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A OIT E AS COOPERATIVAS DE TRABALHO

No documento Cooperativas de trabalho (páginas 85-89)

FUNDAMENTOS DO SISTEMA COOPERATIVISTA

57 BULGARELLI, Waldírio As sociedades cooperativas e sua disciplina jurídica Rio de Janeiro: Renovar, 1998, p 19.

2.5. A OIT E AS COOPERATIVAS DE TRABALHO

O Informe V da 89a Reunião da Conferência Internacional do Trabalho, sobre Promoção das Cooperativas, revela que “a OIT reconhece expres­ samente a importância das cooperativas no art. 12 de sua Constituição, que prevê a possibilidade de efetuar consultas com os cooperativistas - além dos empregado­ res e trabalhadores -p o r meio das organizações internacionais reconhecidas. Em março de 1920, na 3a reunião do Conselho de Administração se estabeleceu um serviço técnico cooperativo como parte da organização da OIT. Assim, pois, o ser­ viço cooperativo constitui um dos órgãos mais antigos e mais solidamente estabele­ cidos no OIT. De acordo com o disposto no art. 12 da Constituição da OIT, esta

61 apud NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Parecer publicado na Revista BIT, S.Paulo, edição 78, p. 19,1997.

62 Ver NASCIMENTO, Fernando Rios do. Op.cit., p. 10. 63 NASCIMENTO, Amauri Mascaro, op. cit., idem

tem promovido o desenvolvimento de cooperativas, sobretudo através da assistên­ cia técnica e da informação, e vem aconselhando aos governos e às organizações de empregadores e de trabalhadores sobre sua função nesta área. Atualmente, a OIT dispõe do programa mais amplo de cooperação técnica que existe no sistema da Nações Unidas”. 64

Na verdade, desde sua criação, a Organização Internacional do Trabalho tem reconhecido o papel importante desempenhado pelas cooperativas no desenvolvimento social e econômico dos países. Exatamente em função disso, tem organizado uma série de reuniões técnicas com o fim de destacar o potencial das cooperativas e de outras organizações de apoio solidário para o aprimoramento das sociedades e alcançar, assim, a justiça social nas diversas partes do mundo.

Dentro desse contexto, a Convenção N. 117, da Organização Internacional do Trabalho, que dispõe sobre Objetivos e Normas Básicas da Políti­ ca Social, foi aprovada na 46a reunião da Conferência Internacional do Trabalho realizada em Genebra, em 1962, para vigorar no plano internacional a partir de 25.04.64. Essa Convenção, aprovada no Brasil pelo Decreto Legislativo N. 65, de 30.11.65, do Congresso Nacional e ratificada em 24 de março de 196965, consagrou o princípio de que toda política deverá visar primordialmente ao bem-estar e ao desenvolvimento da população, bem como à promoção de suas aspirações de pro­ gresso social. A Convenção envolve também questões relativas à melhoria das con­ dições de vida dos trabalhadores e sua remuneração, aos trabalhadores migrantes, à não-discriminação, à educação e formação profissional.

A referida Convenção N. 117 foi complementada pela Reco­ mendação N. 127 da própria OIT, destacando o papel das cooperativas, entre elas incluídas expressamente as de trabalho, no progresso econômico e social dos países em vias de desenvolvimento.66

64 Promoção das Cooperativas. Quinto item da Ordem do Dia da 9a reunião da Conferência Interna­

cional do Trabalho. Genebra: Oficina Internacional do Trabalho, 2001, p. 3

65 Ver SÜSSEKIND, Arnaldo Lopes. Convenções da OIT, S.Paulo: LTr, 1994, p. 255

66 Recomendação N. 127, aprovada em Genebra, na 50a reunião da Conferência Internacional do Trabalho, em 21.06.1966.

Pela Recomendação n° 127, recentemente revisada, a OIT vol­ tava-se aos países em vias de desenvolvimento, para os quais indicava a conveniên­ cia de adotarem medidas capazes de estimular a criação e a expansão de cooperati­ vas, como fator importante para o desenvolvimento econômico, social e cultural, sobretudo para a promoção da pessoa humana. Manifestava, no mesmo documento, o entendimento de que a sociedade cooperativa é um meio eficaz de melhorar a si­ tuação econômica, social e cultural das pessoas com recursos e possibilidades limi­ tados, fomentando seu espírito de iniciativa, bem como de contribuir para a econo­ mia como um elemento mais amplo de controle democrático da atividades econô­ mica e de distribuição eqüitativa da renda nacional. Na visão da OIT, revelada no mesmo documento, as cooperativas devem ter por objetivo também aumentar a ren­ da nacional com recursos provenientes da exportação de produtos e com isso ofere­ cer mais empregos mediante a exploração mais completa dos recursos, através, por exemplo, de sistemas de reforma agrária e de colonização que possam tornar pro­ dutivas novas regiões e desenvolver indústrias modernas regionais. A OIT sugeria, ainda, no mesmo documento, que os governos dos países em vias de desenvolvi­ mento elaborassem e pusessem em prática uma política segundo a qual as coopera­ tivas recebessem, sem que sua independência fosse afetada, ajuda e estímulo, tanto econômico, quanto financeiro, técnico e legislativo. Recomendava, finalmente, que cada país adotasse uma legislação própria sobre cooperativas, pondo em relevo suas características essenciais, que são: a de ser uma associação de pessoas que se agrupam voluntariamente para realizar um objetivo comum mediante a formação de uma empresa controlada democraticamente, que possuam uma quota eqüitativa do capital e aceitem uma justa parte nos riscos e benefícios, e em cujo funcionamento os sócios participam ativamente.

O Brasil foi um dos países que logo assimilou a idéia coopera­ tivista. Com efeito, poucos anos depois de ratificar a Convenção N. 117 da OIT, complementada pela Recomendação n° 127, foi sancionada a Lei N. 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que, inspirada naqueles documentos, define a Política Nacio­ nal de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas.

Contudo, nos últimos trinta anos muitos acontecimentos provo­ caram um reexame do alcance, do conteúdo e da estrutura da Recomendação n° 127.

Por isso, em março de 1999, na 274a reunião do Conselho de Administração, a OIT decidiu incluir na ordem do dia da 89a reunião da Conferência Internacional do Tra­ balho, que viria a se realizar em 2001, como realmente se realizou, um item sobre a promoção das cooperativas, com vistas a adotar uma norma revisada e atualizada no ano de 2002.

Já em 1993, a OIT promovera uma reunião de especialistas em cooperativas para examinar a repercussão da Recomendação n° 127. Essa reunião foi seguida por outro encontro de especialistas sobre legislação cooperativa, na qual voltaram a examinar com profundidade todas as questões envolvendo a matéria.

Constatou-se que, embora várias normas internacionais de tra­ balho se refiram, direta ou indiretamente, a cooperativas, a única que possuía cará­ ter geral era a Recomendação n° 127.

O motivo da revisão dessa Recomendação é esclarecido no Informe V da 89a reunião da Conferência Internacional do Trabalho antes mencio­ nada, e deve-se ao fato de que desde a sua adoção, em 1966, houve em toda parte uma evolução tanto política, quanto econômica e social, que afetou a situação das cooperativas no mundo inteiro 67

Ainda que as cooperativas venham a desempenhar uma nova função, tanto nos países industrializados quanto nos antigos países comunistas - destaca o mesmo documento -, a Recomendação n° 127 restringe-se aos países em desenvolvimento. Por isso, o Conselho de Administração da OIT considerou que nesse terreno novas normas de caráter universal devem contribuir para que as coo­ perativas possam desenvolver de maneira mais completa suas potencialidades de auto-ajuda, de forma a coloca-las em melhor posição para responder a alguns pro­ blemas sócio-econômicos atuais, tais como o desemprego e a exclusão social.

O desemprego e a exclusão social, são as principais causas determinantes da revisão da Recomendação n° 127, redigida e aprovada num mo­ mento em que “a ordem política e econômica que imperava era relativamente sim-

pies, já que os doadores da ajuda ao desenvolvimento se concentravam nos países ricos e industrializados, e os destinatários de tal ajuda estavam no sul, em paralelo à relação de poder estabelecida entre os países comunistas da Europa oriental e os países industrializados do ocidente; tudo isso gerou uma completa rede de blo­ cos regionais que neste momento se encontram em diferentes fases de desenvolvi­ mento político e sociaP,6S

Para a OIT, portanto, as cooperativas já não são soluções soci­ ais apenas para os países em desenvolvimento, mas também para que outros países possam enfrentar as muitas modificações em escala mundial, tanto de índole políti­ ca, quanto demográfica, social, econômica, ecológica e tecnológica, que se vem produzindo nos últimos anos.

Segundo o mesmo documento, durante o processo de ajuste estrutural para a superação da pobreza, do desemprego, e da desintegração social, resulta patente que as cooperativas de trabalho independente e as cooperativas de economia e crédito podem dar uma contribuição importante para o desenvolvimento dos recursos humanos, ajudando seu associados a ampliar sua educação geral e suas capacidades profissionais.

2.6. COOPERATIVAS DE TRABALHO E INTERMEDIAÇÃO DE MÃO-

No documento Cooperativas de trabalho (páginas 85-89)