5.4 ANÁLISE QUALITATIVA DOS PRONUNCIAMENTOS DA PRESIDENTE DILMA
5.4.2 Os pronunciamentos (CNRT) de 2012 e a cobertura jornalística
5.4.2.4 Pronunciamento (CNRT) do dia 6 de setembro de 2012 – ‘7 de setembro’
O quarto pronunciamento de 2012 foi ao ar no dia 6 de setembro e refere-se ao dia 7 de setembro. Na ocasião, a presidente Dilma Rousseff destacou que o Brasil conseguiu retirar 40 milhões de brasileiros da pobreza e transformar o país na sexta maior economia do mundo. Apesar da crise que atingia o mundo, ela ressaltou que o Brasil criou um modelo de
desenvolvimento inédito, baseado no crescimento com estabilidade, equilíbrio fiscal e a na distribuição de renda. Dilma enfatiza que o Brasil teve uma redução temporária no índice de crescimento, mas que o Brasil tem um modelo bem-sucedido de desenvolvimento apoiando-se na estabilidade, crescimento e inclusão. Isso fez com que, segundo o pronunciamento, o Brasil crescesse e distribuísse renda, reduzindo a desigualdade entre as pessoas e entre as regiões.
Para tornar nosso modelo mais vigoroso e abrir este novo ciclo de desenvolvimento, vamos, a partir de agora, incorporar uma nova palavra a este tripé. A palavra é competitividade. Na verdade, é mais que uma nova palavra: é um novo conceito, uma nova atitude. Uma forma simples de definir competitividade é dizer que ela significa baixar custos de produção e baixar preços de produtos para gerar emprego e gerar renda. Mas para chegar aí é preciso melhorar a infraestrutura, avançar na produção de tecnologia e aprimorar os vários níveis de educação, saber e conhecimento. Portanto, para ser competitivo, um país precisa de tudo isso.É deste conjunto de atributos que o Brasil necessita para aperfeiçoar e consolidar nosso modelo de desenvolvimento (ROUSSEFF, CNRT, 2012).
A presidente anunciou que seria lançado um conjunto de medidas que reduziriam os juros, diminuiriam impostos, equilibrariam o câmbio, baixariam o custo da energia elétrica e do transporte. Dilma ressaltou que estava lançando as bases para que o Brasil se tornasse um dos países com melhor infraestrutura, tecnologia industrial, eficiência produtiva e menor custo de produção.
Na próxima terça-feira vamos dar um importante passo nesta direção. Vou ter o prazer de anunciar a mais forte redução de que se tem notícia, neste país, nas tarifas de energia elétrica das indústrias e dos consumidores domésticos. A medida vai entrar em vigor no início de 2013. A partir daí todos os consumidores terão sua tarifa de energia elétrica reduzida, ou seja, sua conta de luz vai ficar mais barata. Os consumidores residenciais terão uma redução média de 16,2%. A redução para o setor produtivo vai chegar a 28%, porque neste setor os custos de distribuição são menores, já que opera na alta tensão. Esta queda no custo da energia elétrica tornará o setor produtivo ainda mais competitivo (ROUSSEFF, CNRT, 2012).
Em relação ao setor de transportes, Dilma anunciou que criou a Empresa de Planejamento e Logística que, em parceria com a iniciativa privada, promoveria uma reformulação no setor de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, promovendo a integração e acelerando a construção e modernização. Dilma ressaltou o investimento de 133 bilhões de reais em rodovias e ferrovias. A campanha negativa é comum para desconstruir a imagem do candidato adversário (BORBA, 2015). Sendo assim, Dilma utilizou o programa para fazer ataques ao PSDB, principal partido da oposição.
Ao contrário do antigo e questionável modelo de privatização de ferrovias, que torrou patrimônio público para pagar dívida, e ainda terminou por gerar monopólios,
privilégios, frete elevado e baixa eficiência, o nosso sistema de concessão vai reforçar o poder regulador do Estado para garantir qualidade, acabar com os monopólios, e assegurar o mais baixo custo de frete possível (ROUSSEFF, CNRT, 2012).
Novamente, Dilma Rousseff contestou os bancos, financeiras e administradoras de cartão de crédito pelos altos juros e ressaltou que a sua meta era fazer com que eles reduzissem ainda mais as taxas cobradas ao consumidor final. Dilma concluiu dizendo que a preocupação era com a garantia do emprego e o ganho salarial do trabalhador e que, diferentemente da maioria dos países, no Brasil, não houve desemprego nem perda de direitos dos trabalhadores.
A Folha de S. Paulo realizou a cobertura do pronunciamento feito no dia 6 de setembro. A notícia foi divulgada no dia 7 de setembro e recebeu o título: ‘Dilma usa TV para exaltar governo e atacar tucanos’, tendo, portanto, uma valência negativa, uma vez que o tom era de que a presidente aproveitou a ocasião para atacar os tucanos. A matéria recebeu uma chamada de capa, também com um tom negativo: ‘Dilma ataca em cadeia de TV concessões da gestão de Fernando Henrique Cardoso (FHC)’.
O jornal criticou o pronunciamento dizendo que a presidente acusou FHC (PSDB), ex-presidente do Brasil em dois mandatos (1995-1998 e 1999-2002) de ter vendido parte do patrimônio do país com as privatizações e também ressaltou que o crescimento do Brasil, na época do tucano, era baixo. O lead destacou que a presidente utilizou o pronunciamento para exaltar decisões do seu governo, anunciar medidas econômicas e, principalmente, atacar os tucanos. No sublead foi mostrado um crescimento fraco do Brasil, destacando que, para Dilma, a redução no crescimento era temporária. No decorrer da matéria, a abordagem foi otimista, destacando momentos em que a presidente tratou de investimentos em infraestrutura e tecnologia. A matéria também destacou a crítica da presidente em relação às altas taxas de juros dos bancos. A reportagem trouxe um esquema mostrando as principais medidas anunciadas por Dilma no pronunciamento como: redução dos juros, redução de tributos, aumento do emprego, equilíbrio do câmbio, entre outros. Também foi utilizada na reportagem uma retranca com um tom otimista ressaltando uma queda nas taxas de energia elétrica.
Em destaque, foi enfatizado que o pronunciamento foi o mais longo de todos, com 11 minutos e aconteceu em um momento em que o PT, partido da presidente, enfrentava desgastes devido ao escândalo do ‘Mensalão’, momento em que vários políticos começavam a ser julgados pelo STF. Dilma foi critica por ter destacado as diferenças de modelos existentes
entre o PT e o PSDB, partido adversário e por ter aproveitado o pronunciamento para criticar os tucanos. Portanto, a reportagem é mais negativa do que positiva.