2. APRENDIZAGEM COLABORATIVA
2.5 Projetos Relacionados ao Proposto
2.5.1 Openredu
O Openredu é um ambiente de aprendizagem que proporciona formas de colaboração e comunicação entre alunos, professores e gestores promovendo a integração e caracterizando uma comunidade criando espaços de trocas de conhecimento. Sua estrutura permite organizar conteúdos assim como um sistema de gestão de aprendizagem, organizando os materiais em espaços para comunicação específicos e integrados (OPENREDU.ORG, 2018).
Desenvolvido utilizando a linguagem Ruby e utilizando o framework Rails o sistema tem boa escalabilidade e pode suportar milhares de usuários. A plataforma Openredu foi lançada em 2012 com o nome Redu por estudantes do Centro de Informática da UFPE (Cin/UFPE) pensada como uma rede social educacional. Posteriormente o código fonte do projeto foi aberto para que a comunidade pudesse colaborar com a sua evolução e hoje o Openredu é um software livre distribuído sob a licença GPL2.
Segundo o Openredu (OPENREDU.ORG, 2018) é mantida uma estreita colaboração com essa comunidade, que envolve alunos de mestrado, doutorado e grupos de pesquisa abordando temas variados, como: gamificação, análise de dados e colaboração.
A colaboração, no contexto do usuário dentro da plataforma, segundo Gomes, Rolim e Silva (GOMES; ROLIM; SILVA, 2012) é viabilizada pelo sistema de forma a facilitar a participação de todos, trazendo como consequência um número maior de contribuições durante a aprendizagem. De acordo com os autores estes fatores também proporcionam um ganho na qualidade da experiência de ensino e tais contribuições ficam registradas em murais que podem servir para consultas futuras. A estrutura do sistema possibilita a análise das interações entre os pares e promove o encontro e oferta de materiais pertinentes ao aprendizado em grupo.
Gomes et al (GOMES et al., 2017) salientam que, ao utilizar a plataforma, os alunos sentem-se como integrantes de um grupo de estudo e nesse ambiente o professor, que antes visto como alguém que estava presente para auxiliar no processo de aprendizagem, assume o papel de facilitador deste processo. Dessa forma salienta que durante o uso do Openredu os alunos se mostram mais confortáveis para questionar o professor e mais motivados a participar dos debates.
Segundo Viana (VIANA, 2014) um diferencial do Openredu é a mistura entre as áreas de conteúdo e de discussão, trabalhadas pelos desenvolvedores para, diferente dos modelos clássicos de ambientes virtuais de aprendizagem, estar mais próximo do conceito de percepção social. Enfatizar a ideia de uma rede social educacional parte do pressuposto que as pessoas se sentem mais motivadas a participar quando outros estão observando suas ações e que se tem consciência de que outros estão igualmente participando das discussões.
Outras características citadas como um diferencial oferecido pela plataforma Openredu, são:
• Possui uma interface familiar e amigável;
• Ferramentas para avaliação continuada e formativa;
• Ferramentas para importação e exportação de dados gerenciais;
• Repositório de aplicativos voltados para aprendizagem disponíveis na plataforma.
Fonte: (OPENREDU, 2018)
2.5.2 Edmodo
O Edmodo está estabelecido em Sao Mateo, na Califórnia, fundada em 2008 por Nic Borg, Jeff O'Hara, Crystal Hutter e atualmente com mais de 78 milhões de membros. É considerada a rede social educacional número um para alunos do Ensino Fundamental ao Ensino Médio de todo o mundo, dedicados a conectar todos os alunos às pessoas e recursos necessários para atingir o potencial máximo (EDMODO, 2017a).
Caracterizado também como LMS, no Edmodo professores podem dispor de salas de aula on-line, compartilhar conhecimentos e conduzir trabalhos, assim como tarefas de casa que podem ser corrigidas e comentadas na própria plataforma que dispõe de ferramentas integradas. Ferramentas de edição permitem ao professor inserir marcações, comentários e correções nos documentos enviados pelos alunos.
Kongchan (KONGCHAN, 2013) retrata o Edmodo como uma rede de aprendizado, gratuita, privada e segura que tem uma aparência similar ao Facebook,
o que se torna uma facilidade para os estudantes que já estão familiarizados com a rede. O autor evidencia também o fato de que os professores podem gostar do Edmodo porque ele fornece funções simples para o professore criar e gerenciar sua sala de aula online.
Segundo Arnold (ARNOLD et al., 2016) o Edmodo é um ambiente que proporciona uma interação entre escolas, professores e alunos, além da possibilidade do acompanhamento dos pais. As salas de aula podem ser virtualizadas, os professores podem propor atividades e avaliar as mesmas, concedendo recompensas aos seus alunos.
O Edmodo oferece privacidade para os professores e seus alunos sendo necessário um código para que os alunos possam ter acesso à sala de aula virtual e os conteúdos disponibilizados pelo professor. Somente os professores podem criar e gerenciar contas e somente seus alunos, que através do código, se registram no grupo criado pelo professor.
De acordo com Costa (COSTA, 2013) algumas das principais características da plataforma Edmodo podem ser citadas como as seguintes:
• Os professores e alunos podem colaborar num ambiente seguro e fechado; • O sistema de mensagens permite a comunicação segura podendo ser
monitorada pelo professor;
• Os professores podem definir trabalhos e avaliações que serão submetidos pelos alunos e avaliados automaticamente;
• Os professores e outros elementos da escola podem criar grupos para estender as comunidades de forma a ampliar o desenvolvimento profissional; • Os professores podem manter uma biblioteca de conteúdos e materiais com a
possibilidade de partilha com outros membros;
• O sistema de partilha permite aos professores a partilha de conteúdos por unidades curriculares, grupos de alunos ou membros individuais;
• Os pais podem ter acesso à plataforma através de uma conta específica; • A interface é simples e intuitiva, sem necessidade de conhecimentos prévios;
Fonte: (EDMODO, 2017b)
2.5.3 Passei Direto
O Passei Direto, segundo a própria plataforma (PASSEI DIRETO, 2017) é uma rede acadêmica para universitários criada em 2012 pelos então alunos da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC – Rio) Rodrigo Salvador e André Simões. Ambos tiveram a ideia de criar uma rede social focada no compartilhamento de assuntos acadêmicos para conectar alunos do Brasil inteiro (SOARES, 2015).
Com mais de 7 milhões de estudantes e presente em mais de 2,5 mil universidades com o intuito de conectar estudantes e onde é possível seguir disciplinas específicas, compartilhar materiais de estudo (como provas, trabalhos e exercícios) e postar dúvidas para que outros estudantes possam responder.
Zeno Group (ZENO GROUP, 2015) descreve que a plataforma Passei Direto apresenta uma nova maneira de estudar a partir de uma rede simples e colaborativa
composta por diferentes funcionalidades que estimulam e facilitam a troca de conhecimento.
Além dos materiais de estudo compartilhados pelos usuários da plataforma o Passei Direto também possui conteúdo próprio criado e gerenciado por seus especialistas e, de acordo com a plataforma, estes materiais combinados com suas ferramentas proporcionam uma forma mais eficiente e organizada de estudo.
“A ideia é estabelecer uma rede de estudantes que estão espalhados por todo o Brasil. Por meio das conexões entre esses alunos, promovemos a troca de informação e conhecimento, acesso a materiais e uma série de funcionalidades que podem auxiliar na otimização do seu tempo de estudo.” (PASSEI DIRETO, 2017a)
De acordo com Coradini (CORADINI, 2016) Na plataforma é possível organizar o espaço de aprendizagem e direcionar os caminhos a serem percorridos. O ambiente é constituído por características que proporcionam a interdisciplinaridade nesse mundo virtual e foi pensado com o propósito de modificar os modelos tradicionais de ensino acadêmico.
Para acessar a plataforma basta o acadêmico usar os seus dados das redes sociais (Facebook ou Google) para efetuar o cadastro. Em seguida o Passei Direto pede que sejam escolhidas cinco disciplinas para que eles recomendem materiais relacionados e também são solicitadas informações sobre a faculdade do acadêmico. Uma vez dentro da rede, o aluno encontra todas as disciplinas de seu curso cadastradas e pode interagir por meio de comentários, compartilhamento de arquivos com exercícios e outros materiais, além de ter a possibilidade de fazer perguntas (SOARES, 2015).
Ainda segundo Soares (SOARES, 2015) com o compartilhamento de conteúdo como carro-chefe, o Passei Direto tem como grande desafio o estímulo dessa ação. Para incentivar os acadêmicos a compartilhar materiais a plataforma utiliza um sistema de gamificação onde os acadêmicos, cujos materiais compartilhados têm maior demanda, têm a possibilidade de ganhar pontos e subir para o próximo nível, como uma espécie de graduação.
O Passei Direto oferece dois planos no momento do cadastro: o plano básico, que é gratuito e tem limitações e o plano premium com conteúdo exclusivo (exercícios resolvidos, videoaulas, resumos) produzido pelos seus especialistas e
algumas ferramentas que não estão disponíveis no plano básico, como salvar conteúdos como favoritos ou participar de um número maior de disciplinas.
Fonte: (PASSEI DIRETO, 2017)
2.5.4 Conclusão
Nesta seção foram apresentados três trabalhos relacionados voltados à colaboração, educação e interação dos usuários: Openredu, Edmodo e Passei Direto, Todos eles especificamente com fins educativos.
Nas três plataformas citadas existe nativamente um ambiente de rede virtual com conexões e formas de ligação por interesse em comum, como o que é percebido no Facebook, por exemplo. Embora eles tenham em comum um objetivo educacional cada um destes ambientes tem uma abordagem e dinâmicas próprias.
Diante destas peculiaridades dos trabalhos apresentados com relação ao proposto nesta pesquisa foi feita uma análise das suas respectivas vantagens e desvantagens em relação ao ensino colaborativo em pares e foi gerada uma tabela comparativa entre os três trabalhos. A tabela 1 demonstra um comparativo dos três
trabalhos relacionados ressaltando suas características e as funcionalidades oferecidas pelas plataformas que permitem o trabalho colaborativo e que fazem referência as redes sociais.
Tabela 1. Tabela comparativa de funcionalidades dos trabalhos relacionados
Elementos Openredu Edmodo Passei Direto Material de Estudo
Produção de material próprio Não Não Sim Permite submissão de material Sim Sim Sim Gerenciamento de Arquivos Sim Sim Sim
Componentes Sociais
Integração Sim Sim Sim
Comunicação Sim Sim Sim
Perfil social Sim Sim Sim
Permite atividades em grupo Sim Sim Não Papéis diferenciados
(professor/aluno/tutor) Sim Sim Não Gerenciamento de encontros de estudo Não Não Não Conexões entre usuários (envio e
aceitação de convites de amizade) Sim Não Sim
Componentes de Gamificação
Ranking Não Sim Sim
Progressão em categorias Não Não Sim Recompensa (medalhas/pontos) Não Sim Sim
Financeiro
O uso é pago ou existe restrição de
funcionalidades mediante pagamento Não Não Sim Fonte: Elaborado pelo autor
A análise dos três projetos coloca o Openredu e o Edmodo mais distantes do modelo conceitual proposto e o Passei Direto mais próximo do que se pretende por conta do seu visual simples e o uso de recursos que incentivem a colaboratividade, como o uso da gamificação.
O ambiente Openredu também possui um visual leve, o que facilita no uso da plataforma que foi concebida para que alunos e profissionais de ensino disponham de ambientes de armazenamento, resolução colaborativa de provas,
visualização do desempenho e autorregulação da aprendizagem (GOMES; ROLIM; SILVA, 2012).
Essa abordagem está relacionada ao que é proposto neste trabalho mas, apesar do forte apelo colaborativo, o que se propõe é uma plataforma que vai além das ferramentas encontradas no Openredu as quais permitem que os usuários interajam e se comuniquem, o que de acordo Bezerra et al (BEZERRA et al., 2014) tais recursos de interação, como os fóruns e chats, não favorecem a percepção do outro no processo de aprendizagem. Neste trabalho são propostos também encontros presenciais que são gerenciados e registrados pela plataforma e um sistema gamificado de feedback e recompensas que estimule os usuários a utilizar a ferramenta para o aprendizado em pares sem barreiras.
Apesar de possuir ambientes controlados e reservados dentro do sistema o Openredu tem a possibilidade de “abrir” esses ambientes e expandir as relações entre alunos de turmas distintas, onde eles podem acompanhar as atividades uns dos outros, diferente do que acontece no Edmodo onde o ambiente é restrito a quem possui as credenciais para se conectar com a turma.
O Edmodo é uma plataforma robusta e consolidada no meio educacional como referência no que se trata de rede social para a educação. Entretanto sua proposta do ensino colaborativo está mais distantes do que se procura neste trabalho de pesquisa devido sua abordagem que coloca a plataforma como uma réplica virtual de uma sala de aula. Sua forma de conectar os alunos da plataforma é pouco pessoal, dificultando o estudo em pares pois a plataforma foi desenvolvida para grupos com um número maior de participantes como pode ser percebido pela sua robustez.
O regime fechado onde após o professor (que gerencia todo o conteúdo e assume o papel de mediador) criar um grupo, somente os alunos que possuem um código cedido por ele podem adentrar ao grupo e acessar os conteúdos e aprender em conjunto. Esse círculo privado impossibilita que os estudantes visualizem outros grupos, e façam novas conexões, conheçam novas formas de aprender e se relacionar.
Assim como no Edmodo e no Openredu o Passei Direto tem um conceito de rede social evidente, seus componentes de gamificação, através da recompensa
pela interação, proporcionam uma nova forma de estudar colaborativamente (CORADINI, 2016). Seu uso é simples e prático mas acaba sendo restrito uma vez que foi criado com o objetivo de ser dirigido ao público universitário com foco nas universidades brasileiras. Toda a sua estrutura é baseada nas disciplinas presentes nos cursos universitários e conteúdos destas disciplinas.
O Passei Direto centraliza sua proposta na oferta de conteúdo, onde a grande maioria destes materiais de estudo é inserido na plataforma pelos usuários que estão cursando as disciplinas inscritas na plataforma. A outra parte do conteúdo, produzido por profissionais da plataforma, é restrita e oferecida somente para os usuários premium do Passei Direto (PASSEI DIRETO, 2017).
Restrições de conteúdo, das disciplinas que se pode acompanhar e de ferramentas tornam a plataforma comercial e dividida entre usuários básicos e premium que partilham a mesma comunidade mas não os mesmos benefícios como o número de disciplinas, perguntas e exercícios resolvidos que são restritos além de funcionalidades como a opção de salvar conteúdos como favoritos.
Todos os projetos analisados apresentam interfaces amigáveis, permitindo a interação, compartilhamento de informações e a comunicação, porém para que estes possam trabalhar de acordo com o proposto neste trabalho seriam necessárias muitas modificações e criação de plugins que pudessem apresentar uma rede social de forma mais enxuta com foco na ligação entre pares (um ou mais) com perfis de tutor e aprendiz para estudo de áreas de conhecimento em comum. Dessa forma se propôs a criação da ferramenta apresentada como uma rede social de interface amigável para trabalhar a colaboração em pares nas instituições de ensino de forma aberta, gratuita e interativa.
2.6 Considerações Finais
Neste capítulo foram apresentadas as principais ideias nas quais se baseia a ferramenta proposta neste trabalho, seus teóricos e pesquisadores das áreas de aprendizagem colaborativa, do estudo em pares e da aprendizagem colaborativa
suportada por computador, assim como os conceitos de feedback e gamificação e rede social que compõem a ferramenta.
Foi visto que para que haja um ambiente de aprendizagem colaborativo, além da colaboração também é necessária a interação entre os indivíduos envolvidos no processo e a motivação para que eles continuem utilizando o ambiente através do apoio computacional e possam construir conhecimento em conjunto. A seção 2.5 apresentou trabalhos relacionados ao proposto e fez um comparativo entre estes trabalhos relacionados sob uma ótica do que se pretende, levantando seus pontos negativos e positivos para que no capítulo seguinte possa ser possível vislumbrar o diferencial da ferramenta que está sendo proposta.
3 PROPOSTA DE SOLUÇÃO
Este capítulo descreve a ferramenta de aprendizagem colaborativa em pares proposta, seus conceitos, funcionalidades e concepção. Na seção 3.1 é descrito o processo de utilização da ferramenta e suas funcionalidades com base nos referenciais teóricos. Na seção 3.2 são encontrados os requisitos funcionais de acordo com as funcionalidades propostas pela ferramenta. Na seção 3.3 é apresentado o protótipo desenvolvido e o que foi implementado de acordo com os requisitos da seção anterior. Por fim, a seção 3.4 traz as considerações finais.
A proposta deste trabalho consiste no uso de uma ferramenta de rede social de interface amigável, pensado de forma colaborativa e trabalhando em pares, a ser validado através de experimento no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Roraima – IFRR junto aos alunos do ensino superior através da CSCL trabalhando, em primeira instância, disciplinas da grade curricular e verificando o impacto desta abordagem quanto aos aspectos de socialização e aprendizado dos alunos envolvidos no experimento.
O processo de concepção desta proposta se deu ao longo de uma experiência de trabalho na modalidade de ensino a distância (EAD). Durante um período na coordenação de um dos cursos EAD e como responsável pelo suporte ao ambiente virtual de aprendizagem (AVA) foi possível notar as dificuldades na aprendizagem de alguns alunos. O Moodle, sistema de gestão de ensino e aprendizagem utilizado no gerenciamento dos cursos EAD, é um ambiente muito robusto ao qual os alunos não estavam familiarizados. Ele possui algumas ferramentas as quais permitem que os usuários interajam e se comuniquem mas segundo Bezerra et al (BEZERRA et al., 2014) tais recursos de interação, como os fóruns e chats, não favorecem a percepção do outro no processo de aprendizagem e esse é um problema comum entre os ambientes virtuais tradicionais, que por um lado facilitam o processo de educação a distância, mas, por outro lado, proporcionam um maior isolamento dos usuários.
Muitos dos alunos se ajudam e aprendem mutuamente através deste sistema, assim como também são auxiliados pelos tutores, que neste caso específico são professores do ensino a distância. Nesse contexto foi pensada uma ferramenta que funcionasse como um ambiente virtual de aprendizagem mais próximo da tecnologia a qual os alunos já estão familiarizados, neste caso, as redes sociais. Uma ferramenta de interface amigável, com melhor usabilidade e onde fosse possível os alunos aprenderem entre si, assumindo o papel de tutores e educandos através da tutoria e da aprendizagem colaborativa (SHAWKY et al., 2015), (PIETRUCHINSKI, 2016), (DILLENBOURG, 1999), (FUKS et al., 2002), (CUNHA, 2009), (JOHNSON; JOHNSON, 2008) e (O’DONNELL; O’KELLY, 1994). A proposta da gamificação, do sistema de feedback e do ambiente de rede social voltada para o aprendizado se apresentaram como uma possível solução para aproximar os alunos e motivá-los a utilizar a ferramenta, facilitar o aprendizado e auxiliar na identificação das suas dificuldades e melhorar seu desempenho (TUNSTALL; GIPPS, 1996), (WERBACH; HUNTER, 2012b), (DETERDING et al., 2011), (BUENO; BIZELLI, 2014), (FARDO, 2013) e (GAÑÁN et al., 2016).
3.1 A Ferramenta
Para Soeiro (2003) citado por (JUNQUEIRA; DARIN; OLIVEIRA, 2013) se o conhecimento é construído pelos aprendentes, então não faz sentido ensinar conhecimento, mas sim criar contextos, ambientes educativos propiciadores da construção da aprendizagem. O ensino é uma forma de ajudar a aprender. A formação deve centrar-se na construção da aprendizagem e não na transmissão de informação.
A ferramenta aqui proposta proporciona este ambiente educativo para que a aprendizagem seja construída através da CSCL numa plataforma, onde os alunos poderão se cadastrar e assumir dois tipos de perfil: Educando ou Tutor.
Esse ambiente traz a proposta de uma rede social de interface amigável, baseada no aprendizado colaborativo mas que se utiliza também do método instrucional, trabalhando a tutoria face a face em pares mediada pelo computador. É uma plataforma com foco no aprendizado e não na publicação de conteúdos, uma
vez que o educando ao final da conexão (período de tutoria) avalia o seu aprendizado e se seus objetivos foram alcançados dando uma nota para a conexão que teve com seu tutor classificando e recomendando, ou não, este tutor através de comentários (feedbacks) de acordo com o a experiência percebida.
O tutor poderá criar seu perfil escolhendo uma ou mais disciplinas as quais estará disposto a ensinar para outros alunos que sentem dificuldades nas respectivas disciplinas. Por sua vez o educando poderá optar pelos perfis dos tutores que estarão disponíveis e entrar em contato com um deles para que possam marcar aulas presenciais, preferencialmente em ambiente acadêmico, no período de contraturno. Essa integração permite que ambos aprimorem juntos, de forma colaborativa e através da interação social, as disciplinas nas quais se propõem a ensinar/aprender durante os encontros que serão gerenciados através da plataforma.
Após esta interação entre educando e tutor uma avaliação da experiência deverá ser realizada, e neste trabalho o que se propõe é que esta avaliação seja feita através de componentes de gamificação (rankings, progressão em categorias e um sistema de pontuação) e de feedback dos educandos em relação a experiência que tiveram com o tutor, onde escreveriam depoimentos, como forma de recomendar o tutor e ressaltar os pontos que consideram positivos ou negativos, que ficariam num quadro no perfil deste tutor com quem construiu conhecimento.