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Apêndice I – Sítio eletrônico do CHCP

2.1 Os antecedentes

Na busca de um envolvimento da história platina com o surgimento da força pública estadual sul-rio-grandense, faz-se necessário que se conheçam os acontecimentos que antecederam à sua criação em 1837, primeiramente como Corpo Policial, e após várias transformações estruturais e alterações de denominação assumiu a atual estrutura e a denominação de Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul.

No intento de trazer à luz a contextualização histórica da formação do Estado do Rio Grande do Sul, e nele encontrar as razões e implicações que contribuíram para a formação da Brigada Militar, são bastante pertinentes as considerações de Padoin (2001)11 em seu livro Federalismo Gaúcho: fronteira platina, direito e revolução, no qual, no primeiro capítulo intitulado A História Platina e o Federalismo, a autora nos

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Obra que foi resultado parcial da tese de doutorado de Maria Medianeira Padoin, defendida na UFRGS em 1999.

traz, de uma forma sucinta e clara, o enredo que compôs as origens da formação deste Estado.

Segundo Padoin (2001, p. 15), no século XVIII, o espaço fronteiriço platino, especialmente as zonas de colonização portuguesa e espanhola foram palcos de inúmeros conflitos e guerras civis pela disputa de territórios e de poder, sendo também do interesse de nações como a Inglaterra.

No século XVI, após grande resistência da população indígena que ali vivia, os espanhóis foram os primeiros europeus a se instalarem nessa região, com a criação das missões jesuíticas, trazendo o gado cavalar, e, posteriormente o bovino, que procriou e aumentou desgovernadamente, sendo, então, organizadas pelos jesuítas imensas vacarias, nas quais foram empregados como mão-de-obra, os indígenas, por serem hábeis ginetes e caçadores do gado selvagem.

No fim do século XVII e começo do século XVIII, aconteceu uma crescente peculiaridade na região, assim como em sua população. Devido ao aspecto econômico, houve interesse pela caça do gado, por parte de espanhóis, portugueses e indígenas, para utilização desses animais como transporte ou para o abate e retirada do couro e sebo. A interação entre esses povos resultou em modificações sociais e culturais, especialmente entre os nativos da terra.

Na busca pelo gado, que se encontrava espalhado pelo território, os homens, muitos deles desertores dos exércitos português e espanhol, fugitivos da justiça e negros, acabavam por se misturar aos indígenas, surgindo então o mestiço, um novo elemento social que passou a ser chamado de gaúcho ou gaudério.

Padoin (2001, p. 17) ainda nos relata que o grande interesse português pela Região Platina, resultou, no ano de 1680, na fundação da Colônia do Sacramento, tendo em vista o controle da margem do Rio da Prata, as terras da Banda Oriental e a Capitania Del Rei e assim assegurar o contrabando e o comércio de escravos entre o Brasil e Buenos Aires. Movidos por tais interesses econômicos, os impérios português e espanhol fundaram fortificações, sendo que Portugal fundou fortes na cidade de Rio Grande, em 1737, e a Espanha, entre outros, fundou um forte em Montevidéu no ano de 1727, além de estimular o estabelecimento das reduções jesuíticas dos Sete Povos.

Reichel (2006)corrobora com as afirmações de Padoin (2001) acrescentando que, no espaço fronteiriço da Região Platina, os conflitos foram constantes durante todo o período colonial, e os avanços e recuos dos limites divisórios dos Impérios português e espanhol marcaram seus habitantes tanto nos tempos de guerra como nos de paz, levando-os a perceber a fronteira como uma possibilidade de estabelecer redes de trocas, contatos, de concretizar desejos, de reagir a dificuldades.

Desde o final do século XVII e ao longo do XVIII, a região da campanha viu-se envolvida na disputa territorial travada por portugueses e espanhóis, ocasionando escaramuças, sitiamentos, confiscos de mercadorias, contrabando, formação de milícias e construções de fortes.

Com a intensificação das disputas pelas terras da zona fronteiriça, por sua riqueza ganadeira, “As duas Coroas militarizaram a área, construindo fortes, destacando milícias de soldados e guardas de fronteira”12.

Também nessa direção Simões13 tece as seguintes considerações:

Nessa tendência progressiva do domínio português em direção ao Sul, a 15 de fevereiro de 1737, adrentou no canal de Rio Grande a famosa expedição do Brigadeiro José da Silva Paes. Era o marco inicial da ocupação e povoação oficial do Rio Grande do Sul. Materializando-se esta investida com a fundação do Presídio Jesus-Maria-José.14

De acordo com o autor, essa expedição representa o surgimento das primeiras organizações militares e policiais militares do Rio Grande do Sul, pois a mesma era composta por 254 homens, dentre os quais estavam 37 Dragões, que mais tarde formaram o Regimento de Dragões de Rio Pardo, uma organização que tinha como missão a defesa do território Rio-grandense e a execução de atividades de preservação da ordem pública.

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Reichel (2006, p. 50) 13

Moacir Almeida Simões é oficial da Brigada Militar do RS. 14

A vinda da família real portuguesa para o Brasil, em 1808, ocasionou uma série de mudanças, a fim de dar conta dessa nova realidade. No tocante às questões de segurança, figurou a busca pela solução de problemas relacionados às atividades de policiamento, conforme afirma Mariante:

Uma das inovações que a transferência da Corte trouxe para o Brasil foi a criação, por Alvará de 10 de maio de 1808, da INTENDÊNCIA GERAL DE POLÍCIA DA CORTE, e, logo a seguir, da GUARDA REAL DE POLÍCIA, que concorreram para desobrigar o Exército, em parte, da função policial na capital do País.

Nos outros pontos da nação as milícias são reajustadas e foram organizados

Corpos de Caçadores a Pé, as Legiões de São Paulo, Baía, Ceará e Piauí,

datando da estada de D. João VI no Brasil a criação de pedestres, dragões,

pretos, pardos, polícias e milícias na Baía, Rio Grande do Sul, Ceará, Goiás,

Mariana e Ouro Preto.15

As questões militares, no que tange à segurança e à defesa do território, se faziam cada vez mais presentes, principalmente em momentos de tensão, como o ocorrido na região platina, que, segundo Pesavento (2002), aconteceu em 1825, quando a Banda Oriental se revoltou contra o domínio do Brasil naquela região, por meio da Guerra Cisplatina, obrigando o Rio Grande do Sul, mais uma vez, a organizar- se em uma intensa campanha militar, que resultou em 1828 na assinatura de paz, tornando independente o Uruguai. Porém, para o Brasil essa perda significou prejuízos, já que o gado uruguaio foi destinado aos “saladeros” platinos e não mais às charqueadas rio-grandenses. Junto a isso, no decorrer da guerra, outros conflitos foram aparecendo, ressaltando cada vez mais as diferenças entre mandantes locais e os do centro do país.

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