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Foto 46 Autorretrato do Jorge

4.1.6 Oitavo e nono encontros

O oitavo e nono encontros foram dedicados aos Ciclos Reflexivos Temáticos (CRT). Nesses encontros, dedicamo-nos a discutir sobre temas específicos que apareceram no decorrer das narrativas e que sentimos a necessidade de debater, bem como pontos que compunham os objetivos específicos deste trabalho e que não tiveram uma abordagem satisfatória em primeiro plano.

Os temas escolhidos para essa atividade foram: direitos humanos, esperança e projeto de vida. Nesses encontros, discutimos e aprofundamos conceitos referentes aos temas, utilizando recursos audiovisuais, artísticos e experienciais. Vale ressaltar que o CRT, como parte integrante e complementar do CRB, busca uma reflexão frente ao discurso para que se possa compreender, nesse caso específico, a relação que estes temas têm com as individualidades que participaram da atividade, bem como, as contribuições conceituais e significativas destes temas em nossa formação.

No primeiro encontro do CRT, dedicado ao debate e reflexão dos temas direitos humanos e esperança. Iniciamos com um relaxamento corporal seguido de uma meditação. Essa atividade inicial foi escolhida para proporcionar um ambiente calmo, tranquilo, no qual os participantes pudessem se entregar por inteiro às narrativas e às reflexões.

Em seguida, fizemos uma construção coletiva do conceito de direitos humanos, em que cada coautor apresentou sua definição própria de direitos humanos, esclarecendo como esta foi construída. Cada conceito foi registrado em um quadro, no qual, posteriormente, pudemos entrelaçar as diversas definições pessoais para construir uma coletiva.

Com um conceito coletivo construído, assistimos a um vídeo chamado A História dos Direitos Humanos22 que exibia qual a ideia comum de direitos humanos, como se deu a história dos direitos humanos e qual o verdadeiro significado desses diretos em nossas vidas. Pudemos, nesse momento, confrontar o conceito construído no grupo com as contribuições apresentadas no vídeo exibido, construindo, assim, um novo conceito, agora respaldado por um conjunto de ações discursivas e reflexivas. A ideia aqui não é encontrar uma definição correta e infalível de direitos humanos, mas de despertar para tal discussão, além de servir de estímulo inicial para debatermos sobre os direitos humanos no CEPD.

Em seguida, assistimos ao documentário Ilha das Flores e discutimos sobre a luta por garantia dos direitos humanos na sociedade. Baseados nesse vídeo, discutimos sobre a situação contemporânea dos direitos humanos e quais as consequências na vida da sociedade com a supressão desses direitos. Questionei os coautores sobre quais diretos estavam sendo violados e negados no documentário exibido e se existiam leis específicas que garantem esses e outros direitos. Foi quando apresentei slides sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, para exemplificar leis que garantem os direitos das crianças e adolescentes. Discutimos sobre pontos significativos do ECA como: o Direito à Vida e à Saúde; o Direito à Liberdade, ao Respeito e à Dignidade; Do Direito à Convivência Familiar e Comunitária; Do Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazer; Do Direito à Profissionalização e à Proteção no Trabalho.

Após os debates, solicitei aos jovens que tecessem narrativas, partindo de suas vivências no CEPD e que buscassem responder às seguintes perguntas: Qual a situação dos direitos das crianças e dos adolescentes em Oiticicas? O que o CEPD faz nesta área dos direitos? O que significa ter esperança? Como ter esperança diante desse cenário de Oiticicas? O primeiro encontro destinado ao CRT teve duração de três horas, e, logo após o seu término, fizemos um relaxamento para diminuir um pouco as tensões surgidas no decorrer do trabalho.

No dia seguinte, encontramos-nos novamente para encaminhar o segundo

encontro reflexivo que tinha como proposta central discutir e refletir o tema “projeto de vida”.

Iniciamos com uma dinâmica chamada Doação, na qual os presentes exercitavam o olhar para o outro, no intuito de perceber suas necessidades, para que, em seguida, pudesse doar através

de um abraço, de uma conversa, enfim, do modo que considerasse mais conveniente. Ao final, nós nos confraternizamos ao som da música Te Ofereço Paz do grupo Arte Nascente – GAN.

Seguindo a nossa programação, fiz o imediato questionamento: Que palavra vem

à sua mente quando ouve a expressão “projeto de vida”? Após as respostas, solicitei que

respondessem através da elaboração de um desenho as seguintes questões: O que você entende por projeto de vida? O que significa ter um projeto de vida? Qual o seu projeto de vida? Depois de uma longa discussão sobre o conceito e os significados apresentados pelo grupo, fizemos uma reflexão sobre a necessidade de ter um projeto de vida.

Dando prosseguimento às atividades, os jovens teceram narrativas a partir das seguintes perguntas disparadoras: quais os acontecimentos, pessoas e locais que foram significativos para a construção de seu projeto de vida? Como a pertença espírita colaborou e colabora neste processo?

Esse último encontro foi muito produtivo e esclarecedor para todos nós, devido ao grau de amplitude das narrativas e à dedicação dos participantes em todo o processo. Pessoalmente percebi que os CRT foram fundamentais nesta pesquisa para esclarecer dúvidas quanto a tópicos que não tiveram um aprofundamento considerável de reflexão nas primeiras narrativas. Para os jovens, serviu para descortinar mais ainda o véu que cobria momentos significativos vivenciados pelos mesmos. Nesse encontro, sentimos que tivemos êxito no processo de reflexão e formação individual e coletiva do grupo.