voluntários em termos de acções levadas a cabo na plataforma
6. Estudo de factores que afectaram a adopção da
6.2. Opiniões formadas sobre o terceiro sector
Analisou-se uma série de entrevistas disponibilizadas pelo grupo Algébrica (um fornecedor de informação desde 1991, algebrica.pt) a nomes de relevo na área do terceiro sector. Procura-se obter uma visão geral dos problemas sentidos no mesmo. Esta análise pretende por analogia, ajudar a perceber alguns dos problemas sentidos.
6.2.1.
Sector social público e privado
São ―duas faces da mesma moeda‖. No entanto o privado ―faz melhor, mais próximo das pessoas, com mais qualidade e a menor custo‖. O sector público tem o papel de definir políticas sociais, reconhecimento e comparticipação financeira (Algebrica.pt, 24 Jun 2009). O Estado deve concentrar-se nas funções de regulação do sector social e não no sector principal, com o crescimento exponencial do sector social, o Estado português não tem capacidade nem infra-estruturas para prestar o apoio social a vários níveis que as IPSS estão neste momento a providenciar (Algebrica.pt 4 Ago 2008).
6.2.2.
Desafios na Gestão e Financiamento.
Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade aponta que as IPSS devem procurar seguir alguns dos princípios de gestão do sector privado lucrativo, de forma a conseguir eficácia e eficiência semelhantes. Mesmo não tendo por missão o lucro, os excedentes financeiros são uma necessidade para conseguir os objectivos de desenvolvimento social. A complexidade dos problemas
141 sociais enfrentados, exigem a capacidade de ―agir e não apenas de reagir‖ (Algebrica.pt, 24 Jun 2009).
José Leirião, delegado da Comissão Consultiva das Mutações Industriais em Bruxelas no Comité Económico e Social Europeu (mandato 2007-2011) e Voluntário em gestão de IPSS desde 1986, nos corpos sociais da Santa Casa da Misericórdia e Centro Social Paroquial de Azambuja, afirma que os dirigentes das IPSS ―(...) têm dificuldade em ultrapassar a limitada gestão, à luz das novas tecnologias (...)‖, apesar de muitos anos de dedicação e experiência no trabalho voluntário (Algebrica.pt 4 Ago 2008). Afirma que as ―(...) resistências apoiam-se na teoria e na prática de que sempre foi feito assim e dado que funcionou não há razões para mudar. Mas, presentemente, só funcionar não é suficiente, é preciso funcionar bem e antecipar as necessidades futuras.‖.
As IPSS, são normalmente financiadas pelo Estado através de protocolos com a Segurança Social e pela comparticipação dos utentes.
Com a actual crise financeira e com uma participação pública no financiamento de IPSS inferior a 50% do custo das mesmas, torna-se necessário um maior esforço das
direcções, para obter mais recursos (Algebrica.pt, 24 Jun 2009). É necessário que as instituições procurem financiamentos alternativos para além das quotas dos utentes e do Estado (Algebrica.pt, 4 Agosto 2008).
Um bom exemplo é o caso da Navegar, gerida por Rita Moreira. Afirma que após desenvolver um protocolo com a Segurança Social de forma a desenvolver uma valência, torna-se inevitável contratar pessoas. ―(...) é impossível funcionar
exclusivamente com voluntários.‖. Para suportar essa necessidade, a Navegar começou a dar aulas de música pagas, sendo no entanto uma associação sem fins lucrativos (Algebrica.pt, 29 Out 2009).
Para se poder negociar com empresas, é necessário ser mais do que uma associação sem fins lucrativos. Com o estatuto de utilidade pública torna-se mais fácil conseguir apoio financeiro das empresas, pois assim, estas já conseguem ter alguns benefícios, como as deduções fiscais (Algebrica.pt, 29 Out 2009).
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6.2.3.
Profissionalização do sector
A complexidade dos problemas obriga a equipas de profissionais de formação diversa, como a área social, economia e gestão. O facto de serem profissionais, não os torna incompatíveis com o trabalho voluntário. Existe, inclusive em direcções, profissionais qualificados, voluntários (Algebrica.pt, 24 Jun 2009).
Leirião (Algebrica.pt 4 Ago 2008), aponta a necessidade de modernização,
profissionalização e implementação de técnicas de gestão empresarial, referindo a possível utilização dos seguintes instrumentos:
Serviço de informação de gestão e balanced scorecard adequado;
Recursos humanos, técnicos e administrativos devidamente preparados;
Aprendizagem organizacional;
Orientação para o mercado, no sentido de perceber a evolução da sociedade nas vertentes económica e social e adequar as respostas às necessidades das várias populações alvo;
Planeamento estratégico;
Fixação de objectivos (KPI’s - Kee Performance Indicators), e avaliação de desempenho;
Envolvimento na vida da instituição de todas as partes interessadas (stakeholders);
Criação de uma cultura empresarial democrática;
Gestão de conhecimentos para atingir um trabalho de qualidade e uma organização de empresa democrática dentro de um quadro de gestão transparente
desenvolvendo métodos da formação participativa;
O balanço social para medir como alcança a instituição os objectivos sociais implicando todos as partes interessadas.
Propõe ainda que as IPSS contratem jovens saídos das universidades para integrarem as equipas de dirigentes, de forma a combinar a experiência e saber a fim de modernizar e profissionalizar os processos de gestão.
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6.2.4.
Inovação
Rita Moreira, fundadora e directora executiva da Associação Navegar, trabalha com a comunidade do Parque das Nações. Esse contexto faz com que veja a necessidade de inovar, devido à população ser essencialmente quadros médios/superiores. No entanto, leva-a a generalizar afirmando que: ―Mesmo uma instituição sem fins lucrativos deve agir em tudo como uma empresa. Portanto, qualquer documento que apresente – inclusivamente um flyer ou cartaz – tem que demonstrar qualidade. (...) mesmo a comunicação organizacional e o relacionamento com os media, deve ser o mais semelhante possível a uma estrutura empresarial. Em conclusão, sem dúvida que há uma grande necessidade de profissionalização no sector social.‖ (Algebrica.pt, 29 Out 2009)
Analisando estes factores, tiraram-se as seguintes conclusões:
É necessária a inovação e profissionalização das direcções e equipas de trabalho assalariadas e cooperação com os voluntários;
É importante inovar e criar valor acrescentado de forma a gerar mais receitas e portanto criar uma maior sustentabilidade e independência;
Reagir não chega, é preciso agir
Como no sector privado lucrativo, é preciso ter cuidado com a comunicação, um simples flyer deve demonstrar qualidade;
É necessária a participação de jovens universitários de forma a trazer saber e modernização;
Podem-se encarar estas dificuldades como oportunidades para evolução;
Estabelecer elos de comunicação transversais, que abranjam direcções e
voluntários, recolher, processar e transmitir esta informação, potenciar sinergias entre as diversas áreas, como se viu acontecer no modelo empresarial com o GIRO.
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