2. Fundamentação teórica
2.6. Conhecimento, Acesso e dados Abertos
2.6.1 Open Access e Acesso Aberto a periódicos e seus dados
Segundo Suber (2012), na perspectiva histórica, o Open Access (OA) teve e tem influência de três grandes declarações públicas: Budapeste (2003)24, Bethesda (2003)25 e Berlin(2003)26, que o autor costuma referir-se como “definição BBB”
sobre o Acesso Aberto.
Na perspectiva deste autor, o conjunto “BBB”(iniciais de cada cidade onde ocorreram as declarações) reduz-se aos elementos essenciais entre cada uma das respectivas declarações e refina-se com uma terminologia aplicável ao conceitos contidos nelas.
Estes conceitos, que serão abordados logo adiante, são categorizados, conforme a disponibilização de material e a licença de utilização, em: green / gold e gratis / libre (SUBER, 2012).
Em um conceito mais amplo, a literatura científica em modo OA é aquela disponibilizada em formato digital, sem custos financeiros ao leitor e livre da maior parte das restrições oriundos de licenciamento ou ligados a direito autoral (SUBER, 2012).
E pelo fato de periódicos científicos terem se consolidado como principal canal de comunicação dos resultados e da produção oriunda de pesquisas científicas e acadêmicas o modo de disponibilização
OA teve um crescimento diferenciado nestes veículos (BARTLING ; FRIESIKE, 2014). Os autores enfatizam que publicar textos em periódicos sob a égide de Open Access aumenta visibilidade e o alcance de tais conteúdos e, consequentemente, dos seus autores-pesquisadores.
Disponibilizar produção em OA significa retirar barreiras preço ou custo e barreiras de permissão de utilização dos materiais (SUBER, 2012), este conceito aparece no logotipo do movimento OA, uma estilização da imagem de um cadeado aberto com a letra “A” de Access, conforme mostra a Figura 9.
24 Budapest Open Access Initiative - http://www.budapestopenaccessinitiative.org/read
25 Bethesda Statement on Open Access Publishing - http://legacy.earlham.edu/~peters/fos/bethesda.htm
26 Berlin Declaration on Open Access to Knowledge in the Sciences and Humanities - http://openaccess.mpg.de/Berlin-Declaration
Figura 9 – Logotipo do movimento Open Access (OA)
Fonte: PLOS (2013).
Contudo, também é necessário distinguir, terminologicamente, a disponibilização de artigos e conteúdos feita em periódicos da que ocorre em repositórios. Para tanto, Suber (2012), pontua que OA referente a periódicos é denominado gold OA(via dourada) e o que se refere a repositórios, como o projeto ArXiv.org27, é denominado green OA(via verde).
O Anexo 6 fornece uma visão geral de como se desenrola o processo de publicação em Open Access e quais são as opções que autores tem durante o processo de disponibilização de seus trabalhos, conforme Bartling e Friesike (2014).
Suber (2012) ainda destaca o fato que periódicos e conteúdos não disponibilizados em acesso aberto recebem a denominação toll access(TA), pois demandam um pedágio para o acesso que seria uma assinatura paga do periódico.
Além dessas distinções, cabe ressaltar que remover restrições de custo para acessar a conteúdos denomina-se gratis OA, também chamado de “free-to-read”
(leitura gratuita), enquanto que remover pelo menos algum nível de restrição de licença de uso denomina-se libre OA (SUBER, 2012).
Para o autor, o primeiro modelo, gratis OA, disponibiliza o conteúdo gratuitamente, mas os usuários ainda precisam da permissão do portador do direito autoral sobre a obra para quaisquer outro uso além de ler o material. Apenas as barreiras de custo de acesso são eliminadas. Já no modo libre OA além das barreiras de custo, tem-se derrubadas barreiras de utilização do material em diferentes níveis. Sendo tanto livre de custo quanto livre de algumas restrições referentes a direito autoral e licenciamento (SUBER, 2012). A diferença entre
27 http://arxiv.org/ - projeto mantido pela Cornell University Library
grátis e libre, embora aparente ser sutil, pois o usuário leitor já tem acesso ao material no primeiro caso, no âmbito acadêmico-científico é muito mais sensível.
Em modo libre não é necessário que quem queira reutilizar o material dependa de uma espera de solicitação de permissão de uso por parte do detentor do direito autoral, o licenciamento já proverá determinadas situações de reuso (SUBER, 2012). De tal forma que a escolha do formato eletrônico, conforme Cleveland (1999), também impacta na facilidade de reutilização.
Além desta vantagem, existem outras proeminentes em se disponibilizar materiais, textos e artigos em licenciamento segundo o modo libre OA. A partir de uma lista de Suber (2012) pode-se citar algumas referentes a recursos telemáticos, como:
Distribuição de versões aprimoradas semântica ou funcionalmente;
Migração de textos para novas mídias e formatos mantendo a legibilidade por máquina conforme a tecnologia seja atualizada;
Cópias de texto para indexação, mineração textual e outros tipos de processamentos por máquina.
Dentro do âmbito de OA, qualquer tipo de conteúdo, não somente os artigos de periódicos e periódicos em si, podem ser disponibilizados em Acesso Aberto Suber (2012). De fato, existe campanhas de sucesso para que todo material e conteúdo útil no âmbito científico e acadêmico esteja disponível em OA.
O autor enfatiza que materiais como dados de pesquisa, elementos de apresentação (textos, slides, áudio e vídeo) além de artigos revisados por pares podem e devem ser disponibilizados em modo OA visando a incrementar a abrangência, o alcance e a propagação do conhecimento científico.
Para Suber (2012), disponibilizar com os artigos os dados que compõe e embasam o conhecimento produzido, servem inicialmente para compartilhar os resultados e análises com maior número possível de leitores.
Contudo, ao compartilhar junto os dados, sob uma licença de uso flexível, de forma que possam ser acessados e reutilizados, provê-se facilidades em testagem e replicação de experimentos científicos além de oferecer a mesma chance aos leitores(pesquisadores) de analisarem os materiais primários originais da pesquisa (SUBER, 2012).