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39.10 Operadores Tipo Tra¸ co e de Hilbert-Schmidt

39.10.2 Operadores de Hilbert-Schmidt

5. Para A∈I1, vale Tr A

≤ kAk1. 2

A propriedade c´ıclica do tra¸co ser´a estendida (para operadores de Hilbert-Schmidt) na Proposi¸c˜ao 39.97, p´agina 2190.

Prova da Proposi¸c˜ao 39.95. A prova dos itens 1 e 2 ´e elementar e deixada como exerc´ıcio. O item 3 poder ser provado facilmente, como sugerido em [315], se recordarmos queB∈B(H) pode ser expresso como soma de at´e quatro elementos unit´arios (vide Proposi¸c˜ao 39.73, p´agina 2136). Assim, ´e suficiente provarmos que para todo A ∈ I1 e todo unit´ario U ∈B(H) vale Tr(AU) = Tr(U A). Agora, como U ´e unit´ario, se{φn, n∈N} ´e uma base ortonormal completa emH, ent˜ao{U φn, n∈N} tamb´em o ´e. Logo,

Tr(U A) = X n=1

U φn, (U A)U φn

H = X n=1

φn, (AU)φn

H = Tr(AU). O item 4 ´e evidente. O item 5 foi demonstrado em (39.225), p´agina 2183.

39.10.2 Operadores de Hilbert-Schmidt

Um operadorA∈B(H) ´e dito ser umoperador de Hilbert78–Schmidt79 se|A|2∈I1. O conjunto de todos os operadores de Hilbert-Schmidt agindo emH ser´a denotado aqui porI2≡I2(H).

Como I1 ´e um∗-bi-ideal deB(H), ´e evidente que se A∈I1 ent˜ao|A|2 =AA∈I1. Logo,I1 ⊂I2. Ainda assim,I2 possui propriedades semelhantes aI1, como revelaremos na corrente se¸c˜ao.

Seja {φn, n ∈ N} uma base ortonormal completa em H. Se A ∈I2, segue do fato que |A|2 ∈ I1 que a express˜ao Tr |A|2

=P n=1

φn, |A|2φn

H´e finita e independe da particular base ortonormal completa adotada em H. Defina-se, portanto, paraA∈I2,

A2 := q

Tr |A|2

= vu utX

n=1

φn, |A|2φn

H = vu utX

n=1

n2H, (39.227)

para alguma base ortonormal completa emH.

• Resultados preparat´orios e desigualdades ´uteis

Vamos agora demonstrar diversos resultados e desigualdades envolvendo as normask · k1 ek · k2, algumas das quais utilizaremos adiante no estudo de propriedades estruturais dos espa¸cosI1eI2. Diversas dessas desigualdades encontram aplica¸c˜oes em F´ısica, como na Mecˆanica Estat´ıstica, na Mecˆanica Quˆantica e na Teoria Quˆantica de Campos.

Lema 39.16 Se A∈I2, ent˜aoA∈I2 e vale A

2=A

2. 2

78David Hilbert (1862–1943).

79Erhard Schmidt (1876–1959).

Prova. Seja{φn, n∈N}uma base ortonormal completa emH. Se A=U|A|´e a decomposi¸c˜ao polar deA∈I2, temos

2 e, portanto, que A ∈I2. Essa mesma desigualdade tamb´em afirma que A

Escrevamos, pela decomposi¸c˜ao polar,|AB|=UAB, ondeU ´e uma isometria parcial. Seja uma base ortonormal completa{φn, n∈N} emH. Teremos,

Lema 39.18 Para todo A∈I2 vale

kAk ≤ kAk2. (39.230)

2

Prova. Pela propriedade C,kAk2=kAAk. Logo,kAk2=kAAk

(39.224)

≤ AA1= Tr AA

= Tr AA

=kAk22.

Lema 39.19 Para todo A∈I1 vale

kAk2 ≤ kAk1. (39.231)

2

Prova. J´a vimos que se A ∈ I1, ent˜ao A ∈ I2. Seja {φn, n ∈ N} uma base ortonormal completa no espa¸co de Hilbert separ´avelH. Ent˜ao, kAk22=P

n=1kAφnk2H. Usando a decomposi¸c˜ao polar A=U|A|,U sendo uma isometria parcial, escrevemos kAφnk2H =U|A|1/2|A|1/2φn2H ≤ |A|1/22|A|1/2φn2H. Pela propriedade C, vale|A|1/22 = |A| = |A|21/2 = AA1/2 = A. Assim, kAφnk2H ≤ kAk |A|1/2φn

2H = kAk

φn, |A|φn

H. Logo, kAk22 ≤ kAkP

n=1

φn, |A|φn

H = kAk kAk1. Por (39.224), kAk ≤ kAk1 e, portanto, provamos que kAk22 ≤ kAk21, como desej´avamos.

O corol´ario a seguir ´e consequˆencia imediata dos Lemas 39.17, 39.18 e 39.19, acima, e dispensa demonstra¸c˜ao.

Corol´ario 39.24 ParaA, B∈I1 vale

AB1 ≤ A2B2 ≤ A1B1. (39.232) 2

Temos ainda:

Lema 39.20 Para A, B∈I2 vale AB2 ≤ A2B2. (39.233)

Prova. Pelo Lema, 39.17, p´agina 2187,AB ∈I1 ekABk2

(39.231)

≤ kABk1

(39.228)

≤ kAk2kBk2.

• Mais propriedades de operadores de Hilbert-Schmidt

Vamos agora obter algumas propriedades estruturais importantes do conjuntoI2dos operadores de Hilbert-Schmidt agindo em um espa¸co de Hilbert separ´avelH.

Proposi¸c˜ao 39.96 SejaHum espa¸co de Hilbert separ´avel e sejaI2o conjunto dos operadores de Hilbert-Schmidt agindo emH. Valem as seguintes afirma¸c˜oes:

1. I2 ´e um espa¸co vetorial.

2. k · k2 ´e uma norma em I2. 3. I2 ´e um∗-bi-ideal deB(H).

4. A express˜ao hA, BiI2 := Tr(AB)define um produto escalar emI2 eI2´e um espa¸co de Hilbert em rela¸c˜ao a esse

produto escalar, pois I2 ´e completo na norma k · k2. 2

Prova. Prova do item 1. Primeiramente, ´e evidente que seA∈I2 ent˜aoαA∈I2 para todoα∈C. SejamA, B ∈I2. ´E espa¸co vetorial. Incidentalmente, a ´ultima desigualdade afirma tamb´em que

A+B

2 para todos α ∈ C e A ∈ I2. Por fim, a desigualdade triangular foi estabelecida em (39.234). Portanto,k · k2´e uma norma emI2. na normak · k2, ent˜ao (39.230) afirma que essa sequˆencia ´e tamb´em uma sequˆencia de Cauchy na norma operatorialk · k e, portanto, converge a um elementoA∈B(H). Desejamos provar queA∈I2e que limn→∞kA−Ank2= 0.

Resta-nos provar que limm→∞kA−Amk2= 0. ParaN ∈Ntemos, para uma base ortonormal completa{φn, n∈N},

Listemos agora dois corol´arios imediatos da Proposi¸c˜ao 39.96.

Corol´ario 39.25 SeA, B ∈I2, ent˜ao Tr(AB)≤ kAk2kBk2. 2

Prova. A desigualdadeTr(AB)≤ kAk2kBk2´e meramente a desigualdade de Cauchy-Schwarz para o produto escalar hA, BiI2:= Tr(AB).

Corol´ario 39.26 Um operador limitadoApertence a I1 se e somente se puder ser escrito como produto de dois

opera-doresA1 e A2 de I2: A=A1A2. 2

• A propriedade c´ıclica do tra¸co em I2 e mais algumas desigualdades

A proposi¸c˜ao a seguir estende a propriedade c´ıclica do tra¸co estabelecida na Proposi¸c˜ao 39.95, p´agina 2185.

Proposi¸c˜ao 39.97 SejamA, B∈I2. Ent˜ao,Tr(AB) = Tr(BA). 2 Prova. Seja{φn, n∈N}uma base ortonormal completa emHe sejaPN o projetor ortogonal sobre o subespa¸co gerado porφ1, . . . , φN, ou seja,PN =PN

Assim, se estabelecermos que lim estar´a provada. ´E suficiente demonstrarmos a primeira dessas afirma¸c˜oes, como faremos no que segue. Temos que

Coment´ario. A propriedade c´ıclica do tra¸co na forma listada na Proposi¸c˜ao 39.95 pode ser reobtida a partir da Proposi¸c˜ao 39.97, mas note-se que a mesma foi usada na prova acima. SejamBB(H) eAI1. Usando a decomposi¸c˜ao polar, podemos escreverA=U|A|1/2|A|1/2, com

Tr(AB), estabelecendo que Tr(BA) = Tr(AB).

Lema 39.21 Para A∈B(H)eB∈I1, valem

UAV|B|1/2 ∈ I2, j´a que I2 ´e um bi-ideal de B(H). Assim, a propriedade c´ıclica do tra¸co para I2 estabelecida na Proposi¸c˜ao 39.97, p´agina 2190, permite escrever Tr

UAV|B|1/2|B|1/2

= Tr

|B|1/2UAV|B|1/2

. Logo, temos que

kABk1 = Tr

|B|1/2UAV|B|1/2

= X n=1

φn, |B|1/2UAV|B|1/2φn

H = X n=1

|B|1/2φn, UAV|B|1/2φn

H

Cauchy-Schwarz

X n=1

|B|1/2φnHUAV|B|1/2φnH.

ComoUAV|B|1/2φn

H≤ kAk|B|1/2φn

H, temos

kABk1 ≤ kAk X n=1

|B|1/2φn

2H = kAk X n=1

φn, |B|φn

H = kAk kBk1,

estabelecendo que kABk1 ≤ kAk kBk1. Como BA = (AB) temos tamb´em kBAk1 = kABk1 ≤ kAk kBk1 ≤ kAk kBk1.

Lema 39.22 Para A∈B(H)eB∈I2, valem AB

2 ≤ kAkkBk2 e BA

2 ≤ kAkkBk2. (39.236)

2

Prova. Seja {φn, n ∈ N} uma base ortonormal completa em H. Temos kABk22 = P n=1

φn, BAABφn

H = P

n=1

n, AABφn

H. Agora, AA ´e um operador autoadjunto e, pelo Teorema 39.12, p´agina 2055, temos que Bφn, AABφn

H ≤ kAAk Bφn2H = kAk2n2H. Logo, estabelecemos que kABk22 ≤ kAk2 P n=1

n2H = kAk2kBk22. Provando que AB2 ≤ kAkkBk2. Como BA = (AB), temos tamb´em BA2 = k(AB)k2 = kABk2≤ kAk kBk2=kAk kBk2.

• Reunindo algumas desigualdades

Para facilitar futuras referˆencias, listemos algumas das igualdades e desigualdades que obtivemos acima para as normask · k1 ek · k2.

1. kαAk1=|α| kAk1ekA+Bk1≤ kAk1+kBk1, para todosα∈C,A, B∈I1. 2. kαAk2=|α| kAk2 ekA+Bk2≤ kAk2+kBk2, para todosα∈C,A, B∈I2. 3. kAk1=kAk1,A∈I1.

4. kAk2=kAk2,A∈I2. 5. kAk ≤ kAk2≤ kAk1,A∈I1. 6. kAk ≤ kAk2,A∈I2.

7. kABk1≤ kAk2kBk2,A, B∈I2.

8. kABk1≤ kAk2kBk2≤ kAk1kBk1, A, B∈I1. 9. AB

1≤ kAkkBk1 eBA

1≤ kAkkBk1,A∈B(H) eB ∈I1. 10. AB

2≤ kAkkBk2 eBA

2≤ kAkkBk2,A∈B(H) eB ∈I2.

11. Tr(A)≤ kAk1, A∈I1.

12. Tr(AB)≤ kAk2kBk2,A, B ∈I2.

• Os ideais I1 e I2 como ∗-´algebras de Banach

Os espa¸cos I1 eI2comp˜oem exemplos importantes de ∗-´algebras de Banach. Isso ´e estabelecido na proposi¸c˜ao que segue, cuja demonstra¸c˜ao meramente re´une resultados j´a estabelecidos.

Proposi¸c˜ao 39.98 SejaH um espa¸co de Hilbert separ´avel. Ent˜ao, valem as seguintes afirma¸c˜oes:

1. I1 ´e uma∗-´algebra de Banach na norma k · k1.

2. I2 ´e uma∗-´algebra de Banach na norma k · k2. 2

Prova. Prova do item 1. J´a estabelecemos que I1 ´e uma ´algebra (por ser um espa¸co vetorial e um bi-ideal deB(H)) e que se A ∈ I1 ent˜ao A ∈ I1 (Teorema 39.47, p´agina 2180) com kAk1 = kAk1 (Proposi¸c˜ao 39.92, p´agina 2182).

Estabelecemos tamb´em que I1 ´e completo na norma k · k1 (Proposi¸c˜ao 39.92, p´agina 2182) e que kABk1 ≤ kAk1kBk1 para todosA, B ∈I1 (Corol´ario 39.24, p´agina 2188). Portanto,I1 ´e uma∗-´algebra de Banach nessa norma.

Prova do item 2. J´a estabelecemos queI2 ´e uma ´algebra (por ser um espa¸co vetorial e um bi-ideal de B(H)), que se A∈I2, ent˜ao A ∈I2 comkAk2 =kAk2 (Lema 39.16, p´agina 2186) e que I2 ´e completo na normak · k2 (Proposi¸c˜ao 39.96, p´agina 2188). Estabelecemos tamb´em quekABk2≤ kAk2kBk2 para todosA, B∈I2 (Lema 39.20, p´agina 2188).

Portanto,I2´e uma ∗-´algebra de Banach nessa norma.

39.10.3 Operadores Traciais e de Hilbert-Schmidt e os Operadores