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3. Enquadramento Institucional 9

3.6. Os jovens “arrebitados” e os pequenos “pestinhas” 21

No meio de tanta juventude, onde apenas três rapazes se manifestavam entre as muitas raparigas, uns eram mais extrovertidos, outros mais tímidos, uns mais respondões, outros mais ponderados. Com alguns foi rápido, com outros custou mais um bocadinho, mas foi “algo” que foi crescendo. “Algo” este que não sabia explicar. Uma espécie de dependência

mútua, na qual a aprendizagem se verificava em ambas as direções. No que diz respeito aos mais novos, os meninos davam-lhe apertos de mão, como se fossem homens grandes, as meninas davam-lhe abracinhos como se de uma amiguinha se tratasse. Eram pequenos “pestinhas” detentores de uma energia contagiante, que marcaram a sua

memória de momentos únicos e inesquecíveis.

Após a PC baralhar de forma aleatória aqueles pedacinhos de papel, onde estavam escritas as turmas residentes (TR), eis que lhe aparece “11º (letra da

turma)” entre as mãos. Seriam estes jovens do Curso de Científico-Humanístico

de Línguas e Humanidades que iria acompanhar até ao final daquela aventura. Para os conhecer melhor, recorreu a uma ficha biográfica elaborada pelo NE, podendo desta forma “vasculhar” um bocadinho sobre eles, aquilo que os caracterizava e os tornava únicos e que teria que ter em conta posteriormente no seu planeamento do processo de ensino-aprendizagem. Eram vinte alunos, normalmente dezanove, com uma média de idades situada nos 17 anos, inseridos em ambientes familiares diversos, com interesses, hobbies,

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experiências, e motivações diferentes e na qual a prática de atividade física e desportiva foi pouco referenciada como um hábito regular. Apenas cinco dos alunos afirmaram praticar atividade física e desportiva fora da escola. Eram um misto de personalidades que vivia rodeado de pequenas bolhas que se tornou a certo ponto difícil rebentar. No entanto, apesar das divergências e incompatibilidades existentes foi uma turma que sempre se mostrou recetiva à sua presença e ao trabalho que desenvolveu. A pouco e pouco foi conseguindo cativá-los. Alguns desafios foram encontrados ao início, mas no final tornaram- se verdadeiras conquistas.

“(…) muitas vezes já comentei com a minha colega estagiária: “Às vezes preferia não me afeiçoar tanto às pessoas. Depois disto tudo acabar vai custar tanto deixá-los. Gosto mesmo deles, como é que é possível!” (…) apesar de estarem a passar uma fase menos positiva face aos desentendimentos existentes dentro da mesma, continuo a dizer que não consigo imaginar o meu estágio sem eles. Em conversa com os meus colegas de estágio este período disse: “Se me perguntassem se queria trocar de turma, eu dizia que não!” Disse isto por uma razão muito simples, se evoluí ao longo deste tempo foi graças a eles. Eles são o meu desafio! (…) Penso que até agora tenho desenvolvido um bom trabalho, pelos menos consegui cativar a maioria deles. Neste período, foram alguns os momentos em que os tive de chamar à atenção face a algumas atitudes, que de certa forma me desiludiram. No entanto, penso que são bons miúdos e que no fundo não fazem as coisas com má intenção. Gosto muito da relação que tenho com os meus alunos, agradeço a forma como eles me receberam desde o início.” (Reflexão Final do 2º Período)

Falta falar nos “pestinhas” da turma partilhada (TP). O 5º ano era uma turma com um total de vinte e cinco alunos, treze meninas e doze meninos, sendo que dois deles apresentavam NEE e três currículo específico individual (CEI). Dois dos alunos com NEE frequentavam as aulas acompanhados por uma professora que lhes prestava apoio e que era responsável pelo planeamento das suas atividades, sendo estas adaptadas à sua condição. Uma terceira aluna, também com NEE, devido às condições de saúde, encontrava-se na unidade de multideficiência, devidamente acompanhada, não frequentando por isso as aulas de EF. Quanto aos alunos com CEI, estes frequentavam as aulas autonomamente, uma vez que o problema que apresentavam se caraterizava apenas por dificuldades cognitivas. Era uma turma que, enquanto

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desconhecedores do ambiente escolar e de possíveis afinidades começou pela adoção de comportamentos muitas vezes elogiados pelo NE. Eram muito respeitadores e empenhados, no entanto, com o desenrolar do tempo, pela confiança e o à vontade sentidos, alguns comportamentos menos aceitáveis despontaram. No entanto, apesar da sua energia e vivacidade, que por diversas vezes foram alvo de chamadas de atenção, não havia melhor manifestação de cumplicidade e carinho da parte deles quando, sempre que encontravam o NE, se aproximavam preparados para dar aqueles apertos de mãos e abraços tão recompensadores.

“(…) conhecemos os nossos pestinhas do 5º ano. Pareceu-me ter alunos com vontade de trabalhar e muitos deles são crianças ativas fora da escola, o que mostra o seu gosto pelo desporto e atividade física.” (Diário de Bordo, Semana 2)

“(…)após ouvir a apreciação dos professores, existe concordância entre os mesmos relativamente ao comportamento dos alunos. Nota-se que os mesmos se encontram familiarizados com o ambiente escolar, já estabeleceram relações mais coesas entre eles o que, consequentemente, se traduz frequentemente em conversas paralelas nas aulas, provocando a agitação referida anteriormente.” (Diário de Bordo, Semana 23)

O facto de a turma ter alunos com NEE, foi uma experiência enriquecedora, uma vez que a inclusão de alunos com este tipo de caraterísticas na escola é cada vez mais frequente. Torna-se assim importante para o professor saber como adaptar a aula face às condições dos mesmos. Foi neste sentido que decidiu ajudar a professora responsável pelo grupo equipa do Desporto Adaptado, no âmbito do Desporto Escolar. Aqui aprendeu alguns exercícios e estratégias de como trabalhar com estes alunos, que em alguns momentos conseguiu colocar em prática durante as aulas do 5º ano.

“Durante esta aula, dediquei-me ao nosso aluno com NEE. (…) Este aluno também está comigo no Desporto Adaptado daí que durante esta aula realizei alguns exercícios

de coordenação e orientação espacial, exercícios esses que os alunos realizam no desporto escolar, para desenvolver algumas capacidades motoras.“ (Diário de Bordo, Semana 9)

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