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No Brasil, segundo SEGAWA, o governador-geral da Nova Holanda (1637-1644) no Recife, construiu junto ao seu palácio um jardim que era aberto ao público quando este sentia vontade. Mas, efetivamente, espaço preparado para o uso público foi construído no Rio de Janeiro – o Passeio Público, entre 1779 e 1783.

Somente na segunda metade do século XIX, com a emergência da cidade de São Paulo no cenário político e econômico nacional, as áreas verdes públicas passaram a receber maior importância e a merecer mais atenção por parte dos poderes constituídos, quando se criou um órgão específico para se tratar do assunto. Em 1838, São Paulo ganha seu primeiro jardim público com a abertura dos portões do Horto Botânico da Luz que, mais, tarde levaria o nome de Jardim da Luz.

Outros parques viriam a surgir somente no início do século XX, contendo além da função de contemplação, a de recreio. Exceção se fez à Ilha dos Amores que data

67 de 1870 e foi extinta em 1893. Os espaços vazios na cidade de São Paulo escasseavam neste século, aumentava o tráfego de veículos nas ruas, expandia a malha viária e vários parques foram implantados.

Muitos dos nossos parques foram inspirados no modelo francês. Como por exemplo, no início do século XX, o parque do Anhangabaú funcionava como um complemento do projeto viário e o da Várzea do Carmo, projeto de Cochet que possuía extensa rede de passeios, um lago com ilha, quiosque, área de recreio infantil e quadras esportivas. Ambos faziam parte do plano assinado por Joseph-Antoine Bouvard. Entre eles, outros profissionais deixavam seus ensinamentos nas elaborações de projetos de parques.

A urbanização despontava como resultado do espaço produzido pela indústria, tornando-se relevante a implantação de parques. Nossos parques nasceram em épocas diferentes, com finalidades diferentes e de modos diferentes. Portanto, os parques na cidade de São Paulo abrigaram e abrigam diferentes modalidades de lazer, não existindo uma fórmula única a seguir na sua concepção. Isto ocorria não só no Brasil como no restante do mundo, visando a atender as demandas sociais que cada época demandava.

Entretanto, pessoas responsáveis pela concepção dos projetos, instituiram alguns elementos fundamentais que deviam constar em todos os parques. Frederick Law Olmsted, no seu relatório do projeto de implantação do Central Park, se refere ao parque como:

reservo a palavra parque para lugares com amplidão e espaço suficientes e com todas as qualidades necessárias que justifiquem a aplicação a eles daquilo que pode ser encontrada na palavra cenária ou na palavra paisagem, no seu sentido mais amplo e radical, naquilo que os aproxima muito do cenário. (KLIASS, 1993, p.19).

Eckbo conceitua parques como espaços livres para: “determinados usos de forma flexível, desenvolvido com o mínimo de edificações e o máximo de materiais naturais não processados que visam o relaxamento, contemplação, meditação, socialização (1964, p. 99).

68 Kliass define parques urbanos como “espaços públicos com dimensões significativas e predominância de elementos naturais, principalmente, cobertura vegetal, destinados à recreação”.

Magnoli “associa parques públicos a determinado grau de desenvolvimento social de um núcleo urbano, a partir do qual são requeridos e implantados, associados à função de área recreacional" (MARIANO, 1992, p.18).

As palavras recreação e vegetação aparecem praticamente em quase todos eles como elemento fundamental, podendo concluir que são equipamentos destinados à população e têm como função o descanso, contemplação, espaço de contato com a vegetação, lazer e prática de esportes. Todas as condições básicas para que o indivíduo possa revigorar suas energias, adaptando-se ao meio urbano em que vive através do lazer e tornando-se apto ao mundo do trabalho nas fábricas.

Segundo KLIASS, os parques surgem para responder a uma demanda:

O parque urbano responderá às demandas de equipamentos para as atividades de recreação e lazer decorrentes da intensificação da expansão urbana e do novo ritmo introduzido pelo tempo artificial – tempo da cidade industrial -, em contraposição ao tempo natural, inerente à vida rural. Ao mesmo tempo, o parque vai atender à necessidade de criação de espaços amenizadores das estruturas urbanas, compensando as massas edificadas. (1993, p.19).

Vários planos e projetos foram elaborados, mas apenas alguns foram executados e muito do que foi executado, muitas vezes, não fazia parte de um projeto aprovado.

O Plano de Avenidas na época de Prestes Maia elaborado em 1929 e, em 1950 o Plano de Robert Moses contavam com inúmeros projetos de parques para a cidade de São Paulo, porém, somente uma ínfima parte foi contemplada, assim mesmo sem atender as recomendações que os projetos explicitavam.

Mesmo com a expansão da mancha urbana, recomendação para construção deste tipo de equipamento público por diversos profissionais não surtiu efeitos. Constata-se que “o Sistema de Áreas verdes e de Parques apresenta uma grande fragilidade frente à práxis urbana, respondida pelo binômio administração pública e iniciativa privada" (KLIASS, 1993). Deixando a desejar o provimento deste equipamento para a cidade.

69 Quais foram as transformações que os projetos sofreram no final do século XIX e no século XX? Nas diferentes épocas a quem serviam os parques e para quê? Como os parques eram distribuídos no espaço urbano da cidade? Como foi o provimento de parques pelo setor público neste período? Por que os projetos elaborados não eram executados, e quando executados não seguiam à risca suas recomendações? Por que era frágil o sistema de áreas verdes e parques? Estas entre outras questões podem elucidar a evolução dos parques na cidade de São Paulo.

A seguir, faremos um retrospecto da evolução dos parques urbanos em São Paulo desde o final do século XIX e século XX, fazendo uma análise dos projetos, funções, distribuição, atuação dos órgãos responsáveis, entre outros fatores importantes que contribuem para uma maior clareza da situação dos parques na cidade. Necessário se faz conhecer os hábitos de lazer da população e o provimento de áreas verdes de lazer no transcorrer do tempo para contextualizar os parques dentro do conjunto de opções que a sociedade realizava.