Uma das abordagens mais importantes na atualidade sobre o fazer jornalístico é quanto ao enquadramento noticioso. O estudo do frame permite compreender o motivo pelo qual o jornalista, ao cobrir um acontecimento, observa alguns aspectos e exclui outros. Além disso, ainda ajuda a organizar a realidade social. Desta forma, a partir da teoria do enquadramento, pode-se afirmar que o frame é o produto da interação do jornalista com a cultura profissional, a sociedade e os seus valores individuais. Nessa perspectiva, os meios de comunicação, ao enquadrarem o fato, fazem com que o homem conheça a realidade e entenda o mundo. No entanto, segundo Park (2003), citado por Leal (2007), as pessoas enxergam o mundo por meio de uma moldura de uma janela, ou seja, a visão de mundo das pessoas varia de acordo com características que compõem a janela e sua moldura. Dessa maneira, a mídia pode mostrar apenas uma parte do mundo a partir de um determinado ponto de vista, a partir dos enquadramentos, os jornalistas, então, estruturam quais partes da realidade se tornam notícia.
Robert Hackett (1993), citado por Porto (2002), explica que já não é possível pressupor a possibilidade da comunicação imparcial e com conteúdos objetivos. Segundo o autor, o conteúdo da mídia pode desempenhar um papel político e ideológico, principalmente quando o conteúdo é produzido a partir de uma matriz ideológica limitada. Essa matriz, de acordo com Hackett (1993), seria composta por um conjunto de regras e conceitos (estrutura profunda) que são ativados pelos jornalistas nem sempre de forma consciente ou com a intenção de manipular e persuadir. Ele argumenta que um dos fatos mais importantes dessa estrutura profunda que rege a produção do noticiário são os enquadramentos aplicados pelos jornalistas em seus relatos.
Para Carvalho (2010), o enquadramento permite que o indivíduo reflita sobre a situação diante da qual se encontra. Para o autor, interpretar uma situação resultará sempre de uma resposta ao questionamento: o que está se desenrolando na cena à minha frente? Segundo o autor, é importante destacar que o conceito de enquadramento (framing) origina-se da obra Frame Analysis: An Essay on the Organization of Experience, de Erving Goffman (1974). O autor chama de enquadramento as situações em que são construídas com os princípios de organização que governam os eventos e o envolvimento subjetivo do público em tais eventos. Assim, define-se enquadramento:
Parto do princípio de que as definições de uma situação são construídas de acordo com princípios de organização que governam eventos – pelo menos os sociais- e o nosso envolvimento subjetivo neles; enquadramento é a palavra que eu uso para referir-se a um destes elementos básicos, tais como sou capaz de identificar. Esta é minha definição de enquadramento. Minha expressão análise do enquadramento é um slogan para referir-me, nesses termos, ao exame da organização da experiência. (GOFFMAN, 2006, p.11 apud CARVALHO, 2010, p. 113).
Carvalho (2010) explica que, para Goffman (2006), o enquadramento é um conceito para análises de como cada sujeito se envolve em uma dada situação social, ou seja, como os indivíduos se utilizam dos enquadramentos como estruturas cognitivas que são essenciais para a percepção da realidade, a qual tem contato. Assim sendo, as estruturas cognitivas auxiliam os indivíduos, sempre na seleção de um aspecto particular a compreender o fato. Goffman (2006) chama essas estruturas de quadros primários.
Carvalho (2010) explica que Goffman (2006), no entanto, não explicita o que seriam os quadros primários, não fazendo referências, por exemplo, a quadros de outra ordem, como os secundários. “Enquadrar, não é somente a estratégia de lançar mão de estruturas cognitivas, mas é também utilizar-se da interpretação como primeiro passo para ações sobre a realidade interpretada” (CARVALHO, 2010, p. 116).
Nos anos que se seguiram, outros autores buscaram desenvolver o conceito de enquadramento. Uma contribuição importante, segundo Leal (2007), é de Todd Gitlin (1980), ao estudar os modos como mídias noticiosas nos Estados unidos fizeram a cobertura de eventos como a Guerra do Vietnã e os protestos contra ela realizados pela Nova Esquerda nos anos 60. Segundo Gitlin (1980), citado por Leal (2007), os enquadramentos seriam princípios de seleção, ênfase e apresentação sobre o que existe, o que acontece e que é importante. O autor complementa que os enquadramentos midiáticos, portanto, são a interpretação, apresentação, seleção, ênfase e exclusão através dos quais os jornalistas organizam o acontecimento, o discurso, seja ele verbal ou visual.
O que faz o mundo além da experiência direta do olhar natural é um enquadramento da mídia. Certamente, não podemos tomar por garantido que o mundo retratado é apenas o mundo que existe. Muitas coisas existem. A cada momento o mundo está repleto de eventos. Mesmo dentro de um determinado evento, há uma infinidade de detalhes visíveis. Enquadramento são os princípios de seleção, ênfase e apresentação compostos por teorias pouco tácitas sobre o que existe, o que acontece e o que importa. Na vida cotidiana, como Erving Goffman demonstrou amplamente, nós enquadramos a realidade, a fim de negociá-la, controlá-la, compreendê-la, escolher um repertório e ação adequados. Enquadramentos da mídia, em grande parte não ditos e não reconhecidos, organizam o mundo para o jornalista que reporta e, em certo grau de importância, para nós que confiamos em seus relatos. Enquadramentos da mídia são padrões persistentes de cognição, interpretação e apresentação, de seleção, ênfase e exclusão, através dos quais os manipuladores de símbolos organizam rotineiramente o discurso, seja verbal ou visual (GITLIN, 2003, p. 6-7 apud CARVALHO, 2010, p. 121).
Posteriormente, Robert Entman (1994), citado por Leal (2007), definiu framing como a seleção de alguns aspectos de uma determinada realidade e destacá-los em um texto comunicativo, de forma a promover uma definição particular do problema.
De acordo com Porto (2002), o campo da psicologia cognitiva constitui outra fonte importante de conceito de enquadramento. Segundo o autor, na psicologia o conceito ganhou relevância por meio dos estudos de Kahneman e TVersky (1984; 1986) que mostraram como diferentes formas de enquadrar um fato podem causar variações significativas nas preferências das pessoas. Por exemplo, em um estudo realizado por Kahneman e TVersky (1984), citado por Porto (2002), os autores pedem para que os participantes de um experimento imaginarem que os Estados Unidos estavam se preparando para a eclosão de uma epidemia de uma doença proveniente da Ásia que deveria matar 600 pessoas. Os autores solicitam que as pessoas optem entre dois paradigmas que teriam sido propostos para combater a doença. Para um grupo de pessoas, o primeiro programa é apresentado como o que salva 200 pessoas, enquanto que, para o outro grupo, o mesmo programa é apresentado provocando a morte de 400 pessoas. Como se pode perceber, as alternativas são idênticas. No entanto, o primeiro programa foi escolhido por 72% das pessoas do primeiro grupo e somente 22% do segundo.
Porto (2002) explica que o estudo demonstra que, apesar dos problemas serem idênticos, as pessoas decidem de acordo com a forma como os temas são enquadrados. Kahneman e TVersky (1984), citado por porto (2002), mostra que os resultados do processo de formação de preferências podem ser alterados não apenas por meio da manipulação da informação, mas também por meio do seu enquadramento. Segundo Porto (2002), os enquadramentos são importantes instrumentos de poder, uma vez que podem ser utilizados para alterar a atratividade relativa das opções.
Por meio do enquadramento, a mídia constrói a realidade social de uma maneira previsível e padronizada (SCHEUFELE, 1999 apud LEAL, 2007). Assim, ao realizar estudos de framing, é possível observar como as interpretações dos fatos são organizadas em uma notícia. De acordo com Porto (2002), no processo de produção das notícias, pesquisadores têm identificado uma variedade de enquadramentos utilizados por jornalistas. O mesmo ainda cita, como exemplo, a cobertura das eleições, em que jornalistas podem focalizar as propostas e posições dos candidatos, adotando assim um enquadramento temático. Mas, segundo o autor, os jornalistas podem também optar pelo enquadramento ‘corrida de cavalos’, que apresenta as eleições em termos de quem está crescendo ou caindo, focalizando o
desempenho dos candidatos nas pesquisas e as estratégias dos candidatos para manter a dianteira ou melhorar o desempenho nas intenções de votos dos eleitores.
Porto (2001), ao escrever o artigo ‘A Mídia Brasileira e a Eleição Presidencial de 2000 nos EUA: A Cobertura do Jornal Folha de S. Paulo’, teve como objetivo a identificação das principais características da cobertura jornalística da eleição presidencial de 2000 nos EUA pelo jornal brasileiro de maior circulação, a Folha de S. Paulo. O estudo revela as características principais da cultura profissional do jornalismo praticado no Brasil. Para realizar o trabalho, a análise está baseada na literatura sobre o conceito de ‘enquadramento’. O autor explica que o conceito tem sido utilizado para definir os princípios de seleção, ênfase e apresentação usados por jornalistas para organizar a realidade e o noticiário. Porto (2001) ressalta que na cobertura de assuntos públicos, enquadramentos permitem aos jornalistas e suas audiências organizar e interpretar temas e eventos políticos.
Ao produzir o noticiário, jornalistas se baseiam em discursos que estão presentes na esfera pública, mas também contribuem com seus próprios enquadramentos, dando formas aos pacotes interpretativos que fazem parte de qualquer cultura. Indivíduos frequentemente usam os enquadramentos da mídia em conversas e discussões sobre problemas sociais e políticos e estes enquadramentos têm um importante efeito no modo como a audiência interpreta estes problemas (PORTO, 2001, p. 12).
Em seu artigo, Porto (2001) apresenta quatro tipos de enquadramentos na análise de conteúdo do período eleitoral trabalhado: (1) Enquadramento temático – em que se designa os padrões interpretativos que enfatizam as posições e propostas dos candidatos sobre os aspectos substantivos da campanha; (2) Enquadramento ‘corrida de cavalos’ – situação em que se concebe a evolução da campanha como uma corrida entre os candidatos. Segundo o autor, a ênfase está em quem está avançando ou em quem está ficando para trás e, portanto, nos resultados das pesquisas e nas estratégias de campanha dos candidatos. Ele utiliza o termo enquadramento ‘corrida de cavalos’ para descrever o marco interpretativo utilizado por jornalistas na cobertura da eleição presidencial norte-americana de 2000 que ressalta o desempenho dos candidatos nas pesquisas e suas estratégias de campanha; (3) Enquadramento centrado na personalidade – neste caso, Porto (2001) explica que é uma tendência da mídia de dar preferência a atores individuais e de focalizar eventos a partir de dramas humanos, relegando considerações políticas e institucionais. O autor utiliza esse tipo de enquadramento para referir-se às notícias que enfatizam as características e a vida pessoal dos candidatos e outros atores, incluindo as descrições de suas habilidades e a reação dos eleitores a eles ou a elas enquanto pessoas; 4) Enquadramento episódico – restringe-se a relatar os últimos acontecimentos sem a utilização dos enfoques que caracterizam os demais tipos de
enquadramentos. Porto (2001) utiliza esse tipo de enquadramento para referir-se às notícias centradas em eventos que relatam fatos ou declarações de atores, adotando, portanto, um tipo mais descritivo da cobertura.
Sponholz (2009) explica que, no jornalismo, podem ser verificados dois tipos de realidade: sobre a qual se noticia (realidade física e social) e aquela que o jornalismo produz a realidade midiática. De acordo com a autora, a realidade midiática é seletiva e deve ser compreendida como uma representação simbólica de uma realidade primária (física ou social). A condição de realidade secundária não pode ser anulada, uma vez que há uma mediação executada pelo jornalista, ou seja, o noticiário sobre um determinado fato nunca será o fato em si. “Todo saber é mediado. A realidade está à frente dos olhos, mas nós a observamos segundo regras ou convenções” (SPONHOLZ, 2009, p.90). A autora retrata, ainda, que, por meio da seletividade e perspectividade, é possível enquadrar, ‘desenhar a moldura’ do fato. O enquadramento, para ela é guiado por estereótipos, isto é, a capacidade, costumes e visões de mundo do ser envolvido. Dessa forma, o jornalismo como processo de conhecimento, não espelha a realidade, uma vez que é seletivo, construtivo e perspectivo.
Nessa perspectiva, Sponholz (2009) explica que o jornalista ao produzir a notícia leva em conta o processo de socialização nas redações e as rotinas produtivas (jornada de trabalho, horário de fechamento dos jornais, a infraestrutura da redação etc.), mas que, para enquadrar o fato, também existe uma racionalidade, ou seja, as técnicas e métodos jornalísticos. O jornalista pode ainda enquadrar o fato de acordo com os critérios de noticiabilidade e pode até ser determinado por assessorias de imprensa e fontes oficiais.
Para Tuchman (1993), citada por Carvalho (2010), no jornalismo, como prática institucionalizada, a notícia resulta de uma série de fatores, como os constrangimentos organizacionais, a visão dos jornalistas sobre o que é notícia (resultado da perspectiva que eles têm sobre a própria profissão e a tendência que as notícias têm de privilegiar posições ideológicas hegemônicas) e a forma como os fatos serão enquadrados, entre outros fatores.
Para Goffman (1975), citado por Tuchman (1993), um frame é constituído pelos princípios de organização que administram o acontecimento, como os sociais e o envolvimento subjetivo que envolve o fato. Os frames, segundo Tuchman (1993), ajudam a organizar as strips do mundo, ou seja, uma faixa do acontecimento, e ainda, governa a constante organização social do fato. Com o frame, é possível oferecer definições da realidade social. Os repórteres conseguem tornar um acontecimento público, definindo quais os fatos que fazem parte do acontecimento.
A ênfase dada às ‘estórias’ sugere que, pelo menos em parte, os repórteres possam falar entre eles de ‘estórias’ do que de acontecimentos. Eles podem ver o mundo quotidiano e os seus documentos de apoio em termos do produto que vão fabricar – as ‘estórias’. (TUCHMAN, 1993, p. 260).
Tuchman (1993) enfatiza que as narrativas enquanto frame permitem que alguns fatos sejam definidos como componentes de um acontecimento e as ideias enquanto enquadramentos permitem aos produtores de notícias notarem alguns fenômenos e não outros. A autora complementa dizendo que as notícias são ‘estórias’ construídas socialmente e que é uma realidade seletiva acerca do acontecimento.
Outra contribuição importante ao estudo de enquadramento é formulada por Maria João Silveirinha, citada por Carvalho (2010), ao estudar os modos como a imprensa portuguesa enquadrou o lançamento do Euro como moeda comum a alguns países da Comunidade Europeia. Segundo Carvalho (2010), na abordagem de Silveirinha, é importante ressaltar a relação entre enquadramento, estrutura e ação, cognição e práticas sociais, uma vez que esses elementos permitem compreender os enquadramentos como interações sociais cotidianas. Sendo assim, as relações apontadas por Silveirinha, permitem compreender o jornalismo como prática que negocia com os demais atores sociais.
Sádaba (2007) explica quatro proposições para entender os meios de comunicação em relação à teoria do enquadramento: (1) em relação aos jornalistas – os jornalistas, ao cobrirem um acontecimento, enquadram o fato de uma maneira e não de outra devido ao seus valores profissionais e pessoais como a etnia, o sexo, a educação recebida, o local de formação, as experiências profissionais, as atitudes pessoais e suas crenças, seu papel na sociedade e o local de trabalho; (2) em relação às rotinas profissionais – são os modos estabelecidos de trabalhar. Os jornalistas são guiados por modelos de conduta e métodos profissionais como o uso da pirâmide invertida, o uso das fontes e o fator tempo; (3) em relação à organização dos meios de comunicação – o modelo hierarquizado de decisões, a divisão do jornal por editorias, o espaço no jornal, o uso da manchete etc.; (4) em relação ao conteúdo dos meios de comunicação – são as notícias, que possuem linguagens particulares e é uma criação da realidade social. É a valorização de um acontecimento diário, constituindo um produto da interação do jornalista e a sociedade.
O conceito de enquadramento, de acordo com Porto (2002), tem sido aplicado de forma crescente nos estudos sobre mídia e política no Brasil. O autor cita um estudo realizado por Albuquerque (1994), que realizou uma análise da cobertura presidencial pelo Jornal Nacional (JN) da Rede Globo entre os meses de março e maio de 1994. De acordo com os resultados, houve um desequilíbrio do tempo dedicado a Fernando Henrique e Lula, ele
também destaca os diferentes enquadramentos utilizados pelo JN para cobrir a campanha. Fernando Henrique teria sido enquadrado em termos de sua habilidade em unificar forças políticas e construir consenso, enquanto Lula era associado a grupos de interesses, especialmente sindicatos discórdia. Outro autor que também estudou a cobertura das eleições de 1994 pelo JN foi Gustavo Fabrício (1997), citado por Porto (2002). O autor concluiu que o JN apresentou um enquadramento positivo sobre o Plano Real, o que teria contribuído para construir um clima de otimismo e confiança, favorecendo assim a candidatura de Fernando Henrique.
5 CAMPANHA PERMANENTE: ANÁLISE DOS PRONUNCIAMENTOS DA PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF (PT) E DA COBERTURA DO JORNAL FOLHA DE S. PAULO
Ao longo da discussão teórica, apontou-se, primeiramente, a centralidade da mídia na contemporaneidade, o que obriga o campo da política a recorrer ao campo dos mass media para garantir visibilidade e legitimar as ações dos atores políticos. Esta interface entre os dois campos leva a uma crescente personalização e espetacularização da vida social. Num segundo momento, a partir do conceito de campanha permanente, foram apresentados argumentos teóricos que mostram que há uma confluência das estratégias de comunicação governamental e as retóricas acionadas na campanha eleitoral, já que há uma disputa recorrente pela conquista e manutenção do poder. E, por fim, parte-se do pressuposto de que há uma disputa de sentidos sobre o universo da política, em que a imprensa tem um papel fundamental ao se constituir num importante ator social que interfere na definição da agenda pública e na construção dos cenários políticos e eleitorais.
A partir deste arcabouço teórico e conceitual, a dissertação tem como objeto empírico primário de investigação os pronunciamentos da presidente Dilma Rousseff (PT) em CNRT, ao longo do seu primeiro mandato. Foram 20 discursos, evidenciando um uso excessivo deste espaço, já que foi a presidente que teve o maior número de pronunciamentos. Como objetos secundários, que são desdobramentos da comunicação governamental, na pesquisa, optou-se por analisar como foi feita a cobertura por parte da imprensa dos pronunciamentos de Dilma Rousseff. Como objeto de análise, foi escolhido o jornal Folha de S. Paulo, veículo que tem a maior tiragem conforme IVC, em 2014, o jornal atingiu uma média de circulação de 351.745 exemplares. Como segundo desdobramento das estratégias de campanha permanente, toma-se como objeto empírico os programas televisivos da então candidata à reeleição Dilma Rousseff no HGPE. O intuito é verificar os pontos de confluência entre os discursos nos três diferentes espaços: CNRT, imprensa escrita e HGPE – e os aspectos divergentes.
No presente capítulo, portanto, são apresentados os dados da pesquisa empírica, articuladas aos argumentos teóricos. Primeiramente, o trabalho traz as técnicas metodológicas utilizadas bem como o corpus de análise. O segundo tópico apresenta informações e dados sobre o governo Dilma Rousseff (PT), que começou com altos índices de popularidade e chegou a ter uma aprovação recorde, mas que, a partir das manifestações de junho de 2013,
teve uma queda acentuada de aceitação, mas ainda permaneceu como favorita na disputa eleitoral, porém com uma margem pequena em relação aos adversários.
Em seguida, é apresentada a Análise de Conteúdo quantitativa e qualitativa dos Pronunciamentos em CNRT. Optou-se por analisar, concomitantemente, a cobertura do jornal Folha de S. Paulo. Dessa forma, a análise qualitativa foi dividida em quatro eixos referentes aos anos de mandato – 2011, 2012, 2013 e 2014. Em cada bloco, é feita uma análise qualitativa de cada pronunciamento e da respectiva cobertura do discurso da presidente no jornal paulista.
O capítulo seguinte tem como foco a análise das estratégias eleitorais a partir do estudo dos programas de Dilma no HGPE. Fechando a análise e tomando como parâmetro o conceito de campanha permanente, na última parte, são investigados os aspectos de confluência e de divergência nos três espaços políticos em que Dilma Rousseff ocupa posição central – pronunciamentos do CNRT, cobertura da Folha de S. Paulo e os programas do HGPE.