CAPÍTULO 3 – PRODUÇÃO CIENTÍFICA SOBRE GUIAS DE VIAGEM: ARTIGOS EM
3.4 Interfaces com a hospitalidade
3.4.3 Oferta turística
A categoria “oferta” (quadro 3) reuniu 13 artigos, desenvolvidos no período de 2002 a 2015. De forma explícita nos extratos dos artigos, foram citados o guia Lonely Planet e países – Austrália, Coréia, Costa Rica, Escócia, Nova Zelândia e Rússia –, estado – Goa (Índica), cidades – Pompéia, Hiroshima, Nagasaki e Lhasa – e regiões – Costa Catalã, Sudeste Asiático e Vale do Danúbio. Nesta categoria o estudo dos guias de viagem foi realizado em dois grupos temáticos: a) destino turístico (9); e b) atração turística (4).
Sobre destino turístico, Siegenthaler (2002) estudou uma seleção de guias de língua japonesa e investigou as apresentações de Hiroshima e Nagasaki como destinos turísticos nessas publicações. O autor sugeriu não haver ênfase ao sofrimento japonês como resultado das bombas atômicas e percebeu destaque para o sucesso na reconstrução de Hiroshima e da nação como um todo, “enquanto Nagasaki permanece em grande parte fora das dinâmicas sociais e culturais do Japão pós-guerra” (SIEGENTHALER, 2002, p.1111).
De outra forma, Beck (2005) investigou a apresentação de patrimônios mundiais em guias de viagem para vários países europeus e notou que poucos lugares eram rotulados como patrimônio mundial. O autor comentou que as dificuldades inerentes de conceber e apresentar narrativas de patrimônio mundial eram mais significativas se comparadas ao patrimônio nacional, regional ou local.
Nost (2013) fez uma pesquisa etnográfica na Costa Sul do Caribe e questionou como as representações de destinos turísticos “colorem ou são coloridos” pelo desenvolvimento. Por meio de análise de fotos e guias, o Sul do Caribe era percebido como genuiname nte subdesenvolvido. No entanto, devido à valorização local, o desenvolvimento era restrito, e que para ocorrer de forma sustentável, deveria ter foco no local e não em modelos externos.
Autor / (ano) Título Palavras-chave Temática Siegenthaler (2002) Hiroshima e Nagasaki em guias de viagem japoneses Consciência da vítima. Bombas atômicas. Guias de viagem.
Hiroshima. Nagasaki.
Destino turístico Mercille (2005) Os efeitos da mídia na imagem. O caso do Tibete Imagem do destino. Efeitos da mídia. Filmes e outras
mídias. Cultura popular. Tibete.
Beck (2006) Narrativas de património mundial em guias de viagem Global. Turismo de patrimônio. Lugar. Guias de viagem. Patrimônio mundial.
Marine-Roig (2011) A imagem e a identidade da costa catalã como destino turístico nos guias de viagem do século XX
Costa catalã. Evolução do destino. Guias de viagem. Identidade. Imagem.
Garrod, & Kosowska (2012)
Consistência e dissonância da imagem do destino: Uma análise de conteúdo da imagem do destino de Goa em brochuras e guias de viagem
Marca do destino. Imagem do destino. Goa. Índia. Turismo internacional.
Nost (2013) O poder do local: Desenvolvimento do turismo na Costa Rica
Autenticidade. Costa Rica. Lugar. Desenvolvimento sustentável. Turismo.
Kim & Yoon (2013) Examinando a imagem da marca do turismo nacional: A análise de conteúdo do Lonely Planet Coréia
Imagem da marca. Análise de conteúdo. Imagem do destino. Imagem da marca do turismo coreano. Lonely Planet. Kovacs (2013) Pompéia e suas reproduções materiais: A ascensão de um local turístico no século XIX Benzoni. Chiurazzi Foundry. Edward Bulwer. Giovanni Maria. Itália. Bergmeister, (2015) Moldando o sudeste asiático: Traçando imaginários
turísticos em guias e blogs de viagem.
Guias de viagem. Poder. Turismo e imagens do destino. Imaginários turísticos. Blogs de viagem.
Ely (2003) As origens do cenário russo: turismo no rio Volga e a
estética da paisagem russa Não há
Atração turística Ploner (2012) Literatura turística e a gramática ideológica da paisagem no
vale do Danúbio austríaco
Áustria. Rio Danúbio. Patrimônio de paisagem. Ideologia. Narrativa.
Walliss (2014) Paisagens transformadoras: representações pós -coloniais dos
parques nacionais de Uluru-Kata tjuta e Tongariro Marca. Paisagem. Parques nacionais. Pós -colonial. Turismo. Cole (2015) Torrentes impetuosas: Cachoeiras escocesas nas narrativas
de viajantes, 1769–1830
Geografia histórica. Estética da paisagem. Fenomenologia. Representação. Cachoeira.
Quadro 3 – Artigos científicos sobre guias de viagem na base Scopus da categoria “oferta turística” – 2002-2015 Fonte: Elaboração própria (2016).
Bergmeister (2015) analisou a construção de imaginários turísticos em guias populares e blogs de viagem sobre o Sudeste Asiático a partir de uma perspectiva ocidental. Notou que os blogs de viagem, por serem baseados em experiênc ias, permitiam que os leitores (turistas) formassem ideias sobre lugares estrangeiros, enquanto guias de viagem comunicavam imagens prontas a estes. Concluiu que as narrativas hegemônicas dos guias de viagem eram em geral reproduzidas e não criticadas.
Marine-Roig (2011) tratou da imagem e identidade da Costa Catalã como destino turístico nos guias de viagem do século XX, acompanhando o desenvolvimento evolutivo das narrações, imagens e identidades do turismo dessa região como destino de turismo de massa. Notou que a mudança das narrativas refletia a evolução desse destino, e percebeu “contradições entre uma identidade local ímpar e uma identidade global, bem como debates culturais e políticos, tais como a questão da identidade espanhola versus a identidade catalã” (MARINE_ROIG, 2011, p. 118).
Kovacs (2013) examinou a evolução de Pompéia como um destino turístico na segunda metade do século XIX a partir de suas reproduções materiais em variados meios, como romances, lembranças, e em guias de viagem. De acordo com o autor, esses objetos caracterizavam-se como souvernirs tangíveis da memória de viagem e difusores da experiênc ia turística, sendo um passo vital no processo de ascensão de um local na consciência do turista.
Mercille (2005) sondou o impacto das representações da mídia – filmes, guias e revistas – sobre a imagem do destino, a partir de dados recolhidos de turistas em Lhasa, Tibete. Comparou sistematicamente representações com a imagem do destino, constatando que o impacto das representações midiáticas ficava entre uma influência forte e negociada.
Garrod e Kosowska (2012) estudaram a imagem do destino de Goa por meio de uma análise de conteúdo e semiótica das representações transmitidas em brochuras e guias de viagem. Os resultados dessa pesquisa indicaram diferentes representações entre esses dois tipos de publicação:
[...]Enquanto o primeiro tende a representar Goa como um destino de férias de praia, o segundo tende a refletir os esforços de marketing passados que promoveram Goa como parte constituinte da Índia. Estas representações tendem a ser dissonantes entre si, sem dúvida, isto enfraquece a imagem de Goa como um destino. O estudo recomenda que os profissionais de marketing do destino colaborem de forma mais ampla e eficaz a fim de assegurar a coerência das imagens do destino. (GARROD; KOSOWSKA, 2012, p. 167).
Kim e Yoon (2013) examinaram a imagem da marca do turismo nacional da Coréia a partir do guia Lonely Planet e, após investigarem 2.716 adjetivos, constataram-na como
positiva, pois os “bons” adjetivos foram os mais comumente selecionados. No entanto, ao analisar o conteúdo por categoria, os adjetivos relacionados refletiram problemas coreanos atuais de turismo e hospitalidade. Deste modo, o documento sugeriu implicações que poderiam melhorar a imagem da marca de turismo da Coréia.
O destino turístico está associado a um produto turístico concebido como tal e é o local onde estão concentradas as “instalações e serviços projetados para atender às necessidades do turista” (COOPER et al., 2001, p. 136). Segundo Barrado Timón (2004), a produção-consumo turístico começa muito antes da viagem. Por este motivo as representações de destinos turíst icos são de importância para o marketing do local, pois estes são criados e recriados pelos turistas e pelos textos turísticos, atribuindo significados ou sacramentando lugares comuns em destinos que devem ser vistos (GORP, 2012).
A última temática desta categoria reúne quatro artigos relacionados à atração turíst ica. Ely (2003) relatou a abordagem única desenvolvida pela Rússia para seu ambiente natural, na qual o rio Volga desempenhou relevante papel, a partir do turismo de barco a vapor no final do século XIX. Esse fato foi crucial para a articulação de uma nova estética cênica, pois até aquele momento a estética das paisagens era influenciada pela estética europeia. Imagens das paisagens do rio Volga surgiram então em guias, relatos de viagem e meios de comunicação visual com o intuito de negociar a natureza russa como atraente.
Ploner (2012) focou o seu estudo no Vale do Danúbio e suas imagens produzidas em escritos de viagem e turismo ao longo dos séculos, explorando as formas como o rio e sua paisagem adjacente foram formados a partir de narrativas e mitos. Ao longo do tempo resgataram o brilho do nacionalismo germânico, imaginários austríacos ou ideais de uma Europa sem fronteiras.
Waliss (2014) analisou como as representações dos parques nacionais de Uluru-K ata Tjuta e Tongariro foram alteradas pela transformação da Austrália e Nova Zelândia no final do século XX para nações pós-coloniais. Ao comparar representações em cartazes de coleções, guias de viagem e fotografias do século XX às estratégias de marca governamentais do século XXI, o estudo revelou que enquanto Uluru-Kata Tjuta foi reconcebido como uma paisagem de recuperação cultural e econômica, Tongariro permaneceu sem identidade histórica.
Cole (2015) tratou de cachoeiras como objetos estáticos e exemplos de processos dinâmicos, vistas como o principal acidente geográfico para apreciação estática e pitoresca e possuidoras de características dinâmicas associadas ao sublime e à experiência multissensor ia l. O estudo foi realizado a partir das cachoeiras mencionadas em relatos de viajantes e guias da Escócia entre 1769 e 1830.
Mediante as considerações expostas nesta categoria, compreende-se que as pesquisas pautadas relacionam os destinos e atrações turísticas, presentes nos guias de viagem, aos “lugares de hospitalidade”. Esses lugares remetem à oferta turística, tendo como um dos seus componentes os recursos naturais (LOHMANN; PANOSSO NETTO, 2012).
A maioria dos destinos turísticos enfocados foram as cidades, lugares nos quais ocorre a experiência do visitante e a mudança deste pela história presente e observada por meio da arquitetura e tradição, dentre outras (GRINOVER, 2009). Notou-se que guias de viagem tratam dos lugares de hospitalidade não apenas no atendimento das necessidades do turista, como também na oferta de momentos de convívio, onde é possível partilhar diferentes pontos de vista (BELL, 2007).
Nesse contexto, acrescenta-se ao presente estudo o pensamento de Baptista (2002) ao discorrer sobre “lugares de hospitalidade”, que ilustra claramente como estes são mostrados nos guias de viagem. Para essa autora “o mundo é uma grande casa a ser partilhada solidariame nte por uma multiplicidade de humanos”, e há necessidade da criação de lugares que promovam a comunicação, o contato e a proximidade, sendo a hospitalidade responsável pela oferta de cortesia que um hóspede deve receber (2002, p. 158).
Os guias de viagem, ao apresentarem os destinos e/ou atrações turísticas, indicam ao viajante (hóspede), o que deve ser visto e visitado. Durante a viagem, turistas transitam por diversos lugares de passagem, como aeroportos, estações de trem e/ou de metrô, hotéis, restaurantes, cafés, bares, centros comerciais, parques, praças públicas e outros. Os guias de viagem podem emanar o acolhimento e a cortesia dos destinos e atrações turísticas, e por meio da hospitalidade, como citado por Baptista (2002), potencializar esses lugares de passagem em lugares onde haja mais humanização.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Receber está intrinsicamente ligado à hospitalidade. A recepção de pessoas parece estar na essência da sociabilidade entre os seres humanos, e quando se trata de turismo, recepcionar é indispensável. Compreende-se que o ato de receber em qualquer um dos eixos da hospitalidade (cultural ou social) engloba hospedar, alimentar e entreter. Entende-se que a interação entre hóspede e anfitrião pode acontecer em todos os domínios da hospitalidade, sendo que no domínio comercial, a hospitalidade tem uma relação baseada em troca monetária e busca fidelizar seus clientes.
Independente da natureza da relação, comercial ou privada, envolvendo ou não troca monetária, é importante que o relacionamento entre anfitrião e hóspede (outro, convidado, turista ou visitante) seja construído com confiança. As relações humanas, repletas de rituais, e formadas pelo contato e interação entre sujeitos é onde se observa a manifestação da hospitalidade principalmente por meio do acolhimento.
O aumento das viagens trouxe a necessidade de lugares de hospitalidade para o alojamento dos viajantes (hóspedes) que convencionalmente são recebidos no lar do anfitr ião. Este lar pode variar desde a residência do anfitrião, cidade, país, região ou local onde mora até lugares destes como as atrações turísticas. Os papéis dos atores da cena hospitaleira – convidados e anfitriões – se alternam, onde o mesmo ator pode ser hora hóspede e hora anfitr ião. O anfitrião no turismo aparece como o residente do local e o turista, como o “outro”, o convidado. O deslocamento espacial, o caráter temporal e os motivos e condicionantes da viagem, além dos bens e serviços turísticos, principalmente referentes aos setores de transporte, alojamento, alimentação e entretenimento, são os pontos comuns nas definições e abordagens teóricas do turismo.
O núcleo do sistema de turismo é o conjunto das ações operacionais, formado pelos subsistemas de oferta, demanda e mercado. Os turistas ou viajantes, propensos a consumir bens e serviços turísticos formam a demanda, cujos componentes se tornam usuários dos guias de viagem. Por outro lado, o destino turístico bem como suas atrações ou recursos compõem a oferta, com variados componentes que são retratados no conteúdo dessas publicações.
Ao tratar especificamente da evolução dos guias de viagem, dos grandes volumes para consulta nas bibliotecas dos seus proprietários até publicações que podiam ser guardadas no bolso e mais recentemente para as suas versões eletrônicas, essas publicações passaram a integrar todas as etapas da viagem, embora com maior uso antes desta. Os guias mais famosos surgiram na segunda metade do século XIX, como o Baedecker e o Michelin, ao que se
seguiram outros, alguns ainda editados em formatos impressos ou virtuais, e no Brasil este tipo de publicação apareceu mais tardiamente, em meados da década de 1960 com o Guia Quatro Rodas.
Os guias de viagem fornecem as informações de interesse ao viajante ou turista, como localizações, acessos, costumes, lugares a serem visitados, aspectos histórico, sociais e econômicos, cuidados etc., ou seja, não apenas o que “deve” ser visto. Essas publicações refletem a identidade e história local em suas narrações e buscam captar a singularidade de um destino, regulando e estabilizando relações complexas e instáveis entre o turista e este ou sua própria expectativa, reduzindo incertezas sobre o que deve ser visto, feito e sentido. As cidades tornam-se experiências ativas para seus moradores e visitantes mudando as pessoas e reproduzindo o passado.
É importante lembrar que os guias podem ter suas narrações alteradas de acordo com a realidade do momento em que foram escritos, mas mais do que isso, podem influenciar positiva ou negativamente o turista em relação à determinado destino. Um aspecto que não pode ser desconsiderado é que o seu discurso em geral segue a visão ocidental de uma elite, do que é valorizado no destino, uma visão da cultura, da arte e da sociedade imposta.
Com base na compreensão dos fundamentos da hospitalidade e do turismo e no posicionamento dos guias de viagem nesses dois campos de estudo, pode-se então desenvolver a pesquisa centrada na amostra de 54 artigos científicos publicados em periódicos de língua inglesa que fazem parte da base Scopus. A opção por esta base mostrou adequação à pesquisa tanto pela sua representatividade no contexto da comunicação científica, quanto pela abrangência na área de Ciências Humanas e Sociais. Assim pode-se investigar uma amostra significativa sobre o assunto no período de vinte anos – de 1996 a 2015.
A caracterização geral dessa produção científica no idioma inglês apresentou artigos publicados em mais de trinta periódicos, editados em mais de vinte países e concentrados principalmente no Reino Unido em grandes e reconhecidas editoras, como Elsevier, Routledge, Sage e Taylor and Francis. Mas foi a análise temática que se revelou como a fase mais difíc il para se chegar ao processo de categorização, pois não ficava claro como aproximar o conteúdo dos artigos da hospitalidade.
Após muitas idas e vindas das leituras, da elaboração de termos em substituição às palavras-chave originais (descritores), da identificação de temas e subtemas, chegou-se a uma primeira categorização, ainda insuficiente. Novo esforço e retrabalho para enfim encontrar as temáticas centrais que levaram à definição de três categorias finais de análise - comunicação turística, demanda turística e oferta turística.
Os artigos classificados em cada categoria foram então descritos sucintamente em subcategorias (temáticas), e analisados e discutidos frente às abordagens dos dois primeiros capítulos desta dissertação. Ao final de cada categoria, destacaram as interfaces com a hospitalidade, configurando um conjunto de categorias e subcategorias a serem aperfeiçoadas em estudos futuros.
A hospitalidade na comunicação turística situou o guia de viagem como um “anfitrião ” que se expressa para o leitor de acordo com a sua construção editorial, por meio de expressões descritivas, narrativas e discursivas; mediação e comercialização; posicionamento de escritores, tradutores e editores; aspectos ilustrativos, gráficos e espaciais; e tipo de literatura. Além de fornecer informações para o planejamento e execução das viagens, o guia enquanto anfitr ião encontra o turista (leitor) em situações de comunicação, nas quais ele como anfitrião oferece ao hóspede o melhor que possui.
Na categoria demanda turística, a hospitalidade tratada nos guias de viagem situa o turista na posição de “convidado” e o analisa por meio de temáticas que abordam sua visão, perfil e comportamento. Entende-se que o turista cria um relacionamento com o guia baseado na confiança, assim como o existente entre hóspede e anfitrião, e por meio das informações fornecidas por essa publicação toma decisões como, para onde ir e o que fazer, de acordo com suas necessidades e propósitos da viagem.
A hospitalidade na oferta turística remete os destinos e atrações turísticas como lugares de hospitalidade, que promovem a comunicação, o contato e a proximidade com o outro, ou entre hóspede e anfitrião. Os lugares são retratados como hospitaleiros ao turista com acolhimento e cortesia a este, nos quais há ou haverá troca de experiências e pontos de vista, contato com outros turistas e com residentes, em uma viagem a lugares passíveis de serem imaginados e experienciados.
Devido a definição das categorias ter sido realizada “a posteriori”, não se previu a necessidade de se abordar teoricamente os lugares de hospitalidade, o que foi feito no decorrer da descrição e análise dessa última categoria que se referiu à oferta turística. Tal fato confir mo u que a pesquisa está sempre em construção e deve estar aberta a necessárias inserções e ajustes. Embora as categorias de análise tenham sido tratadas isoladamente, na verdade, apresentam relações de forte interdependência ao se considerar o estudo da hospitalidade no turismo. Em outras palavras um guia de viagem é capaz de desempenhar seu papel de anfitr ião somente porque é utilizado com este propósito. Assim, o turista ocupa a posição de hóspede por ser aquele indivíduo que se locomove ou tem intenção de se locomover a determinado destino ou atração turística, os quais são lugares de hospitalidade por proporcionarem interações,
contato e proximidade entre pessoas. Encontros não acontecem sem que haja um local para tal, pois a interação entre pessoas só é possível mediante a ocupação do mesmo tempo e espaço, um elo entre os sujeitos.
A caracterização dos artigos, a identificação dos seus temas e subtemas foram um desafio inicial que se avolumou ao se tratar das temáticas e definir as categorias, tornando-se por fim uma descoberta. Foram várias tentativas até conseguir ver claramente quais categorias apareciam dessa produção para o estudo da hospitalidade. Assim tem-se uma determinada visão que direcionou a categorização, tornando possível identificar três interfaces dessas pesquisas com a hospitalidade: a comunicação, a demanda e a oferta turísticas.
Acredita-se que os resultados obtidos nesta pesquisa, além de ter atingido os objetivos propostos, oferecem contribuições para o avanço dos estudos da Hospitalidade no Turismo, para a identificação de construtos a serem considerados em novas configurações teóricas de ambos esses campos. No entanto, para isso há necessidade de outras pesquisas sobre a produção científica em Hospitalidade e Turismo, ou seja, espera-se que pesquisadores se motivem a investigar o assunto abrindo novas possibilidades.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALBERTON, A.; LOPES, V. J. Um estudo sobre a pesquisa em turismo no Brasil: análise