PARTE II “QUEM SOU EU?”
3.3. Orkuticídio: assassinato ou suicídio do espectro virtual?
O contraponto dos perfis sem corpos são os corpos sem perfis, sujeitos que optaram por encerrar sua conta no Orkut e assim, cometeram Orkuticídio 12, assassinato-
suicídio do espectro virtual. A prática, de caráter ambivalente, constitui assassinato quando se toma o espectro como “eu mesmo-outro”; mas também é suicídio porque só é possível atentar contra o espectro sendo este próprio espectro. No Orkut, há pelo menos 46 comunidades relativas; a maior, com 6419 membros, chama-se Já pensei em fazer Orkuticídio 13. As
justificativas frequentes dadas por quem já pensou ou de fato cometeu (mas voltou, criando um novo perfil) denunciam, no conjunto, que esse espaço de visibilidade fomenta práticas correlatas: o controle, a vigilância, a especulação e o roubo de identidade. Se, por um lado, novas ferramentas buscam assegurar mais privacidade no Orkut, por outro, acabam com parte da essência da plataforma. Nela, tudo parece perfeito e, exatamente por isso, absolutamente irreal.
Adriele: Pq t udo aqui e " perfeit o" ... t odos são lindos, int eressant es e cult os!
AHHH e sem cont ar que aqui t odo m undo s am a, m as quando lhe v na rua nem olha para a sua car a!
Figura 28. Resposta à pergunta Você já cometeu Orkuticídio? Enquete da comunidade Já pensei em fazer Orkuticídio (abr. 2007).
Enquanto alguns usuários relatam o desejo de sair para evitar fofocas, brigas e preservar sua privacidade, outros dizem que o Orkut perdeu a graça com essas novas ferramentas.
Bezinha: t o m or rendo de ódio do Orkut com esses cadeadinhos desgraçados Figura 29: Resposta à pergunta Você já cometeu Orkuticídio? Enquete da comunidade Já pensei em fazer Orkuticídio (abr. 2007).
12 “Para quem não sabe Orkuticídio é um suidídio da sua vida no Orkut: é quando você tem um perfil,
tem amigos, scraps, fãs, depoimentos mas por causa de algum problema ou neura deleta o seu próprio perfil!! Não façam isso!! Conversem comigo antes!! Faço terapia contra Orkuticídio!!” (Texto descritivo da comunidade Vida após o Orkuticídio, 19 jan. 2009).
Há quem tenha saído simplesmente para testar se seus amigos sentiriam sua falta no Orkut. Dos 432 membros que responderam à enquete Você já cometeu Orkuticídio? (pergunta postada em maio de 2007), apenas 35% disseram que sim. Aqueles que não cometeram, mas já pensaram no assunto, dizem não fazerem por medo de se arrepender depois, já que é trabalhoso construir o perfil e reunir os “amigos”. Há uma constante referência ao sentimento de que “viver” no Orkut constitui um “vício”. Será esse um dos efeitos do “feitiço” da imagem, ser e viver na imagem?
Henrique Mart ins: Fala pra m im ... O que eu ir ia fazer na I nt ernet t odos os dias sem que eu t ivesse Orkut ? O que t em de I NTERESSANTE na I nt ernet , por em quant o, m elhor que o Orkut ? Tem coisa m ais div ert ida que conversar e conhecer pessoas pelo Or kut ? Quando alguem invent ar coisa m elhor eu delet o o m eu.
Figura 30: Resposta à pergunta Você já cometeu Orkuticídio? Enquete da comunidade Já pensei em fazer Orkuticídio (abr. 2007).
A comunidade Orkuticídio é coisa de idiota 14 deixa claro o que pensa sobre o
assunto:
A pessoa cria seu perfil no Orkut, reúne amigos, entra em comunidades, debate, bisbilhota, faz novos amigos, fica horas e horas conectado ao Orkut... até que um certo dia, sem mais nem menos, acorda de cu virado e começa achar que o Orkut perdeu a graça e quer deletar seu perfil. A ideia vai tomando conta de sua cabeça, até que um certo dia... deleta sua conta. Se fudeu e mostrou que é um completo idiota. Algum tempo depois o(a) idiota se arrepende do que fez, cria uma nova conta no Orkut e perde o maior tempo tentando reunir seus amigos de volta. TÁ VENDO IDIOTA? SE TINHA CANSADO DO ORKUT PRQ NÃO FICOU ALGUNS DIAS SEM POSTAR NO ORKUT INVÉS (sic) DE DELETAR SUA CONTA? Já vi vários idiotas fazerem isso (eu fui um desses idiotas). Orkuticídio é coisa de IDIOTA. O Orkut serve para reunir amigos e debater ideia. Quem conhece o
Orkut não vive mais sem ele. Pensar em Orkuticídio é sinal de impulsividade.
Se, por um lado, a prática do Orkuticídio relaciona-se com a ideia de morte do usuário no Orkut, o retorno à plataforma é considerado uma espécie de “reencarnação”. De acordo com a comunidade Vida após o Orkuticídio 15, esta vida existe para “todos que já
saíram do Orkut uma vez e “reencarnaram” em outro perfil”.
O texto descritivo da comunidade Diga não ao Orkuticídio 16 também chama
atenção. Cada amigo que fecha sua conta no Orkut é um amigo a menos à disposição na plataforma:
Orkuticídio, desativamento, se deletar..chamem como quiser! É um saco, um
porre, uma tristeza do caralho quando um ente queridíssimo se deleta cara. E não precisa nem ser queridíssimo, um amigo próximo mesmo, aquela pessoa que vc simpatiza, sempre conversar, sempre está ali com vc. Então é por isso que temos que dizer NÃO a isso haushaushaus ;).
Por fim, uma resposta deixada no fórum da comunidade Vou cometer Orkuticídio
17 é muito interessante:
Bene: ADEUS. Faz um a sem ana que ent r ei nest a com unidade. Queria ver com o sobreviv e um a com unidade sobre Orkut icio. DESCOBRI ! ! ! Ninguém aqui com et e
Or k u t icio. Est ou desligando da com unidade. FUI ...
Figura 31. Resposta ao tópico Uma semana. Fórum da comunidade Vou cometer Orkuticídio (mar. 2007).
16 www.Orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=19763150. 22 membros. 19 jan. 2009.
17 www.Orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=7446358&tid=2519833316586307355& start=1.
CONCLUSÃO
O potencial de indexação das plataformas ciberculturais
A recorrente expressão “Te encontrei no Orkut!” reflete o potencial identificatório do perfil e sua capacidade de ser tomado como o próprio sujeito (já que raramente os usuários expressam-se dizendo que encontraram “o perfil” de alguém no Orkut). Além de ilustrar o senso comum de que Orkut é um “lugar” (no qual é possível “entrar”, “encontrar”, “sair”, “retornar” etc.), ser “encontrado” no Orkut sinaliza, sobretudo, a eficiência dos dispositivos de visibilidade que conferem acessibilidade a uma instância do eu diretamente ligada à auto- estima. Trata-se de uma nova forma de sociabilidade (da leitura anônima dos dados expostos à vinculação, conversação e demonstração de afeto) e mesmo da convocação constante da alteridade na construção e manutenção da identidade-perfil. Cada usuário é, em parte, aquilo que diz de si mesmo somado ao que seus amigos podem testemunhar sobre o que ele é. Ele próprio participa de cada outro ao qual está tecnologicamente vinculado. Por meio do perfil, o sujeito integra a interface do Orkut e é por ela perpassado (COUCHOT, 1993, 2003; MACHADO, 2007); pode reproduzi-la em si e é multiplicado por ela, conformando uma rede de amigos que são, a um só tempo, conteúdos, páginas de navegação, emissores e audiência.
O projeto de fazer coincidir identidade e perfil leva o sujeito à produção desenfreada de informações sobre si. Tanto a análise das informações disponibilizadas pelo
Orkut aos que desejam utilizar seus serviços quanto a análise das telas de cadastro e
preenchimento do perfil que constituem parte do processo de transposição sígnica 1 do eu
permitem que se entreveja, na fomentação e incentivo à construção de redes sociais para interação entre usuários, uma plataforma que sobrevive de administrar informações. Por isso, estar no Orkut é dar lastro ao hipergerenciamento cibercultural praticado pelas plataformas virtuais de relacionamento, na medida em que os sujeitos, publicados, são indexados, classificados e analisados para fins comerciais. Haja vista que o Orkut reserva-se o direito de monitorar e tratar todos os dados em tráfego por meio dos recursos da plataforma, além de e- mail ou SMS. Endereços de e-mails, números de telefone, operadora de celular associada ao número do telefone, horário das transações e o conteúdo das mensagens são coletados e utilizados para “operar, desenvolver e aperfeiçoar” os serviços prestados pelo Google (AVISO DE PRIVACIDADE DO ORKUT, 2009). Conteúdos e fotografias disponibilizadas no Orkut podem ser indexadas como resultados de buscas feitas pelo Google.
Quando você convida novos membros a participarem da sua rede ou envia mensagens pelo serviço do Orkut, o Google coleta e armazena as
informações associadas às mensagens, incluindo os endereços de e-mail e o conteúdo. [...] O Google usa os dados coletados para operar, desenvolver e
aperfeiçoar nossos serviços. Os fornecedores terceirizados do Google
também podem coletar dados sobre o uso de SMS do usuário com a
finalidade de fornecerem o serviço. Além disso, sua operadora de celular
coleta dados sobre sua mensagem SMS. (AVISO DE PRIVACIDADE DO
ORKUT, 2009, grifo próprio).
Embora o usuário possa encerrar sua conta a qualquer momento, esta pode não acontecer em tempo real, com destaque para as possíveis cópias residuais em sistemas de
backup:
Se você encerrar sua conta, seu perfil, incluindo quaisquer mensagens contidas na sua caixa de entrada, será removido do site e excluído dos servidores do Orkut. Devido à maneira como a manutenção deste serviço é feita, essa exclusão pode não ser imediata, e cópias residuais dos dados do seu perfil poderão permanecer em dispositivos de backup. (Ibid., 2009).
Na medida em que há congruência entre o cadastro preenchido pelo usuário e o conjunto de páginas que formam o seu perfil – a criação da conta pressupõe a virtualização da identidade, cuja construção no ambiente depende da articulação dos recursos tecnológicos disponíveis na plataforma, e a primeira fase do preenchimento do perfil corresponde exatamente à página de cadastro, pode-se afirmar que a composição de si em mensagem é prostar-se para uma hiper-varredura que a tudo e todos rastreia, perscruta, analisa, cataloga, recupera e indexa.
Para ilustrar, registre-se o fato de que o Ibope desenvolveu uma ferramenta de pesquisa que avalia a percepção dos usuários do Orkut sobre marcas, produtos e serviços (CARPANEZ, 2008). Assim, os serviços (invasivos) de publicidade direcionada podem valer- se uma vez mais dos mecanismos de vigilância e indexação de comportamentos no
cyberspace. Aliás, é significativo o desenvolvimento de softwares cada vez mais sofisticados
na tarefa de filtrar, relacionar, classificar e agrupar perfis. O excesso informacional oriundo da tentativa diária de fazer com que a identidade-perfil corresponda em absoluto com o sujeito- usuário torna cada vez mais imprecisa as identidades próprias – o que é bastante paradoxal.
Cabe lembrar que a circunscrição do sujeito na virtualidade do Orkut articula simultaneamente dois parâmetros: o da identificação, sob o qual ocorrem as vinculações comunitárias com base em fragmentos de afinidades; e o da diferenciação, sob o qual o sujeito buscará compor um perfil que o identifique como único e distinto dos demais na rede. As
comunidades revelam o aspecto “uno” da subjetividade humana: nelas, os perfis reconhecem- se como iguais; sua multiplicidade é agrupada, acomodada e uniformizada. No perfil, as comunidades são convocadas para compor um mosaico singular, e distinguir-se-á dos outros nas dinâmicas da escolha (inclusão/exclusão) e da combinação (a + b não é o mesmo que a + c). O sujeito precisa do outro para estabelecer suas fronteiras: a identidade é relacional e a visibilidade mediática não faz sentido sem que haja audiência.
Associar-se a esta ou aquela comunidade constitui parte do discurso auto- referencial; entretanto, o número de comunidades é tão grande e a fragmentação temática chega a tal ponto 2 que o outro perde a visão do conjunto que poderia definir precisamente os
contornos desse “alguém”. Conforme Lipovetsky (1989, p. 53), “quanto mais o eu é investido, feito objeto de atenção e de interpretação, mais a incerteza e a interrogação crescem”; o eu jaz corroído, “esvaziado da sua identidade”.
Ao ceder às seduções que o levam a falar de si, “os sujeitos não estariam mais do que alimentando as vorazes engrenagens da sociedade industrial, que precisa saber para aperfeiçoar seus mecanismos” (SIBILIA, 2008, p. 70); a violência do fazer falar acentua o caráter da “confissão” como dispositivo de poder.
Os adolescentes equipados com confessionários eletrônicos portáteis são apenas aprendizes treinando na arte de viver numa sociedade confessional – uma sociedade notória por eliminar a fronteira que antes separava o privado e o público, por transformar o ato de expor publicamente o privado numa virtude e num dever públicos, e por afastar da comunicação pública qualquer coisa que resita a ser reduzida a confidências privadas, assim como aqueles que se recusam a confidenciá-las. (BAUMAN, 2008, p. 9-10).
A publicação de sujeitos no hiperespetáculo ciberespacial, apesar do ludismo que reveste a prática como interessante passatempo, positiva a espectralização do capitalismo e naturaliza todas as violências decorrentes da desvalorização do corpo, do território e da alteridade. Nesse sentido, não há como desdenhar “a relevância dos laços incestuosos que amarram essas novas tecnologias ao mercado, instituição onipresente na contemporaneidade, e muito especialmente na comunicação mediada por computador” (SIBILIA, 2008, p. 23).
Diversão, anonimato e segurança, na intangibilidade do corpo-sígnico, são impressões falaciosas que fomentam o aprofundamento dos processos de espectralização da existência e projeção do eu em redes sociais. Entretanto, devem ser consideradas significativas as aparições do Orkut na imprensa, sempre associado a casos que repercutem
2 Há, por exemplo, uma comunidade intitulada Eu dirijo caminhão sem camisa, o que pressupõe que
dirigir sem camisa seja absolutamente suficiente para demarcar um diferencial com o outro grupo, que também dirige caminhão, mas com camisa.
para além da esfera abstrata-tecnológica da rede: sequestro, pedofilia, tráfico de drogas, prostituição, vandalismo, calúnia e difamação. O link “denunciar abuso”, disponível nos perfis ou nas páginas iniciais das comunidades, permite que sejam denunciados casos de exposição de nudez, declarações de ódio e incitação de violência, ataques contra uma pessoa, exposição de conteúdo ilegal ou protegido por direitos autorais, invasão de comunidade ou conta pessoal, roubo de identidade e spam.
Nesse sentido, é interessante notar que as tecnologias que suplantam a distância geográfica, transformando o espaço em “ciberespaço”, não servem à aproximação fraternal e à criação de “vínculos mais sadios, reais, de carne e osso, que nos alimentem a necessidade humana de fazer parte de um tempo e um espaço de vida” (BAITELLO Jr., 2005, p. 29), pois mediatizam as relações com barricadas imagéticas que mantêm o outro à distância, sob a vigilância do olhar. Resguardados o corpo físico no bunker tecnológico (TRIVINHO, 2007a) e a identidade sob a carapaça sígnica, mantém-se a ilusão de estar a salvo da violência do outro, no território, em uma aparente proximidade. Empreende-se uma hipertrofia da visão em detrimento dos outros sentidos, e a produção de mais e mais imagens só faz acentuar o medo vigente que tangencia a espectralização do mundo.
Esse reenvio permanente, convergente e sistemático à nossa identidade esclarece o papel do computador como espelho da nossa insegurança. A nós, aterrorizados pela solidão, pelo estar juntos, o computador oferece um compromisso, uma solidão... convivial, uma nova fusão, de um romantismo de outro tipo, que permite aqui uma efusão, não em perfeito amor a dois, mas com um segundo eu. Compromisso esquizoide entre solidão e medo da intimidade. (SFEZ, 1994, p. 251).
A crescente in-formação do sujeito que implica a problemática da indexação sígnica. Kamper (2003) chama a atenção para o caráter totalitário da transposição do mundo em imagens, revestindo-o de uma natureza fantasmagórica. Nesse sentido, a semiótica da cultura tem apontado os contornos eólicos de um novo tipo de catástrofe: o nomadismo virtual (BAITELLO Jr., 2007). As informações, capilarizadas pela rede virtual, permeiam e invadem casas, escritórios e santuários, arrastando consigo o olhar de um corpo que permanece sentado, sedado, atrofiado em seu acoplamento à máquina. Deste, apenas as pontas dos dedos parecem, ainda, ter vida.
Esse novo homem que nasce ao nosso redor e em nosso próprio interior de fato carece de mãos. Ele não lida mais com as coisas, e por isso não se pode mais falar de suas ações concretas, de sua práxis ou mesmo de seu trabalho. O que lhe resta das mãos são apenas as pontas dos dedos, que pressionam o teclado para operar com os símbolos. O novo homem não é mais uma pessoa
Para ele, a vida deixou de ser um drama e passou a ser um espetáculo. (FLUSSER, 2007, p. 58).
Sob a coerção da codificação generalizada do mundo e da virtualização dos espaços de convivência no agora-nulo 3 do ser/estar em rede, resta ao sujeito empreender a
“desescalada dimensional” (cf. Kamper apud VIVIANI, 2007) rumo à abstração, transformando-se em informação, essa não-coisa impalpável, intangível e inapreensível, embora decodificável (FLUSSER, 2007, p. 54-55). De acordo com a concepção flusseriana para a qual “a forma é o como da matéria, e a matéria é o o quê da forma” (FLUSSER, 2007, p. 27), é possível falar de in-formação do sujeito, ou seja, transposição da substância subjetiva (amorfa) como preenchimento transitório de formas atemporais. Na ordem vigente, os processos de espectralização da existência são indispensáveis para que se tenha acesso e se possa fazer uso das redes sociais interativas. Entretanto, a codificação de si em imagem/informação acede à hiper-varredura das grandes plataformas, tornando o sujeito passível de ser rastreado, perscrutado, analisado, catalogado, recuperado e indexado (DAL BELLO, 2007a).
O hipergerenciamento cibercultural, possibilitado pela espectralização das existências em espaços de exposição e vigilância permanentes, hiperlinkam os corpos sígnicos uns aos outros nas redes de contato e indexam as identidades-conteúdos no conjunto de seus pormenores hipertextuais. No final, o processo apresenta-se com a superficialidade e o descomprometimento de um passa-tempo divertido em que é possível dar-se a ver e também espiar; contudo, a responsabilidade por possíveis consequências recai única e exclusivamente sobre os sujeitos:
Compreendemos que muitos usuários desejem proteger a privacidade de seus perfis no Orkut.com. Nosso objetivo é oferecer uma plataforma aberta para nossos usuários interagirem, mas também oferecemos várias opções para você proteger sua privacidade. Antes de tudo, recomendamos jamais postar
qualquer informação pessoal cujo acesso a terceiros você deseje evitar. (RECURSOS DE SEGURANÇA DO PERFIL, 2007, grifo nosso).
3 Licença poética referente à presentificação do tempo real (“agora”) que anula o espaço geográfico
SOBRE A AUTORA
Cíntia Dal Bello, 31, é bacharel em Publicidade e Propaganda pela Universidade Cruzeiro do Sul, especialista em Marketing e Comunicação pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero e especialista em Cultura e Meios de Comunicação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Atuou profissionalmente como publicitária e consultora de comunicação e marketing. De 2003 a 2007, lecionou no curso de Comunicação Social e cursos de Tecnologia da Universidade Cidade de São Paulo. Ingressou no Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo em 2007; seu projeto de pesquisa de Mestrado, orientado pelo Prof. Dr. Eugênio Trivinho, angariou bolsa CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) em agosto de 2007. Desde 2008, é professora e coordenadora do curso de Publicidade e Propaganda da Universidade Nove de Julho.
REFERÊNCIAS
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ARRAIS, Daniela. Crianças brasileiras ficam mais de 19h na internet por mês. Folha de São Paulo. 19 nov. 2008. Disponível em:http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ ult124u469351.shtml. Acesso em: 30 nov. 2008.
BAITELLO Jr., Norval. O animal que parou os relógios. São Paulo: Annablume, 1999.
________. O tempo lento e o espaço nulo: mídia primária, secundária e terciária. In: FAUSTO Neto, Antônio et al. (Org.). Interação e sentidos no ciberespaço e na sociedade. Porto Alegre:
EDIPUCRS, 2001. (Coleção Comunicação, 11. Compós; v.2).
________. A era da iconofagia: ensaios de comunicação e cultura. São Paulo: Hackers, 2005. ________. Las capilaridades de la comunicación. In: SARTORI, R. B. (Ed.), MUÑOZ, B. O. (Ed.) e VALENZUELA, V. H. (Ed.). Diálogos culturales. São Paulo: Annablume, 2007.
BAUDRILLARD, Jean. Simulacros e simulação. São Paulo: Relógio D´Água, 1991. ________. As estratégias fatais. Rio de Janeiro: Rocco, 1996.
________. A ilusão vital. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
________. Amor líquido: sobre a fragilidade das relações humanas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.
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BYSTRINA, Ivan. Tópicos da semiótica da cultura. São Paulo: Centro Interdisciplinar de Semiótica da Cultura e da Mídia, PUC-SP, 1995. Cópia reprográfica. 40 f.
CAILLOIS, Roger. Os jogos e os homens: a máscara e a vertigem. Lisboa: Cotovia, 1990.
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CHAUÍ, Marilena. Simulacro e poder: uma análise da mídia. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2006.
CHAVES, Érica; LUZ, Lia. A nova civilização on-line. Veja Tecnologia, São Paulo: Abril, Ano 40