6.2 ATIVIDADES PROPOSTAS NA INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA (SE)
6.2.7 Oitavo Encontro: Exploração do Instrumento
Duração: 1 aula / 50 minutos.
Objetivo:
Explorar a avaliação dirigida que tem por finalidade descobrir qual é o jogo preferido da turma, utilizando a coleta de dados.
Conteúdos:
Tratamento da Informação: coleta de dados.
Desenvolvimento da atividade:
Neste encontro, a proposta era explorar o instrumento organizado para coleta de dados do encontro anterior, na tentativa de favorecer e estreitar a compreensão dos estudantes com relação aos conhecimentos estatísticos e probabilísticos.
Entende-se que o trabalho pedagógico será mais interessante para os estudantes quando eles têm a possibilidade de participar ativamente em todos os momentos, começando na escolha das questões do instrumento, perpassando pela coleta dos dados, representações tabulares e gráficas, até a conclusão com as análises e discussões.
A esse respeito, Campos e Wodewotzki (2005) revelam suas preocupações direcionadas predominantemente para com as questões referentes ao ensino e à aprendizagem no ambiente escolar, no qual se considera a investigação e a reflexão como estruturas essenciais nos processos de apropriação e construção do conhecimento. Afirmam também que, se os professores sistematizarem seus encaminhamentos metodológicos de forma a tornar os saberes estatísticos mais significativos para os estudantes, estabelecendo relação entre teoria e prática, estimulando a criatividade e o espírito crítico, a comunidade escolar alcançará outro patamar educacional.
Pautados nessas questões, foi explicado aos estudantes envolvidos na pesquisa o procedimento a ser executado, como o passo inicial para o trabalho a ser realizado, representando o suporte para todas as análises, reflexões e conclusão da pesquisa. Além disso, viabilizará as representações tabulares e gráficas das informações, podendo representá-las de forma diferentes. Assim, destacam-se as afirmações de Medici (2007) que as tabelas e os gráficos aparecem nos jornais escritos e televisivos, em revistas dos mais variados assuntos, em livros didáticos, “entretanto, sua leitura e interpretação precisam ser desenvolvidas. Por isso, a importância da escola proporcionar ao aluno, desde o Ensino Fundamental, a formação de conceitos estatísticos de base que o auxiliem no exercício da cidadania” (MEDICI, 2007, p.18).
Percebe-se a importância do trabalho didático do professor, pois cabe a ele iniciar a compreensão global do aluno frente às demandas relativas ao tratamento da informação. Nessa perspectiva, compreende-se que esse era o momento oportuno para que se explicasse aos estudantes que, em Estatística, cada característica pesquisada denomina-se variável, a qual pode ser classificada em qualitativa e quantitativa. Importante também destacar com os estudantes que as variáveis qualitativas são denominadas de categorias, já as quantificadas são denominadas de numéricas.
Esclareceu-se que, para uma variável qualitativa, os resultados obtidos são categorias, que podem assumir uma configuração de ordenação. Nesse caso, essa variável é denominada variável qualitativa ordinal. Todas essas questões constavam no instrumento aplicado aos alunos. Assim, a indagação “Qual é o jogo de estratégia preferido pela nossa turma?” indica uma questão ainda a ser descoberta pela turma. E, na sequência, apresentam-se as categorias ordinais “gostou, mais ou menos, ou não gostou” (CAZORLA; OLIVEIRA, 2010).
O quadro 24, a seguir, apresenta o modelo de planilha que foi utilizado, onde a primeira linha será para quantificação (os estudantes podem marcar os próprios votos), e a segunda para contagem desses registros e apresentação das quantidades, utilizadas na Sequência de Ensino. Além disso, foi solicitado que todos os alunos circulassem o nome do seu jogo preferido.
JOGOS GOSTOU MAIS OU MENOS NÃO GOSTOU XADREZ TRILHA DAMA RESTA UM PEBOLIM UNO MICO DETETIVE DOMINÓ BANCO IMOBILIÁRIO
STOP TOTAL
Quadro 24 - Planilha para coleta de dados Fonte: Autora
Após a apresentação e conceituação envolvendo os conhecimentos referentes à pesquisa estatística, observaram-se suas implicações e relações, bem como as conexões que são possíveis estabelecer com os saberes da Probabilidade. Buscou-se fomentar nos estudantes a iniciativa de elaborar hipóteses para poder compará-las, validá-las ou refutá-las no decorrer dos procedimentos adotados na pesquisa, na expectativa de favorecer a compreensão e entendimento desses conhecimentos de Estatística e Probabilidade ao longo do trabalho pedagógico.
Nos PCN, os conteúdos de Estatística e Probabilidade são reunidos no bloco Tratamento da Informação, justificado pela sua grande relevância social para os indivíduos:
É cada vez mais frequente a necessidade de se compreender as informações veiculadas, especialmente pelos meios de comunicação, para tomar decisões e fazer previsões que terão influência não apenas na vida pessoal, como na de toda a comunidade. Estar alfabetizado, neste canal de século supõe saber ler e interpretar dados apresentados de maneira organizada e construir representações, para formular e resolver problemas que impliquem o recolhimento de dados e a análise de informações. Essa característica da vida contemporânea traz ao currículo de Matemática uma demanda em abordar elementos da estatística, da combinatória e da probabilidade, desde os ciclos iniciais (BRASIL, 1997, p.131-132).
Compreende-se que o ensino escolar da matemática deve conduzir o estudante para que ele possa apropriar-se das competências básicas indispensáveis à participação ativa e consciente na sociedade em que vive e não apenas para prepará-lo para etapas posteriores de sua escolarização, embora essa seja uma das tarefas escolares.
A proposta balizadora contida nos PCN é que as instituições escolares abordem os conteúdos matemáticos contidos no bloco Tratamento da Informação, já no primeiro ciclo de escolarização, estendendo-os aos demais. Os conhecimentos, conceitos e aprendizagens irão gradativamente sendo apresentados, sistematizados e aprofundados na esfera científica.