Capítulo 4 – A VOZ DO ALUNO DO ENSINO MÉDIO NA EJA
4.2 O olhar e a voz do aluno do EM na EJA
Até aqui, conseguimos saber um pouco mais sobre o perfil dos alunos que compõem as
salas de aula do EM na Educação de Jovens e Adultos, com isso sabemos quem são esses
estudantes em relação à faixa etária, as razões que os retiraram e os levaram de volta aos bancos
escolares, suas percepções em relação às próprias dificuldades no que concerne ao aprendizado
da Língua Portuguesa, bem como o reconhecimento da diferença que esse aprendizado faz nas
suas vidas fora da escola, seja no âmbito pessoal, social ou profissional.
Mas para que pudéssemos tentar alcançar, com um pouco mais de profundidade, a voz
desse aluno do Ensino Médio na EJA, para além dos dados que os questionários nos permitiram
levantar e que foram descritos nas páginas anteriores, optamos por entrevistar uma pequena
amostra dentre os participantes da pesquisa a fim de conferirmos se o ensino de Língua
Portuguesa nos cursos de EJA poderia ser compreendido sob a perspectiva de uma proposta
para a igualdade de sujeitos, a partir do ponto de vista desses mesmos sujeitos.
Para essa etapa do trabalho, foram selecionados seis pesquisados entre os participantes
da pesquisa, o que representa 5% daqueles que responderam aos questionários, todos alunos
das turmas de 2º e 3º ano do Ensino Médio, dos quais faremos uma breve apresentação,
preservando suas identidades e associando nomes fictícios a eles para que possamos analisar
seus discursos sob a perspectiva social. Os alunos do 1º ano não foram selecionados por não
terem participado da fase dos questionários, que ocorreu ao final do semestre anterior.
Entre os entrevistados, foram selecionados três homens e três mulheres. Aos homens
associei os nomes André, Daniel e Marcos, e às mulheres nomeei como Elaine, Maria e Ruth a
fim de preservar suas identidades.
Foram escolhidos alunos que haviam iniciado seus estudos na escola pesquisada em
diferentes séries, dois dos participantes eram alunos desde o Ensino Fundamental 1, três deles
entraram no Fundamental II, no 6º e 7º anos, e apenas um ingressou no 1º ano do EM. Quase
todos os alunos pertencentes à faixa etária que corresponde à maior parcela dos alunos
pesquisados, aqueles que estão entre 41 e 60 anos, o que coincide com a maioria do público
discente do Ensino Médio na EJA dentro da escola pesquisada.
Faremos a seguir uma apresentação breve de cada um dos alunos participantes das
entrevistas:
Aluno 1 (André) – 45 anos, mestre de obras, permaneceu por 30 anos fora da escola.
Aluno 2 (Daniel) – 35 anos, consultor de moda e vendedor, ficou, primeiramente, seis anos fora
da escola, parando de estudar aos 11 anos, fez uma tentativa de retorno aos estudos com 17
anos, mas não obteve êxito, ficando, aproximadamente, 14 anos fora da escola e retornando
finalmente aos 32 anos.
Aluno 3 (Marcos) – 54 anos, supervisor administrativo, ficou 25 anos fora da escola.
Aluno 4 (Elaine) – 51 anos, auxiliar de faxina, ficou 38 anos fora da escola.
Aluno 5 (Maria) – 48 anos, assistente administrativo, ficou 30 anos fora da escola.
Aluno 6 (Ruth) – 41 anos, empregada doméstica, ficou 15 anos fora da escola.
As entrevistas foram feitas individualmente, entre os dias 29 de novembro e 02 de
dezembro de 2019, período de finalização do semestre letivo.
As perguntas feitas aos entrevistados foram elaboradas com o intuito de ouvi-los a
respeito das próprias percepções em relação aos efeitos que a retomada dos estudos havia
produzido em suas vidas ou não, sob o entendimento da capacidade de comunicação e expressão
verbal, no que tange às relações pessoais e profissionais dos entrevistados, bem como sobre
suas perspectivas futuras.
Para fazermos a análise dos trechos das respostas dos entrevistados que apresentem
pontos de convergência com a Teoria Social do Discurso (TSD) pautada em Norman Fairclough
(2016), interpretaremos os excertos selecionados em consonância com as categorias de análise
de Bardin (2000) e seu sistema de codificação. Desse modo, utilizaremos o tema como unidade
de registro a partir do tratamento por nível semântico, dentro da compreensão de tema como
[...] a unidade de significação que se liberta naturalmente de um texto analisado segundo certos critérios relativos à teoria que serve de guia à leitura. O texto pode ser recortado em ideias constituintes, em enunciados e em proposições portadores de significados isoláveis. BARDIN (2000, p. 105)
Ainda em acordo com esse mesmo sistema de codificação utilizado por Bardin (2000),
consideraremos a unidade de contexto que
serve de unidade de compreensão para codificar a unidade de registro e corresponde ao segmento da mensagem, cujas dimensões (superiores às da
unidade de registro) são óptimas para que se possa compreender a significação exacta da unidade de registro. BARDIN (2000, p. 107)
Desse modo, apresentaremos as questões norteadoras das entrevistas, respectivamente
seguidas dos recortes de trechos das respostas, cujo tema apresente correspondência com os
objetivos de análise, conforme descrição acima, e que sejam portadores de conteúdos
condutores de significados em comum, para que seja feita a análise sob o viés da perspectiva
social dos seus discursos.
A primeira pergunta feita foi “Você acha que houve alguma mudança na sua vida depois
que você voltou a estudar? Sob quais aspectos?”
As respostas de todos os participantes entrevistados foram afirmativas com relação à
percepção de mudança em suas vidas. Expressões como “houve, houve sim”, “ah sim, eu acho
que sim”, “nossa... muita mudança, muita”, “com certeza” pertencem ao mesmo campo
semântico de afirmação e reconhecimento por parte dos pesquisados.
Com relação aos aspectos apontados, obtivemos respostas cujos trechos mencionam
diferentes âmbitos da vida como, por exemplo, podemos verificar em alguns trechos da resposta
do André: “Mudou completamente [...] em todos os sentidos[...] e essa mudança também, ela
ocorreu também dentro da minha casa, com as minhas filhas porque depois que... eu tive acesso
à educação, eu, eu pude perceber que a educação, ela poderia mudar a vida das minhas filhas e
aí nós conseguimos investir um pouco mais na educação delas [...].
Assim como na resposta do Daniel: “Em todas as áreas: pessoal, profissional, e... eu me
sinto muito seguro hoje como pessoa, tanto pra falar, pra me comunicar, pra escrever, é... pra
lidar com o público que eu trabalho, que eu trabalho em shopping, eu trabalho com muitas
pessoas e isso me colocou muito mais seguro.”
Ainda sobre os aspectos de mudança na vida, Marcos respondeu: “Comecei a me inteirar
mais sobre política, sobre a história. A comunicação... o diálogo com as pessoas ficou bem
melhor. Estou mais seguro [...] fiquei mais crítico sobre a realidade até do nosso país, ou do
momento que nós estamos passando; uma visão mais sobre a história, voltar um pouco na
história pra entender o futuro.”
As demais respostas deram ênfase a outras instâncias voltadas para questões
relacionadas a autoestima, ao conteúdo aprendido e à maneira de ver o mundo e as pessoas.
Sobre a autoestima Ruth disse: “Eu me sinto... até com minha autoestima bem mais elevada [...]
E só o fato de quando eu vou escrever, eu vejo que a minha caligrafia melhorou, os meus erros
de Português diminuíram bastante, apesar de ainda existir, mas diminuíram bastante e eu recebo
bastante elogios também.”
Em relação ao conteúdo aprendido, Elaine afirmou: “Eu fiquei mais esperta, eu aprendi
coisas que eu não sabia, igual matemática e física, nossa... pra mim foi um desafio. Química
então... aquelas... foi difícil, muito difícil, mas eu gostei.”
E Maria, a respeito da mudança na maneira de ver o mundo, ponderou: “Aí você aprende
tanto com os colegas, você vê que ele é limitado numa coisa, mas é tão inteligente pra outra, e,
às vezes, ele não percebe [...] É um mundo dentro de uma sala de aula. É um mundo dentro de
uma sala de aula.”
Para a análise desse conjunto de excertos advindos das respostas da primeira questão
das entrevistas, podemos considerar que o uso do adjetivo “seguro”, feito por dois dos
entrevistados, que associaram o uso desse adjetivo com a capacidade de comunicação e
expressão verbal, sugere haver o sentimento de autoconfiança por trás de suas falas. Ambos
demonstram perceber a relação entre a retomada dos estudos e a melhora da capacidade de
comunicação e expressão verbal. E esse sentimento de autoconfiança também se faz presente
nas respostas dos demais participantes, seja no que tange ao aprendizado dos conteúdos
específicos de algumas disciplinas, como foi mencionado por Elaine, quando ela diz sentir que
ficou mais esperta; seja no caso da Ruth, que disse sentir sua autoestima bem mais elevada e
reconhecer seus avanços em relação à escrita da Língua Portuguesa.
Já no caso de André e de Maria, o que nos chama a atenção é a percepção que ambos
têm sobre o poder transformador da educação. Enquanto André, que a partir da sua percepção
em sala de aula, busca estender essa compreensão para sua vida familiar, colocando em prática
ações que pudessem repercutir na mudança de vida das filhas, Maria demonstra sentir que, na
convivência com os colegas, tem a possibilidade de vivenciar o mundo dentro da sala de aula,
o que implica na sua própria mudança de comportamento e leitura de mundo.
A respeito da análise desses excertos, referentes à consciência da percepção sobre a
mudança e os aspectos desta nas vidas desses alunos, podemos perceber que
A consciência é essa misteriosa e contraditória capacidade que tem o homem de distanciar-se das coisas para fazê-las presentes, imediatamente presentes. É a presença que tem o poder de presentificar: não é representação, mas condição de apresentação. É um comportar-se do homem frente ao meio que o envolve,
transformando-o em mundo humano. Absorvido pelo meio natural, responde à estímulos; e o êxito de suas respostas mede-se por sua maior ou menor adaptação: naturaliza-se. Despegado de seu meio vital, por virtude da consciência, enfrenta as coisas objetivando-as, e enfrenta-se com elas, que deixam de ser simples estímulos, para se tornarem desafios. O meio envolvente não o fecha, limita-o – o que supõe a consciência do além-limite. Por isto, porque se projeta intencionalmente além do limite que tenta encerrá-la, pode a consciência desprender-se dele, liberar-se e objetivar, transubstanciando o meio físico em mundo humano. (FREIRE, 1987, P.14)
A segunda pergunta feita aos entrevistados foi “Você acha que as pessoas com quais
você se relaciona (amigos, família, trabalho) te veem de modo diferente (por você estar
estudando ou por perceber alguma mudança no seu modo de expressar/comunicar)?
As verbalizações advindas das entrevistas demonstraram que apenas uma das
participantes não teve uma percepção tão clara com relação à mudança do modo como é vista
pelas pessoas com as quais se relaciona no que diz respeito à sua maneira de se expressar por
estar estudando. Os fragmentos iniciais da resposta de Maria apontam para isso: “É... eu não
vejo muito isso, porque o ser humano não é muito de elogiar, né? [...] E aí não, não sei se eles
me veem, não falam, assim não demonstram. [...] Os olhares, os olhares são diferentes.”
Entretanto ao final da fala, a entrevistada, depois de mencionar que a filha a elogia, diz: “Então
eu acho que eles percebem, eles reparam, eles parecem que eles têm um pouco mais de respeito
com você. Quando você fala, parece que eles te ouvem mais, como se fala ‘Nossa, ela tá
estudando, ela conhece um pouco mais.” Com esse último trecho, podemos identificar que a
ausência de uma fala explícita por parte daqueles com quem ela convive, faz com que ela não
tenha a convicção tão concreta de que a mudança é notada por eles.
Já as informações advindas das respostas dos demais entrevistados apresentam um
prognóstico bem mais claro e positivo com relação a essa percepção de mudança. Trechos das
respostas como a do André: “Completamente. Hoje..., os meus chefes, por eu ter, por eu ter...
concluído pelo menos o... o Ensino... o, o 9º ano, só esse diploma já abriu algumas portas pra
mim, de emprego, de trabalho, de oportunidades, de possibilidades.
[...] hoje eu sou visto de uma forma diferente da que eu era há seis, sete anos atrás, né? Hoje,
eu... tenho muito o que melhorar ainda, tenho muito o que aprender, mas... realmente é uma
visão diferente que as pessoas têm a meu respeito, eles me enxergam com olhares diferentes
sim.”
Assim como na resposta do André, também podemos notar essa percepção positiva
nesse trecho da resposta de Ruth: “Ah com certeza! Eles, inclusive... alguns, é... me criticam
porque dizem que eu fiquei meio que antissocial, mas não é isso. É porque ao invés de eu ficar
assistindo TV, eu prefiro ir ler um livro, ou aproveito pra descansar também; isto é, se eu não
tiver tarefas pra fazer. [...] às vezes, sou chamada de antissocial e outras pessoas me elogiam,
dizem “como você mudou”.
Na fala de Elaine repete-se essa compreensão se repete, conforme vemos em excertos
de sua resposta “Sim, no meu trabalho sim, todo mundo fala [...] ‘nossa, Elaine Como você tá
mais...’ se comunica melhor, você fala melhor, você entende as coisas melhor, não é verdade?
[...] E lá no meu serviço mesmo, o meu pastor falou assim: ‘Nossa, Elaine! É... nós notamos
muita diferença, porque antes você era toda estabanada, falava... sabe, falava... ‘num’
concordava as palavras. Você falava uma coisa que não tinha nada a ver, agora, a gente te
admira porque você fala assim... começa a conversar é... é... gostoso conversar com você
agora...”
Do mesmo modo, notamos essa percepção positiva na resposta de Daniel: “Sim, muito.
Principalmente quem mora comigo. Sim. É... eu tenho até um caso que... é... as pessoas me
ensinavam e hoje eu ensino as pessoas.” Assim como nos trechos da resposta de Marcos: “No
trabalho... no trabalho essa mudança sim, porque às vezes, assim, eu tenho uma prática no...
no..., tô tendo prática em cálculo. Tinha certos cálculos que eu só vim ter noção do que eu estava
fazendo depois que eu voltei a estudar [...] Percebem. Sim, até porque eu sou um dos
responsáveis pelo setor onde esses cálculos acontecem. Tenho que corrigir. [...] Nos amigos
também, acho que eles me veem de um modo diferente”.
Em falas como essas, podemos apreender o que Ernani Maria Fiori coloca tão bem no
prefácio de Pedagogia do Oprimido, pois
Distanciando-se de seu mundo vivido, problematizando-o, “descodificando-o” criticamente, no mesmo movimento da consciência o homem se re-descobre como sujeito instaurador desse mundo de sua experiência. Testemunhando objetivamente sua história, mesmo a consciência ingênua acaba por despertar criticamente, para identificar-se como personagem que se ignorava e é chamada a assumir seu papel. A consciência do mundo e a consciência de si crescem juntas e em razão direta; uma é a luz interior da outra, uma comprometida com a outra. (FIORI, 1987, P. 15)
A questão seguinte, de cunho mais objetivo, por pedir que eles relacionassem a própria
perspectiva sobre a capacidade de se expressarem em relação a situações práticas de uso social
da língua foi: “Você percebeu alguma mudança no seu modo de se expressar quando precisa de
atendimento para agendar uma consulta, conversar com um gerente de banco, solicitar algum
serviço em local público ou não, ou até mesmo ao se dirigir ao seu chefe?”
Todas as verbalizações advindas dessa questão demonstraram que os entrevistados
perceberam essa mudança e explicitaram com exemplos de situações práticas de diferentes
esferas sociais, como podemos ver nos trechos relacionados:
• “hoje o meu gerente, por exemplo, me trata de uma forma diferente, meus patrões hoje
me tratam de uma forma diferente. Hoje eu tenho um cargo, meu cargo já era de
confiança, hoje mais ainda de confiança, eu trato diretamente com os investidores da
construtora e eles têm total confiança e isso eu devo tudo ao estudo, porque é
conhecimento, é saber colocar as palavras é saber me expressar um pouco melhor, e o
crescimento é contínuo.” (André)
• [..] por exemplo, um atendimento, um eletrodoméstico, uma dúvida qualquer que eu
quisesse ligar pra empresa e perguntar, qualquer meia dúzia de palavras, às vezes, eu
falava, pra não discutir, “Ah, então tá bom.” Eu ficava insatisfeita, desligava a ligação,
“não é nada disso que eu perguntei pra ela”. Agora, não. “Tá, mas você não, não é
com você? Porque não é isso que eu estou perguntando”. Se tem um departamento, uma
ouvidoria, você tem mais conhecimento que existe mais, você sabe que... antigamente,
se a atendente não resolvesse, “ah tá bom”, ou se você for num gerente “ahh tá”, é...
ele não entendeu, eu consigo me fazer entender mais também [...]” (Maria)
• “Sim. Até porque eu tinha... a gente tem uma preocupação, quando nós vamos formatar
um texto, você tem que toda uma noção do que você tá... se você vai ser compreendido,
porque é uma linguagem... que a linguagem oral... é livre. (pausa) (inserção de
pergunta para retomada da questão) Quando eu vou conversar, quando eu vou redigir
algum texto, até pro cliente. O cliente me pede alguma coisa assim: “Ah, mas eu quero
isso por escrito, não quero só falado.” (inserção de pergunta para retomada da
questão) Antes era diferente, era diferente. Eu tinha muito... muita insegurança, tanto
pra falar quanto para escrever.” (Marcos)
• “Antes, por exemplo, que eu precisava ligar pra marcar uma consulta... aaa você ligava
e... e...eu, no meu caso, eu ligava e... você não entende quando ela falava algumas...
agora não, agora você já até se comuni... você até tenta, até... ensinar ela, às vezes, a...
a atender tipo (inaudível) não, assim... é... e com meu chefe também.” (Elaine)
• “[...] quando eu fui no posto de saúde, eu via que tinha muitas informações trocadas,
referente a médicos. Ou seja, uns diziam que tinha agenda, e outros diziam que não
tinha. Aí eu, eu enfatizava: “tem agenda, ou não tem agenda?” porque você fica
naquela dúvida de acreditar no primeiro que te dá aquela informação, e, às vezes,
aquele que te deu a primeira informação, não é verdadeira aquela primeira informação
que chegou até você. E, às vezes, eu questiono muito isso. E não deixo mais, eu não saio
na dúvida, essa é a real, eu não saio na dúvida.” (Ruth)
• “Sim, porque é... hoje em dia eu me viro sozinho. Se for pra eu preencher uma ficha, eu
preencho; se for pra eu... é preencher um formulário em internet, eu preencho também;
se for pra eu fazer uma carta, hoje eu faço, se for possível. Hoje em dia eu num... não
tenho medo mais não. Antes de tudo isso eu tinha muito medo é... de fazer errado, de
como seria, como seria a reação das pessoas vendo eu fazer errado e isso me deixava
um pouco, com um pouco de medo.” (Daniel)
Por meio da leitura dos excertos relacionados acima, depreendemos que:
É importante salientar que o novo momento na compreensão da vida social não é exclusivo de uma pessoa. A experiência que possibilita o discurso novo é social. Uma pessoa ou outra, porém, se antecipa na explicitação da nova percepção da mesma realidade. Uma das tarefas fundamentais do educador progressista é, sensível à leitura e à releitura do grupo, provoca-lo bem como estimular a generalização da nova forma de compreensão do contexto. (FREIRE, 1996, p. 82 e 83)