores procedem à abordagem de aspectos culturais varia de acordo com o seu tempo de serviço.

O Tempo de Serviço será dividido em dois grupos: o dos docentes que possuem até 5 anos de serviço e os que ensinam há mais de 5 anos, dado que se considera esse tempo de experiência como significante para a evolução profissional do docente. Na Tabela VII apresenta-se o número de participantes que se enquadram nas categorias específicas e respetiva percentagem em relação ao total da amostra:

Tabela VII – Número de participantes por tempo de serviço e a respectiva percentagem

Tempo de Serviço N % Menos de 5 anos Mais de 5 anos 22 21 51.2% 48.8%

Os resultados obtidos para as várias questões não evidenciam associações estatisticamente significativas entre as variáveis testadas (Tabela VIII).

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Tabela VIII – Diferenças nas respostas ao questionário por tempo de serviço

Questões Menos de 5 anos

Média/Desvio Padrão (entre 1 e 5) Mais de 5 anos Média/Desvio Padrão (entre 1 e 5) t (43) p

1 ‘Cultura e língua são complementares’

M = 4,64, DP =0,902 M = 4,71, DP = 0,902 -0,283 0,779 2 ‘Aspectos culturais são

cruciais no ensino de uma língua’.

M = 4,70, DP 0,470 M = 4,81, DP = 0.512 -0,713 0,480 3 ‘Saber mais sobre

países de língua inglesa motiva os alunos a aprender a língua’.

M = 4,67, DP 0,577 M = 4,86, DP = 0,359 -1,284 0,206

4 ‘Saber mais sobre cultura de países de língua inglesa motiva os alunos a refletir mais sobre a sua própria cultura’.

M = 4,76, DP = 0,436 M = 4,57, DP =0,676 1,085 0,285

5 ‘Competência cultural é uma habilidade, assim como leitura, escrita, oralidade e escuta’.

M = 3,67, DP = 1,426 M = 3,81, DP =1,436 -0,323 0,748

6 ‘‘Cultura forma nossa mundivisão’’. M = 4,55, DP = 1,007 M = 4,52, DP = 0,507 0,092 0,927 7 ‘Língua é o elemento mais representativo de uma cultura’. M = 4,29, DP = 1,513 M = 4,57, DP = 1,327 -1,161 0,252 8 ‘O ensino de aspectos

culturais requer momentos específicos na aula, não podendo ocorrer durante explanações

gramaticais, por exemplo’.

M = 2,24, DP = 1,513 M = 2,19, DP = 1,327 0,108 0,914

9 ‘O ensino de aspectos culturais deve ser ensinado em conjunto com a língua alvo’.

M = 4,76, DP = 0,539 M = 4,90, DP = 0,301 -1,061 0,295

10 ‘Apenas ensino

aspectos culturais porque estão presentes no material didático’.

M = 1,57, DP =1,207 M = 1,50, DP = 1,000 0,206 0,838

11 ‘O material didático é útil ao se ensinar aspectos culturais’. M = 3,67, DP =1,461 M = 3,76, DP = 1,300 -0,223 0,825 12 ‘É possível abordar aspectos culturais em qualquer escola (pública, privada, curso de línguas, etc)’..

M =4,33, DP =1,111 M = 4,62, DP = 1,973 -0,887 0,381

13 ‘O ensino de aspectos culturais pode ser confuso para os alunos quando estes estão

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língua’.

14 ‘Nos momentos em que a língua alvo é utilizada em sala pelos alunos, o professor deve buscar incluir aspectos culturais na prática do aluno’.

M = 4,48, DP = 0,873 M = 4,24, DP = 1,136 0,762 0,451

15 ‘Professores de língua devem buscar informar os alunos sobre como utilizar a língua de maneira eficaz em diversas situações interculturais’.

M = 4,95, DP = 0,218 M = 4,90, DP = 0,301 0,587 0,560

Face ao exposto, conclui-se que os anos de experiência profissional não resultou em distinções nas crenças dos inquiridos.

Contudo, se se atender à média das respostas obtidas, percebe-se que, independentemente do Tempo de Serviço dos participantes, nos sujeitos desta amostra existe um consenso de que cultura e língua possuem uma relação de complementariedade. Há um entendimento de que os aspectos culturais possuem lugar garantido em sala de aula, no ensino de uma língua bem como quanto ao fato de que a motivação do aluno se relacionar com o conhecimento acerca de países onde o inglês é língua oficial. Do mesmo modo, conhecer a cultura do outro pode acarretar uma maior reflexão por parte do aluno sobre a sua própria cultura. Os participantes concordam com o fato de a cultura se encontrar associada à nossa mundivisão, sendo responsável por formá-la, e reafirmam à ideia de que língua se caracteriza como o elemento mais representativo de uma cultura.

Há discordância quanto ao fato de a abordagem à cultura dever ser feita em momentos específicos na aula. Pelo contrário, entende-se que os participantes compreendem a presença de cultura em diversos momentos durante a sala de aula, inclusive em explanações gramaticais. Os participantes também se opõem ao fato de o professor ensinar apenas aspectos culturais devido à presença dos mesmos no material didático. Assim, entende-se que os participantes apresentam uma consciência da importância de aspectos culturais que vai além do que está presente no material, além de, possivelmente, adotarem outros meios de inserir cultura em sala de aula.

Houve uma certa neutralidade nas respostas dos professores, nem discordando nem concordando com a utilidade do material didático. Possivelmente, deve-se ao fato de essa ser uma questão relativa ao quão útil possa ser o material didático. Embora se

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introduzam aspectos culturais mediante textos, imagens, entre outros, o material pode conter diversos estereótipos que necessitam de desconstrução por parte do professor. Percebe-se a necessidade de uma postura crítica quanto ao material didático.

Segundo os participantes, os aspectos culturais podem ser abordados em salas de aula, quer esta pertença à esfera pública quer à privada. Independemente da instituição, o currículo permanece o mesmo, havendo assim a necessidade em se abordarem aspectos culturais. Embora ambas as salas de aula apresentem estruturas distintas, cabe aos professores expandir a visão dos alunos quanto à relação entre língua e cultura. Este deve responsabilizar-se por incluir aspectos culturais e informar os alunos acerca das diversas situações interculturais, relevantes para o ensino da língua inglesa.

Por fim, os participantes discordam da crença de que os aspectos culturais podem confundir o aluno. Pelo contrário, possivelmente entende-se a presença de cultura como um facilitador, visto que apresenta a língua alvo de forma contextualizada. Segundo os mesmos, durante a prática e produção de uma língua alvo em sala de aula, o professor deve incluir elementos culturais, para que assim o aluno se familiarize com tais aspectos e a língua surja de forma mais natural – em contextos reais.