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E

sta concepção dos sujeitos reúne os elementos do desenvolvimento da rede para o cuidado ao idoso como o entendimento dos profissionais sobre rede, a interação entre eles e a organização do atendimento.

O conceito de rede de atenção para o cuidado ao idoso é definido

pela análise daquilo que os profissionais veem como rede e como a interpretam. É através da interação simbólica que atribuímos os significados e desenvolvemos a realidade na qual somos os atores, ou seja, agimos. O conceito de rede abstraído neste estudo demonstra uma concepção de rede factível e tangível. A rede de atenção por si só apresenta-se como uma rede hierarquizada com serviços de atenção à saúde seguindo um fluxo de complexidade que pode ser entendido pela densidade tecnológica presente em cada nível, seguindo a perspectiva de economia de escala3.

A articulação da rede de cuidados na APS demonstra uma rede

simbólica de tentativas de interligar ações que desencadeiam cuidados e, de forma mais refinada, que estabelece a linha do cuidado. Isto quer dizer que, no caso da Saúde do Idoso, há uma responsabilidade pelo cuidado direto ao idoso e pela coordenação da linha do cuidado no caso de a pessoa ser encaminhada para outros níveis de atenção ou serviços. Dispara-se um movimento que aponta para as interações interprofissionais, intergestores e interserviços. Por sua vez, estes transpõem a rede hierarquizada por meio de uma rede de conversações

3As economias de escala referem-se a uma situação em que os custos médios de longo

prazo caem com o crescimento da escala ou do volume de atividades, sendo o esse período suficientemente longo para permitir que todos os insumos sejam variáveis (ALETRAS; JONES; SHELDON, 1997).

também simbólica e integradora de ações, de profissionais e de serviços no setting de suas governabilidades. Por fim, agregando a APS, a família, o cuidador e a própria rede de atenção à saúde e a de suporte social, vista como parceira para o cuidado ao idoso.

Comunicação: ponto central da rede é um processo interacional

construído simbolicamente na perspectiva de que o cuidado é específico e envolve processos de comunicação entre profissionais e intersetorialidade. Ademais, para que o profissional da APS inicie a construção do seu universo de ação para o cuidado, ele precisa resgatar a comunicação, o ponto central da rede de conversações que irá promover a integração da rede de atenção.

É a partir da integração de ser e estar operando a rede que o cuidado vai se concretizando e demandando a sua articulação. Nessa perspectiva, a rede de atenção para o cuidado ao idoso tem a interação de seus elementos, sobretudo, pela conversação, conforme símbolos percebidos e identificados de acordo com as concepções de seus agentes, e não necessariamente dos serviços.

O significado de ser/estar operando a rede de cuidados ao idoso na APS refere-se às interações que vão se estabelecendo a partir da demanda que impõe o atendimento. Neste sentido, a imposição da demanda significa a não preparação da APS em relação às demandas espontânea e programada e seu distanciamento dos pressupostos da RAS, uma vez que a lógica se apresenta evidentemente invertida, agravada por determinações de leis, portarias e outros.

Os profissionais da saúde da família e das equipes matriciais são os principais operadores da rede de atenção da APS. Para que possam estabelecer as ações assistenciais de suas competências, sejam elas o cuidado direto ou a coordenação da linha do cuidado ao idoso, os idosos ou suas famílias, na maioria das vezes, são quem busca o atendimento no acolhimento, e não pela demanda programada.

Neste sentido, a relação do idoso com a APS marca um dos pontos relevantes para desencadear a construção de símbolos e de significados

referentes à vivência do profissional que configura o fenômeno da rede de atenção ao idoso e que acontece em um dado contexto.

6.2 Discutindo o contexto de atendimento ao idoso, percebendo barreiras e facilidades do cuidado

Este contexto é a especificidade que envolve o fenômeno e que condiciona a ação e a interação a partir da concepção de rede para o cuidado.

O idoso chegando ao centro de saúde nas primeiras horas do dia, entra na demanda espontânea a partir do acolhimento, demandando cuidados à desordem de sua saúde e qualidade de vida, quase sempre precisando de avaliação médica. Este formato de atendimento foi se configurando para garantir atendimento prioritário aos idosos na APS. No entanto, garantir atendimento prioritário aos idosos, uma população que vem aumentando, depende do acesso a vários recursos, de bom senso para que o cuidado se estabeleça na perspectiva de rede, visando à qualidade de vida deste idoso. Como esta e outras instituições ainda não têm a magnitude desta determinação e sua repercussão na APS, isso tem sido tomado como direito universal pela população idosa e serviços simplesmente pelo critério etário, dificultando a organização do atendimento como um todo.

Experimentando estratégias para o cuidado ao idoso na APS refere-

se a ações ou propostas que se consolidam enquanto experimentações de cuidado à medida que o cuidado ao idoso é cogitado como novo. De forma paradigmática, foram apontadas ações e propostas de ações inovadoras como alternativas para dar linha à demanda. Surge, nesta perspectiva, um cardápio variado de estratégias além da consulta médica, mas que, ao mesmo tempo, relata-se quão forte é o modelo medicalizado. O profissional desenvolve e vivencia o atendimento ao idoso nessa porta de

entrada do sistema de saúde, com barreiras e facilidades para este cuidado.

A demanda é soberana impondo o atendimento ao idoso é uma

concepção que remete à forma como tem funcionado o atendimento ao idoso na rede de atenção e quão sufocante é a imposição da demanda. Para atender às reais operações da rede, os profissionais na APS têm se relacionado de modo a possibilitar cuidado ao idoso, mas, ao mesmo tempo, estão na rede como operadores dela, isto é, eles são a própria rede que dispara todo o processo assistencial, o que possibilita a sua ação profissional e podendo convergir para as ações de cuidado.

Nessa perspectiva, o cuidado à pessoa idosa na APS pode ser definido como uma novidade na assistência, concebido no universo de símbolos e construído a partir da chegada do idoso na APS.

6.3 Refletindo sobre as interações profissionais no contexto da