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Oferta e Procura

No documento RELATÓRIO DO ESTADO DA ECONOMIA (páginas 30-36)

Oferta e Procura

O desempenho da economia nacional, em 2021, foi favorável, marcado por uma recuperação, impulsionada pela reabertura das atividades económicas, alavancadas pelas medidas excecionais de política monetária e orçamental visando mitigar os efeitos da crise pandémica sobre o rendimento e a liquidez das famílias mais vulneráveis e das empresas. A economia nacional beneficiou, ainda, da melhoria do mercado de trabalho e da confiança dos agentes económicos. Com efeito, de acordo com as estimativas trimestrais das contas nacionais do Instituto Nacional de Estatística, o produto interno bruto em volume cresceu, em 2021, 7 por cento, o que compara com a recessão histórica de 14,8 por cento registada em 2020.

Do lado da oferta, a evolução positiva das atividades dos setores da administração pública (10,2 por cento), indústria transformadora (19,4 por cento), construção (8,6 por cento), transportes (6,9 por cento) e comércio (4,2 por cento), bem como, dos impostos líquidos de subsídios (7,1 por cento), determinou a performance da economia nacional em 2021. As políticas públicas de apoio às empresas e às famílias mais vulneráveis para mitigação dos efeitos da pandemia, bem como, o aumento da procura interna com impacto positivo na produção e no volume de negócios, explicam o desempenho destes setores de atividade.

De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o volume de negócios do setor do comércio e o índice de produção na construção civil aumentaram em, respetivamente, 10,5 e 10 por cento (o que compara com as quedas de 22,2 e 4,2 por cento em 2020). A movimentação de passageiros nos aeroportos e aeródromos, nos portos e nos autocarros de Cabo Verde cresceu, respetivamente, 4,7, 43,5 e 45,6 por cento, com implicações a nível da melhoria expressiva do volume de negócios do setor de transportes (passando de uma queda de 39,3 por cento em 2020 para 1,3 por cento em 2021).

No entanto, a atividade do setor de alojamento e restauração, não obstante ter verificado uma significativa melhoria face a 2020, registou uma diminuição de 26,9 por cento em 2021 (-70,7 por cento em 2020), relacionado com a procura turística, ainda incipiente, muito abaixo dos níveis pré-pandémicos, com impacto no volume de negócios deste setor, que reduziu 4,7 por cento em 2021 (-69,1 por cento em 2020), de acordo com os dados do INE.

Do lado da procura, a evolução da economia nacional deveu-se ao crescimento da procura interna, particularmente, do consumo privado e público, em respetivamente, 9,4 e 30,1 por cento (o que compara com -11,3 e 0,8 por cento em 2020).

Figura 8. Indicadores Selecionados do Desempenho da Economia PIB em volume pelas Óticas da Oferta e da Procura

Rendimento Disponível dos Particulares & Clima Económico e Confiança dos Consumidores

Contributos da Produtividade Total de fatores, do capital e do Trabalho no Crescimento do PIB

Fonte: Instituto Nacional de Estatística. Fundo Monetário Internacional e Banco de Cabo Verde. Cálculos do Banco de Cabo Verde E – Estimativas do Instituto Nacional de Estatística.

PPP-Purchasing Power Parity

-16,0 -14,0 -12,0 -10,0 -8,0-6,0 -4,0-2,0 0,02,0 4,06,0 8,010,0

-10,0 -8,0 -6,0 -4,0 -2,0 0,0 2,0 4,0 6,0

2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018E 2019E 2020E 2021E variação real em percentagem

em pontos percentuais

Agric., Pesca e Extração Indústria

Construção Serviços

Impostos Líq. de Subsídio PIB (eixo dto.)

-20,0 -15,0 -10,0 -5,0 0,0 5,0 10,0

-10,0 -8,0 -6,0 -4,0 -2,0 0,0 2,0 4,0 6,0

2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019E 2020E 2021E em percentagem

em pontos percentuais

Produtividade total dos factores Capital

Emprego Crescimento do PIB (eixo dto.)

-17,0 -15,0 -13,0 -11,0 -9,0-7,0 -5,0-3,0 -1,01,0 3,05,0 7,0

-15,0 -10,0 -5,0 0,0 5,0 10,0 15,0

2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018E 2019E 2020E 2021E variação real em percentagem

em pontos percentuais

Consumo Investimento

Exportações Líquidas PIB (eixo dto.)

-12,0 -9,0 -6,0 -3,0 0,0 3,0 6,0 9,0

2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018E 2019E 2020E 2021E

em pontos percentuais

Outras transf. correntes líquidas (remessas dos emigrantes) Prestações sociais

Rendimentos de propriedade líquidos Excedente de exploração

Remunerações dos empregados Rendimento Disponível

-20,0 -15,0 -10,0 -5,0 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0

mar-16 jun-16 set-16 dez-16 mar-17 jun-17 set-17 dez-17 mar-18 jun-18 set-18 dez-18 mar-19 jun-19 set-19 dez-19 mar-20 jun-20 set-20 dez-20 mar-21 jun-21 set-21 dez-21

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Clima Económico Confiança dos Consumidores

Pese embora, o perfil descendente da confiança dos consumidores, que se verificou particularmente no segundo semestre do ano, os aumentos que se registaram nas remunerações de trabalho e nos rendimentos de exploração (em linha com a retoma económica), nas transferências correntes líquidas (sobretudo, nas remessas dos emigrantes), bem como, nas prestações sociais, nomeadamente, nos apoios atribuídos pelo Estado às famílias mais vulneráveis (em particular, atribuição do rendimento social de inclusão, de pensões sociais e outros benefícios), aliado ao perfil moderado da inflação, com impacto positivo no rendimento disponível real das famílias, justificam a evolução do consumo privado. Por seu turno, o desempenho do consumo público deveu-se à expansão das despesas públicas no contínuo reforço das estruturas de saúde e das condições de resposta à crise pandémica e ao seu impacto económico e social.

No entanto, refira-se que, em resultado das interrupções nas cadeias de abastecimento e das restrições de oferta de algumas matérias-primas e materiais essenciais para a atividade económica, com maior incidência no segundo semestre do ano, limitando as condições de execução de alguns projetos de investimentos internos, tanto privados como públicos, o investimento contraiu 8,3 por cento em 2021, após um crescimento de 19,7 por cento em 202010. As exportações líquidas, apesar de terem evidenciado uma expressiva melhoria, com as exportações a crescerem a um ritmo superior às importações, não foi suficiente para contribuírem positivamente para o crescimento económico. As exportações e importações cresceram, respetivamente, 5,8 e 4,3 por cento, em 2021.

A evolução da atividade económica traduziu-se num hiato positivo do produto, com a taxa de crescimento do produto efetivo a situar-se acima da taxa de crescimento do produto potencial, em 7,7 pontos percentuais, indiciando (na ausência de controles de preços e salários) a existência de restrições na capacidade produtiva (ou de oferta) da economia, bem como, de pressões inflacionistas11.

Estima-se que, em 2021, os fatores trabalho (emprego) e capital tiveram um contributo positivo no crescimento do produto nacional; no entanto, o crescimento e o contributo da produtividade total dos fatores, ou seja, do progresso tecnológico e dos níveis de eficiência foi nulo12.

De notar que, com base no último censo da população de 2021, o PIB per capita medido em termos de paridade do poder de compra, uma proxy do bem-estar da população, situou-se nos 7.995 dólares dos EUA (5.704 dólares dos EUA, tendo em conta o censo da população de 2010).

10 Note-se, contudo, que o investimento direto estrangeiro (IDE) realizado no país, suportado em grande medida pelo investimento dos emigrantes, cresceu 120 por cento em 2021, após o decréscimo de 50,2 por cento registado em 2020.

11 O produto potencial foi estimado utilizando o filtro Hodrick Prescott. De realçar que, a taxa de crescimento do produto potencial foi negativa nos últimos dois anos (0,5 e 0,7 por cento em 2020 e 2021, respetivamente).

12 A expansão da produtividade total dos fatores (PTF) reflete a capacidade de uma economia crescer para além da acumulação dos fatores produtivos capital e trabalho e é normalmente estimada como parte de um exercício de contabilidade do crescimento. Se assumirmos que todas as economias podem ter acesso à mesma tecnologia é possível estimar uma fronteira internacional de produção e decompor a PTF como o contributo do progresso tecnológico e das variações na eficiência. O progresso tecnológico corresponde a técnicas mais produtivas, por exemplo associadas a inovações, enquanto as melhorias na eficiência correspondem a melhores arranjos institucionais e organizacionais, ou seja, um uso mais eficiente do nível de fatores produtivos existente e da tecnologia.

A Atividade Turística em 2021

A atividade turística nacional, medida em termos da evolução da procura e das receitas turísticas, evidenciou alguma retoma em 2021, principalmente no segundo semestre do ano, após ter registado em 2020 o pior desempenho na história do turismo devido à crise pandémica. No entanto, os valores estão ainda longe de atingir os níveis pré-pandémicos.

A procura turística internacional, medida em termos de entrada de hóspedes não residentes nos estabelecimentos hoteleiros, registou uma redução de 24,9 por cento em 2021, apresentando uma melhoria face ao ano anterior (quando comparado com o decréscimo de 76,3 por cento em 2020).

No entanto, apesar desta melhoria, a performance do setor turístico nacional foi bastante inferior ao desempenho mundial do setor, que registou um crescimento de 4,6 por cento em 2021. No entanto, a atividade turística global continuou abaixo dos níveis pré-pandémicos, com o fluxo de viagens a ser afetado pelas taxas desiguais de vacinação entre os países e pelo aparecimento de novas variantes da Covid-19 que geraram mais restrições nas viagens. Todas as regiões registaram acréscimos na procura turística, com exceção da Ásia e Pacífico e do Médio Oriente, que apresentaram uma redução de 64,7 e 8,3 por cento, respetivamente. Por seu turno, a procura turística da região da África Subsariana aumentou 15,7 por cento. Os destinos mais procurados em 2021 foram a Tailândia, o Reino Unido, a China, Alemanha, os EUA e a Itália.

Em termos de dormidas, a procura turística por Cabo Verde reduziu 30,1 por cento (-78,2 por cento em 2020), reflexo da redução registada na maior parte dos mercados emissores, com destaque, para o Reino Unido (em 69,1 por cento), Alemanha (8,4 por cento), Países Baixos (45,1 por cento) e França (67 por cento). A atenuar esta evolução, contribuíram positivamente, os mercados emissores de Portugal, EUA e Espanha, que registaram um aumento de 183,4, 72,2 e 4,6 por cento, respetivamente. O principal mercado emissor de turistas, no ano 2021, passou a ser Portugal com 21 por cento do total da procura turística, seguido da Alemanha com 12,5 por cento, Países Baixos com 8,5 por cento e Reino Unido com 8,2 por cento.

As receitas brutas da atividade turística internacional, por seu turno, reduziram 7,6 por cento, após a queda de 69,2 por cento em 2020. Entretanto, as receitas brutas de viagens internacionais por dormida, por dia, aumentaram 32,2 por cento, para os 18.060 escudos.

Principais Indicadores do Turismo

2019 2020 2021

Entrada de Turistas Internacionais nos Estabelecimentos Hoteleiros 757 982 179 886 135 051 Número de Dormidas de Turistas Internacionais 4 921 665 1 073 987 750 334 Receitas Brutas de Viagens internacionais (milhões de escudos) 47 615 14 670 13 551 Receitas Brutas de Viagens internacionais por dormida por dia em CVE* 9 675 13 659 18 060

Número de Camas Disponíveis 21059 4094 24156

Taxa de Ocupação dos Estabelecimentos Hoteleiros 55% 39% 27%

Duração da Estadia (n.º de noites) 6,1 5,3 4,3

Fonte: Instituto Nacional de Estatística e Banco de Cabo Verde. Cálculos do Banco de Cabo Verde Notas: * A preços do ano anterior.

As ilhas do Sal e da Boavista continuaram a ser o destino preferido dos turistas estrangeiros e nacionais, com as maiores taxas de ocupação do país, de respetivamente, 31 e 63 por cento. Acolheram 82,5 por cento do total da procura turística, que se concentrou, particularmente, no terceiro e quarto trimestre do ano.

Relativamente à oferta turística nacional, o número de estabelecimentos hoteleiros no país aumentou de 124 para 292. O número de camas passou de 4.094 para 24.156. Refira-se que, a capacidade de alojamento aumentou em todas as ilhas, e sobretudo nas ilhas da Boavista e do Sal com, respetivamente, 21 e 58 por cento do total. A ilha de Santo Antão continuou a liderar a oferta de estabelecimentos hoteleiros (69 unidades, representando 23,6 por cento do total), não obstante as ilhas do Sal, Boavista e Santiago continuarem a liderar a oferta de quartos e camas.

Procura turística por Origem e Oferta Turística por ilhas

Fonte: Instituto Nacional de Estatística

De acordo com o Travel & Tourism Development Index (TTDI) de 2021, do World Economic Forum, Cabo Verde registou uma melhoria de uma posição no ranking do turismo mundial, tendo pontuado 3,6, numa escala de 1 a 7, ocupando o 82º lugar em 117 países (em 2019, ocupou o 83º lugar)13. A nível regional, Cabo Verde teve a mais alta classificação da África Ocidental, sendo o mais desenvolvido nos pilares “ambiente de negócios”, “saúde e higiene”, “prioridade atribuída ao setor de turismo e viagens”, “abertura internacional” e “infraestrutura turística”. Ocupa o 6º lugar no ranking da África Subsaariana, depois das Ilhas Maurícias (62º), África do Sul (68º), Botswana (76º), Quénia (78º) e Tanzânia (81º).

Comparativamente à classificação de 2019 e em termos globais, o país registou melhorias, na sua posição no ranking mundial, nos subíndices relacionados com: (i) “Políticas e condições de viagens e

13 Abrangendo 117 economias, o Travel & Tourism Development Index (TTDI) mede o conjunto de fatores e políticas que permitem o desenvolvimento sustentável e resiliente do setor de viagens e turismo, que por sua vez contribui para o desenvolvimento de um país. Este índice substitui o anterior Travel & Tourism Competitiveness Index (TTCI), publicado bienalmente nos últimos 15 anos, com algumas alterações na metodologia e na estrutura. O novo TTDI, comparativamente ao anterior TTCI, inclui mais um subindice, o da “sustentabilidade”, com 3 pilares, nomeadamente, “sustentabilidade ambiental”, “condições e resiliência socioeconómica” e “pressão e impacto da procura de viagens e turismo”.

8% 13%

2%

1% 8%

21%

8%

39%

Alemanha Bélgica e Holanda Espanha França Itália Portugal Reino Unido Outros

0 2 000 4 000 6 000 8 000 10 000 12 000 14 000 16 000

S. Antão S. Vicente S. Nicolau Sal Boavista Maio Santiago Fogo Brava

unidades

2020 2021

turismo”, em todos os seus pilares, nomeadamente, abertura internacional (+14), prioridade atribuída ao setor de turismo e viagens (+8) e competitividade de preços (+4); (ii) “Sustentabilidade”, nos pilares pressão e impacto da procura de viagens e turismo (+18) e condições e resiliência socioeconómica (+6); (iii) “Ambiente adequado”, nos pilares ambiente de negócios (+5) e segurança e proteção (+4); e (iv) “Infraestrutura”, no pilar infraestrutura de transporte terrestre e portuário (+2).

Em sentido contrário, Cabo Verde recuou, na sua posição no ranking mundial, nos pilares: (i) infraestrutura de transporte aéreo (-20) do subíndice “Infraestrutura”; (ii) saúde e higiene (-4), recursos humanos e mercado de trabalho (-1) e capacidade de adaptação às tecnologias de informação e comunicação (-1) do subíndice “Ambiente adequado”; (iii) recursos sem lazer (-4) no subíndice

“Drivers de procura de viagens e turismo”; e (iv) sustentabilidade ambiental (-2) no subíndice

“Sustentabilidade”.

Em 2021, a melhor avaliação do país foi no subíndice “Sustentabilidade” no pilar pressão e impacto da procura de viagens e turismo (+18) e, a pior avaliação no subíndice “Infraestrutura” no pilar infraestrutura de transporte aéreo (-20).

Índice de Desenvolvimento Turístico

Posição de Cabo Verde no ranking mundial

2019 2021

(1-117) (1-117)

Índice de Competitividade de Viagens e Turismo 83 82

I. Ambiente Adequado

1. Ambiente de negócios 54 49

2. Segurança e proteção 69 65

3. Saúde e higiene 80 84

4. Recursos humanos e mercado de trabalho 82 83

5. Capacidade de adaptação às TIC 89 90

II. Políticas e Condições de Viagens e Turismo

6. Prioridade atribuída ao setor de turismo e Viagens 19 11

7. Abertura internacional 82 68

8. Competitividade de preços 61 57

III. Infraestrutura

9. Infraestrutura de transporte aéreo 57 77

10. Infraestrutura de transporte terrestre e portuária 103 101

11. Infraestrutura turística 42 42

IV. Drivers de Procura de Viagens e Turismo

12. Recursos naturais 116 116

13. Recursos culturais 104 104

14. Recursos sem lazer 106 110

IV. Sustentabilidade

15. Sustentabilidade ambiental 47 49

16. Condições e resiliência socioeconómica 89 83

17. Pressão e impacto da procura de viagens e turismo 63 45

Fonte: World Economic Forum

Nota: Um valor mais elevado do índice corresponde a uma pior posição no ranking.

No documento RELATÓRIO DO ESTADO DA ECONOMIA (páginas 30-36)

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