⟨(x1, x2, x3),(y1, y2, y3)⟩∗ = 17x1.y1+ 13x2.y2+ 11x3.y3
(verifique que de fato ⟨, ⟩∗ ´e um produto interno). Ent˜ao ||(x1, x2, x3)||∗ =
√17x21+ 13x22+ 11x23 e portanto ||(1,0,0)||∗ = √
17, ||(0,1,0)||∗ = √ 13 e
||(0,0,1)||∗=√
11. Da´ı, ||(√1
17,0,0)||∗=1, ||(0,√1
13,0)||∗=1 e ||(0,0,√1
11)||∗=1.
Consideremos agora R3 com o produto interno canˆonico. Ent˜ao ||(1,0,0)||= 1, ||(0,1,0)||= 1 e ||(0,0,1)||= 1.
Exemplo 0.215. SejaV um espa¸co vetorial com produto interno⟨, ⟩. Sejam u, v ∈V tais que:
a) ||u|| = 3, ||v|| = 4 e ||u+v|| = 7. Calculemos ⟨u, v⟩ e ||u−v||. Como 72 =||u+v||2 =⟨u+v, u+v⟩=⟨u, u⟩+⟨u, v⟩+⟨v, u⟩+⟨v, v⟩= 32+2⟨u, v⟩+42, ent˜ao ⟨u, v⟩= 12. Da´ı, como ||u−v||2 =⟨u−v, u−v⟩=⟨u, u⟩+⟨u,−v⟩+
⟨−v, u⟩+⟨−v,−v⟩= 32−2.12 + 42 = 1, ent˜ao ||u−v||= 1.
b) ||u||= 3, ||v||= 4 e ||u−v||= 5. Calculemos⟨u, v⟩ e ||u+v||. Desde que 52 =||u−v||2 = 32 −2⟨u, v⟩+ 42, ent˜ao ⟨u, v⟩= 0. Da´ı, como ||u+v||2 = 32+ 2.0 + 42 = 25, ent˜ao ||u+v||= 5.
c)||u||= 0e||v||= 1. Calculemos ⟨u, v⟩e||u−v||e||u+v||. J´a que||u||= 0, ent˜ao u=→0, donde ⟨u, v⟩=⟨→0, v⟩ = 0, ||u−v||=|| −v||=| −1|||v||= 1 e
||u+v||=||v||= 1.
d) ||u−v|| = 2 e ||u+v|| = 4. Calculemos ⟨u, v⟩. Temos que ⟨u, v⟩ =
1
4||u+v||2+14||u−v||2 = 1442− 1422 = 3.
Observa¸c˜ao 0.216. Seja V um espa¸co vetorial com produto interno ⟨, ⟩. Se, para todo v ∈ V, ⟨u, v⟩ = 0, ent˜ao u =→0. Com efeito, tomando em particular v =u, obtemos que ⟨u, u⟩= 0 e portanto u=→0.
2. Um subconjunto S de V ´e chamado de ortogonal se ⟨u, v⟩ = 0, para todo u̸=v, u, v ∈ S
3. Um subconjunto S de V ´e chamado de ortonormal se for ortogonal e
||u||= 1, para todo u∈ S
Observa¸c˜ao 0.218. Notemos que, se V ´e um espa¸co vetorial com produto interno ⟨, ⟩, ent˜ao o vetor nulo de V ´e ortogonal a todos os vetores de V, pois ⟨→0, v⟩ = 0, para todo v ∈V. Al´em disto, mostramos que se ⟨u, v⟩ = 0, para todo v ∈V, ent˜ao u=→0, donde →0 ´e o ´unico vetor de V que ´e ortogonal a todos os vetores de V.
Exemplo 0.219. A base canˆonica deRn (este com o produto interno canˆ o-nico) ´e ortonormal.
A base canˆonica de Mm×n(R) (este com o produto interno canˆonico) ´e or-tonormal. De fato, para m = n = 2, lembremos que ⟨(aa1121aa1222),(b
11 b12
b21 b22
)⟩ = a11.b11+a12.b12+a21.b21+a22.b22 e BC ={(1 00 0),(0 10 0),(0 01 0),(0 00 1)}. Como
⟨(1 00 0),(1 00 0)⟩= 1.1 + 0.0 + 0.0 + 0.0 = 1, ent˜ao ||(1 00 0)|| =√
1 = 1. Analo-gamente, ||(0 10 0)||= 1, ||(0 01 0)||= 1 e ||(0 00 1)||= 1. Logo, os quatro vetores de BC s˜ao unit´arios. Agora, desde que, ⟨(1 00 0),(0 10 0)⟩ = 1.0 + 0.1 + 0.0 + 0.0 = 0, ent˜ao (1 00 0) e (0 10 0) s˜ao ortogonais. Analogamente, obtemos que
⟨(1 00 0),(0 01 0)⟩ = 0,⟨(1 00 0),(0 00 1)⟩ = 0,⟨(0 10 0),(0 01 0)⟩ = 0,⟨(0 10 0),(0 00 1)⟩ = 0 e
⟨(0 01 0),(0 00 1)⟩= 0, donde BC ´e ortonormal.
Proposi¸c˜ao 0.220. Seja V um espa¸co vetorial com produto interno ⟨, ⟩. SejaS um subconjunto ortogonal deV formado por vetores n˜ao nulos. Ent˜ao:
1. Se v ∈[v1, v2, . . . , vn], com v1, v2, . . . , vn∈ S, segue que v = ||⟨v,vv 1⟩
1||2v1 +
⟨v,v2⟩
||v2||2v2 + · · · + ⟨||v,vv n⟩
n||2vn 2. S ´e LI
De fato, se v ∈[v1, v2, . . . , vn], ent˜ao existem escalaresα1, α2, . . . , αn tais que v =α1v1+α2v2+· · ·+αnvn. Mas⟨vi, vj⟩= 0, sei̸=j, poisv1, v2, . . . , vn∈ S e S ´e ortogonal. Da´ı, ⟨v, v1⟩=⟨α1v1+α2v2+· · ·+αnvn, v1⟩(P=1)α1⟨v1, v1⟩+ α2⟨v2, v1⟩+· · ·+αn⟨vn, v1⟩ = α1⟨v1, v1⟩. Como v1 ̸=→0 , ent˜ao ⟨v1, v1⟩ ̸= 0, donde α1 = ⟨⟨vv,v1⟩
1,v1⟩ = ⟨||v,vv 1⟩
1||2. Da mesma forma, α2 = ⟨||v,vv 2⟩
2||2, . . . , αn = ⟨||v,vv n⟩
n||2. Logo, v = α1v1 +α2v2 +· · ·+ αnvn = ⟨||v,vv 1⟩
1||2v1 + ⟨||v,vv 2⟩
2||2v2 + · · ·+ ⟨||v,vv n⟩
n||2vn. Mostremos (2). Seja c:=β1u1+β2u2+· · ·+βmum uma combina¸c˜ao linear qualquer de vetores de S (com u1, u2, . . . , um ∈ S e β1, β2, . . . , βm ∈ R).
Suponhamos que c ´e o vetor nulo. Da´ı, →0 = β1u1 + β2u2 +· · · +βmum. Pela prova de (1), como →0∈ [u1, u2, . . . , um], obtemos que β1 = ⟨
→0,u1⟩
||u1||2, β2 =
⟨→0,u2⟩
||u2||2, . . . , βm = ⟨
→0,um⟩
||um||2 , dondeβ1 =β2 =· · ·=βm = 0 e portanto S ´e LI.
Corol´ario 0.221. SejaV um espa¸co vetorial com produto interno⟨, ⟩. Seja B := {v1, v2, . . . , vn} uma base ortonormal de V. Ent˜ao, para cada v ∈ V, v =⟨v, v1⟩v1+⟨v, v2⟩v2+· · ·+⟨v, vn⟩vn.
Com efeito, desde que B´e uma base de V, ent˜ao [v1, v2, . . . , vn] =V. Agora, comoB´e, em particular, um subconjunto ortogonal deV formado por vetores n˜ao nulos, ent˜ao, pelo resultado anterior,v = ⟨||v,vv 1⟩
1||2v1+⟨||v,vv 2⟩
2||2v2+· · ·+⟨||v,vv n⟩
n||2vn, para todo v ∈ [v1, v2, . . . , vn] = V. Finalmente, desde que ||v1|| = ||v2|| =
· · ·=||vn||= 1, poisB ´e ortonormal, ent˜ao o resultado segue.
O pr´oximo resultado nos fornece um modo de obtermos um conjunto orto-gonal a partir de um conjunto LI.
Teorema 0.222. Seja V um espa¸co vetorial com produto interno ⟨, ⟩. Se S:={v1, v2, . . ., vn}´e um subconjunto LI deV, ent˜ao existe Se:={w1, w2, . . ., wn} um subconjunto ortogonal de V tal que [Se] = [S].
Fa¸camos por indu¸c˜ao em n.
Se n = 2, tomemos w1 := v1 e w2 := v2 − ⟨||vw2,w1||12⟩w1. Notemos que w2 ̸=→0 , pois v2 n˜ao ´e um m´ultiplo dew1 =v1, j´a que {v1, v2}´e LI. Como⟨w1, w2⟩=
⟨v1, v2⟩ − ⟨||vv21,v||12⟩⟨v1, v1⟩ = ⟨v1, v2⟩ − ⟨v2, v1⟩ = 0, ent˜ao {w1, w2} ´e ortogo-nal. Ainda, como w1, w2 ∈ [v1, v2], ent˜ao [w1, w2] ⊂ [v1, v2]. Da´ı, desde que dimR[w1, w2] = 2 = dimR[v1, v2] (pois {w1, w2}´e base para [w1, w2] e {v1, v2}
´
e base para [v1, v2]), segue que [w1, w2] = [v1, v2].
Suponhamos por hip´otese de indu¸c˜ao (HI) que o resultado vale para n−1.
Seja S :={v1, v2, . . . , vn} um subconjunto LI deV. Como {v1, v2, . . . , vn−1}
´
e LI, ent˜ao, por (HI), existe {w1, w2, . . . , wn−1} um subconjunto ortogonal de V tal que [v1, v2, . . . , vn−1] = [w1, w2, . . . , wn−1] (*). Tomemos wn :=
vn−∑n−1
i=1
⟨vn,wi⟩
||wi||2 wi. Seja Se:={w1, w2, . . ., wn}. Notemos que wn ̸=→0 , pois vn
n˜ao ´e combina¸c˜ao linear de v1, . . . , vn−1, j´a que S ´e LI, e portanto tamb´em n˜ao ´e combina¸c˜ao linear de w1, . . . , wn−1, por (*). Agora, para todo j = 1,2, . . . , n−1,
⟨wn, wj⟩ = ⟨vn−∑n−1 i=1
⟨vn,wi⟩
||wi||2 wi, wj⟩
= ⟨vn, wj⟩ −∑n−1 i=1
⟨vn,wi⟩
||wi||2 ⟨wi, wj⟩
= ⟨vn, wj⟩ −⟨v||nw,wj||j2⟩⟨wj, wj⟩
= 0,
pois⟨wi, wj⟩= 0, se i̸=j, uma vez que{w1, w2, . . . , wn−1}´e ortogonal. Da´ı, Se´e ortogonal. Ainda, como, pela constru¸c˜ao dewne por (*),w1, w2, . . . , wn∈ [v1, v2, . . . , vn], segue que [Se] ⊂ [S]. Da´ı, desde que dimR[Se] = n = dimR[S] (pois Se´e base para [Se] eS ´e base para [S]), segue que [Se] = [S].
Observa¸c˜ao 0.223. A constru¸c˜ao feita na prova acima ´e chamada de pro-cesso de ortogonaliza¸c˜ao de Gram-Schmidt.
Observa¸c˜ao 0.224. Se V ´e um espa¸co vetorial com produto interno ⟨, ⟩ e v ∈ V \ {→0}, ent˜ao o vetor ||vv|| ´e um m´ultiplo por escalar de v tal que
||||vv||||= 1, pois ||||vv||||=|||1v|||.||v||= ||1v||.||v||= 1.
Corol´ario 0.225. Todo espa¸co vetorial (de dimens˜ao finita maior do que 0) com produto interno tem uma base ortonormal.
De fato, sejaV um espa¸co vetorial com produto interno, com dimRV =n >0.
Seja B := {v1, v2, . . . , vn} uma base de V. Pelo resultado anterior, existe Be := {w1, w2, . . . , wn} um subconjunto ortogonal de V tal que [Be] = [B].
Tomemos C :={||ww11||,||ww2
2||, . . . ,||wwn
n||}. Como C ´e LI, pois ´e um subconjunto ortonormal de V, e gera V, pois [C] = [Be] = [B] = V, segue que C ´e uma base ortonormal de V.
Exemplo 0.226. Consideremos R2 com o produto interno canˆonico ⟨, ⟩. Temos que {(1,1),(1,2)} ´e uma base de R2. Vamos construir uma base ortonormal de R2. Sejam v1 := (1,1) e v2 := (1,2). Tomemos w1 := v1. Temos que ||w1||2 =⟨w1, w1⟩= 1.1 + 1.1 = 2 e ⟨v2, w1⟩= 1.1 + 2.1 = 3. Da´ı, tomemos w2 := v2 − ⟨||vw2,w1||12⟩w1 = (1,2)− 32(1,1) = (1− 32,2− 32) = (−12,12).
Logo, {w1, w2} ´e ortogonal (pelo processo acima). Da´ı, {||ww11||,||ww2
2||} ´e uma base ortonormal de R2 (pois ´e um conjunto LI com dois vetores). Notemos que ||ww1
1|| = (1,1)√
2 = (√22,√22) e ||ww2
2|| = (−
1 2,12)
√2 2
= (−√22,√22).
Defini¸c˜ao 0.227. Seja V um espa¸co vetorial com produto interno ⟨, ⟩. Seja S um subconjunto de V. Chamamos de ortogonal a SSS ao conjunto S⊥ :=
{v ∈V|⟨v, u⟩= 0, para todou∈ S}.
Proposi¸c˜ao 0.228. Seja V um espa¸co vetorial com produto interno⟨, ⟩. Se S ´e um subconjunto de V, ent˜ao S⊥ ´e um subespa¸co de V.
De fato, →0∈ S⊥, pois ⟨→0, u⟩= 0, para todo u∈V. Sejam λ ∈R,v, w∈ S⊥. Como ⟨λv+w, u⟩ =λ⟨v, u⟩+⟨w, u⟩=λ.0 + 0 = 0, para todo u∈V, ent˜ao λv+w∈ S⊥. Assim, S⊥ ´e um subespa¸co de V.
Observa¸c˜ao 0.229. Notemos que S⊥ ´e sempre um subespa¸co de V, mesmo que S n˜ao o seja.
Ainda, se S = {→0}, ent˜ao, para todo v ∈ V, ⟨v,→0⟩ = 0, donde V ⊂ S⊥ e portanto S⊥=V.
Se S cont´em uma base ortogonal {u1, u2, . . . , un}de V, ent˜aoS⊥={→0}. De
fato, se v ∈ S⊥, existem escalares α1, α2, . . . , αn tais que v =α1u1+α2u2+
· · ·+αnun. Da´ı,0 = ⟨v, u⟩=α1⟨u1, u⟩+α2⟨u2, u⟩+· · ·+αn⟨un, u⟩, para todo u ∈ S. Em particular, 0 = ⟨v, u1⟩ = α1⟨u1, u1⟩, donde, como ⟨u1, u1⟩ > 0, segue que α1 = 0. Analogamente, obtemos que α2 =· · ·=αn= 0. Portanto, neste caso, se v ∈ S⊥, ent˜ao v =→0, isto ´e, S⊥ ={→0}.
Exemplo 0.230. Consideremos R3 com o produto interno canˆonico ⟨, ⟩. SejaS :={(1,1,1),(1,1,2)}. CalculemosS⊥e mostremos queR3 = [S]⊕S⊥. Se (x, y, z)∈ S⊥, ent˜ao ⟨(x, y, z),(1,1,1)⟩ = 0 e ⟨(x, y, z),(1,1,2)⟩= 0, isto
´
e, {
1x+ 1y+ 1z = 0 1x+ 1y+ 2z = 0
Logo, z = 0 e y=−x, donde S⊥={(x,−x,0)|x∈R}= [(1,−1,0)].
Agora, [S] = [(1,1,1),(1,1,2)] = {α(1,1,1) +β(1,1,2)|α, β ∈ R} = {(α+ β, α+β, α+ 2β)|α, β ∈ R}. Se (α+β, α+β, α+ 2β) = (x,−x,0), ent˜ao α +β = x = −(α+β) e α+ 2β = 0. Da´ı, β = 0 e α = 0, donde (α+ β, α+β, α+ 2β) = (0,0,0) e portanto [S]∩ S⊥ = {(0,0,0)}. Ainda, como {(1,1,1),(1,1,2),(1,−1,0)} gera R3 (verifique), segue que R3 = [S] +S⊥. Portanto, R3 = [S]⊕ S⊥.
O pr´oximo resultado nos d´a uma caracteriza¸c˜ao dos vetores do ortogonal a um subespa¸co.
Proposi¸c˜ao 0.231. Seja V um espa¸co vetorial com produto interno ⟨, ⟩. Sejam W um subespa¸co de V e B :={w1, w2, . . . , wk} um conjunto gerador de W. Ent˜ao v ∈W⊥ se, e somente se, ⟨v, wi⟩= 0, para todo i= 1, . . . , k. De fato, se w ∈ W, ent˜ao existem escalares α1, α2, . . . , αk tais que w = α1w1+α2w2+· · ·+αkwk. Da´ı, se v ∈V, ent˜ao⟨v, w⟩=⟨v, α1w1+α2w2+
· · · + αkwk⟩ = α1⟨v, w1⟩ + α2⟨v, w2⟩+ · · · + αk⟨v, wk⟩. Por um lado, se
⟨v, wi⟩ = 0, para todo i = 1, . . . , k, ent˜ao ⟨v, w⟩ = 0, para todo w ∈ W, e
portanto v ∈ W⊥. Por outro lado, se v ∈ W⊥, ent˜ao, para todo w ∈ W,
⟨v, w⟩= 0 e da´ı⟨v, wi⟩= 0, para todo i= 1, . . . , k, pois w1, w2, . . . , wk∈W.
Observa¸c˜ao 0.232. Seja V um espa¸co vetorial com produto interno ⟨, ⟩. Se S ´e um subconjunto de V, ent˜ao [S]⊥ = S⊥. De fato, por um lado, se w ∈[S]⊥, ent˜ao, em particular, ⟨w, u⟩= 0, para todo u ∈ S, donde w ∈ S⊥ e portanto [S]⊥ ⊂ S⊥. Por outro lado, se w ∈ S⊥, ent˜ao ⟨w, u⟩ = 0, para todo u∈ S. Da´ı, comoS ´e um conjunto gerador de[S], ent˜ao, pelo resultado anterior, w∈[S]⊥ e portanto S⊥ ⊂[S]⊥. Logo, [S]⊥=S⊥.
Proposi¸c˜ao 0.233. Seja V um espa¸co vetorial com produto interno ⟨, ⟩ de dimens˜ao finita. Se W ´e um subespa¸co de V, ent˜ao V =W ⊕W⊥.
Com efeito, se V = {→0}, ent˜ao {→0} = {→0} ⊕ {→0} e o resultado segue.
Seja ent˜ao V ̸= {→0}. Seja W um subespa¸co de V. Se W = {→0}, ent˜ao W⊥ = V e portanto V = {0} ⊕V. Seja ent˜ao W ̸= {0}. Como W ´e um subespa¸co de dimens˜ao finita maior do que 0, segue queW possui uma base ortonormal B :={w1, w2, . . . , wk}. Como B ´e LI, existe uma base de V que cont´em B, digamos {w1, w2, . . . , wk, v1, v2. . . , vn}. Aplicando o processo de ortogonaliza¸c˜ao de Gram-Schmidt, obtemosC :={u1, u2, . . . , uk+n}, com
u1 := w1,
u2 := w2− ⟨||wu21,u||12⟩u1 =w2 ...
uk := wk−∑k−1
i=1
⟨wk,ui⟩
||ui||2 ui =wk,
pois ⟨wj, wi⟩= 0, para todoj ̸=i. Verifiquemos que W⊥= [uk+1, . . . , uk+n].
De fato, como ⟨uk+1, wi⟩ = 0, para todo i = 1, . . . , k, pois C ´e ortogo-nal, ent˜ao pela proposi¸c˜ao anterior segue que uk+1 ∈ W⊥. Da mesma forma, uk+2, . . . , uk+n ∈ W⊥, donde, como W⊥ ´e um subespa¸co, segue que [uk+1, . . . , uk+n]⊂W⊥. Mas sew∈W⊥, ent˜ao sabemos quew=∑k+n
i=1
⟨w,ui⟩
||ui||2ui,
pois em particular w∈[u1, . . . , uk+n] = [C] eC ´e um conjunto ortogonal for-mado por vetores n˜ao nulos. Da´ı, desde que, ⟨w, wi⟩ = 0, pois w ∈ W⊥ e wi ∈ W, para todo i = 1, . . . , k, ent˜ao w = ∑k+n
i=k+1
⟨w,ui⟩
||ui||2ui e portanto w ∈ [uk+1, . . . , uk+n]. Logo, W⊥ = [uk+1, . . . , uk+n]. Finalmente, notemos que V = W +W⊥ pois C gera V, e W ∩W⊥ = {→0} pois C ´e LI. Portanto, V =W ⊕W⊥.
Observa¸c˜ao 0.234. Seja V um espa¸co vetorial com produto interno ⟨, ⟩ de dimens˜ao finita. Se S ´e um subconjunto de V, ent˜ao, pelos resultados anteriores, V = [S]⊕ S⊥, pois V = [S]⊕[S]⊥ e [S]⊥ =S⊥.
Exemplo 0.235. Consideremos R2 com o produto interno canˆonico ⟨, ⟩. Seja S:={(11,13)}. CalculemosS⊥. Se(x, y)∈ S⊥, ent˜ao⟨(x, y),(11,13)⟩= 0, isto ´e, 11x+ 13y= 0. Logo, y=−1113x, donde S⊥={(x,−1113x)|x∈R}= [(1,−1113)]. Pela observa¸c˜ao anterior, R2 = [S]⊕ S⊥ = [(11,13)]⊕[(1,−1113)].
Corol´ario 0.236. Seja V um espa¸co vetorial com produto interno ⟨,⟩ de dimens˜ao finita. Se W ´e um subespa¸co de V, ent˜ao dimRV = dimRW + dimRW⊥.
Com efeito, seja W um subespa¸co de V. Ent˜ao, pelo resultado anterior, V = W ⊕W⊥. Da´ı, dimRV = dimRW + dimRW⊥ −dimR(W ∩W⊥) = dimRW + dimRW⊥−0 = dimRW + dimRW⊥.