Na seção 3.2.1, tecemos considerações sobre a aula virtual como uma modalidade do gênero aula. A discussão se encaminhou no sentido de caracterizar a aula virtual a partir de suas especificidades de gênero. Aqui, neste capítulo, procuramos compreender não só o gênero aula, mas o ato/evento/acontecimento da aula virtual, o que significa lançar um olhar para a aula como enunciado (BAKHTIN, 2003[1979]). Considerar o enunciado do ponto de vista do acontecimento é entender que ele é único e irrepetível, sendo, pois, um elo na cadeia da comunicação discursiva. Porém, para além da evenciticidade do enunciado, podemos olhar o enunciado do ponto de vista da historicidade, o que implica dizer que ele está ligado dialogicamente a outros enunciados. Isso porque “não pode haver enunciado isolado. Ele sempre pressupõe enunciados que o antecedem e o sucedem. Nenhum enunciado pode ser primeiro ou último. Ele é apenas o elo na cadeia e fora dessa cadeia não pode ser estudado.” (BAKHTIN, 2003[1979], p. 371).
Compreender a aula sob essa perspectiva implica pensar na historicidade desses enunciados. A aula (presencial ou virtual) caracteriza-se por situações interlocutivas marcadas pelas relações pedagógicas, já valoradas socialmente. Segundo Furlanetto (2010, p. 319), no espaço pedagógico [na aula] têm-se relações de vários eus para os quais os outros são necessários e ao mesmo tempo diferentes, ou desconhecidos, ou estranhos e até mesmo inimigos ameaçadores (o que todo professor pode ser, aos olhos dos alunos que já consumiram estereótipos construídos socialmente acerca do sujeito professor).
Diante disso, concordamos com Geraldi (2010a, p. 81), quando o autor diz que é necessário revermos a concepção de aula, que historicamente é compreendida como “[...] um encontro ritual, e por isso com gestos e fazeres predeterminados, de transmissão de conhecimento”. Segundo o pesquisador, é preciso avançar para a
130
Embora seja um aspecto constitutivo da pequena temporalidade da aula, optamos por apresentar a análise do auditório social das interações (os interlocutores) no Capítulo 4 para uma melhor distribuição dos capítulos analíticos da tese.
realização da aula como acontecimento (como ato-evento), como lugar em que os sujeitos entram em diálogo e concretizem seus projetos de dizer em enunciados concretos na cadeia de comunicação verbal. Essa concepção leva-nos a dizer que no acontecimento da aula são produzidos outros enunciados pertencentes a determinados gêneros discursivos, mobilizados para a realização do querer-dizer dos interlocutores no espaço-tempo da aula (cf. seção 3.3).
Assumimos que na aula se dá um ato ético (BAKHTIN, 2010[1986]) em que os interlocutores se comprometem; eles não têm
álibi para não ocupar o seu lugar – o de licenciando, o de tutor, o de
professor131. No acontecimento da aula, os participantes vão a esse espaço-tempo [mediado pelo hipertexto] para o encontro com o outro (BAKHTIN, 1998[1975], p. 223), para encontrar a palavra do outro ou a contrapalavra do outro e, a partir daí, agenciar saberes e construir conhecimentos [...]. (SILVA; LAPA DE AGUIAR; KOERNER, 2011, p. 8).
Tendo em vista que no capítulo anterior apresentamos o tempo e o espaço do acontecimento da aula virtual, neste capítulo apresentamos os interlocutores, que interagem/se encontram no cronotopo da aula virtual, ou seja, os sujeitos que fazem a aula acontecer como enunciado. Então, a análise focaliza as posições sociodiscursivas assumidas pelos interlocutores mais imediatos nas interações discursivas na aula virtual, a saber: licenciandos (os sujeitos da pesquisa), tutores a distância e professores.
Sobre o modo de apresentação da análise, vale destacar que inserimos trechos das falas desses interlocutores e explicamos os seus contextos de produção para apresentá-los de forma situada nos embates discursivos no interior da aula virtual, o que já evidencia o próprio acontecimento da aula no hipertexto da disciplina. Por isso, a análise, por vezes, aprofunda algumas situações específicas a fim de evidenciar o modo como os interlocutores ocupam o seu lugar na aula virtual, assentados na relação de alteridade. Isso significa dizer que, ao analisarmos o discurso dos licenciandos na aula virtual, também trouxemos os discursos dos outros interlocutores mais imediatos (tutores e professores), tendo em vista que não é possível separar os sujeitos de sua relação com o outro (princípio de alteridade e excedente de visão).
131
Na apresentação dos interlocutores algumas vezes utilizamos os termos
licenciando, tutor e professor no singular. Isso não significa que temos em
mente um sujeito abstraído das situações concretas de interação; optamos pelo uso do singular tão somente com o objetivo de facilitar a textualização.
Em alguns momentos, a análise desliza tematicamente a fim de delinear os contextos específicos da produção discursiva desses interlocutores. Então não se trata de uma descrição centrada em cada interlocutor separadamente, mas sim de uma descrição desses interlocutores nos enfrentamentos interacionais, porque é no acontecimento da aula que os participantes da interação assumem os seus papéis sociodiscursivos. É o excedente de visão do outro que confere aos interlocutores o acabamento necessário. Em outros termos, é o outro que reconhece e possibilita que determinada posição discursiva na aula virtual seja assumida. Por isso, a discussão parece distanciar-se da descrição dos interlocutores, portanto nossa intenção é colocar em relevo o discurso desses sujeitos-falantes, que se mostram e respondem no acontecimento da aula virtual, já que “não somos apenas seres-de-
linguagem, mas seres-de-linguagem-com” (FURLANETTO, 2010, p.
314).
Antes, porém, de centralizar a análise nos interlocutores da produção discursiva mais imediata é importante descrever minimamente o contexto mais amplo no que se refere aos profissionais atuantes na EaD e que dão suporte às ações efetivas de ensino e aprendizagem tanto nas aulas presenciais como nas aulas virtuais nessa modalidade de ensino formal.
Na literatura da área da EaD é recorrente dizer que o trabalho de ensino a distância é, sobretudo, um trabalho em equipe ou, ainda, um
trabalho colaborativo, o que aponta para um trabalho co-construído
entre professores, tutores, profissionais de designer, gestores, equipe de suporte tecnológico. De modo geral, os cursos de EaD da UFSC compõem-se de uma equipe profissional multidisciplinar, constituindo uma rede de saberes para que os cursos possam acontecer. Segundo o projeto do curso, a equipe de Licenciatura Letras-Português compõe-se de professores da UFSC, ligados ao DLLV (CCE/UFSC); professores vinculados ao Núcleo de Ensino a Distância, vinculado ao CED/UFSC; professores dos polos presenciais e equipe de suporte técnico (DLLV, 2007). No entanto, na prática, há exceções, uma vez que o coordenador do curso pode convidar professores aposentados da UFSC ou outros professores para atuarem na EaD.
No acompanhamento dos graduandos no decorrer das disciplinas do curso estão envolvidos os seguintes profissionais:
a) professor da disciplina132, geralmente o autor (ou um dos autores) do livro da disciplina;
b) tutor a distância, responsável pelo conteúdo de uma disciplina, alocado na UFSC, sob a coordenação direta do professor dessa disciplina e atendendo até 50 alunos;
c) tutor presencial nos polos regionais, responsável por 20 a 30 alunos;
d) auxiliar administrativo (monitor de secretaria), responsável por auxiliar os trabalhos administrativos no polo;
e) secretário do curso, responsável pela documentação da secretaria do curso;
f) coordenador da tutoria, responsável em coordenar as atividades dos tutores; g) coordenador do curso; h) coordenador de polo; i) coordenador pedagógico; j) coordenador de infraestrutura; k) sub-coordenador do curso.
Esses profissionais compõem a equipe de trabalho na EaD, recobrindo tanto as funções administrativas (de apoio) como aquelas mais ligadas ao ensino propriamente dito. À primeira vista, tal estrutura não parece diferir muito do ensino presencial, que também requer uma equipe de profissionais, como coordenador de curso, orientador pedagógico, profissionais técnicos (secretários, estagiários, etc.). No entanto, na EaD, a atuação da equipe de apoio é preponderante na viabilidade do curso, uma vez que se trata de um curso que funciona fundamentalmente a partir do uso das TICs.
Nos enunciados de fóruns a seguir, podemos observar o modo como as questões operacionais (tecnológicas) interferem no andamento do curso e, logo, no processo de ensino e aprendizagem, sendo, pois, necessária a intervenção de pessoas aptas para a resolução desses problemas.
F18133 Re: leituras
por Cléo - quinta, 10 abril 2008, 09:06
132
A estrutura do curso possibilita que uma mesma disciplina possa ser ministrada por mais de um professor.
133
Enunciado de fórum proferido na disciplina Produção Textual Acadêmica I (2008/1).
Os textos das atividades 2a e 2b não abrem acusam erro de página e eu não sei onde encontrá-los. O que faço?
Cléo
F19134 Re: leituras
por Iris - sexta, 25 abril 2008, 08:48
Maria Paula na atividade do tópico03, fórum o link de envio não existe e eu não ocnsigo postar minha dúvidas, creio que seja problemas técnicos dai, pois isso está acontecendo em outros fóruns e em outras disciplinas também.
As licenciandas (F18 e F19) apontam problemas de ordem operacional/técnica que dificultam a postagem de suas atividades. Nesse caso, a equipe técnica (tutora de administração ou o coordenador de tutoria) pode auxiliar a equipe da disciplina (tutores e professor) a fim de resolver o problema. Pode ocorrer também que a própria equipe da disciplina verifique os erros e os resolva no decorrer das interações.
A estrutura do curso é bastante complexa e conta com uma equipe multidisciplinar cujas ações certamente incidem sobre os resultados didático-pedagógicos almejados. Podemos citar, como exemplos dessas ações: a elaboração/edição do livro impresso, que precisa estar nos polos em tempo hábil para o início das disciplinas; as videoconferências, cujo planejamento prévio e assessoria dos profissionais técnicos são imprescindíveis para que a aula aconteça; e, ainda, a elaboração do hipertexto das disciplinas, construído conjuntamente com a equipe de
design instrucional, que precisa estar pronto antes do início da
disciplina, uma vez que o hipertexto funciona como o espaço/realização do acontecimento da aula virtual. Assim, a equipe da EaD existe justamente para auxiliar as ações didático-pedagógicas com vistas a potencializar o processo de ensino e aprendizagem no curso.
Já com relação à composição do auditório social das situações de interação mais imediatas no processo de ensino e aprendizagem na aula virtual, destacam-se: os licenciandos, os tutores a distância, também
134
Enunciado de fórum proferido na disciplina Produção Textual Acadêmica I (2008/1).
chamados de tutores-UFSC135, e o professor (ou professores) da disciplina, que são apresentados a seguir.
4.1 O PROFESSOR
O projeto pedagógico do curso de Licenciatura Letras-Português- EaD propõe que a função de professor seja ocupada preferencialmente pelo professor do curso de Letras-Português da UFSC na modalidade presencial. Segundo o projeto pedagógico do curso, para a definição dos professores, a coordenação faz a indicação de nomes mediante debate entre os membros do Colegiado, que levam em consideração os interesses e a formação dos professores. Essa indicação é referendada pelo chefe do respectivo Departamento (DLLV, 2007).
Assim sendo, geralmente o professor do curso de graduação presencial assume na EaD a mesma disciplina (ou uma disciplina de área correlata a sua pesquisa e formação) que costuma ministrar no ensino presencial. Desse modo, não há uma seleção ou concurso específico para essa função. A EaD é uma atividade que acontece em paralelo às outras demandas já atendidas pelo professor na universidade: o ensino na modalidade presencial (na graduação e na pós-graduação), a orientação de graduação e pós-graduação, a pesquisa, a extensão universitária, as atividades administrativas, etc. Isso resulta, frequentemente, num acúmulo de funções do professor e na redução do tempo para a pesquisa, para a consolidação de um trabalho de extensão e, inclusive para a sua participação mais intensa no ambiente virtual da disciplina que assume na EaD.
Em certo sentido, é possível dizer que a forma como a EaD é incorporada ao trabalho do docente configura-se como uma sobrecarga de trabalho para o professor. Por outro lado, vale destacar que recentemente o Governo Federal136 abriu novas vagas para docentes especificamente para atuação na EaD, em virtude da ampliação das ações da UAB, que visa a expansão de vagas nessa modalidade de ensino.
135
Fazemos menção ao tutor presencial, no entanto, não o incluímos na análise efetiva dos interlocutores, uma vez que a interação entre o tutor presencial e os licenciandos do curso se efetiva por ocasião dos encontros presenciais, e a pesquisa recobre principalmente as interações ocorridas na aula virtual.
136
Refirimo-nos ao recente período de expansão da universidade pública federal a partir do REUNI, instituído pelo Decreto n. 6.096, de 24 de abril de 2007.
Como dito antes, o professor da EaD da UFSC é, na maioria das vezes, o mesmo professor da modalidade de ensino presencial, o que nos remete a professores-pesquisadores, que possuem formação de excelência (doutores e pós-doutores) e que normalmente trabalham também na pesquisa nos cursos de Pós-Graduação. Essa condição certamente atua como índice de valoração positiva para o curso, no sentido de qualificá-lo do ponto de vista acadêmico137.
Com relação ao lugar ocupado pelo professor na EaD, o projeto do curso lista as seguintes atribuições (DLLV, 2007, p. 11):
a) Elaboração do material didático para a disciplina que irá ministrar, tanto para o formato impresso como para o ambiente virtual de aprendizagem. O professor da disciplina poderá ou não ser o autor do material impresso e online do curso.
b) Participação na seleção dos tutores que atuarão na sua disciplina. c) Acompanhamento, junto com a tutoria, do processo de aprendizagem dos alunos.
d) Agendamento de horários para o atendimento aos alunos, seja por
videoconferência, e-mail, bate-papo ou telefone.
e) Realização dos encontros presenciais da disciplina, até 30% da carga horária total, que se desdobrarão entre avaliações, seminários integradores, videoconferências e atendimento presencial pela tutoria.
f) Montagem das avaliações e correção de 20% do seu total.
g) Acompanhamento das avaliações presenciais por meio de videoconferência.
h) Participação em reuniões pedagógicas e de avaliação do curso. i) Planejamento e desenvolvimento do plano de ensino da disciplina. j) Ministração de aulas.
k) Participação do programa de capacitação.
Dentre as atribuições propostas pelo projeto, na prática, e dependendo das particularidades/perfil de cada professor, parece-nos que ele tem sua presença mais marcada nas seguintes situações: na elaboração do livro da disciplina, no planejamento da disciplina, nas videoconferências e nas aulas presenciais nos polos.
No papel de autor do livro, a sua atuação se aproxima da do sábio – aquele que não só ensina, mas também produz o conhecimento que é ensinado (GERALDI, 2010a). Isso pode ser trazido para o contexto da
137
Na seção 5.1.3, mostramos que os licenciandos valoram positivamente o caráter acadêmico-científico do curso e atribuem essa característica, entre outros aspectos, ao corpo docente.
nossa pesquisa, uma vez que o livro produzido pelo professor carrega, muitas vezes, as concepções da pesquisa desse professor138, que lhe imprime um tom autoral de professor-pesquisador. O livro, como detalhamos antes, orquestra a disciplina; é o marco inicial para a disciplina. Por ocasião de sua elaboração, é quando se define o desenho da disciplina; então o livro é o que indicia a presença constante do professor no decorrer das interações nas disciplinas.
Além do perfil do sábio, a atuação desse professor assemelha-se a de um arquiteto que planeja minuciosamente a disciplina, desde a elaboração do livro, passando pela elaboração do plano de ensino até chegar ao hipertexto da disciplina, que é construído em parceria com a equipe de design instrucional. Após essa fase de planejamento, o professor visita os polos para a realização da aula presencial139, coordena duas videoconferências no período da disciplina (uma no início da disciplina e outra próximo ao seu término) e, no decorrer do período da disciplina, coordena/orienta/supervisiona o trabalho do tutores.
Todas essas atividades desenvolvidas pelo professor podem ser construídas em grupo, de forma colaborativa, de modo que o professor compartilhe esse planejamento com os tutores a distância (tutores UFSC), podendo até escrever o livro da disciplina em co-autoria com outro professor ou mesmo com um tutor. Observamos que cada professor, dependendo das condições de trabalho, pode optar por produzir individualmente os materiais e traçar o planejamento da disciplina de forma independente/solitária, ou pode optar por um trabalho colaborativo em que compartilhe essa etapa de planejamento com a equipe de tutores ou com outro professor. Por exemplo, se o professor conta com uma equipe em que os tutores são experientes na docência e na produção de material didático, a tendência é que a disciplina funcione sob a tutela de uma equipe e que, de fato, haja um compartilhamento de planejamento e ações. No entanto, há casos em que o professor assume de forma mais individual o direcionamento de
138
A produção do material instrucional na EaD, por si só, constitui um interessante tema de pesquisa. Observamos que, muitas vezes, os professores não só apresentam o estado da arte de determinada disciplina, mas também agregam ao livro suas perspectivas teóricas, advindas de sua atuação na pesquisa.
139
Os encontros presenciais são agendados e são de atribuição exclusiva do professor da disciplina. Cada professor realiza um encontro presencial (em um dos turnos: matutino ou vespertino) em cada um dos polos.
toda a disciplina e os tutores tomam o seu posto em uma disciplina já formatada/delineada a priori pelo professor. Esta opção se dá tanto por questões contigenciais (por exemplo, quando os tutores são iniciantes na docência ou quando o processo seletivo dos tutores está atrasado e a disciplina precisa ser iniciada) como por uma particularidade do próprio professor-pesquisador, que está habituado a trabalhar sozinho.
Essas posições diferenciadas e assimétricas nos fazem refletir que, se nos reportarmos às relações canônicas de ensino-aprendizagem, podemos dizer que na EaD um dos papéis que se altera sensivelmente é o do professor. Há uma desestabilização/diluição da função clássica do professor, tendo em vista que ele divide a sua função com o tutor a distância, que também é um professor e responde pelo conteúdo da disciplina e por parte do processo avaliativo frente aos graduandos. Além disso, como dito antes, o professor pode também compartilhar a disciplina com outro professor do departamento. O compartilhamento ocorre também quando o professor passa a negociar/planejar com a equipe instrucional a organização dos conteúdos da sua disciplina no ambiente virtual.
No entanto, mesmo tendo seu papel canônico desestabilizado/diluído, ele (o professor) ainda é quem dá a última palavra; é ele que detém o tom autoral da aula (e do livro da disciplina); e é a quem todos respondem no espaço-tempo da disciplina.
4.2 O TUTOR
A função de tutor é também nomeada na literatura da área da EaD como mentor, formador, guia, instrutor ou professor-tutor,
facilitador (COL, 2003). Nos cursos de EaD da UFSC, há dois tipos de
tutores: o tutor presencial e o tutor a distância. O tutor presencial é também um professor graduado em Letras-Português e que, preferencialmente, trabalha na rede pública de ensino. Ele atua no polo, mantendo contato direto com os licenciandos, por meio de encontros presenciais obrigatórios com seu grupo ou atendendo solicitações individuais de graduandos que se deslocam até o polo à procura de orientação para seus estudos.
O tutor a distância, preferencialmente aluno de programa de pós- graduação em áreas afins à formação de professor de Letras-Português, localiza-se geograficamente na UFSC, atuando como tutor de conteúdo de uma disciplina específica. O curso de Licenciatura Letras-Português possui uma particularidade no tocante à tutoria: Há tutores específicos para cada disciplina, ao contrário dos demais cursos de EaD da UFSC (e
da UAB), em que um tutor atende a todas as disciplinas de determinado semestre. Essa diferença é significativa, pois os licenciandos interagem com tutores que se dedicam somente a uma disciplina. Assim, trata-se de uma tutoria mais especializada e não generalista.
No atendimento aos alunos há um tutor presencial para cada vinte e cinco alunos e um tutor a distância para cada cinquenta alunos. O projeto do curso propõe as seguintes atribuições comuns aos dois tipos de tutores:
a) Orientar os alunos a planejar seus trabalhos. b) Orientar e supervisionar trabalhos de grupo.
c) Esclarecer dúvidas sobre o conteúdo das disciplinas.
d) Esclarecer os alunos sobre regulamentos e procedimentos do curso.
e) Proporcionar feedback dos trabalhos e avaliações realizadas. f) Representar os alunos junto aos responsáveis pelo curso. g) Participar da avaliação do curso.
h) Manter contato constante com os alunos.
i) Participar de cursos de formação que potencializem o seu trabalho (DLLV, 2007, p. 144).
As atribuições supracitadas foram definidas no projeto do curso. Mas, com o transcorrer das disciplinas, algumas mudanças significativas foram incorporadas. Por exemplo, o tutor presencial não mais presta orientação sobre conteúdos de ensino junto aos estudantes. Além disso, a avaliação (correção) das atividades desenvolvidas pelos graduandos passou a ser de responsabilidade exclusiva do tutor a distância e, em menor grau, do professor da disciplina.