muitas vezes, considerados inacessíveis por falta de conhecimento por parte de alguns feirantes.
Assim, quanto mais se amplia o conhecimento de quem produz, maior o potencial de produção.
De modo geral todos os municípios que possuem feiras têm na Emater o apoio para introdução da feira nas cidades.
3.3.7 Sebrae
O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – Sebrae, conforme relatado pelas feirantes criadoras da ACFAS, foi o primeiro órgão a orientar e apoiar a legalização da associação e das atividades dos feirantes, oportunizando a participação em eventos, visitas a feiras livres municipais, cursos de capacitação com intuito de favorecer a organização e o desenvolvimento da associação.
Por ser um órgão voltado para o fortalecimento econômico do empreendedor, promove o estímulo ao associativismo, criação de feiras que aproximem o produtor do consumidor. Dessa forma, a ACFAS obteve por meio da parceria com essa instituição a capacitação para organizar a entidade, a fim de criar condições de trabalho e renda para os feirantes de Sabinópolis.
3.3.8 Cenibra
A Celulose Nipo-Brasileira S.A. – Cenibra possui parceria para colaboração com a aquisição de barracas, lonas de cobertura das barracas, madeira para confecção de expositores, além de orientar atividades de cuidados com o meio ambiente e promoção da sustentabilidade.
A parceria da ACFAS com a empresa possibilita alcançar contribuições para os associados tanto de forma individual pela participação em ações específicas para o produtor rural quanto para o grupo com conquistas que melhorem a condição de trabalho com material de apoio, como é o caso de expositores e barracas novas, atraindo a atenção dos consumidores e motivando a realização das feiras com mais zelo e dedicação.
pagamento de mensalidade por duas semanas, para que certifiquem do interesse de comercializar seus produtos na feira. A partir do aceite em participar da feira, o feirante assume o compromisso mensal de contribuir com a associação e de semanalmente contribuir com o prestador de serviço de montagem, desmontagem e armazenamento das barracas na sala onde ficam guardadas. É também obrigação dos feirantes a participação nas reuniões da ACFAS e se manter assíduo na feira. Os feirantes são responsáveis para apresentação dos seus produtos, organização de suas barracas, limpeza do ambiente e cuidados pessoais, visto que são cobrados pelos pares quanto ao comportamento junto ao consumidor.
3.4.1 Perfil socioeconômico dos feirantes de Sabinópolis, MG
Neste tópico é apresentado um retrato dos feirantes no que tange ao perfil socioecômico dos feirantes presentes no espaço de comercialização local.
Quadro 7- Perfil por gênero e faixa etária dos Feirantes de Sabinópolis/MG
Gênero Faixa Etária
20 a 40 41 a 60 Acima 60 Totais
Feminino 03 07 07 17
Masculino --- 02 01 03
Totais 03 09 08 20
Fonte: Elaborado pela autora, 2022.
Em relação ao gênero (Quadro 7), temos que 85% dos feirantes são do sexo feminino, o que ratifica o papel das mulheres no fortalecimento da história da feira que, no município, foi protagonizada por maior percentual de homens, conforme relatado pela feirante que fez parte do grupo que iniciou a feira.
Ribeiro et al. (2007) e Cruz (2019), estudaram respectivamente as feiras do Jequitinhonha e Alto Jequitinhonha, regiões do estado de Minas Gerais que apesar de possuírem características produtivas semelhantes, apresentam um desenvolvimento de feira muito mais avançado em participação de feirantes em relação ao município de Sabinópolis/MG. Segundo os resultados da pesquisa de Riberio et al. (2007), 77,5% dos entrevistados encontravam-se no perfil etário entre 46 a acima de 60 anos, com exceção de um município que apresentou 57,1%
dos pesquisados com idade abaixo de 45 anos.
Em relação ao perfil gênero, na feira de Sabinópolis constatamos que 85% das feirantes são mulheres, que estão à frente de seus negócios, produzindo e comercializando, assim como o destacado por Cruz (2019, p. 50) em seu trabalho sobre as feiras do alto
Jequitinhonha de que “a presença das mulheres feirantes é notável: corresponde à maioria dos feirantes”, destaca ainda que “no alto Jequitinhonha a mulher representa um papel importante nos negócios da família” (CRUZ, 2019, p. 50), o que também reconhecemos na realidade estudada, visto que muitas das mulheres feirantes são responsáveis pela complementação de renda de suas famílias.
Pereira, Brito e Pereira (2017) descrevem a feira livre de Conceição do Mato Dentro, MG, onde “a maior parte dos/as feirantes é do sexo feminino, 73%, destacando a importância das mulheres agricultoras na atividade de comercialização através da feira” o que reforça a participação feminina nesses espaços curtos de comercialização.
Nesse sentido, Perrot (2017) descreve em sua obra “Minha história das mulheres”, quanto a atividade laboral das mulheres, que elas sempre trabalharam, mas seus trabalhos não eram reconhecidos. As camponesas se dedicavam à casa, à criação de animais, ao galinheiro, à horta e à produção para venda na feira. “Sem mulher, não há vaca, nem leite, nem galinha, nem frango, nem ovo” (PERROT, 2017, p. 111).
A atualidade não difere do passado, contudo a mulher passou a atuar em diversos mercados, na busca por melhores condições de trabalho e renda. As feirantes passaram a diversificar suas produções, trabalhando não apenas com o mercado alternativo das feiras, mas criando outras fontes de renda ao produzir sob encomenda para os consumidores, além de realizar seus afazeres domésticos. São jornadas intensas de trabalho e dedicação, aos afazeres domésticos, familiares e profissionais. Em relação ao gênero, os dados de Cruz (2019) apontam que as mulheres apresentam maior representatividade, com destaque à importância de sua força de trabalho e geração de renda familiar.
Ao longo dos tempos foram duas as mulheres que lideraram a Associação Comunitária dos Feirantes e Artesãos de Sabinópolis, acolhendo novos membros, expandindo as ações e demonstrando exemplos de empenho no trabalho, atuando inclusive em feiras de outros municípios como articuladoras do movimento para a organização de entidade, ação reconhecida pela Secretaria de Agricultura e Emater, conforme relato de servidores.
Anacleto, Coelho e Curvelo (2016) apontam em seus estudos sobre as mulheres empreendedoras e as feiras livres no litoral do Paraná que 96% das empreendedoras têm na feira a principal fonte de renda. Destacam ainda que “as mulheres têm participado ativamente e em maior número em relação aos empreendedores masculinos” (ANACLETO; COELHO;
CURVELO, 2016, p.131).
Quanto ao gênero a pesquisa divergiu de Ribeiro et al. (2007, p.117), segundo os autores: “Os chefes dessas famílias feirantes, em sua maioria, são homens, lavradores...”. Os
resultados da pesquisa de Barbosa (2020) convergiram para os mesmos valores, 88% dos produtores de seu estudo possuem idade entre 39 e 81 anos, evidenciando o perfil de envelhecimento da população rural.
Nessa pesquisa constatou-se que as mulheres feirantes são maioria e contam com pouca participação dos familiares na produção destinada à feira. A pesquisa realizada por Cruz (2019, p. 52), apontou que “a idade média da população vem se elevando. Dois terços dos feirantes desses municípios8 têm idade acima de 46 anos, e o número de feirantes jovens é bastante reduzido”.
Em relação à faixa etária, de acordo com o Quadro 7 foi possível observar que o perfil dos feirantes é um público adulto, com maior percentual etária acima dos 41 anos. A variação entre 41 e 60 anos representa 45% dos respondentes e aqueles acima de 60 anos compreendem a 40%. Apenas 15% dos respondentes se localizam entre 20 e 40 anos. Em síntese, trata-se de um perfil de adulto para idoso. Esse resultado aproxima dos obtidos por Ribeiro (2007) cujos feirantes do Jequitinhonha apresentam perfil mais idoso, com idade acima de 46 anos. De acordo com Cruz (2019), os feirantes do Alto Jequitinhonha possuem perfil semelhante ao do Jequitinhonha e de Sabinópolis, reiterando o fato que essa população tende a ser mais idosa, o que demanda a curto prazo a renovação ou entrada de feirantes mais jovens para permanência das feiras nos municípios.
Em relação ao estado civil o Quadro 8 destaca que a maioria dos feirantes são casados (55%). A constituição familiar é importante para compreender o comprometimento com as atividades exercidas, a fim de manter a condição de renda familiar ou complementação da dessa a partir da atividade de feirante.
Do total de entrevistados, em relação a quantidade de filhos, 50% dos respondentes afirmaram ter de 01 a 03 filhos, os que têm de 04 a 06 filhos correspondem 30%. De acordo com os feirantes, daqueles que têm filhos, eles são adultos, casados, residem em outros municípios, o que impacta na redução de pessoas no núcleo familiar atual. Ou quando são solteiros, moram com pais, contribuem com as despesas da casa, colaboram no processo de preparação dos produtos para a feira, trabalhando junto na produção ou plantação das hortas.
Houve relatos de que os filhos de alguns feirantes moram fora, mas são independentes. Dentre os feirantes poucos têm filhos crianças ou adolescentes.
8Municípios do Alto Jequitinhonha: Chapada do Norte, Itamarandiba, Minas Novas, Turmalina, Veredinha.
Quadro 8 - Relação entre estado civil e número de filhos dos feirantes de Sabinópolis/MG
Estado civil Quantidade de filhos
Totais Não possui De 01 a 03 De 04 a 06 Mais de 06
Solteiro (a) 02 01 --- --- 03
Casado (a) --- 05 04 02 11
Viúvo (a) --- --- 01 --- 01
Separado (a) --- 01 --- --- 01
Divorciado (a) --- 01 --- --- 01
União Estável --- 02 01 --- 03
Totais 02 10 06 02 20
Fonte: Elaborado pela autora, 2022.
Os feirantes que são casados ou têm união estável também contam com a colaboração do cônjuge no processo produtivo. Dessa forma, podemos constatar, assim como Cruz (2019, p. 60) que “membros da mesma família, seja marido, esposa ou filhos trabalham juntos”. Sempre há a colaboração de algum parente quer seja na organização ou venda de produtos na feira.
Figura 6- Escolaridade dos feirantes de Sabinópolis/MG
Fonte: Elaborado pela autora, 2022.
Em relação a escolaridade, conforme destacado na Figura 6, todos são alfabetizados, ainda que não tenham concluído os estudos, os que cursaram do 1º ao 5º ano representaram 60% dos respondentes. Apenas um feirante relatou estar cursando a Educação de Jovens e Adultos, destinada àqueles que não tiveram oportunidade de estudar na época regular, o que demonstra o interesse pela formação acadêmica. Ainda, 35% dos feirantes
concluíram o Ensino Médio. Dentre eles, dois relataram possuir formação técnica (Segurança do Trabalho e Enfermagem).
O resultado apresentado pela pesquisa se aproxima dos resultados de Cruz (2019) que evidenciou que 56,4% dos participantes de sua pesquisa tinham o ensino fundamental como nível máximo de escolaridade. De acordo com Ribeiro (2007), 25,4% dos participantes da sua pesquisa frequentaram escola, e 63,38% tiveram acesso ao ensino fundamental, havendo uma relação próxima com os resultados encontrados em Sabinópolis.
Foi possível observar pelo relato dos feirantes que a dificuldade de acesso à escola estava relacionada à necessidade de colaborar com os trabalhos na roça e em casa, bem como o fato de que não havia obrigatoriedade pelo poder público quanto a frequência escolar no período em que a maioria estudou.
Apenas um feirante relatou a continuidade de estudo na Educação de Jovens e Adultos – EJA. Segundo ele, todos os seus filhos estudaram e o incentivaram a voltar a estudar.
Ao analisar dados sobre o nível de escolaridade dos produtores rurais no Brasil, apresentados pelo Censo Agropecuário em 2017, é possível identificar que 73% dos produtores possuem, no máximo, o ensino fundamental (IBGE, 2019).
Assim, a realidade de escolaridade dos produtores de Sabinópolis acompanha os resultados evidenciados por Ribeiro (2017) e Cruz (2019), mas se distancia dos resultados nacionais apontados pelo IBGE (2019).
Quanto a renda bruta familiar9 a Figura 7 destaca que 40% das famílias dos feirantes vivem com renda de até um salário-mínimo. Outros 50% vivem com renda entre 1 e 3 salários-mínimos e 10% possuem renda entre 3 e 5 salários-salários-mínimos.
Alguns feirantes, inclusive, relatam que os filhos adultos solteiros que vivem em suas residências não têm necessidade de colaborar com as despesas da família, a receita dos pais cobre as despesas da casa. Contudo, relataram que, havendo necessidade, esses filhos estariam dispostos a contribuir. Outro fato relevante em relação a formação de renda é a quantidade de feirante aposentado – sete – o que representa 35% dos participantes da pesquisa.
Dessa forma, podemos constatar que a aposentadoria contribui para o fortalecimento da renda familiar, sendo essa renda considerada por muitos como a principal.
9 Para a composição da renda bruta familiar são considerados todos os salários dos moradores a residência, independente da colaboração nas despesas familiares.
Figura 7 - Renda bruta familiar dos feirantes de Sabinópolis/MG em salário-mínimo (SM)
Fonte: Elaborado pela autora.
A pesquisa de Ribeiro (2007) aponta que no Jequitinhonha no ano de 2005 a renda média familiar dos feirantes girava em torno de 2,5 salários-mínimos, considerando que na composição da renda eram incluídas as vendas, autoconsumo, aposentadorias e pensões, bolsa família e outras fontes.
Silva (2016) em sua pesquisa com os agricultores do Hortomercado, em Santiago/RS, observou que, em relação ao total de respondentes da pesquisa, 35,1% afirmaram que mais de 60% da renda provém da atividade de horticultura, não sendo evidenciada a renda média familiar em salário-mínimo. Nessa perspectiva, em seus estudos destaca a importância econômica da feira, considerando a realização de duas feiras na semana, o que impacta na renda obtida pelas famílias em torno de 5,13 salários-mínimos10.
Segundo Cruz (2019), os feirantes do Alto Jequitinhonha apresentaram, na composição de suas rendas familiares, receitas advindas de programas do governo e aposentadoria, além dos ganhos na feira que giravam em torno da média de 2,35 salários-mínimos11, em quatro dos cinco municípios pesquisados: Chapada do Norte, Minas Novas, Turmalina e Veredinha. No município de Itamarandiba o ganho dos feirantes girava em torno de 4 salários-mínimos.
De acordo com 81,8% dos respondentes da pesquisa realizada com os feirantes de Sabinópolis, a composição da renda familiar dos feirantes está em torno de 1 até 3
10 Considerando que a pesquisa foi realizada no ano de 2019 e que o salário mínimo nesse ano valia R$998,00.
11 No ano de 2018 quando a pesquisa foi realizada o valor do salário mínimo era de R$954,00.
mínimos12, sendo a renda média aproximadamente de 1,8 salários-mínimos. Desses feirantes, 65% contam com a aposentadoria para compor a renda familiar.
Quadro 9- Relação entre situação funcional e a principal fonte de renda familiar dos feirantes de Sabinópolis. MG
Situação Funcional Principal fonte de renda familiar
Feira Aposentadoria Outra Totais
Ativo 10 01 03 13
Aposentado 01 06 --- 07
Totais 11 07 03 20
Fonte: Elaborado pela autora, 2022.
Foi possível observar, conforme destacado no Quadro 9, que entre os respondentes a feira é a principal fonte de renda das famílias contribuindo com uma participação de 50% nos ganhos. Da renda restante, 35% advêm de aposentadorias e benefícios do governo e 15% de outras atividades desenvolvidas. De modo geral, observamos que a receita advinda da feira de Sabinópolis, ajuda na composição da renda familiar, sendo, portanto, necessária a atividade de comercialização dos produtos nesse mercado alternativo.
Ainda sobre a composição de renda dos feirantes, ao serem consultados se recebem algum auxílio do governo, quer seja Bolsa Família ou Benefício de Prestação Continuada (BPC), de forma contínua, independente da pandemia, apenas três responderam receber Bolsa Família e um recebe BPC. O respondente que afirmou que na renda familiar há composição de BPC, o benefício é recebido por um familiar com deficiência. Os demais que responderam não receberem benefício continuado do governo, representam 80% dos entrevistados.
No período da pandemia oito feirantes declararam receber o auxílio emergencial disponibilizado pelo governo federal. Houve relato de feirante que tentou acesso ao auxílio emergencial, contudo não conseguiu o benefício, o que redundou em dificuldade financeira durante o período em que as atividades da feira estavam suspensas. Dentre os feirantes que não receberam auxílio emergencial, observou-se que sete deles foi em decorrência de serem aposentados ou o cônjuge ser aposentado e não tiveram direito a esse tipo de assistência, assim como quem relatou possuir um ente familiar beneficiário do BPC, o que também não gerava direito ao auxílio emergencial. Quatro feirantes informaram não receber o auxílio, contudo não informaram o motivo.
12 Pesquisa realizada no ano de 2022, estando o salário mínimo R$1.212,00.
3.4.2 Informações sobre a atividade de feirante
A entidade ACFAS possui obrigações que demandam contribuições financeiras de seus associados, portanto, todo feirante contribui com um valor mensal de cinco reais que tem por objetivo custear as despesas com o escritório de contabilidade, pagamentos de reconhecimento de firmas e registro de atas em cartório. O planejamento das despesas permite manter um fundo de reserva que viabilize os custeios sem comprometer os feirantes com contribuições com valores altos e emergenciais, evitando impactar nos ganhos.
As reuniões com os associados atuantes na feira ocorrem na primeira segunda-feira de cada mês, sendo realizada a convocação pessoalmente pelos membros da diretoria da associação e a data já é preestabelecida visando a ampla participação. Nas reuniões são apresentadas propostas que favoreçam melhores condições de trabalho, apontamentos de críticas e reclamações, além das atualizações sobre parcerias e colaborações externas à associação. Portanto, é compromisso de associado a participação nas reuniões. Os cursos direcionados aos feirantes associados, apesar de serem de livre participação, possibilitam a melhoria de suas condições quanto a comercialização de produtos, cuidados na produção, dentre outros temas.
Há entre o grupo uma consciência de pertencimento e uma valorização da classe, existindo cobranças entre eles quando colegas não participam de alguma atividade que possa beneficiar seus negócios tanto de produção quanto de venda.
No que diz respeito à forma como os feirantes se deslocam de suas casas até o local da feira, 60% utilizam o transporte fornecido pela prefeitura, 20% possuem veículo próprio e o utilizam para levar seus produtos à feira, 10% informaram que contratam veículo particular (taxista ou ônibus regular privado) e 10% levam seus produtos do bairro onde moram à feira a pé, visto que moram na área urbana, em bairro próximo. Alguns feirantes relataram que não conseguiram vaga no carro disponibilizado pela prefeitura precisando, assim, de outra forma de condução como o transporte privado feito por uma empresa que atende à região.
A partir dos relatos foi percebida a carência da população quanto as ações públicas que favoreçam as condições de trabalho. Apesar do pequeno porte do município existem distritos que não são próximos da cidade e que não possuem o serviço público regular de transporte, limitando a condição de acesso da população mais carente ao núcleo urbano.
Às 5h da manhã, os feirantes já chegam com suas mercadorias na feira, as barracas já estão organizadas aguardando a chegada de cada um. Para melhor organização do espaço e das barracas, foi deliberado pelos feirantes a contratação de uma pessoa que realizasse o
trabalho de montagem e desmontagem das barracas. Para isso foi estipulado um valor mensal a ser pago inserido na mensalidade dos feirantes.
A partir das 13 horas os feirantes organizam seus produtos, os que sobram e podem ser comercializados oportunamente são levados para casa, como doces, pães, frutas e alguns tipos de legumes. Outros produtos como as hortaliças são doados a entidades como Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais - APAE, hospital ou ainda pessoas carentes conhecidas dos feirantes.
Durante o período de suspensão das atividades da feira livre, em virtude da pandemia, os feirantes pararam de produzir mercadorias para comercialização. No entanto, as atividades relacionadas ao plantio e colheita para venda continuaram ocorrendo. Os produtos perecíveis como verduras (alface, couve, taioba, almeirão, etc.) e legumes (abóbora, inhame, cenoura, beterraba, etc.) foram muitas vezes doados para vizinhos e amigos ou serviam de alimento para a criação existente na propriedade rural, além do consumo familiar.
Produtos como grãos, que podem ser armazenados para comercialização futura, frutas que podem ser transformadas em doces, foram estratégias utilizadas pelos produtores para não perderem seus produtos.
Ao serem questionados sobre assistência técnica recebida, procurou-se não detalhar o tipo de assistência, a fim de analisar a compreensão dos feirantes sobre o tema. Os dados da pesquisa revelaram que 80% dos respondentes afirmam não receber qualquer tipo de assistência técnica, quer seja da Emater ou Secretaria Municipal de Agricultura, que foram as opções de direcionamento. Vale ressaltar que pelas respostas, não parece ser claro para os feirantes que seria o apoio que recebem das entidades e assistência técnica, contudo, eles próprios exemplificam que recebem orientação sobre adubação, plantio e preparo dos produtos para comercialização. Dessa forma, é possível perceber que o produtor reconhece as atividades de extensão rural quando essas ocorrem dentro de suas propriedades (dentro da porteira). As atividades de orientação a financiamentos e participação de cursos (fora da porteira) não são considerados extensão rural.
Apesar de taxativos em informar que trabalham conforme aprendizado adquirido no meio rural por observação da forma de trabalho dos familiares, transmitido ao longo das gerações, fica demonstrada a importância dada pelo grupo à valorização da cultura local. Cabe ressaltar ainda que, conforme relatos, muitas técnicas foram aperfeiçoadas a partir dos cursos, treinamentos e capacitações promovidas pela Emater e Secretaria de Agricultura.
Dos 20% de participantes da pesquisa que informaram receber algum tipo de assistência técnica apontaram como promotores: membros da ACFAS, servidores da Secretaria Municipal de Agricultura (SMA) de Sabinópolis, Vigilância Sanitária, EMATER, SENAR (por meio de cursos de como produzir, como agir com os consumidores etc.). Uma feirante que produz quitanda informou que realizou um curso de panificação que contribuiu para o conhecimento tanto da produção quanto da precificação dos produtos.
De modo geral, mesmo aqueles que informaram não terem recebido assistência, qualquer que fosse, compreendem que falta ainda certa orientação de todo o percurso, desde a produção até a apresentação dos produtos a serem comercializados, o que consideram um impedimento para que trabalhem melhor, tanto nas técnicas de plantio quanto na produção das mercadorias destinadas à comercialização na feira.
Esses resultados coincidem com os dados apresentados no Censo Agropecuário 2017 (IBGE, 2017) onde 20% do total produtores rurais participantes da pesquisa afirmaram receber orientação técnica. Ainda nessa análise de resultados apresentada pelo IBGE (2006), a resposta dos entrevistados quanto ao apoio técnico foi de 22%, o que sinaliza que não houve aumento na cobertura de orientação técnica. Com a aplicação dos conhecimentos oriundos da EMATER, SENAR, SMA, dentre outros órgãos, os produtores podem melhorar suas condições produtivas tanto em volume produzido quanto em qualidade dos produtos.
Gráfico 3– Participação familiar na produção e comercialização da feira de Sabinópolis, MG
Fonte: Elaborado pela autora, 2022.
A pesquisa revelou que grande parte dos respondentes recebe auxílio de familiar ou contrata diarista para as tarefas de produção. Os dados visualizados no Gráfico 3 apontam que 70% dos entrevistados (14 pessoas) possuem ajuda de uma a três pessoas para a produção destinada à comercialização na feira.