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4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.1. ORIENTAÇÕES RECEBIDAS PELOS PACIENTES E HÁBITOS DE VIDA

Inicialmente apresentamos os dados obtidos na pesquisa com os pacientes hipertensos (42 pacientes), mostrando em porcentagens os resultados referentes às orientações recebidas e os hábitos de vida que o grupo adota, em concordância ou não, com as orientações recebidas.

Gráfico 1 – Orientação recebida quanto à alimentação

Gráfico 2 – Orientação recebida quanto ao uso adequado de medicação

71% 19%

10%

Orientações quanto à alimentação

Bem orientado

Mais ou menos orientado Pouco orientado

91% 7% 2%

Orientação quanto ao uso adequado da

medicação

Bem orientado

Mais ou menos orientado Pouco orientado

Gráfico 3 – Orientação recebida quanto à importância da prática regular de exercício físico

Gráfico 4 – Cuidados tomados

Com relação às orientações recebidas, observa-se que a maioria dos pacientes foi bem orientada quanto à alimentação, quanto ao uso de medicamentos e quanto à importância da prática regular de exercício físico. Entretanto, o percentual dos pacientes bem orientados quanto ao uso de medicação é maior (91%) que o percentual dos pacientes bem orientados aos

64% 14%

22%

Orientação quanto à importância da prática

regular de exercício físico

Bem orientado

Mais ou menos orientado Pouco Orientado

36%

59%

5%

Você costuma se preocupar mais com:

Alimentção Medicamentos Exercício físico

cuidados com a alimentação (71%), que é, por sua vez, maior que o percentual obtido dos pacientes bem orientados quanto à importância da prática regular de exercício físico (64%).

Com a análise das orientações que os pacientes dizem receber, compreende-se que as orientações quanto à prática regular de exercício físico estariam sendo realizadas em menor proporção as demais, ficando por sua vez o uso de medicamento a orientação recebida com maior frequência. Ainda na frente do exercício físico, ficam por conta os cuidados alimentares. Assim, a aderência por parte dos pacientes em seguir com o tratamento proposto pelos profissionais, ressaltaria o uso de medicamento, ficando o exercício físico em última escolha para auxiliar no tratamento.

Ao analisar os dados, foi constatado que a média percentual entre os pacientes bem orientados quanto ao uso de medicamentos, dieta alimentar e a importância da prática regular de atividade física ficaram com (75%) dos pacientes bem orientados. Sendo oportuno destacar, de acordo com a pesquisa realizada por Martins et al (2014), ficou constatado um percentual equivalente a (81,4%) dos pacientes que obtiveram boas orientações frente a dietas alimentares e práticas regulares de exercício físico, sinalizando mudanças no estilo de vida dessas pessoas partindo das orientações obtidas.

No estudo realizado nesta unidade básica, constatamos os cuidados tomados pelos pacientes portadores de hipertensão arterial em suas vidas rotineiras, buscando saber se os mesmos costumam se preocupar mais com o uso de medicamento, com os cuidados alimentares ou o com o exercício físico. Ficou visível com dados obtidos e analisados que a maioria (59%) dos pacientes se preocupa mais com o uso do medicamento, ficando com um percentual de (36%) para os que costumam se cuidar mais com a alimentação e uma minoria (5%), passaram a praticar e dar ênfase no exercício físico após as orientações.

Com o alto índice de pessoas (59%) questionadas, preocupadas com a medicação para seu tratamento em vez de uma preocupação maior com a prática regular de exercício físico, pode-se compreender a cultura em que estão inseridas. Esta, está voltada à tecnologia mecanicista, entendendo que, no espaço de tempo moderno, estamos em um meio no qual pode-se dizer que o corpo humano relaciona-se como uma máquina com engrenagens que precisam serem conservadas e consertadas, e que, com o passar dos tempos, não havendo uma manutenção, acaba com complicações nas engrenagens (BARROS, 2002).

Criada a lei nº 8.080 no início da década de 90, a qual visa criar um dever por parte dos órgãos públicos em oferecer alternativas para uma redução nos riscos de saúde, tendo um acesso igualitário a todos que optarem em prosseguir com a ajuda. Desta forma, podemos observar uma preocupação grande por parte da sociedade que, em determinadas situações,

tratam da doença de forma isolada, fazendo dos medicamentos o principal tratamento de suas doenças.

Cabe ressaltar ainda o modelo social que vivemos em que a preocupação com a comercialização e lucros é a maior procura da sociedade, muito além do que se preocupar com um bem-estar, sendo fruto de uma vida ativa. Pensamento de muitos, que é mais fácil para as pessoas tomarem medicamentos do que se envolverem em uma prática regular de exercícios físicos. Destaca-se, aqui, um centro motivador ao sedentarismo atribuído em nosso meio. As pessoas passam a se alimentar de uma maneira desequilibrada e inadequada, ao mesmo modo em que o tempo designado ao descanso fica curto, dificultando ou inibindo a prática regular de alguma atividade física.

Outros dados obtidos na pesquisa em relação ao hábito de vida dos pacientes têm como finalidade estabelecer o percentual das pessoas envolvidas no estudo em mostrar se fazem uso de medicamento para auxílio no tratamento da hipertensão.

Gráfico 5 – Faz uso de medicamentos

Com a análise dos dados obtidos, podemos observar um percentual de (100%) das pessoas que utilizam algum tipo de medicamento para tratamento de sua doença. O medicamento mais citado pelos usuários é o Captopril e Enalapril, ambos inibidores da enzima conversora da angiotensina (ECA). Assim, segundo a SBH (2010, p. 26), “são eficazes no tratamento da HAS, reduzindo a morbidade e a mortalidade cardiovasculares nos

100% 0%

Faz uso de medicamentos

Sim Não

hipertensos”, tornando seu uso cauteloso e controlado por períodos determinados pelo médico que os prescreveu.

No entanto, fazer uso somente de medicamento para o tratamento, seria uma maneira prática, porém não saudável. Dessa maneira, se utilizar o tratamento medicamentoso em conjunto com o tratamento não medicamentoso, pode-se obter resultados ainda melhores do que se espera só do medicamentoso, fazendo que, com o passar do tratamento, possa estar diminuir ou até cessar o uso de medicamentos. Como destaca Sabaté (2003), ao prosseguir com esse tipo de tratamento, pode encontrar uma melhora significativa nos níveis pressóricos, juntamente com uma diminuição das complicações da hipertensão arterial sistêmica.

Quando questionados em respeito aos hábitos que sentiram necessidade de mudar ao ser diagnosticado hipertenso, foram constatados pelos gráficos a seguir, cerca de (79%) dos pacientes da unidade básica de saúde presumiram haver mudanças nos seus hábitos de vida após o diagnóstico da hipertensão (mudanças por parte da alimentação e prática regular de atividade física). Outros (21%) se preocuparam somente com o uso do medicamento para tratar de sua doença após o diagnóstico. Do mesmo modo que o estudo de Alves e Calixto (2012) constatou cerca de (62,2%) dos participantes da pesquisa mudaram seus hábitos de vida pós-diagnosticado ser hipertensos, sendo a maioria mudanças na dieta alimentar e hábitos de vida.

Gráfico 6 – Mudança de hábito depois de diagnosticado ser hipertenso

67% 12%

21%

Hábitos que sentiu necessidade de mudar

quando descobriu ser hipertenso

Alimentação

Praticar exercícios físicos Usar medicamentos

Gráfico 7 – Você pratica algum exercício físico

Cabe ressaltar que, com os resultados mostrados nos gráficos acima, podemos esclarecer que num total de (100%) dos participantes da pesquisa, apenas (29%) praticam algum exercício físico e outros (71%) estão ausentes da atividade física. Próximo ou em concordância com os dados obtidos na pesquisa de Girotto et al (2013), que constataram com a mesma um porcentual de (17,7%) dos pacientes participantes do estudo praticam regularmente exercício físico em seu tratamento, também constatando na mesma pesquisa um índice de (69,1%) daqueles pacientes que referiram mudar a dieta alimentar em mudanças nos hábitos de vida, semelhante ao valor (67%) encontrado na presente pesquisa realizada no ESF-Weber.

Os dados obtidos anteriormente mostram a importância do acompanhamento de um educador físico na equipe multidisciplinar da unidade básica de saúde. Assim, o educador físico inserido em meio à equipe multidisciplinar, qualificará as orientações oferecidas em relação ao tratamento não medicamentoso dos pacientes frequentadores da unidade básica de saúde. Com isso, as orientações oferecidas terão um pressuposto de fazer com que as pessoas a partir das informações estabelecidas pela educação em saúde exercida serão capazes de tomar decisões para prevenção/tratamento das doenças, contudo haverá mudanças nos hábitos e comportamentos saudáveis, tendo dessa maneira uma maior aderência a prática regular de exercício físico.

29%

71%

Você pratica algum exercício físico

Sim Não

Gráfico 8 – Fatores da não adesão à prática de exercício físico

Os dados apresentados no gráfico nº8 mostram alguns dos fatores da não aderência dos (71%) dos pacientes a praticarem exercícios físicos com regularidade. Com base nos dados, constatamos um porcentual de (20%) condizerem à falta de tempo como fator da não adesão, seguido de (27%) por falta de espaço apropriado como outro fator. A falta de orientação à prática de exercício físico ficou com (3%) dos participantes e, por último, o porcentual de (50%) dos pacientes citaram outros fatores determinantes para a não adesão. Portanto, dentre eles se destacam a falta de motivação para começar a praticar, dores em algumas partes do corpo que impedem ou desmotivam a prática e a falta de um educador físico no auxílio das atividades físicas.

20%

27% 3%

50%

A não adesão a prática de exercício físico

Falta de tempo

Falta de espaço apropiado Falta de orientação Outros

Gráfico 9 – Exercícios físicos mais praticados

Gráfico 10 – Exercício físico mais indicado ou estabelecido pelos profissionais

75% 25%

Exercícios mais praticados

Caminhada Ginástica localizada

100%

Exercício físico mais orientado à praticarem

Gráfico 11 – Frequência semanal da prática de exercício físico

O gráfico nº9 mostra qual é o tipo de exercício físico mais praticado pelos pacientes orientados. Com a análise dos dados, percebeu-se que (75%) das pessoas são praticantes de caminhada e os outros (25%) praticantes de ginástica localizada. Ambos os exercícios físicos destacados são de característica aeróbica. Utilizam-se dessa maneira de um tipo de exercício físico praticado de forma contínua, porém com uma velocidade reduzida e o tempo de duração maior, caracterizando como uma atividade de intensidade moderada e suave.

Os exercícios físicos são realizados com uma frequência semanal variada de pessoa a pessoa conforme as condições de cada um. A variação da frequência semanal estabelecida pode estar sendo vista no gráfico nº11, seguindo a variação de uma vez na semana, bem como chegando até cinco vezes semanais. Por conta destes dados, observa-se que grande maioria dos pacientes pratica o exercício físico duas a três vezes semanais, ficando com (34%) das pessoas que praticam duas vezes e (33%) das pessoas que praticam três vezes.

Foram estabelecidos, com a análise, que a aderência da maioria das pessoas em praticar caminhada diária se dá pelo fato da orientação estabelecida pelos profissionais que os estão orientando. Segundo Nieman (1999, p. 47), “[...] um nível de atividade um pouco maior, o equivalente a uma caminhada vigorosa de 3,2km a 4,8km todos os dias da semana” propõem diminuir riscos de doenças coronarianas.

8%

34%

33% 8%

17%

Qual é a frequência semanal da prática de

exercício físico

1x 2x 3x 4x 5x

Gráfico 12 – Foi atendido por quais profissionais a não ser pelo médico

Ao questionar os pacientes sobre, por qual/quais profissionais da saúde recebeu atendimento gratuitamente a não ser pelo médico. Com os dados obtidos, houve um percentual de (7%) que responderam ter consulta com psicólogo, seguindo com percentual de (12%) que informaram ter sido atendido por fisioterapeuta. Outros (19%) não receberam atendimento por outros profissionais. Os outros (62%) receberam atendimento do(a) nutricionista, comprovando com isso uma grande importância do(a) nutricionista em orientar os pacientes aos cuidados com a alimentação, ficando por conta do(a) nutricionista fornecer informações relacionadas a dieta alimentar, sendo assim, uma das principais orientadoras em função da alimentação equilibrada, contribuindo com as mudanças nos hábitos de vida das pessoas.

É oportuno destacar que as orientações recebidas sofrem limitações no que diz respeito à abrangência do caso estudado. Essas limitações ocorrem por diversos fatores, sendo um deles observado pelo número baixo de profissionais atuando na equipe multidisciplinar, ficando complicado atuar com um número grande de pessoas tendo um acompanhamento aprofundado no caso individual de cada paciente. Desse modo, o paciente deve se envolver nas ações recebidas pelos profissionais, com intuito de adentrar ao tratamento proposto criando uma sustentabilidade das ações e manutenção da saúde.

62% 7%

12% 19%

Recebeu atendimento por qual/quais

profissionais de saúde gratuitamente a não

ser pelo médico

Nutricionista Psicólogo Fisioterapeuta Não recebeu

O gráfico a seguir mostra a satisfação dos pacientes com o atendimento recebido na unidade básica de saúde. Com índices de (79%) para os que estão satisfeitos com o atendimento recebido e (21%) insatisfeito com o mesmo.

Gráfico 13 – Satisfação com o atendimento

Gráfico 14 – Sugestões de melhorias no atendimento recebido

79% 21%

Está satisfeito com o atendimento prestado

na unidade básica de saúde

Sim Não

22%

68% 10%

Motivos de insatisfação com o atendimento

recebido na unidade básica de sáude e/ou

sugestões de melhorias

Mais médicos

Não faltar medicamentos Nutricionista

As pessoas insatisfeitas com atendimento recebido foram questionadas sobre qual é o motivo da insatisfação/melhoria que pode estar sendo atribuída ao atendimento, (22%) das pessoas responderam que é preciso auxílio de um maior número de médicos, outros (68%) das pessoas se preocuparam com o medicamento, mencionando a falta de medicamentos e (10%) das pessoas informaram ser importante à inserção de um (a) nutricionista na unidade básica de saúde, sendo esse um fator em que no Município realizado a pesquisa, conta com uma nutricionista atendente pelo SUS. A nutricionista por sua vez, fica responsável por todas as unidades básicas de saúde do Município. Assim, os médicos responsáveis pelos grupos nos ESF encaminham quando necessário os pacientes a realizarem consultas com a nutricionista que atende pelo SUS.

Essa falta de nutricionista inserido nas equipes multidisciplinares dos ESF tende a fazer com que fique mais defasado o acompanhamento e progresso do tratamento, sabendo que o (a) nutricionista assume um papel fundamental no tratamento não farmacológico. Dados obtidos com o gráfico nº14 mostram que outros profissionais da saúde que auxiliam nas mudanças de hábitos de vida, bem como os que tratam da prevenção das doenças crônicas, acabam que esquecidos ou com menor valorização do que os médicos para o tratamento.

Gráfico 15 – A importância da inserção de educador físico na unidade básica de saúde

Quando perguntados se, em suas opiniões, achavam importante a inserção de educador físico na unidade básica de saúde no auxílio do tratamento da hipertensão, (95%)

95% 5%

Concordância da inserção de Educador Físico

na unidade básica de saúde

Sim Nâo

responderam que é importante ter o acompanhamento de um educador físico inserido no meio, outros (5%) acharam não precisar de educador físico como auxílio, estando satisfeito da maneira que está. Isso mostra que a população está com um olhar mais digno da importância em se ter uma equipe multidisciplinar ampla atendendo em áreas distintas da saúde, visando um tratamento mais adequado para as pessoas que irão frequentar ou estão frequentando os grupos em diferentes unidades básicas de saúde espalhadas pelo Brasil.

4.2 ORIENTAÇÕES OFERECIDAS PELOS PROFISSIONAIS E SATISFAÇÃO COM O

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