4 HISTÓRIA E MEMÓRIA DA CRIAÇÃO E IMPLANTAÇÃO DO CURSO DE
4.5 As narrativas dos sujeitos sobre a Criação do Curso
4.5.1 Os Idealizadores
Antes mesmo que possamos descrever sobre os idealizadores do Curso de Secretariado Executivo/UFC, fizemos uma busca no significado da palavra “idealizador”. Obtivemos: “[i·de·a·li·za·dor |ô|]: adjetivo e substantivo masculino. Que ou aquele que idealiza (IDEALIZADOR, 2016). e/ou Aquele que cria.” (IDEALIZADOR, 2018).
Descrever quem foram os idealizadores do curso, inquietação que nos acompanha desde o início deste trabalho, tem um conceito bem simples. Agora, a História do Curso e, em especial, quem foram seus idealizadores. Listamos 03 (três): O Sindicato, o Reitor e a Professora.
Do sindicato já falamos muito, de suas presidentas, de suas lutas e conquistas, de seu abaixo-assinado, da construção da matriz do curso e das reuniões para aprovar a criação.
Nossas duas personagens nunca estiveram sós. Não podem ser percebidas isoladamente, já não são pessoas simples, unas. São a representação de grupos, ideias, Coordenações, reuniões, Departamentos, Conselhos Universitário, donos de decisões que mais tarde mudaram os rumos na vida de muita gente. Entre elas, mudaram a minha! Mudaram a vida dos meus pais e dos meus filhos!
Colhemos na reunião do CEPE e do CONSUNI, a fala do Reitor dizendo que foi procurado pelo sindicato, eles traziam a regulamentação da profissão e a partir daquela data os [nossos] secretários não poderiam exercer a profissão sem a titulação de nível superior.
A presidência relatou os fatos que deram origem à ideia que deu origem de criação do Curso Superior de Secretariado, surgida há pouco mais de dois anos, quando o Reitor foi procurado por alguns representantes do sindicato da categoria. Eles traziam a informação de que acabava de ser baixada a regulamentação da profissão e que, a partir daquela data, o cargo de secretário somente poderia ser exercido por pessoas de nível superior. Explicou que o projeto desse Curso, durante mais de dois anos, foi exaustivamente analisado e discutido no âmbito da Faculdade de Economia, sob a coordenação da Profa. Criseida Alves Lima (CEPE, 22 de fevereiro de 1995). (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2015a, p. 14).
Considerando que a proposta se acha bem fundamentada, e que o novo Curso atende aos anseios da sociedade, sem importar em grandes despesas para a Universidade, o Relator era de parecer favorável à criação do Curso Superior de Secretariado, vinculado ao Departamento de Administração da FEAAC. A presidência fez um
relato minucioso dos fatos que deram origem à ideia de criação do Curso Superior de Secretariado, surgida há pouco mais de dois anos, quando o Reitor foi procurado por alguns representantes do Sindicato da categoria. Eles traziam informações de que acabava [...] (CONSUNI, 02 de março de 1995). (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2015b, p. 2).
No seu livro “Meu Percurso na Universidade”, o professor Antônio Albuquerque relata suas memórias sobre a criação do Curso de Secretariado Executivo.
Outro curso criado foi o bacharelado em Secretariado (1995), devido à aprovação de uma nova legislação que estabelecida que toda aquele ocupasse o cargo de secretaria, teria que ser portador de bacharelado em Secretariado. Isso gerou preocupação para os nossos funcionários que ocupavam cargos de secretariado. Por não existir, no nosso Estado nenhum curso que atendesse a referida atividade, cuidamos de preencher essa lacuna existente. (SOUSA FILHO, 2014. p. 98).
A Professora Criseida esteve na FEAAC, a convite da professora da Disciplina Princípios de Secretariado/FEAAC/UFC, turma 2018.1, para falar sobre a História da criação do Curso e foi assim apresentada pela anfitriã.
O Curso de Secretariado da UFC, como nós estamos estudando a história da profissão de secretariado. Nós achamos uma oportunidade para ouvir a Professora Criseida, que foi quem criou o curso de Secretariado Executivo. Ela está se aposentando, está em processo de aposentadoria... Mas deixou para nós essa herança, esse legado que é esse curso que nós temos hoje, e é uma pessoa por quem nós temos profundo respeito pelo que ela fez pelo nosso curso e pela nossa profissão. (Profa. de Princípios de Secretariado, 2018.1).
No momento, pesquisando sobre o mesmo assunto e cumprindo o Estágio Supervisionado do Curso de Mestrado em Educação/PPGE/FACED/UFC, tivemos a grata satisfação de encontrar com a mesma, trouxemos parte dessa entrevista para nossos apanhados, bem como da segunda entrevista que fizemos em sua casa.
A professora da disciplina seguiu apresentando a Profª Criseida Alves Lima, dizendo que a mesma possui mestrado e Especialização em Administração pela Universidade Estadual do Ceará – UECE, e graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE; as áreas de atuação dela são: Gestão em Recursos Humanos e hoje ela está atuando como Profª Adjunta no quadro da Universidade Federal do Ceará – UFC. Dona de um currículo invejável, sem dúvida, no dia da aula. Ao encontrá-la em sua residência, estava aposentada e cheia de gratidão pelo vivido. Mas, ouvir da mesma sobre sua trajetória de 48 anos dedicados à Universidade, destes 43 anos à UFC, faz dela um ícone.
Iniciou falando de um “Sonho”, com “S” maiúsculo mesmo. Ela, com a ajuda de outros bravos colaboradores transformaram em realidade. Disse
Então ele cresceu muito e graças ao empenho das pessoas sonhadoras, porque nada acontece; se a gente não sonha, se a gente não acredita nos sonhos, não vai atrás deles...então é muito importante a gente dizer isso. (Profa. Criseida).
Mas nós fomos bem audaciosos, nós dissemos: não, nós vamos olhar as necessidades nacionais, mas vamos ter um olho também no mercado internacional, a gente quer saber também como é que no mundo... quais são as práticas das secretárias? (Profa. Criseida).
Professor Ciro Nogueira foi um dos achados desta pesquisa. Encontramo-nos em uma defesa de tese na Faculdade de Educação/UFC, quando numa conversa informal, falando de objetivos profissionais comuns relativos à vida na Universidade, chegamos a assunto desta pesquisa. O mesmo afirmara que sua trajetória como Presidente da AdUFC (1993-1995) e membro do Centro de Ciências cruzou com a História da criação do Curso de Secretariado. Sem perder mais tempo, marcamos uma entrevista. Queríamos ouvir seus relatos.
A entrevista nos reportou para novas perspectivas sobre o olhar histórico. Saímos do campo histórico da FEAAC e viajamos por outros espaços da Universidade, em que a história também se desenrolou, com reuniões na AdUFC, com alguns professores que defendiam a criação de novo Curso. Como também, conforme ele narra, dialogar com colegas que viram na criação dos Cursos de Estilismo e Moda e Secretariado Executivo, bem como a permanência do Curso de Economia Doméstica, um “afrouxamento” da imagem da colossal UFC, como se a existência e criação destes cursos viessem macular o nome da Universidade. Para o Professor Ciro, para isso se reverter, foi o que ele chamou de um período que dogmas acadêmicos foram quebrados dentro da Universidade. Mas para isso acontecer, muitos diálogos aconteceram ao longo dos anos. Tentaremos contar isso agora.
O professor Ciro Nogueira inicia sua fala pela dificuldade financeira em que a Universidade se encontrava, mas exalta as ações do Reitor Antônio Albuquerque de Sousa Filho, que consegue driblar os obstáculos, promovendo naquele período uma série de reformas, implantação de cursos de graduação e pós-graduação, como foram os primeiros doutorados na Universidade, modernização dos espaços físicos e informatização da Universidade. O entrevistado fala que isso foi possível porque o reitor tinha uma relação boa com o MEC e soube captar recursos para a UFC, onde outros reitores não conseguiam.
Então mesmo quando os recursos existem, estão disponíveis, é mérito do reitor conseguir capta-los e um mérito maior ainda usa-los bem, como é o nosso exemplo aqui, foi muito bem utilizado os recursos naqueles anos em que eles estão disponíveis. Mas o mérito do professor Albuquerque é um mérito muito maior, porque como você disse, foi um momento em que não havia recursos. O governo Collor, que depois houve o impeachment, saiu veio o governo Itamar e a época dominava a ideia de que o Ministério da Educação deveria livrar-se do peso das universidades, então o Ministério da Educação ficava sugerindo transferir para o
Ministério da Ciência e Tecnologia... Ou então privatizar as universidades, cobrar mensalidade dos estudantes, esse é o ambiente. Mesmo em um ambiente desses o professor Albuquerque foi um captador de recursos, eu diria, eu diria, eu não quero aqui ser audacioso de dizer que ele foi o único reitor que conseguiu isso no Brasil, na época, mas eu não tenho notícia de outro, eu não saberia dar um exemplo de outro reitor que conseguiu. (Prof. Ciro Nogueira).
Então ele andava muito nos ministérios, ele era muito bem relacionado, ele era insistente, que é uma coisa que é fundamental. Ele se empenhou muito como reitor da universidade à época e ele captou recursos muito importantes e fez excelente uso deles, dou só um exemplo aqui, aqui próximo de nós aqui é essa biblioteca aqui que é a biblioteca do Campus do Benfica. Ninguém imaginava que na época, com a escassez de recursos que havia, se conseguiria recursos para fazer um prédio desse porte aqui, onde a biblioteca está até hoje. (Prof. Ciro Nogueira).
Além dessa questão de ser um captador de recursos e um bom utilizador dos recursos, ele também teve essa abertura que foi criar novos cursos. A universidade ela estava meio estagnada, se você pegasse a universidade de 90, ela era mais ou menos a mesma universidade de 80, de dez anos antes. Se você pegasse a lista do curso de graduação da universidade, nesse período houve um avanço, isso é bom que se diga, da pós-graduação. Foram abertos muitos cursos de mestrado, não tinha nenhum doutorado da universidade ainda, mas o primeiro doutorado. (Prof. Ciro Nogueira).
Os primeiros Doutorados, Doutorados da Física, 93, Doutorado da Matemática 94, Doutorado daqui e outros mais da Fisiologia, eles foram abertos ainda no último ano do reitorado do Professor Albuquerque. Mas a maior coragem acadêmica dele foi abrir cursos de graduação novos, que ai havia uma resistência muito grande. Foi um período em que dogmas acadêmicos foram quebrados dentro da universidade Federal do Ceará. Ele tem esse mérito também como Reitor da universidade. (Prof. Ciro Nogueira).
Durante nossa entrevista, o Professor Ciro Nogueira se reporta a Prof. Criseida, pelo seu reconhecimento acadêmico e à frente dos trabalhos de criação. Para ele, posições contrárias a criação teriam que enfrentar o respaldo acadêmico da professora. Como dissemos a pouco, vale ressaltar a dedicação da Profa. Criseida por esta Universidade, com um trabalho de 43 anos.
Secretárias, e aí eu diria que foi uma coisa oportuna, porque a Criseida era uma pessoa que à época ela já tinha um forte reconhecimento acadêmico. Então a Criseida, como Professora, como Pesquisadora é uma pessoa que dentro da Universidade ela tinha um reconhecimento acadêmico muito grande e depois continuou mantendo logicamente, foi só crescendo. Então o fato de uma pessoa com reconhecimento acadêmico da Criseida abraçar uma proposta dessa, talvez por isso ela diga que não teve tanta dificuldade, digamos assim. Porque na hora que uma pessoa como ela abraça uma proposta dessa, ela traz todo o peso dela, todo o reconhecimento acadêmico dela para a proposta, isso já um pouco que modera as reações contra. (Prof. Ciro Nogueira).