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Origem e formas de construção dos mapas conceituais

No documento PR Sonia C Ferrari (páginas 36-39)

2. FUNDAMENTAÇÃO TÉORICA

2.6. Mapa Conceitual: Uma ferramenta para a Aprendizagem Significativa

2.6.1 Origem e formas de construção dos mapas conceituais

A técnica de construção dos mapas conceituais foi desenvolvida na década de 70 por Joseph Novak, professor da Universidade de Cornell. Novak dedicou-se a realizar estudos de longo prazo para dar sustentação à TAS de Ausubel. No decorrer dos estudos, Novak e seus colaboradores sentiram a necessidade de criar uma técnica para registrar o conhecimento ao longo do tempo. Para transcrição dos dados coletados, Novak desenvolveu uma estrutura hierárquica de conceitos e os relacionamentos entre os conceitos. Essa estrutura hierárquica é o que se denomina mapa conceitual.

Segundo o próprio Novak, “os mapas conceituais são considerados instrumental importante para organizar e representar o conhecimento, pois evidenciam por meio de proposições ou enunciações elucidativas, as conexões estabelecidas entre as ideias chave” (apud SOUZA; BORUCHOVITCH, 2010, p. 201)5. As proposições que compõem os mapas conceituais são formadas por dois ou mais conceitos unidos por uma palavra de ligação, que podem ser verbos conjugados, locuções verbais ou preposições (NUNES, 2011).

A construção de mapas conceituais pode ser feita com a utilização de figuras, papel sulfite, lápis, pincel atômico ou com o uso de computadores por meio de softwares instalados ou programas on-line, dentre eles destaca-se o Cmapp Tools. Esse software foi desenvolvido em 1995 pelo IHMC (Institute for Human Machine Cognition da University of West Florida) sob a supervisão do Doutor Alberto Canas. O Cmapp Tools permite ao aluno construir, navegar, compartilhar e criticar conceitos representados com os mapas conceituais. É um aplicativo de download gratuito para fins pedagógicos, podendo ser utilizado livremente por escolas, universidades e entidades sem fins lucrativos. Ao acessar a tela inicial do programa surgem retângulos e os conceitos podem ser escritos e depois interligados por linhas, que

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contêm espaço para o registro de palavras que expressem a relação entre os conceitos. O programa pode ser instalado no computador e o usuário fica independente do acesso à internet para operação. O download do programa Cmapp Tools encontra-se disponível no seguinte endereço:http://cmap.ihmc.us/cmaptools/.

Segundo Cabral (2003), uma das características mais importantes no uso do Cmap Tools, é a possibilidade que o programa permite de exportar os mapas com outros formatos. Essa operação permitirá que o mapa esteja disponível para ser acessado.

O IHMC, quando criou o programa, desenvolveu duas ferramentas que se complementam na construção dos mapas conceituais, conforme Cabral (2003, p. 2):

- Cmap Tools – é utilizado para fazer a autoria dos mapas conceituais, onde o usuário desenvolverá toda a elaboração e criação dos mapas.

- Cmap Server – é utilizado para armazenar mapas e seus recursos permitindo que o usuário compartilhe os mapas conceituais através da internet para trabalhar de forma colaborativa com outros usuários.

A cada nova versão do Cmap Tools lançada pelo IHMC, são criados mais recursos e disponibilizados em rede gratuitamente tendo como base os princípios da TAS sobre a construção do conhecimento e os estudos de Joseph Novak.

O Cmap Tools permite modificar a aparência do mapa e pode agregar várias funcionalidades como destaca Nunes (2011, p. 3):

Além da possibilidade de alterar um texto, escrevendo, apagando e formatando com facilidade, utilizar uma ferramenta tecnológica nos oferece uma infinidade de aplicações através da internet [...]. Em um mapa podemos agregar aos conceitos imagens, vídeos, páginas web, textos, planilhas, apresentações e inclusive outros mapas conceituais.

Conforme Marriott e Torres (2007), em um único conceito podem ser indexados até treze recursos, que são representados com um ícone distinto. Ainda outro recurso importante do Cmap Tools é a gravação. Um mapa pode ser gravado desde o início permitindo um acompanhamento posterior de todo o processo de construção. De acordo com Nunes (2011), foi após a criação das ferramentas informatizadas na década de 90, que o uso dos mapas conceituais foi ampliado pelas possibilidades que os softwares permitem para a elaboração destas ferramentas.

Desta forma, a utilização desse programa convida o professor a incluir em sua prática docente estratégias de ensino diferenciadas. No entanto, é importante ressaltar que o seu uso

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sem reflexão, sem uma fundamentação teórico/prática sobre a TASC, não conduz a resultados de aprendizagem efetivos. O uso eficiente dos softwares educativos aliados à mudança na prática pedagógica do professor pode ser um dos caminhos para a melhoria na aprendizagem dos conceitos de zoologia na disciplina de Ciências Naturais.

Outrossim, o uso de mapas conceituais pode contribuir na construção de capacidades como investigação, busca de informações, capacidade de análise e síntese, capacidade de classificar e ordenar conceitos e, ainda utilizando os softwares, os mapas podem favorecer o trabalho colaborativo no ambiente educacional (NUNES, 2011). A ferramenta pedagógica mapa conceitual pode ser usada em qualquer nível de escolaridade, entretanto, é recomendável que o professor a utilize quando o aluno já tem certa familiaridade com o assunto que será estudado. Segundo Delizoicov (2011, p. 290) “ [...] a construção de redes ou mapas conceituais, permite visão global e estruturada do tema, agora contemplado pelo pensamento científico”.

É comum, segundo Marriott e Torres (2007), que alguns alunos achem difícil, complicado, necessitando de bastante tempo para estabelecer as relações entre os conceitos. Essa dificuldade decorre do fato de que eles têm um conhecimento superficial dos conceitos e de suas relações, porém, é exatamente nesse exercício que o aluno compreende como tais conceitos estão ligados e a sua hierarquia. É também nesse exercício que ocorre a transformação das estruturas cognitivas que caracteriza a aprendizagem significativa. Em decorrência da dificuldade encontrada, os alunos podem ser mostrar frustrados e oporem-se à construção do mapa conceitual. Para minimizar essas atitudes, o professor precisa auxiliar os alunos e motivá-los para a atividade, fornecendo um feedback construtivo, pois, ainda de acordo com as autoras, à medida que a construção dos mapas se torna mais conhecida, os alunos vão aprendendo quais as palavras de ligação mais usadas e vão ficando mais confiantes no seu trabalho.

Cabe lembrar que os mapas conceituais podem ser confeccionados tanto pelos alunos quanto pelos professores. Eles podem ser usados para sintetizar o conteúdo de uma única aula, para organizar os conceitos a serem estudados em uma unidade ou até mesmo durante todo o ano letivo. Essa ferramenta não é autoexplicativa e, por isso, o professor ao elaborar o mapa precisa explicá-la ao aluno; também, quando o professor quer investigar os conceitos utilizados pelo aluno, deve pedir que este explique as relações expressas no mapa (MOREIRA, 2009c).

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Como os mapas conceituais tem por objetivo investigar os conhecimentos em determinado período de tempo e a TAS destaca que a aprendizagem é um continuum, não existe mapa conceitual correto ou errado. Nesse sentido, Moreira (2009c, p. 08) afirma:

Um professor nunca deve apresentar aos alunos o mapa conceitual de um conteúdo e sim um mapa conceitual para esse conteúdo segundo os significados que ele atribui aos conceitos [...]. De maneira análoga, nunca se deve esperar que o aluno apresente na avaliação o mapa conceitual “correto” de um certo conteúdo. Isso não existe. O que o aluno apresenta é o seu mapa e o importante não é se esse mapa está certo ou não, mas sim se ele dá evidências de que o aluno está aprendendo significativamente o conteúdo (grifo do autor).

Dessa forma, os mapas conceituais podem ser utilizados como um recurso para avaliação, na perspectiva de explicitar a construção do conhecimento pelo aluno. Outras potencialidades dos mapas conceituais para o ensino de Ciências Naturais encontram-se descritas na continuidade deste capítulo.

2.7. Estratégias com mapas conceituais – um elemento inovador no ensino da

No documento PR Sonia C Ferrari (páginas 36-39)