2.7 Teorema do Mergulho de Whitney
3.1.5 Ortogonalidade e Operadores
Seja X um espa¸co normado e X′o espa¸co dual de X, se M ´e um subespa¸co de X, definimos M⊥ ={f ∈ X′ : f (x) = 0,∀x ∈ M}
e dizemos que ´e complemento ortogonal de M . De maneira dual, seja N subespa¸co de X′, definimos N⊥ ={x ∈ X : f(x) = 0, ∀f ∈ N}
e dizemos que ´e complemento ortogonal de N .
Para M ⊆ X e N ⊆ X′ sempre temos que M⊥ e N⊥ s˜ao fechados, e (M⊥)⊥ = M e (N⊥)⊥⊇ N.
Teorema 3.1.62. Seja M subespa¸co de X com X espa¸co de Banach. Ent˜ao (i) X′/(M⊥) ∼= M′ (via bije¸c˜ao linear isom´etrica)
(ii) Se M ´e subespa¸co fechado, ent˜ao (X/M )′ ∼= M⊥ (via bije¸c˜ao linear cont´ınua) em que ∼= quer dizer que existe uma bije¸c˜ao linear.
Demonstra¸c˜ao: (i) Defina ψ : X′/(M⊥) → M′ dada por ψ([f ]) = f|
M onde [f ] ∈ X′/(M⊥), ψ ´e claramente injetiva e linear. Para mostrar a sobrejetividade e a isometria, basta usar o Corol´ario do Teorema de Hahn-Banach 3.1.25.
(ii) Defina φ : M⊥→ (X/M)′dada por φ(f )([x]) := f (x) para f ∈ M⊥e todo [x]∈ X/M. Segue que φ ´e claramente linear e injetiva, vejamos a sobrejetividade. Seja f ∈ (X/M)′, defina g : X → K por g(x) = 0 para todo x ∈ M e g(x) = f([x]) caso x /∈ M.
Afirma¸c˜ao: g ´e linear e cont´ınua
(Linear) Se x e y est˜ao em M , temos que g(x + γy) = 0 = 0 + 0 = g(x) + γg(y). Se x e y n˜ao est˜ao em M temos que g(x + γy) = f ([x + γy]) = f ([x] + γ[y]) = f ([x]) + γf ([y]) = g(x) + γg(y). Vejamos o ´ultimo caso:
Suponha que x∈ M e y /∈ M. Note que x + γy /∈ M (caso contr´ario x + γy ∈ M, e como x ∈ M temos que y ∈ M, pois M ´e subespa¸co, o que ´e uma contradi¸c˜ao pois supomos y /∈ M). Assim,
g(x + γy) = f ([x] + γ[y]) = f ([x]) + γf ([y]), agora x ∈ M ent˜ao [x] = [0] e portanto f ([x]) = 0, segue que
g(x + γy) = f ([x]) + γf ([y]) = 0 + γg(y) = g(x) + γg(y) Em qualquer dos casos temos o desejado, logo g ´e linear.
(Continuidade) Primeiro lembre que ||.||X/M est´a bem definida, pois M ´e fechado. Veja que ||g(x)|| = 0 ≤ ||x|| se x ∈ M. Suponha agora que x /∈ M temos que ||g(x)|| = ||f([x])|| ≤ ||[x]||X/M = dist(x, M )≤ ||x|| j´a que 0 ∈ M. Donde g ´e cont´ınua, e portanto
g ∈ X′, e segue que φ(g) = f , e temos o desejado.
Vejamos o seguinte fato:
Fato 3.1.63. Seja T ∈ B(X, Y ) com X e Y espa¸cos de Banach. Ent˜ao (a) ker(T ) = (Im(T∗))⊥
(b) ker(T∗) = (Im(T ))⊥ (c) (ker(T ))⊥ ⊇ Im(T∗) (d) (ker(T∗))⊥ = Im(T )
Demonstra¸c˜ao: (a) e (b) seguem diretamente da defini¸c˜ao. Usando que para M ⊆ X temos que (M⊥)⊥ = M , de (b), obtemos que (ker(T∗))⊥ = Im(T ).
De (a) e usando que para N ⊆ X′ temos que (N⊥)⊥ ⊇ N segue que (ker(T ))⊥ ⊇ Im(T∗).
Proposi¸c˜ao 3.1.64. Seja T ∈ B(X, Y ) com X e Y espa¸cos de Banach. As seguintes afirma¸c˜oes s˜ao equivalentes:
(i) (ker(T∗))⊥ = Im(T ) (ii) Im(T ) ´e fechada (iii) (ker(T ))⊥ = Im(T∗)
(iv) Im(T∗) ´e fechada
Demonstra¸c˜ao: (i)⇔ (ii) Sempre vale que (ker(T∗))⊥= Im(T ). Suponha que (ker(T∗))⊥ = Im(T ), como (ker(T∗))⊥ ´e fechado, segue que Im(T ) ´e fechado.
(ii) ⇒ (iii) Temos que (ker(T ))⊥ ⊇ Im(T∗), em particular Im(T∗) ⊆ (ker(T ))⊥. Pela observa¸c˜ao 3.1.58, temos que X/ ker(T ) ∼= Im(T ) (via homeomorfismo linear), pois Im(T ) ´e fechado, e portanto (X/ ker(T ))′ ∼= Im(T )′ (via homeomorfismo linear), e sempre temos que e Y′/ ker(T∗) ∼= Im(T∗) (via bije¸c˜ao linear cont´ınua).
Digamos que γ : X/ ker(T )→ Im(T ) dada por γ([x]) = T (x) ´e o homeomorfismo linear, e ˆ
γ : (X/ ker(T ))′ → Im(T )′´e o homeomorfismo linear com ˆγ(f ) = f◦γ−1e (ˆγ)−1(g) = g◦γ; e θ : Y′/ ker(T∗)→ Im(T∗) θ([g]) = T∗(g) para g ∈ Y′.
Temos que φ : ker(T )⊥ → (X/ ker(T ))′ dada por φ(f )([x]) := f (x) para f ∈ ker(T )⊥ e todo [x]∈ X/ ker(T ) ´e uma bije¸c˜ao linear cont´ınua; e ψ : Y′/(Im(T )⊥)→ Im(T )′ dada por ψ([f ]) = f|Im(T ) onde [f ]∈ Y′/(Im(T )⊥) ´e uma bije¸c˜ao linear isom´etrica.
Afirma¸c˜ao: (ker(T ))⊥⊆ Im(T∗)
Tome f ∈ ker(T )⊥, temos que φ(f ) ∈ (X/ ker(T ))′. Assim, ˆγ(φ(f )) ∈ Im(T )′, logo
ψ−1(ˆγ(φ(f ))) ∈ Y′/(Im(T )⊥) = Y′/ ker(T∗) pois ker(T∗) = (Im(T ))⊥. Assim, θ(ψ−1(ˆγ(φ(f ))))∈ Im(T∗).
Note que θ(ψ−1(ˆγ(φ(f )))) = f . De fato, veja que ˆγ(φ(f )) = φ(f )◦ γ−1 onde φ(f )◦ γ−1 ∈ Im(T )′ estendendo tal funcional para Y′ pelo Corol´ario 3.1.25 do Teorema de Hahn- Banach, obtemos que φ(f )◦ γ−1 ∈ Y′ donde ψ−1(φ(f )◦ γ−1) = [φ(f )◦ γ−1]. Segue que θ([φ(f )◦ γ−1]) = T∗(φ(f )◦ γ−1). Devemos mostrar que T∗(φ(f )◦ γ−1)(x) = f (x) para todo x∈ X. Mas T∗(φ(f )◦ γ−1)(x) = φ(f )◦ γ−1(T (x)) = φ(f )◦ γ−1(T (x)) = φ(f )[x] = f (x), como quer´ıamos.
Assim f ∈ Im(T∗), e vale a afirma¸c˜ao, e mostra que (ii) implica (iii).
Im(T∗) ´e fechado.
(iv) ⇒ (ii) Suponha que Im(T∗) ´e fechado em X′. Defina Z = Im(T ) subespa¸co de Y e considere o operador S : X → Z definido como S(x) = T (x) para cada x ∈ X. Note que Im(S) = Im(T )⊆ Im(T ). Seja f ∈ Z′, pelo Corol´ario 3.1.25 do Teorema de Hahn- Banach, existe f ∈ Y′ extens˜ao de f , ou seja, f|
Z = f . Considere S∗ : Z′ → X′ assim S∗(f )(x) = f (S(x)) = f (T (x)) = T∗(f )(x) para todo x ∈ X, e portanto S∗(f ) = T∗(f ). Da´ı Im(S∗) = Im(T∗).
Afirma¸c˜ao: S∗ : Z′ → X′ ´e injetiva
Sejam f, g∈ Z′ e suponha que S∗(f ) = S∗(g) ent˜ao f (T (x)) = g(T (x)) para todo x∈ X. E portanto (f−g)(T (x)) = 0 para todo x ∈ X, donde Im(T ) ⊆ ker(f −g), como ker(f −g) ´e fechado, temos que Z = Im(T ) ⊆ ker(f − g), assim f|Z = g|Z, logo f = g, e vale a afirma¸c˜ao.
Agora, S∗ : Z′ → X′ ´e injetora com Im(S∗) fechada, restrigindo S∗ : Z′ → Im(S∗) temos que S∗ ´e invers´ıvel (e portanto linear) e aberta, pelo teorema da aplica¸c˜ao aberta, logo (S∗)−1 : Im(S∗) → Z′ ´e linear e cont´ınua, ou seja, existe c > 0 tal que para todo y∈ Im(S∗) temos que ||(S∗)−1(y)|| ≤ c||y||, como y = S∗(f ), segue que d||f|| ≤ ||S∗(f )|| para todo f ∈ Z′ com d = 1/c.
Temos que S : X → Z e Im(S) = Im(T ) ⊆ Im(T ). Queremos mostrar que Im(T ) = Im(T ). Usando o fato 3.1.12, basta mostrarmos que BIm(T ) ⊆ Im(T ). Como Im(S) = Im(T ), basta mostrar que BIm(T )⊆ Im(S), onde BIm(T )´e uma bola qualquer de Im(T ).
Pelo lema da aplica¸c˜ao aberta 3.1.22, basta mostrar que existem R, r > 0 tais que BIm(T )(0, r)⊆ S(BX(0, R)) e teremos que BIm(T )(0,2r)⊆ S(BX(0, R)).
Afirma¸c˜ao: {y ∈ Im(T ) : ||y|| < d} ⊆ S(BX[0, 1])
Seja y ∈ Im(T ) tal que ||y|| < d, e suponha, por absurdo, que y /∈ S(BX[0, 1]). Note que{y} e S(BX[0, 1]) est˜ao contidos em Im(T ) = Z′. Segue do teorema da Separa¸c˜ao de
Hahn-Banach 3.1.27 que existe φ∈ Im(T )′ = Z′ tal que
φ(w)≤ a < b ≤ φ(y) para todo w ∈ S(BX[0, 1]). Em particular, temos que φ(w)≤ a < b ≤ φ(y) para todo w ∈ S(BX[0, 1]), temos que
φ(S(x))≤ a < b ≤ φ(y) para todo x ∈ BX[0, 1], e portanto
sup{|φ(S(x))| : ||x|| = 1} ≤ sup{|φ(S(x))| : x ∈ BX[0, 1]} ≤ a < b ≤ φ(y) Agora, note que φ(S(x)) = S∗(φ)(x) e ||S∗(φ)|| = sup
||x||=1|S∗(φ)(x)|, e portanto
||S∗(φ)|| = sup{|φS(x)| : ||x|| = 1} ≤ a < b ≤ φ(y), lembre que d||f|| ≤ ||S∗(f )|| para toda f ∈ Z′, da´ı
d||φ|| ≤ ||S∗(φ)|| = sup{|φS(x)| : ||x|| = 1} ≤ a < b ≤ φ(y) ≤ ||φ||||y|| ent˜ao ||y|| > d, o que ´e um absurdo, e vale a afirma¸c˜ao.
Tomando R > 1, temos o desejado, o que termina a prova.
3.1.6
Operadores Compactos
Operadores compactos s˜ao importantes na teoria da An´alise Funcional, pois o estudo do seu espectro ´e bem desenvolvido, e al´em disso estes possuem caracter´ısticas interessantes como iremos ver.
Defini¸c˜ao 3.1.65. Um operador linear T : X → Y entre dois espa¸cos normados ´e dito compacto se T (BX) ´e compacto em Y , onde BX ´e a bola unit´aria fechada de X.
Denotamos o conjunto dos operadores lineares e compactos de X em Y por K(X, Y ), e porK(X) os operadores lineares e compactos de X em X. Vejamos alguns resultados: Proposi¸c˜ao 3.1.66. (i) Todo operador compacto ´e cont´ınuo
(ii) Todo operador linear e cont´ınuo de posto finito ´e compacto
(iii) Um espa¸co vetorial X possui dimens˜ao finita se, e somente se, a identidade em X ´e um operador compacto.
Demonstra¸c˜ao: (i) Suponha T : X → Y operador compacto e seja x ∈ BX. Temos que T (BX) ⊆ T (BX) com T (BX) compacto. Como todo conjunto compacto em um espa¸co metriz´avel ´e limitado, temos que T (BX) ´e limitado. Assim, existe C > 0 tal que
||T (x)||Y ≤ C para todo x ∈ BX, segue da caracteriza¸c˜ao de continuidade para operadores lineares que T ´e cont´ınuo.
(ii) Temos que T (BX) ⊆ Im(T ) onde Im(T ) ´e um espa¸co vetorial de dimens˜ao finita. Agora, T (BX) ´e fechado e limitado (pela continuidade do operador), logo compacto. (iii) Como as bolas fechadas s˜ao compactas se, e somente se, o espa¸co possui dimens˜ao
finita, temos o desejado.
Proposi¸c˜ao 3.1.67. O conjunto K(X, Y ) dos operadores compactos ´e um subespa¸co fe- chado de B(X, Y ) se Y ´e um espa¸co de Banach, e portanto K(X, Y ) ´e um espa¸co de Banach com a norma do operador.
Demonstra¸c˜ao: Ver [9] Proposi¸c˜ao 7.2.5 p. 189 e 190.
ComoK(X, Y ) ´e fechado, o seguinte resultado ´e imediato
Corol´ario 3.1.68. Se T ´e o limite na norma do operador de uma sequˆencia de operadores de posto finito ent˜ao T ´e compacto.
Proposi¸c˜ao 3.1.69. (Propriedade de Ideal) Dados T ∈ B(X, Y ) e S ∈ B(Y, Z) ent˜ao T ∈ K(X, Y ) ou S ∈ K(Y, Z) garante que S ◦ T ∈ K(X, Z).
Demonstra¸c˜ao: Ver [9] Teorema 7.2.6 p. 190.
Teorema 3.1.70. (de Schauder) Sejam X, Y espa¸cos normados e T ∈ B(X, Y ). Ent˜ao T ∈ K(X, Y ) se, e s´o se, T∗ ∈ K(Y′, X′)
Demonstra¸c˜ao: Ver [9] Teorema 7.2.7 p. 190 e 191.
Lema 3.1.71. Seja T : X → Y operador compacto e seja F subconjunto fechado de Y . Se A⊆ X tal que T (A) ⊆ F ent˜ao T |A: A→ F ´e compacto.
Demonstra¸c˜ao: Seja BAa bola unit´aria de A e BX a bola unit´aria de X. Como A⊆ X temos que BA ⊆ BX, e portanto T (BA) ⊆ T (BX). Segue que T (BA) ⊆ T (BX). Como T ´e compacto, temos que T (BX) ´e compacto em Y . Mas T (BA) ´e fechado no compacto T (BX), logo T (BA) ´e compacto em Y . Lembre que T (A) ⊆ F assim T (BA) ⊆ F (pois F ´e fechado) logo T (BA) ´e compacto em F , e portanto T|A : A → F ´e compacto, como
desejado.
Proposi¸c˜ao 3.1.72. Seja T : X → Y operador compacto com X e Y espa¸cos de Banach ent˜ao para todo subespa¸co fechado F de Y temos que dim F <∞.
Demonstra¸c˜ao: Seja F subespa¸co fechado de Y . Como T ´e linear, temos que T−1(F ) ´e subespa¸co de X; como T ´e cont´ınua temos que T−1(F ) ´e fechado em X, logo T−1(F ) ´e subespa¸co fechado de X. Mas T (T−1(F )) ⊆ F com F fechado em Y ent˜ao, pelo lema anterior, temos que T|T−1(F ): T−1(F ) → F ´e compacto.
Agora, T|T−1(F ) : T−1(F ) → Y ´e linear e cont´ınua. Considere T |T−1(F ) : T−1(F ) → F
linear, cont´ınua e sobrejetora. Como T−1(F ) e F s˜ao fechados, em particular, s˜ao espa¸cos de Banach, pois X e Y s˜ao espa¸cos de Banach. Segue do teorema da aplica¸c˜ao aberta que T|T−1(F ): T−1(F )→ F ´e aberta.
Temos que T|T−1(F ) : T−1(F ) → F ´e aberta e defina A := T−1(F ), e seja BA a bola
unit´aria de A. Como T|A ´e uma aplica¸c˜ao aberta, temos que TA(BA) ´e aberto em F . Seja y ∈ TA(BA) assim existe ε > 0 tal que BF(y, ε)⊆ TA(BA), logo BF(y, ε)⊆ TA(BA). Como TA(BA) ´e compacto, pois TA´e compacto, temos que BF(y, ε) ´e compacto em F , j´a que ´e um fechado em um compacto. Mas todas as bolas s˜ao homeomorfas, assim uma vez que uma ´e compacta, temos que a bola unit´aria tamb´em ´e compacta, e portanto o espa¸co
F possui dimens˜ao finita, como desejado.
Corol´ario 3.1.73. Seja T : X → Y operador cont´ınuo e linear tal que Im(T ) ´e um subespa¸co fechado em Y . Ent˜ao T ´e operador compacto se, e somente se, T possui posto finito.
Demonstra¸c˜ao: Suponha que T ´e compacto com Im(T ) fechado em Y , pela proposi¸c˜ao anterior, temos que dim Im(T ) <∞, logo T possui posto finito. Com esse resultado o corol´ario 3.1.61 fica assim:
Corol´ario 3.1.74. Seja T : X → Y operador linear e cont´ınuo entre X e Y espa¸cos de Banach tal que dim ker(T ) <∞ e dim Y/Im(T ) < ∞. Ent˜ao Im(T ) = T (X) ´e fechado em Y e as seguintes condi¸c˜oes s˜ao equivalentes:
(i) dim X <∞ (ii) dim Y <∞
(iii) T possui posto finito (iv) T ´e operador compacto
Teorema 3.1.75. (Alternativa de Fredholm) Seja T ∈ K(X) com X espa¸co de Banach. Ent˜ao
(i) dim ker(T − Id) < ∞
(ii) Im(T − Id) = ker(T∗− Id)⊥, em particular Im(T − Id) ´e fechado. (iii) ker(T − Id) = {0} ⇔ Im(T − Id) = X
(iv) dim ker(T − Id) = dim ker(T∗− Id)
Demonstra¸c˜ao: Ver [6] Teorema V I.6, p. 92, 93 e 94.
3.1.7
Operadores de Fredholm
Os operadores de Fredholm s˜ao grande importˆancia para a teoria dos operadores, sendo aplicados para obten¸c˜ao de solu¸c˜oes para EDP’S e obten¸c˜ao de resultados elegantes. Antes uma defini¸c˜ao que aparece em alguns livros, e que usaremos quando for tradi¸c˜ao. Defini¸c˜ao 3.1.76. Seja T : X → Y um operador linear onde X e Y s˜ao espa¸cos vetoriais. O cokernel de T ´e o espa¸co quociente Y /Im(T ), e indicamos por Coker(T ), assim Coker(T ) = Y /Im(T ).
Usualmente, chama-se de a dim Coker(T ) = dim Y /Im(T ) de defeito de T . Possivelmente, isso quer dizer que quanto menor for o defeito (a dimens˜ao de Y /Im(T )), mais o operador tende a ser sobrejetor, pois a dim Im(T ) vai tender a a dimens˜ao de Y , j´a que Y = Im(T )⊕ H com H ∼= Y /Im(T ) (via bije¸c˜ao linear). Indicamos o defeito do operador T por d(T ), ou seja, d(T ) = dim Y /Im(T ).
Defini¸c˜ao 3.1.77. Seja T ∈ B(X, Y ) onde X e Y s˜ao espa¸cos de Banach. Dizemos que T ´e um operador de Fredholm se
(i) dim(ker(T )) <∞
(ii) dim Coker(T ) = dim Y /Im(T ) <∞
Proposi¸c˜ao 3.1.78. Seja T ∈ B(X, Y ) com T ´e um operador de Fredholm ent˜ao Im(T ) ´e fechada em Y .
Demonstra¸c˜ao: Pela proposi¸c˜ao 3.1.55 segue que Im(T ) ´e fechada. Defini¸c˜ao 3.1.79. Seja T ∈ B(X, Y ) onde X e Y s˜ao espa¸cos vetoriais. Se tivermos que dim ker(T ) <∞ ou dim Y/Im(T ) < ∞ definimos o ´ındice do operador T como o i(T ) = dim ker(T )− dim Y/Im(T )
Note que quando T ´e um operador de Fredholm, temos que i(T ) ´e sempre um n´umero inteiro.
Lema 3.1.80. Seja T ∈ B(X, Y ) e T∗ ∈ B(Y′, X′) tal que Im(T ) ´e fechada. (A) dim ker(T∗) = dim(Y /Im(T ))′
(B) dim ker(T )′ = dim X′/Im(T∗)
Demonstra¸c˜ao: Como Im(T ) ´e fechada, pela proposi¸c˜ao 3.1.64 temos que (ker(T ))⊥ = Im(T∗).
(A) Pelo fato 3.1.63 temos que ker(T∗) = (Im(T ))⊥. Usando que Im(T ) ´e fechada, temos pelo teorema 3.1.62 temos que Im(T )⊥∼= (Y /Im(T ))′ (via bije¸c˜ao linear cont´ınua), portanto ker(T∗) ∼= (Y /Im(T ))′ (via bije¸c˜ao linear cont´ınua), e portanto temos que a dim ker(T∗) = dim(Y /Im(T ))′, e temos o desejado.
(B) Pelo teorema 3.1.62 temos que ker(T )′ ∼= X′/(ker(T )⊥) (via bije¸c˜ao linear isom´etrica). Mas (ker(T ))⊥ = Im(T∗), assim, ker(T )′ ∼= X′/(ker(T )⊥) = X′/Im(T∗), e portanto ker(T )′ ∼= X′/Im(T∗) (via bije¸c˜ao linear isom´etrica) da´ı dim ker(T )′ = dim X′/Im(T∗), o
que prova o lema.
Observa¸c˜ao 3.1.81. Al´em disso, note que seja X espa¸co normado sobre o corpo completo K. Se dim X < ∞, temos que dim X′ < ∞, basta considerar a base dual, nesse caso obtemos que dim X = dim X′.
Por outro lado, se dim X′ < ∞ ent˜ao pelo mesmo argumento anterior dim X′′ < ∞. Considerando a aplica¸c˜ao canˆonica J : X → X′′ isometria linear, logo injetora, temos que dim X ≤ dim X′′, donde a dim X ´e finita, e estamos nas condi¸c˜oes do caso anterior, logo dim X = dim X′.
Teorema 3.1.82. Seja T ∈ B(X, Y ) ent˜ao T ´e um operador de Fredholm se, e somente se, T∗ ´e um operador de Fredholm. Al´em disso, temos que
(i) dim ker(T∗) = dim Y /Im(T ) (ii) dim ker(T ) = dim X′/Im(T∗)
Demonstra¸c˜ao: (⇒) Suponha que T ´e um operador de Fredholm. Iremos mostrar que dim ker(T∗) <∞ e dim X′/Im(T∗) < ∞.
Como dim Y /Im(T ) < ∞, temos que Y/Im(T ) ∼= (Y /Im(T ))′ (via bije¸c˜ao linear), da´ı dim Y /Im(T ) = dim(Y /Im(T ))′. Como T ´e de Fredholm segue que Im(T ) ´e fechada, e estamos nas condi¸c˜oes do lema 3.1.80, logo dim ker(T∗) = dim(Y /Im(T ))′, e assim dim ker(T∗) = dim(Y /Im(T )) <∞. Como dim ker(T ) < ∞ temos que ker(T ) ∼= (ker(T ))′ (via bije¸c˜ao linear), e portanto dim ker(T ) = dim(ker(T ))′, ainda estamos nas condi¸c˜oes do lema, logo dim ker(T )′ = dim X′/Im(T∗), donde dim ker(T ) = dim X′/Im(T∗) < ∞. Logo T∗ ´e operador de Fredholm.
Note que com isso, j´a provamos (i),(ii) e (iii).
(⇐) Suponha T∗ operador de Fredholm, assim Im(T∗) ´e fechada. Pela proposi¸c˜ao 3.1.64 temos que Im(T ) ´e fechada, assim estamos nas condi¸c˜oes do lema anterior, e usando que T∗ ´e de Fredholm, temos
dim ker(T∗) = dim(Y /Im(T ))′ <∞ dim ker(T )′ = dim X′/Im(T∗) <∞
Agora, pela observa¸c˜ao anterior, uma vez que dim(Y /Im(T ))′ < ∞ e dim ker(T )′ < ∞, temos que dim(Y /Im(T ))′ = dim(Y /Im(T )) e dim ker(T )′ = dim ker(T ), o que mostra
que T ´e de Fredholm, e prova o teorema.
A composi¸c˜ao de operadores de Fredholm ´e tamb´em um operador de Fredholm e o ´ındice da composi¸c˜ao ´e a soma dos ´ındices dos operadores. Este ´e resultado ´e conhecido como Teorema do ´ındice.
Teorema 3.1.83. (O Teorema do ´ındice) Seja T ∈ B(X, Y ) e S ∈ B(Y, Z) em que X, Y e Z s˜ao espa¸cos de Banach. Ent˜ao
(i) Se S e T s˜ao ambos operadores de Fredholm ent˜ao ST ´e tamb´em operador de Fredholm e i(ST ) = i(S) + i(T )
(ii) Se ST ´e operador de Fredholm ent˜ao T ´e operador de Fredholm se, e somente se, S ´e operador de Fredholm.
Demonstra¸c˜ao: Antes de provar o teorema, analisemos um pouco. A chave para prova est´a em considerar o seguinte subespa¸co N1 = Im(T )∩ ker(S) de Y . Note que N1 ´e um
subespa¸co de ker(S), assim existe N2 um subespa¸co de Y tal que ker(S) = N1⊕ N2. Da´ı dim ker(S) = dim N1 + dim N2 (*).
Note tamb´em que N1 ´e um subespa¸co de Im(T ), assim existe Y1 subespa¸co de Y tal que Im(T ) = N1⊕ Y1.
Temos que ker(S) ⊆ Y e Im(T ) ⊆ Y em que ker(S) = N1 ⊕ N2 e Im(T ) = N1 ⊕ Y1. Note que N2 ∩ Y1 = {0}. De fato, seja x ∈ N2 ∩ Y1, logo x ∈ ker(S) ∩ Im(T ) = N1, assim x ∈ N1 ∩ N2 = {0}, donde x = 0. Assim, existe Y2 subespa¸co de Y tal que Y = Y1 ⊕ Y2⊕ N1 ⊕ N2. Segue que dim Y = dim Y1+ dim Y2+ dim N1+ dim N2. Como dim Y = dim Im(T ) + dim(Y /Im(T )) e Im(T ) = N1⊕ Y1, temos que
dim Y /Im(T ) = dim Y2 + dim N2 (**)
Note que ker(T )⊆ ker(ST ), assim existe um subespa¸co vetorial X1de X tal que ker(ST ) = X1⊕ ker(T ). Assim,
X1⊕ ker(T ) = ker(ST ) = T−1(ker(S)) = T−1(Im(T )∩ ker(S)) = T−1(N1). Afirma¸c˜ao: T|X1 : X1 → N1 ´e um isomorfismo linear.
(Injetiva) Seja x, z∈ X1 assim x−z ∈ X1 com T (x) = T (z) logo x−z ∈ ker(T ) e portanto x− z ∈ X1∩ ker(T ) = {0} logo x = z.
(Sobrejetiva) Seja y ∈ N1 = Im(T )∩ ker(S) assim existe x ∈ X tal que T (x) = y com S(y) = S(T (x)) = 0, logo x ∈ ker(ST ) = X1 ⊕ ker(T ). Logo x = w + z com w ∈ X1 e z ∈ ker(T ), segue que w = x − z ∈ X1 com T (w) = T (x) pois z ∈ ker(T ), donde T ´e sobrejetora. Assim, T|X1 ´e um isomorfismo linear, e vale a afirma¸c˜ao.
Como ker(ST ) = X1⊕ ker(T ) e T |X1 : X1 → N1 ´e um isomorfismo linear temos que
dim ker(ST ) = dim ker(T ) + dim N1 (***)
Como ker(S) = N1 ⊕ N2 e Y = Y1 ⊕ Y2 ⊕ N1 ⊕ N2, temos que S ´e injetora em Y1⊕ Y2. Da´ı
Im(S) = S(Y1⊕ Y2) = S(Y1)⊕ S(Y2) = S(Y1⊕ N1)⊕ S(Y2) pois N1 ⊆ ker(S). Im(S) = S(Y1⊕ N1)⊕ S(Y2) = S(Im(T ))⊕ S(Y2) = Im(ST )⊕ S(Y2)
Assim, Im(S) = Im(ST )⊕ S(Y2). Seja Z1 subespa¸co de Z tal que Z = Z1 ⊕ Im(S). Note que dim Z/Im(S) = dim Z1 . temos que Z = Z1 ⊕ Im(ST ) ⊕ S(Y2). Logo dim Z/Im(ST ) = dim Z1+dim S(Y2). Como S ´e injetiva em Y1⊕Y2, temos que dim S(Y1) =
dim Y1 e usando que dim Z/Im(S) = dim Z1 temos que dim Z/Im(ST ) = dim Z/Im(S) + dim Y2 (****) Estamos prontos para provar o teorema. Relembre que
dim ker(S) = dim N1 + dim N2 (*). dim Y /Im(T ) = dim Y2 + dim N2 (**) dim ker(ST ) = dim ker(T ) + dim N1 (***) dim Z/Im(ST ) = dim Z/Im(S) + dim Y2 (****)
(i) Suponha S e T operadores de Fredholm ent˜ao todos os subespa¸co que aparecem em (*),(**),(***) e (****) possuem dimens˜ao finita, e portanto ST ´e um operador de Fredholm. Usando (*),(**) e (***) temos que
dim Y2 = dim Y /Im(T )− dim N2 = dim Y /Im(T )− dim ker(S) + dim N1 = = dim Y /Im(T )− dim ker(S) + dim ker(ST ) − dim ker(T ) =
= dim ker(ST )− dim ker(S) − i(T ) logo dim Y2 = dim ker(ST )− dim ker(S) − i(T ) usando (∗ ∗ ∗∗) temos que
i(ST ) = dim ker(ST )− dim Z/Im(ST ) =
= (dim Y2 + dim ker(S) + i(T ))− (dim Z/Im(S) + dim Y2)
= i(T ) + dim ker(S)− dim Z/Im(S) = i(T ) + i(S), e portanto i(ST ) = i(T ) + i(S), o que prova (i).
(ii) Suponha que ST e T s˜ao operadores de Fredholm. Isso implica que por (**) temos que dim Y2 < ∞ e dim N2 < ∞, e por (***) que dim N1 < ∞ logo dim ker(S) < ∞ por (*) e dim Z/Im(S) <∞ por (****), o que mostra que S ´e de Fredholm.
Suponha agora que ST e S s˜ao operadores de Fredholm. Por (*) temos que dim N1 <∞ e dim N2 <∞, logo (***) implica que dim ker(T ) < ∞. Temos tamb´em que (****) implica que dim Y2 <∞ logo por (**) segue que dim Y/Im(T ) < ∞. E portanto T ´e Fredholm.
O que prova o ´ıtem (ii), e prova o teorema.
Proposi¸c˜ao 3.1.84. Seja T ∈ B(X, Y ) onde X e Y s˜ao espa¸cos de Banach com T um operador de Fredholm. Se vale qualquer uma das alternativas abaixo
(i) dim X =∞ (ii) dim Y =∞ (iii) dim Im(T ) =∞
ent˜ao T n˜ao ´e um operador compacto.
Demonstra¸c˜ao: Segue diretamente do corol´ario 3.1.74.
Pela proposi¸c˜ao para que T ∈ B(X, Y ) onde X e Y s˜ao espa¸cos de Banach com T um operador de Fredholm seja um operador compacto devemos ter dim X <∞ e dim Y < ∞.
Teorema 3.1.85. Seja K : X → X um operador compacto com X espa¸co de Banach ent˜ao K− I ´e um operador de Fredholm com ´ındice nulo.
Demonstra¸c˜ao: Pela Alternativa de Fredholm 3.1.75 temos que dim ker(K−I) = dim ker(K∗− I∗) <∞ e Im(K −I) ´e fechada. Iremos mostrar que K∗−I∗´e um operador de Fredholm, (e portanto K− I ser´a de Fredholm).
J´a temos que dim ker(K∗ − I∗) < ∞. Agora, Im(K − I) ´e fechada, pelo lema 3.1.80, temos que dim ker(K − I)′ = dim X′/(Im(K∗− I∗)). Agora, dim ker(K − I) < ∞ logo dim ker(K−I) = dim ker(K −I)′, portanto dim ker(K−I) = dim X′/(Im(K∗−I∗)) <∞. Da´ı dim ker(K∗ − I∗) = dim ker(K − I) = dim X′/(Im(K∗ − I∗)) < ∞, logo K∗ − I∗ ´e operdaor de Fredholm com i(K∗ − I∗) = 0. Mas i(K − I) = −i(K∗ − I∗), segue que i(K− I) = 0.
Portanto K− I ´e o operador de Fredholm com ´ındice nulo, o que prova o teorema. O pr´oximo resultado devido a F. V. Atkinson caracteriza os operdaores de Fredholm. Teorema 3.1.86. (Atkinson) Seja T ∈ B(X, Y ) com X e Y espa¸cos de Banach. As seguintes afirma¸c˜oes s˜ao equivalentes:
(i) T ´e um operador de Fredholm
(ii) Existem um operador S ∈ B(Y, X) e duas proje¸c˜oes de posto finito P1 ∈ B(X) e P2 ∈ B(Y ) tais que ST = IX − P1 e T S = IY − P2.
(iii) Existem operadores compactos K1 ∈ B(X) e K2 ∈ B(Y ) e S ∈ B(Y, X) tais que ST = IX − K1 e T S = IY − K2.
(iv) Existem operadores compactos K1 ∈ B(X) e K2 ∈ B(Y ) e S1, S2 ∈ B(Y, X) tais que S1T = IX − K1 e T S2 = IY − K2.
Demonstra¸c˜ao: (i) ⇒ (ii) Suponha que T seja um operador de Fredholm. Ent˜ao pela proposi¸c˜ao 3.1.59 temos que podemos escrever X e Y como X = ker(T )⊕V e Y = Im(T )⊕ W com ker(T ), V, W, Im(T ) subespa¸cos fechados em que W possui dimens˜ao finita. Sejam PN : X → ker(T ) e PW : Y → W proje¸c˜oes cont´ınuas j´a que ker(T ), V, W, Im(T ) s˜ao subespa¸cos fechados. Note que PN e PW possuem posto finito, pois dim ker(T ) < ∞ e dim W <∞.
Tome S1 := T|V : V → Im(T ) = T (V ) bije¸c˜ao linear e cont´ınua. Como Im(T ) ´e fechado, temos que S1−1 : T (V ) → V ´e cont´ınua e linear pelo Teorema da Aplica¸c˜ao Aberta, assim S−1(T (v)) = v ´e cont´ınua. Defina S := S−1
1 (IY − PW)∈ B(Y, X). Assim, para x = n + v ∈ X = ker(T ) ⊕ V temos que
ST (x) = ST (n + v) = S(T (v)) = S1−1(IY − PW)(T (v)) = v = (IX − PN)(n + v) = (IX − PN)(x)
Agora, para y = w + T (v)∈ Y = W ⊕ Im(T ) com v ∈ V temos que T S(y) = T S1−1(IY − PW)(w + T (v)) = T S1−1(T (v)) = T (v) = (IY − PW)y Ent˜ao ST = (IX − PN) e T S = (IY − PW), o que mostra o ´ıtem (ii).
(ii)⇒ (iii) Basta lembrar que todo operador de posto finito ´e compacto, e temos (iii). (iii)⇒ (iv) Tome S2 = S1 = S no ´ıtem (iii), e obtemos (iv).
(iv) ⇒ (i) Suponha que existam operadores compactos K1 ∈ B(X) e K2 ∈ B(Y ) e S1, S2 ∈ B(X, Y ) tais que S1T = IX − K1 e T S2 = IY − K2.
Como K1´e operador compacto pelo teorema 3.1.85 anterior temos que dim ker(IX−K1) < ∞, como S1T = IX − K1 temos que dim ker(S1T ) < ∞. Mas ker(T ) ⊆ ker(S1T ) logo dim ker(T ) < ∞. Agora, K2 ´e compacto ent˜ao IY − K2 ´e um operador de Fredholm, e portanto I∗
Y − K2∗ ´e um operador de Fredholm, segue que dim ker(IY∗ − K2∗) < ∞. Como T S2 = IY − K2 segue que S2∗T∗ = IY∗ − K2∗ da´ı dim ker(S2∗T∗) < ∞, e note que ker(T∗)⊆ ker(S∗
2T∗) donde dim ker(T∗) < ∞. Afirma¸c˜ao: Im(T ) ´e fechado em Y
Temos que IY −K2´e um operador de Fredholm, assim existe um Z subespa¸co de dimens˜ao finita de Y tal que Im(IY−K2)⊕Z = Y . Como T S2 = IY−K2 temos que Im(IY −K2) = Im(T S2) ⊆ Im(T ) segue que Z + Im(T ) = Y . Assim, existe Z1 ⊆ Z (e portanto dim Z1 <∞) tal que Y = Z1⊕ Im(T ). Pelo corol´ario 3.1.56 temos que Im(T ) ´e fechada
em Y , o que prova a afirma¸c˜ao.
Estamos nas condi¸c˜oes do lema 3.1.80 segue que dim ker(T∗) = dim(Y /Im(T ))′ <∞, e portanto dim(Y /Im(T )) < ∞. Assim dim ker(T ) < ∞ e dim(Y/Im(T )) < ∞, T ´e um
operador de Fredholm , o que mostra (i) e termina a prova.
Uma pertuba¸c˜ao do operador T pelo operador S ´e T − S. Nosso pr´oximo resultado afirma que a pertuba¸c˜ao de um operador de Fredholm por operador compacto continua a ser um operador de Freholm e n˜ao muda seu ´ındice.
Corol´ario 3.1.87. Seja T ∈ B(X, Y ) um operador de Fredholm ent˜ao para cada K ∈ K(X, Y ) temos que T + K ´e um operador de Fredholm e i(T + K) = i(T )
Demonstra¸c˜ao: Seja T ∈ B(X, Y ) operador de Fredholm e fixe K ∈ K(X, Y ) operdaor compacto. Pelo teorema 3.1.86 temos que existem S1, S2 ∈ B(Y, X) e dois operadores compactos K1 ∈ B(X) e K2 ∈ B(Y ) tais que S1T = IX − K1 e T S2 = IY − K2. Segue que
S1(T + K) = S1T + S1K = (IX − K1) + S1K = IX − (K1− S1K), e (T + K)S2 = T S2+ KS2 = (IY − K2) + KS2 = IY − (K2− KS2)
Agora, (K1− S1K)∈ K(X) e (K2− KS2)∈ K(Y ) pois o conjunto dos operadores ´e um subespa¸co e gozam da propriedade de ideal. Observe que T + K est´a nas condi¸c˜oes do ´ıtem (iv) do teorema 3.1.86 segue que T + K ´e um operdor de Fredholm.
Pelo Teorema do ´Indice ´ıtem (ii) temos que S1 ´e operador de Fredholm pois S1(T + K) = IX− (K1− S1K) ´e operador de Fredholm com ´ındice nulo (j´a que K1− S1K ´e compacto) e (T + K) ´e operador de Fredholm, e portanto
i(S1(T + K)) = i(S1) + i(T + K) = i(IX − (K1− S1K)) = 0 segue i(T + K) =−i(S1). Considerando S1T = IX − K1. Como K1 ´e compacto temos que IX − K1 ´e operador de Fredholm com ´ındice nulo. Mas T e S1 tamb´em s˜ao operadores de Fredholm, pelo Teorema do ´Indice, temos que
i(S1) + i(T ) = i(S1T ) = i(IX − K1) = 0 e portanto i(T ) =−i(S1)
Assim, i(T + K) = i(T ) e temos o desejado.
Denotamos por F red(X, Y ) o conjunto dos operadores de Fredholm de X em Y . Quando X = Y escrevemos simplesmente F red(X) em vez de F red(X, X). A fun¸c˜ao ´ındice i : F red(X, Y ) → Z ´e definida por i(T ) para cada T ∈ F red(X, Y ). Nosso pr´oximo
resultado mostra que F red(X, Y ) ´e um conjunto aberto de B(X, Y ) e a fun¸c˜ao ´ındice ´e cont´ınua quando Z est´a munido da topologia discreta.
Teorema 3.1.88. Sejam X e Y espa¸cos de Banach ent˜ao F red(X, Y ) ´e um subconjunto aberto de B(X, Y ) e a fun¸c˜ao ´ındice i : F red(X, Y ) → Z ´e cont´ınua.
Demonstra¸c˜ao: (Caso 1) Suponha que X possui dimens˜ao finita.
Se dimens˜ao de Y tamb´em finita temos que X e Y s˜ao espa¸cos finitos, logo F red(X, Y ) = B(X, Y ), que ´e aberto em B(X, Y ). Suponha agora que dimens˜ao de X ´e finita e a dimens˜ao de Y ´e infinita ent˜ao F red(X, Y ) = ∅, que tamb´em ´e aberto. De fato, caso existisse T ∈ F red(X, Y ) operador de Fredholm com X dimens˜ao finita e Y de dimens˜ao infinita ter´ıamos pela proposi¸c˜ao 3.1.84 que dimens˜ao de Y tamb´em seria finita, o que ´e uma contradi¸c˜ao.
(Caso 2) Suponha que X possua dimens˜ao infinita.
Seja T ∈ F red(X, Y ) operador de Fredholm pelo teorema 3.1.86 existem um operador S∈ B(Y, X) e dois operadores compactos K1 ∈ K(X) e K2 ∈ K(Y ) tais que
ST = IX − K1 e T S = IY − K2 (*)
Como K1 ´e operador compacto temos que IX − K1 ´e operdaor de Fredholm com ´ındice nulo. Segue que ST = IX − K1 ´e operador de Fredholm, como T tamb´em ´e operador de Fredholm, temos pelo Teorema do ´Indice que S tamb´em ´e operdaor de Fredholm, e segue que i(S) + i(T ) = i(ST ) = i(IX − K1) = 0, logo
i(T ) =−i(S) (**)
Como S ´e um operador de Fredholm e X possui dimens˜ao infnita segue que S 6= 0. De fato, caso S ≡ 0 ter´ıamos que ker(S) = X e portanto dim ker S = ∞, o que n˜ao ocorre pois S ´e de Fredholm.
Lembre que Pelo corol´ario 3.1.32 temos que para Z um espa¸co de Banach, e A∈ B(Z) um operador linear cont´ınuo tal que ||A|| < 1 temos que IZ+ A ´e invert´ıvel e portanto IZ+ A ´e um isomorfismo.
Seja C ∈ B(X, Y ) tal que ||C|| < ||S||1 . Ent˜ao os operadores SC ∈ B(X) e CS ∈ B(Y ) satisfazem||CS|| < 1 e ||SC|| < 1. Ent˜ao IX+ SC ∈ B(X) e IY + CS ∈ B(Y ) s˜ao ambos isomorfismos e portanto s˜ao ambos operadores de Fredholm de ´ındice nulo. Pelo corol´ario 3.1.87 temos que IX + SC − K1 e IY + CS− K2 s˜ao ambos operadores de Fredholm de
´ındice nulo. Mais ainda por (*) temos que
S(T + C) = ST + SC = (IX − K1) + SC = IX + SC− K1 e (T + C)S = T S + CS = (IY − K2) + CS = IY + CS − K2
Como S ´e de Fredholm o Teorema do ´Indice garante que (T + C) ´e um operador de Fredholm com ´ındice dado por
i(S) + i(T + C) = i(S(T + C)) = i(IX + SC − K1) = 0 logo i(T + C) = −i(S) segue de (**) que i(T + C) = i(T )
N´os mostramos que dado T ∈ F red(X, Y ) existe S ∈ B(X, Y ) tal que para todo C ∈ B(X, Y ) tal que ||C|| < 1
||S|| temos que (T + C) ´e operador de Fredholm e i(T + C) = i(T ). Isto mostra que F red(X, Y ) ´e um conjunto aberto de B(X, Y ) e que a fun¸c˜ao ´ındice ´e
cont´ınua. O que termina a prova.