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Frida chegou a Belém no dia 14 de julho de 1917, comprometida com Vingren, e após três meses de sua chegada casam-se. Antes de se casar, começa a pregar fora da igreja para prostitutas e se envolve com serviços de ordem social. Após o casamento, realizado por Samuel Nyström, ela passa a viajar com o esposo, mas logo engravida de seu primeiro filho Ivar. Chega a viajar pelo rio Amazonas, com uma vaca leiteira que ganharam de presente.

Sobre suas viagens pelo Norte do Brasil, fala de lugares agradáveis, mas com falta de higiene. Em cartas para a Suécia, conta que não só as casas, mas os comércios também eram muito sujos e as pessoas de baixa escolaridade e sem senso de praticidade, e que a principal característica dessas pessoas era a preguiça. Descreve mulheres trabalhando no campo, com vidas domésticas bastante depreciativas. Uma opinião, em parte, característica de uma pessoa branca europeia que não conhece a cultura dos povos do rio Amazonas.

Em um texto encaminhado para o jornal sueco, em 1918, relata uma visita feita a uma cabana cheia de lama e demonstra-se chocada com a pobreza e a diferença entre ricos e pobres. Ela encorajava os novos convertidos a ficar em suas casas, em função da grande dificuldade material e frequentemente visitava uma colônia de leprosos na qual fazia orações, pedindo a cura daquelas pessoas. Frida nessa ocasião escreve cartas para a missão na Suécia e relata que a Igreja Católica havia acumulado indevidamente muito capital e que agora colocava muito esforço em orfanatos, mas que pensava que a igreja, no caso Batista Filadélfia, também deveria ajudar. Na igreja local, pediu fogão para doar

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às pessoas que cozinhavam a céu aberto e Frida doou tudo o que tinha para essas pessoas empobrecidas, até sua máquina de costura.

No primeiro período, a luta era contra a Igreja Católica e demais denominações evangélicas. Briga de poder entre nativos e estrangeiros. Depois, entre suecos e norte- americanos, afirma Alencar (2013). Entretanto, em 1911, enquanto a Igreja Católica celebrava missas em latim, a Igreja Luterana realizava cultos em alemão, a Igreja Anglicana em inglês e os demais protestantes num “teologuês” anglo-saxônico, os pentecostais seguiam conquistando muita gente pobre. Mesmo a única igreja pentecostal da época, a Congregação Cristã do Brasil, celebrava cultos em italiano, o espiritismo ainda era caso de polícia e religiões afro nem sequer eram nomeadas. A visão de Frida para essas religiões era demonizada: “Entre os crentes e missionários, tem alguns negros, que antes pertenciam a uma religião pagã chamada batuque. Eles sacrificavam a demônios, dançavam ante os espíritos durante o mais terrível uivo e, muitos deles, eram realmente possuídos”. (NORELL, 2011, p. 77.) As mulheres pertencentes às religiões afro-brasileiras eram odiadas.

Em 1923, após um ano e oito meses na Suécia, retornam da viagem de descanso e recuperação da saúde, tanto de Frida que havia sofrido um aborto, quanto de Vingren que tinha uma saúde bem debilitada. Norell (2011) indica que possivelmente Frida volta dessa viagem com indícios de ansiedade, inquietação e irritabilidade. Vingren estava sofrendo de hérnia e se recusava a receber medicação; consequentemente, não podia fazer muito trabalho prático. Frida assumiu a gestão do jornal Boa Semente, que Vingren começou em 1919, com impressão de 3.000 exemplares a cada edição. Isto acirrou as tensões com Samuel Nyström, que admitia as decisões de Frida.

Em 1924, a família muda-se para o Rio de Janeiro, agora com quatro filhos. O casal fica fascinado pelo Rio de Janeiro, mas também chocado com o “pecado”, corrupção, prostituição e vaidade, fora de seus padrões. Frida afirma ser o Rio de Janeiro mais fortemente influenciado pelo catolicismo e não gosta disso. De início, os seis membros da família alojaram-se em um pequeno quarto de hotel até conseguirem mudar para uma casa e usaram para a pregação um espaço que comportava 400 pessoas. Em dias de batismo, nos finais de semana, a congregação levava de bonde para a praia os novos convertidos para participarem do batismo. Frida relata que iam cantando alto pelo caminho. Ela visitava prisões, pregava em praças e parques, tocava órgão e cantava, ora sozinha, ora em dueto com Vingren, visitava pessoas pobres e doentes em toda a cidade, passava muitas horas se deslocando em bondes ou carros.

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Quando a família Vingren, em 1925, sai da igreja-mãe em Belém do Pará para continuar a igreja no Rio de Janeiro, deixando Samuel Nyström em seu lugar, encontra ali um jovem, Paulo Leivas Macalão, que será o segundo batizado da igreja carioca, o primeiro secretário, um ativo obreiro evangelizador e pastor consagrado em 1930, ainda solteiro e com 27 anos. Vingren lidera a Igreja da Missão no bairro de São Cristóvão, e Macalão, a “Igreja de Madureira”. O binômio, Missão-Madureira, prolifera por todo o país. Mas, como esclarce Gedeon: “Macalão vem de uma família rica, de tradição militar, portanto nacionalista. O governo de Getúlio e o tenentismo são um substrato conceitual importante na sua formação. Ele não aceitou se submeter à liderança de um jovem sueco - ou mais grave - e/ ou uma mulher.” (ALENCAR, 2013 p. 177.)

No Rio de Janeiro, a família Vingren viveu de maneira modesta, como a maioria das famílias da igreja. Frida informou certa ocasião aos irmãos suecos que muitas mulheres brasileiras que pregavam foram despejadas de suas casas, e Norell (2011) avaliza que foi Frida quem fez de Emília Costa a primeira diaconisa da denominação. Durante um período, o trabalho social foi prioridade. A igreja na Suécia enviava roupas e dinheiro e os missionários iniciaram um orfanato e ensinavam as crianças a ler e escrever, por iniciativa de Frida.

Frida era “uma pregadora carismática, ela era poetiza, musicista, falava com muita energia e convicção e tinha um senso infalível de dramaturgia” (NORELL, 2011, p. 113). Iniciou uma escola bíblica dominical na prisão, ponto de pregação iniciado por Celina Albuquerque, a primeira mulher batizada no Espírito Santo. Todo domingo à tarde, visitava a cadeia, uma realidade vergonhosa e nefasta, cantava e lia a Bíblia para os presos.Frida conta em seu diário que em uma ocasião um garoto foi estuprado por uns vinte presos. (NORELL, 201, p. 112).

Mesmo no Rio de Janeiro, Frida continua colaboradora do jornal Boa Semente, escrevendo artigos para Nyström, que administrava o jornal em Belém. Ela trabalha incansavelmente e de maneira mais livre, pois estava distante dele. Mas, em 1929, inicia um novo jornal, Som Alegre, com um conteúdo mais amplo do que o Boa Semente. Entendemos que este foi o ápice e o modo que Frida encontrou de ganhar a independência de Nyström. Mesmo afirmando em carta para a Suécia que o jornal não era em oposição ao de Belém, as tensões aumentam. A doenças e febres de Vingren aumentam as responsabilidades de Frida. Ela toma conta de tudo, enquanto cuida dele e das cinco crianças, mas sempre recebeu ajuda de outra mulher nos cuidados com os filhos.

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O hinário, contendo cerca de vinte e três hinos com as iniciais de Frida, alguns hinos de sua autoria e outros de sua tradução, foi outro ponto controverso entre Frida e Nyström. Frida e Vingren começaram a organizar um novo livro de música com noventa músicas selecionadas e mais cento e dez recém-escritas, com a ideia era publicá-las em pelo menos quatro mil exemplares. Quando estava tudo quase pronto, o pastor Pethrus da Suécia escreve pedindo para que não fosse publicado o novo hinário. Nyström havia escrito para Pethrus, contando desse novo hinário. Mais tarde, ao assumir a administração do hinário único das Assembleias de Deus, o faz como se fosse resultado somente de seu trabalho, quando foi, sobretudo, um trabalho de tradução de Frida. Escrevia para o líder pentecostal sueco e solicitava sua intervenção. Essa era a forma de atuar para impedir ou dificultar os trabalhos de Frida.