5. PROPOSTA DE SISTEMA - REDE DE SOLUÇÕES DE INDÚSTRIA 4.0 (RSI4.0)
5.1. D ESCRIÇÃO DA RSI4.0
5.1.5. Abertura dos Desenhos de forma Automática no Ecrã do Posto de Trabalho - Fase 5 e Fase
A quinta etapa da RSI4.0 corresponde à abertura dos desenhos de forma automatizada no ecrã do posto de trabalho. Os sistemas informáticos integrados na RSI4.0, que fornecem informação acerca da fase em que se encontra a obra bem como toda a informação relativa à mesma, permitem que, através do cruzamento destas informações, seja possível identificar quais as peças a ser maquinadas no posto em que a mesma se encontra. Desta forma, todos os desenhos das peças a maquinar naquele posto são automaticamente abertos no ecrã, após a leitura do código QR. É de notar que existe sempre a opção de seleção doutro tipo de ficheiros,
63
de forma manual, que se mostrem uteis ao operador. A nova abordagem permite que os erros na seleção das peças a maquinar sejam minimizados, assim como o tempo requerido para a seleção dos desenhos pretendidos.
Para o caso específico das máquinas CNCs, o método adotado atualmente, consiste no acesso manual aos programas das peças a maquinar, através da abertura de múltiplas direto-rias e subdiretodireto-rias, e da digitação de códigos no computador do posto. Com a aplicação da sexta etapa da RSI4.0 (Fase 5.1), o número do programa apresentado na folha da peça em formato digital, que é acedida e disponibilizada no ecrã do computador do posto de forma automática, dá acesso a uma hiperligação que, posteriormente, dá a ordem de abertura tanto da folha CAM como da folha auxiliar de ferramentas. A partir destas duas folhas, apresenta-das pelo computador do posto de trabalho, é possível proceder-se à maquinação apresenta-das peças. A abordagem minimiza os erros de digitação, prevenindo a ocorrência de não conformidades por ação da maquinação de uma peça com um programa incorreto. Adicionalmente, o tempo despendido na digitação e abertura de múltiplas diretorias é também reduzido substancial-mente, uma vez que, em condições regulares, a seleção dos programas corretos passa a estar à distância de um único clique.
5.1.6. Sistema de Visão por Computador - Fase 6
A sétima etapa da rede de soluções corresponde à integração de um SVC no processo de maquinação. A incorporação desta tecnologia na RSI4.0 destina-se a substituir a inspeção manual, realizada atualmente pelo operador, com auxílio de um paquímetro, após a maqui-nação efetiva de cada peça. Assim, propõe-se um sistema de visão por computador, em tempo real, que realize esta tarefa de forma automatizada, apresentando, consequentemente, um maior grau de fiabilidade.
Este sistema é composto por múltiplos elementos que contribuem para o seu correto funcionamento, nomeadamente um sistema de iluminação, uma camara industrial com sen-sores de imagem integrados e um sistema informático de processamento de imagem.
Para que a peça possa ser corretamente analisada pelo software do SVC, é fundamental que esta seja posicionada numa superfície especializada para a recolha de imagens. A peça deve, então, ser centrada nessa superfície, que terá funções mecânicas de correção de posicio-namento integradas. Para além disto, é essencial que o sistema de iluminação forneça a luz necessária para que a imagem seja captada com a maior qualidade possível.
Após a captação de uma imagem de elevada qualidade, ela é submetida a um software de processamento de imagem que, primeiro, evidencia certas características da imagem para facilitar a verificação, e, depois, procede a essa mesma verificação, através da comparação dessas características com aquelas estabelecidas para a peça em questão, no seu desenho res-petivo.
No caso de a peça estar em conformidade com o desenho do projeto, é apresentada uma luz verde no display deste equipamento. Na eventualidade da peça apresentar uma não con-formidade, é apresentada uma luz vermelha, bem como uma fotografia onde é assinalado o local exato da não conformidade verificada.
64
Esta nova abordagem permite retirar responsabilidade e poder de decisão ao operador no que toca à análise de conformidade, ou falta dela, de uma peça maquinada. Através da abordagem proposta, os erros de maquinação e/ou não conformidades passam a ser deteta-dos imediatamente no posto de trabalho onde tiveram origem, ao invés da peça defeituosa ser transportada para a fase seguinte de maquinação. Adicionalmente, o tempo de operação do posto da serralharia é minimizado substancialmente tendo em conta a eliminação das ativi-dades de inspeção da peça neste posto.
A figura 27 representa, esquematicamente, o conjunto de tecnologias a implementar na zona de maquinação da fábrica, num posto de trabalho com máquina CNC.
O SVC, e todos os equipamentos de apoio ao seu funcionamento, encontram-se dispos-tos na bancada de apoio dos múltiplos posdispos-tos de trabalho, em frente da respetiva máquina.
O leitor RFID encontra-se preso à respetiva máquina, seja esta CNC, fresadora ou torno mecânico. No posto de trabalho da serralharia, o leitor RFID encontra-se na bancada indivi-dual de trabalho de cada operador.
O leitor de código QR está fixo no ecrã do computador, no caso dos postos de trabalhos com CNC. Para os postos de trabalho que possuem fresadoras convencionais, tornos mecâni-cos ou que estão alocados às atividades de serralharia, o leitor do código QR encontra-se dis-posto no suporte do tablet.
Aquando da disposição e configuração destas tecnologias na unidade fabril, procurou-se ter em consideração a limitação de espaço existente na zona de maquinação e que estas tecnologias não comprometessem o atual funcionamento do processo de maquinação através de constrangimentos na movimentação de materiais, equipamentos e trabalhadores.
Figura 27 - Disposição das tecnologias da RSI4.0 num posto de trabalho com CNC
65