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5.1 DISCUSSÃO E ANÁLISE DO PROCESSO DE

5.1.8 Oitavo encontro

Quando as pessoas foram chegando à sala, a professora logo foi entregando um balão vazio e solicitou que as pessoas sentassem no chão e aguardassem até todos chegarem. Assim que todos chegaram formaram um círculo no chão. A professora colocou uma música, (Kaya N’Gan Daya-CD-F-17/ Gilberto Gil/ “Esperando na Janela”), e solicitou para que todos enchessem seu balão no ritmo da música. Alguns sentiram dificuldade em seguir o ritmo e enchiam mais rapidamente e/ou mais lentamente. Percebendo isso, a professora fez uma interferência dizendo: “pessoal, escutem a música, eu coloquei uma bem marcada justamente para vocês sentirem e seguirem esse ritmo, se vocês não sentirem a música não conseguirão seguir seu ritmo, isso é um exercício de concentração e atenção”. Neste momento, a professora parou a música e explicou: “é importante que vocês percebam que existem dois ritmos nessa atividade, o ritmo externo da música que dá um norte para a realização dessa atividade e o ritmo interno de vocês, quero que percebam essa diferença respeitando cada um deles.

Fundamentos fornecidos por experiências em dança com grupos pesquisados por Saraiva et al. (2005) e Saraiva et al. (2007, p.109) mostram que cada pessoa tem o seu ritmo e que essa dissociação torna a todos dançarinos. Por outro lado, o ritmo da música deve ser trabalhado como parceiro deste, num entendimento de que ele deve atuar como apoio e estímulo ao desenvolvimento da dança, conforme comentado na fundamentação deste trabalho, e não com inibidor do ritmo interno de cada um, ou seja, “[...] considerar a música e o movimento num diálogo, buscando não suprimir um ou outro na relação” (Saraiva et al.,2005, p.117). A compreensão disso emana do aguçamento dos sentidos

vinculados conforme as autoras supracitadas a um “falar interno”. Foi esse o entendimento a que a professora quis se referir quando aplicou esta atividade aparentemente simples. Interessante notar que após encher o balão, todos sem exceção pareciam crianças brincando numa festa de aniversário, favorecendo que todos se familiarizassem com o material, em uma atividade bastante descontraída. A duração foi de 15 minutos. Assim que essa fase esgotou-se, todos ficaram em pé aguardando o comando da próxima atividade. Então, a professora solicitando que todos criassem formas de se movimentar e se de expressar individualmente com o material (balão), falou: “utilizem os planos alto, médio e baixo, vários deslocamentos, quanto mais explorarem as formas do corpo, mais possibilidades de movimento vocês criam”. Partiu-se da idéia de que cada participante, após sete encontros, já possuía uma experiência corporal possível de acionar cada vez, mais a imaginação. A improvisação se mostrou uma boa alternativa dentro desse contexto e o grupo, de um modo geral, reagiu muito bem e , ao mesmo tempo em que demonstravam descontração e alegria, a todo momento, dialogavam com suas experiências corporais anteriores. Saraiva et al. (2005) elegeram em suas pesquisas, a improvisação como um dos métodos de oferecer subsídios para a compreensão e para a experiência da dança na atualidade. Além de permitir conforme Saraiva- Kunz (1994, p.168) que: “[...] os indivíduos criem forma de se movimentar [...] ou resgatem em outro espaço, sob outro estímulo, as formas do se movimentar próprio e do cotidiano, dando-lhes outra dimensão através da reflexão e validação pedagógica das possibilidades individuais”. Foi utilizada como música (Vangelis -CD-F-1 e 2 / Theme/ “End Titles From”/ “Main Theme From Missing”).

Em seguida, a professora solicitou que os participantes começassem a executar os movimentos em duplas lançando seus balões, com determinadas partes do corpo no ritmo da música como, sem deixá- los cair no chão. Deveriam usar, por exemplo, o quadril, a coxa direita, o braço esquerdo etc.... Na sequência, formaram-se trios e cada um deles deveria criar forma diferentes de lançar os balões uns para os outros. Alguns trios aproveitaram e utilizaram movimentos também no chão demonstrando mais habilidades e domínio corporal como também executando giros antes ou após lançar o balão para seus companheiros. Mesmo sabendo que este momento foi importante para criação e descontração, a professora percebeu que a atividade se prolongou demais (40 minutos) e, ao mesmo tempo, não quis interromper “os momentos preciosos de expressão e criação”. Diante disso explicou para a turma: “como a atividade se estendeu um pouco, não foi possível

realizar a atividade calmante”, foi aí que os colaboradores surpreenderam e solicitaram a continuação desta atividade, pois acharam-na interessante e queriam mais tempo para explorá-la. Isso se vê nos depoimentos a seguir: “Ah! professora, nós nos sentimos tão livres em realizar essa atividade com balão que queremo, mais!” e outro: “a música que você colocou foi importante pra gente se soltar tanto assim, queremos mais!.

Também percebeu-se que outros participantes fizeram daquele momento uma oportunidade de expressar suas emoções, em um contexto de sociedade , segundo Saraiva et al. (2005), em que cada vez mais o tempo é escasso assim como o espaço disponível para os movimentos espontâneos. O depoimento a seguir corrobora esse argumento:“ puxa! “Viajei totalmente, como é bom a gente ter a liberdade para soltar nossas emoções, muitas vezes reprimida”. Vianna (2005, p.70) explica que quando se trabalha com atividades corporais percebem-se melhor as manifestações das emoções:

É difícil vivenciar com intensidade nossas emoções e sentimentos mais profundos. Por vezes, esse enfrentamento assume a conotação de um risco, que nem todos estamos dispostos a correr. Acostumados a introjetar a ordem á nossa volta, habituamo-nos a não olhar, não ouvir, não sentir intensamente a desprezar a importância dos fatos e acontecimentos menores, quase imperceptíveis- embora fundamentais. Quando trabalhamos o corpo é que percebemos melhor esses pequenos espaços internos [...].

Depois desse diálogo (que durou por volta de 5 minutos), ficou combinado que no próximo encontro a atividade seria realizada novamente, com o mesmo material, seguindo a mesma metodologia de ação.