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Ortogonalidade

No documento Espa¸ co vetorial (páginas 72-80)

(x1, x2, x3),(y1, y2, y3) = 17x1.y1+ 13x2.y2+ 11x3.y3

(verifique que de fato ⟨, ´e um produto interno). Ent˜ao ||(x1, x2, x3)|| =

√17x21+ 13x22+ 11x23 e portanto ||(1,0,0)|| =

17, ||(0,1,0)|| = 13 e

||(0,0,1)||=

11. Da´ı, ||(1

17,0,0)||=1, ||(0,1

13,0)||=1 e ||(0,0,1

11)||=1.

Consideremos agora R3 com o produto interno canˆonico. Ent˜ao ||(1,0,0)||= 1, ||(0,1,0)||= 1 e ||(0,0,1)||= 1.

Exemplo 0.215. SejaV um espa¸co vetorial com produto interno⟨, ⟩. Sejam u, v ∈V tais que:

a) ||u|| = 3, ||v|| = 4 e ||u+v|| = 7. Calculemos ⟨u, v⟩ e ||u−v||. Como 72 =||u+v||2 =⟨u+v, u+v⟩=⟨u, u⟩+⟨u, v⟩+⟨v, u⟩+⟨v, v⟩= 32+2⟨u, v⟩+42, ent˜ao ⟨u, v⟩= 12. Da´ı, como ||u−v||2 =⟨u−v, u−v⟩=⟨u, u⟩+⟨u,−v⟩+

⟨−v, u⟩+⟨−v,−v⟩= 322.12 + 42 = 1, ent˜ao ||u−v||= 1.

b) ||u||= 3, ||v||= 4 e ||u−v||= 5. Calculemos⟨u, v⟩ e ||u+v||. Desde que 52 =||u−v||2 = 32 2⟨u, v⟩+ 42, ent˜ao ⟨u, v⟩= 0. Da´ı, como ||u+v||2 = 32+ 2.0 + 42 = 25, ent˜ao ||u+v||= 5.

c)||u||= 0e||v||= 1. Calculemos ⟨u, v⟩e||u−v||e||u+v||. J´a que||u||= 0, ent˜ao u=0, donde ⟨u, v⟩=0, v⟩ = 0, ||u−v||=|| −v||=| −1|||v||= 1 e

||u+v||=||v||= 1.

d) ||u−v|| = 2 e ||u+v|| = 4. Calculemos ⟨u, v⟩. Temos que ⟨u, v⟩ =

1

4||u+v||2+14||u−v||2 = 1442 1422 = 3.

Observa¸c˜ao 0.216. Seja V um espa¸co vetorial com produto interno ⟨, ⟩. Se, para todo v V, ⟨u, v⟩ = 0, ent˜ao u =0. Com efeito, tomando em particular v =u, obtemos que ⟨u, u⟩= 0 e portanto u=0.

2. Um subconjunto S de V ´e chamado de ortogonal se ⟨u, v⟩ = 0, para todo =v, u, v ∈ S

3. Um subconjunto S de V ´e chamado de ortonormal se for ortogonal e

||u||= 1, para todo u∈ S

Observa¸c˜ao 0.218. Notemos que, se V ´e um espa¸co vetorial com produto interno ⟨, ⟩, ent˜ao o vetor nulo de V ´e ortogonal a todos os vetores de V, pois 0, v⟩ = 0, para todo v ∈V. Al´em disto, mostramos que se ⟨u, v⟩ = 0, para todo v ∈V, ent˜ao u=0, donde 0 ´e o ´unico vetor de V que ´e ortogonal a todos os vetores de V.

Exemplo 0.219. A base canˆonica deRn (este com o produto interno canˆ o-nico) ´e ortonormal.

A base canˆonica de Mm×n(R) (este com o produto interno canˆonico) ´e or-tonormal. De fato, para m = n = 2, lembremos que (aa1121aa1222),(b

11 b12

b21 b22

) = a11.b11+a12.b12+a21.b21+a22.b22 e BC ={(1 00 0),(0 10 0),(0 01 0),(0 00 1)}. Como

(1 00 0),(1 00 0)= 1.1 + 0.0 + 0.0 + 0.0 = 1, ent˜ao ||(1 00 0)|| =

1 = 1. Analo-gamente, ||(0 10 0)||= 1, ||(0 01 0)||= 1 e ||(0 00 1)||= 1. Logo, os quatro vetores de BC s˜ao unit´arios. Agora, desde que, (1 00 0),(0 10 0) = 1.0 + 0.1 + 0.0 + 0.0 = 0, ent˜ao (1 00 0) e (0 10 0) s˜ao ortogonais. Analogamente, obtemos que

(1 00 0),(0 01 0) = 0,(1 00 0),(0 00 1) = 0,(0 10 0),(0 01 0) = 0,(0 10 0),(0 00 1) = 0 e

(0 01 0),(0 00 1)= 0, donde BC ´e ortonormal.

Proposi¸c˜ao 0.220. Seja V um espa¸co vetorial com produto interno ⟨, ⟩. SejaS um subconjunto ortogonal deV formado por vetores n˜ao nulos. Ent˜ao:

1. Se v [v1, v2, . . . , vn], com v1, v2, . . . , vn∈ S, segue que v = ||v,vv 1

1||2v1 +

v,v2

||v2||2v2 + · · · + ||v,vv n

n||2vn 2. S ´e LI

De fato, se v [v1, v2, . . . , vn], ent˜ao existem escalaresα1, α2, . . . , αn tais que v =α1v12v2+· · ·+αnvn. Mas⟨vi, vj= 0, se=j, poisv1, v2, . . . , vn∈ S e S ´e ortogonal. Da´ı, ⟨v, v1=⟨α1v1+α2v2+· · ·+αnvn, v1(P=1)α1⟨v1, v1+ α2⟨v2, v1+· · ·+αn⟨vn, v1 = α1⟨v1, v1. Como v1 ̸=0 , ent˜ao ⟨v1, v1⟩ ̸= 0, donde α1 = vv,v1

1,v1 = ||v,vv 1

1||2. Da mesma forma, α2 = ||v,vv 2

2||2, . . . , αn = ||v,vv n

n||2. Logo, v = α1v1 +α2v2 +· · ·+ αnvn = ||v,vv 1

1||2v1 + ||v,vv 2

2||2v2 + · · ·+ ||v,vv n

n||2vn. Mostremos (2). Seja c:=β1u1+β2u2+· · ·+βmum uma combina¸c˜ao linear qualquer de vetores de S (com u1, u2, . . . , um ∈ S e β1, β2, . . . , βm R).

Suponhamos que c ´e o vetor nulo. Da´ı, 0 = β1u1 + β2u2 +· · · +βmum. Pela prova de (1), como 0∈ [u1, u2, . . . , um], obtemos que β1 =

0,u1

||u1||2, β2 =

0,u2

||u2||2, . . . , βm =

0,um

||um||2 , dondeβ1 =β2 =· · ·=βm = 0 e portanto S ´e LI.

Corol´ario 0.221. SejaV um espa¸co vetorial com produto interno⟨, ⟩. Seja B := {v1, v2, . . . , vn} uma base ortonormal de V. Ent˜ao, para cada v V, v =⟨v, v1⟩v1+⟨v, v2⟩v2+· · ·+⟨v, vn⟩vn.

Com efeito, desde que B´e uma base de V, ent˜ao [v1, v2, . . . , vn] =V. Agora, comoB´e, em particular, um subconjunto ortogonal deV formado por vetores n˜ao nulos, ent˜ao, pelo resultado anterior,v = ||v,vv 1

1||2v1+||v,vv 2

2||2v2+· · ·+||v,vv n

n||2vn, para todo v [v1, v2, . . . , vn] = V. Finalmente, desde que ||v1|| = ||v2|| =

· · ·=||vn||= 1, poisB ´e ortonormal, ent˜ao o resultado segue.

O pr´oximo resultado nos fornece um modo de obtermos um conjunto orto-gonal a partir de um conjunto LI.

Teorema 0.222. Seja V um espa¸co vetorial com produto interno ⟨, ⟩. Se S:={v1, v2, . . ., vn}´e um subconjunto LI deV, ent˜ao existe Se:={w1, w2, . . ., wn} um subconjunto ortogonal de V tal que [Se] = [S].

Fa¸camos por indu¸c˜ao em n.

Se n = 2, tomemos w1 := v1 e w2 := v2 ||vw2,w1||12w1. Notemos que w2 ̸=0 , pois v2 n˜ao ´e um m´ultiplo dew1 =v1, j´a que {v1, v2}´e LI. Como⟨w1, w2=

⟨v1, v2⟩ − ||vv21,v||12⟨v1, v1 = ⟨v1, v2⟩ − ⟨v2, v1 = 0, ent˜ao {w1, w2} ´e ortogo-nal. Ainda, como w1, w2 [v1, v2], ent˜ao [w1, w2] [v1, v2]. Da´ı, desde que dimR[w1, w2] = 2 = dimR[v1, v2] (pois {w1, w2}´e base para [w1, w2] e {v1, v2}

´

e base para [v1, v2]), segue que [w1, w2] = [v1, v2].

Suponhamos por hip´otese de indu¸c˜ao (HI) que o resultado vale para n−1.

Seja S :={v1, v2, . . . , vn} um subconjunto LI deV. Como {v1, v2, . . . , vn1}

´

e LI, ent˜ao, por (HI), existe {w1, w2, . . . , wn1} um subconjunto ortogonal de V tal que [v1, v2, . . . , vn1] = [w1, w2, . . . , wn1] (*). Tomemos wn :=

vnn1

i=1

vn,wi

||wi||2 wi. Seja Se:={w1, w2, . . ., wn}. Notemos que wn ̸=0 , pois vn

n˜ao ´e combina¸c˜ao linear de v1, . . . , vn−1, j´a que S ´e LI, e portanto tamb´em n˜ao ´e combina¸c˜ao linear de w1, . . . , wn1, por (*). Agora, para todo j = 1,2, . . . , n1,

⟨wn, wj = ⟨vnn1 i=1

vn,wi

||wi||2 wi, wj

= ⟨vn, wj⟩ −n1 i=1

vn,wi

||wi||2 ⟨wi, wj

= ⟨vn, wj⟩ −⟨v||nw,wj||j2⟨wj, wj

= 0,

pois⟨wi, wj= 0, se =j, uma vez que{w1, w2, . . . , wn1}´e ortogonal. Da´ı, Se´e ortogonal. Ainda, como, pela constru¸c˜ao dewne por (*),w1, w2, . . . , wn [v1, v2, . . . , vn], segue que [Se] [S]. Da´ı, desde que dimR[Se] = n = dimR[S] (pois Se´e base para [Se] eS ´e base para [S]), segue que [Se] = [S].

Observa¸c˜ao 0.223. A constru¸c˜ao feita na prova acima ´e chamada de pro-cesso de ortogonaliza¸c˜ao de Gram-Schmidt.

Observa¸c˜ao 0.224. Se V ´e um espa¸co vetorial com produto interno ⟨, e v V \ {0}, ent˜ao o vetor ||vv|| ´e um m´ultiplo por escalar de v tal que

||||vv||||= 1, pois ||||vv||||=|||1v|||.||v||= ||1v||.||v||= 1.

Corol´ario 0.225. Todo espa¸co vetorial (de dimens˜ao finita maior do que 0) com produto interno tem uma base ortonormal.

De fato, sejaV um espa¸co vetorial com produto interno, com dimRV =n >0.

Seja B := {v1, v2, . . . , vn} uma base de V. Pelo resultado anterior, existe Be := {w1, w2, . . . , wn} um subconjunto ortogonal de V tal que [Be] = [B].

Tomemos C :={||ww11||,||ww2

2||, . . . ,||wwn

n||}. Como C ´e LI, pois ´e um subconjunto ortonormal de V, e gera V, pois [C] = [Be] = [B] = V, segue que C ´e uma base ortonormal de V.

Exemplo 0.226. Consideremos R2 com o produto interno canˆonico ⟨, ⟩. Temos que {(1,1),(1,2)} ´e uma base de R2. Vamos construir uma base ortonormal de R2. Sejam v1 := (1,1) e v2 := (1,2). Tomemos w1 := v1. Temos que ||w1||2 =⟨w1, w1= 1.1 + 1.1 = 2 e ⟨v2, w1= 1.1 + 2.1 = 3. Da´ı, tomemos w2 := v2 ||vw2,w1||12w1 = (1,2) 32(1,1) = (1 32,2 32) = (12,12).

Logo, {w1, w2} ´e ortogonal (pelo processo acima). Da´ı, {||ww11||,||ww2

2||} ´e uma base ortonormal de R2 (pois ´e um conjunto LI com dois vetores). Notemos que ||ww1

1|| = (1,1)

2 = (22,22) e ||ww2

2|| = (

1 2,12)

2 2

= (22,22).

Defini¸c˜ao 0.227. Seja V um espa¸co vetorial com produto interno ⟨, ⟩. Seja S um subconjunto de V. Chamamos de ortogonal a SSS ao conjunto S :=

{v ∈V|⟨v, u⟩= 0, para todou∈ S}.

Proposi¸c˜ao 0.228. Seja V um espa¸co vetorial com produto interno⟨, ⟩. Se S ´e um subconjunto de V, ent˜ao S ´e um subespa¸co de V.

De fato, 0∈ S, pois 0, u⟩= 0, para todo u∈V. Sejam λ R,v, w∈ S. Como ⟨λv+w, u⟩ =λ⟨v, u⟩+⟨w, u⟩=λ.0 + 0 = 0, para todo u∈V, ent˜ao λv+w∈ S. Assim, S ´e um subespa¸co de V.

Observa¸c˜ao 0.229. Notemos que S ´e sempre um subespa¸co de V, mesmo que S n˜ao o seja.

Ainda, se S = {0}, ent˜ao, para todo v V, ⟨v,0 = 0, donde V ⊂ S e portanto S=V.

Se S cont´em uma base ortogonal {u1, u2, . . . , un}de V, ent˜aoS={0}. De

fato, se v ∈ S, existem escalares α1, α2, . . . , αn tais que v =α1u1+α2u2+

· · ·+αnun. Da´ı,0 = ⟨v, u⟩=α1⟨u1, u⟩+α2⟨u2, u⟩+· · ·+αn⟨un, u⟩, para todo u ∈ S. Em particular, 0 = ⟨v, u1 = α1⟨u1, u1⟩, donde, como ⟨u1, u1 > 0, segue que α1 = 0. Analogamente, obtemos que α2 =· · ·=αn= 0. Portanto, neste caso, se v ∈ S, ent˜ao v =0, isto ´e, S ={0}.

Exemplo 0.230. Consideremos R3 com o produto interno canˆonico ⟨, ⟩. SejaS :={(1,1,1),(1,1,2)}. CalculemosSe mostremos queR3 = [S]⊕S. Se (x, y, z)∈ S, ent˜ao (x, y, z),(1,1,1) = 0 e (x, y, z),(1,1,2)= 0, isto

´

e, {

1x+ 1y+ 1z = 0 1x+ 1y+ 2z = 0

Logo, z = 0 e y=−x, donde S={(x,−x,0)|x∈R}= [(1,1,0)].

Agora, [S] = [(1,1,1),(1,1,2)] = {α(1,1,1) +β(1,1,2)|α, β R} = {(α+ β, α+β, α+ 2β)|α, β R}. Se (α+β, α+β, α+ 2β) = (x,−x,0), ent˜ao α +β = x = (α+β) e α+ 2β = 0. Da´ı, β = 0 e α = 0, donde (α+ β, α+β, α+ 2β) = (0,0,0) e portanto [S]∩ S = {(0,0,0)}. Ainda, como {(1,1,1),(1,1,2),(1,1,0)} gera R3 (verifique), segue que R3 = [S] +S. Portanto, R3 = [S]⊕ S.

O pr´oximo resultado nos d´a uma caracteriza¸c˜ao dos vetores do ortogonal a um subespa¸co.

Proposi¸c˜ao 0.231. Seja V um espa¸co vetorial com produto interno ⟨, ⟩. Sejam W um subespa¸co de V e B :={w1, w2, . . . , wk} um conjunto gerador de W. Ent˜ao v ∈W se, e somente se, ⟨v, wi= 0, para todo i= 1, . . . , k. De fato, se w W, ent˜ao existem escalares α1, α2, . . . , αk tais que w = α1w1+α2w2+· · ·+αkwk. Da´ı, se v ∈V, ent˜ao⟨v, w⟩=⟨v, α1w1+α2w2+

· · · + αkwk = α1⟨v, w1 + α2⟨v, w2+ · · · + αk⟨v, wk. Por um lado, se

⟨v, wi = 0, para todo i = 1, . . . , k, ent˜ao ⟨v, w⟩ = 0, para todo w W, e

portanto v W. Por outro lado, se v W, ent˜ao, para todo w W,

⟨v, w⟩= 0 e da´ı⟨v, wi= 0, para todo i= 1, . . . , k, pois w1, w2, . . . , wk∈W.

Observa¸c˜ao 0.232. Seja V um espa¸co vetorial com produto interno ⟨, ⟩. Se S ´e um subconjunto de V, ent˜ao [S] = S. De fato, por um lado, se w [S], ent˜ao, em particular, ⟨w, u⟩= 0, para todo u ∈ S, donde w ∈ S e portanto [S] ⊂ S. Por outro lado, se w ∈ S, ent˜ao ⟨w, u⟩ = 0, para todo u∈ S. Da´ı, comoS ´e um conjunto gerador de[S], ent˜ao, pelo resultado anterior, w∈[S] e portanto S [S]. Logo, [S]=S.

Proposi¸c˜ao 0.233. Seja V um espa¸co vetorial com produto interno ⟨, de dimens˜ao finita. Se W ´e um subespa¸co de V, ent˜ao V =W ⊕W.

Com efeito, se V = {0}, ent˜ao {0} = {0} ⊕ {0} e o resultado segue.

Seja ent˜ao V ̸= {0}. Seja W um subespa¸co de V. Se W = {0}, ent˜ao W = V e portanto V = {0} ⊕V. Seja ent˜ao W ̸= {0}. Como W ´e um subespa¸co de dimens˜ao finita maior do que 0, segue queW possui uma base ortonormal B :={w1, w2, . . . , wk}. Como B ´e LI, existe uma base de V que cont´em B, digamos {w1, w2, . . . , wk, v1, v2. . . , vn}. Aplicando o processo de ortogonaliza¸c˜ao de Gram-Schmidt, obtemosC :={u1, u2, . . . , uk+n}, com

u1 := w1,

u2 := w2 ||wu21,u||12u1 =w2 ...

uk := wkk1

i=1

wk,ui

||ui||2 ui =wk,

pois ⟨wj, wi= 0, para todoj ̸=i. Verifiquemos que W= [uk+1, . . . , uk+n].

De fato, como ⟨uk+1, wi = 0, para todo i = 1, . . . , k, pois C ´e ortogo-nal, ent˜ao pela proposi¸c˜ao anterior segue que uk+1 W. Da mesma forma, uk+2, . . . , uk+n W, donde, como W ´e um subespa¸co, segue que [uk+1, . . . , uk+n]⊂W. Mas sew∈W, ent˜ao sabemos quew=∑k+n

i=1

w,ui

||ui||2ui,

pois em particular w∈[u1, . . . , uk+n] = [C] eC ´e um conjunto ortogonal for-mado por vetores n˜ao nulos. Da´ı, desde que, ⟨w, wi = 0, pois w W e wi W, para todo i = 1, . . . , k, ent˜ao w = ∑k+n

i=k+1

w,ui

||ui||2ui e portanto w [uk+1, . . . , uk+n]. Logo, W = [uk+1, . . . , uk+n]. Finalmente, notemos que V = W +W pois C gera V, e W ∩W = {0} pois C ´e LI. Portanto, V =W ⊕W.

Observa¸c˜ao 0.234. Seja V um espa¸co vetorial com produto interno ⟨, de dimens˜ao finita. Se S ´e um subconjunto de V, ent˜ao, pelos resultados anteriores, V = [S]⊕ S, pois V = [S][S] e [S] =S.

Exemplo 0.235. Consideremos R2 com o produto interno canˆonico ⟨, ⟩. Seja S:={(11,13)}. CalculemosS. Se(x, y)∈ S, ent˜ao⟨(x, y),(11,13)= 0, isto ´e, 11x+ 13y= 0. Logo, y=1113x, donde S={(x,1113x)|x∈R}= [(1,1113)]. Pela observa¸c˜ao anterior, R2 = [S]⊕ S = [(11,13)][(1,1113)].

Corol´ario 0.236. Seja V um espa¸co vetorial com produto interno ⟨,⟩ de dimens˜ao finita. Se W ´e um subespa¸co de V, ent˜ao dimRV = dimRW + dimRW.

Com efeito, seja W um subespa¸co de V. Ent˜ao, pelo resultado anterior, V = W ⊕W. Da´ı, dimRV = dimRW + dimRW dimR(W ∩W) = dimRW + dimRW0 = dimRW + dimRW.

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