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Os modelos de organização de conhecimentos prévios locais

CAPÍTULO III AS EXPRESSÕES IDIOMÁTICAS DE UM TEXTO PELOS SEUS

3.2 O Texto “A roda do jacubalê”: produto de um discurso cristalizado

3.2.1 Os conhecimentos prévios pelos arquivos da memória semântica

3.2.1.2 Os modelos de organização de conhecimentos prévios locais

O texto “Na roda do jacubalê” tem por referenciação relatos de acontecimentos que focalizam a “corrupção” no curto-tempo da história político-administrativa do Estado Brasileiro, mais especificamente aquele período que compreende o 1º e o 2º turno da eleição na qual o ex-presidente “Lula”, conquistou a reeleição, em 2006. A construção desse relato reitera a representação de mais um episódio, dentre outros que a ele antecedem, bem como inúmeros outros que a ele se sucedem até os dias de hoje, de modo a reiterar os sentidos de uma narrativa que tem o longo tempo de formação da identidade nacional brasileira qualificada pelo verbo “descobrir”, ou

seja, “tirar o véu que impossibilitava aos homens dos tempos de “antanhos” – que viveram até o século XVI – enxergar um novo continente. Trata-se de um episódio que retoma o mesmo tema, contudo, em um espaço onde a velocidade do tempo é interpretada por outros parâmetros: aquele por meio do qual o mundo moderno é concebido como produto de ações sociais que visam a instituir, de forma cada vez mais intensificada, o denominado modelo de sociedade de massa. Assim, esse processo de massificação se faz extensivo ao uso de informações para produzir argumentos copiados de textos já existentes, nem sempre com a propriedade necessária. Muitas vezes, as informações são tão reduzidas que não permitem ao leitor depreender que o seu autor sequer tenha tomado conhecimento da extensão e dos limites dos conteúdos por ele enunciados.

Segundo Rodriguez (2005), o excesso de informações que circulam na sociedade dos tempos modernos dificulta a elaboração e a compreensão de raciocínios mais elaborados e/ou complexos. A velocidade e a quantidade de produção de informações não facultam o uso do tempo necessário despendido quanto ao uso desse tipo de raciocínio: não há tempo para análises, cujas sínteses implicam em novas análises que se desdobram em outras-novas sínteses. Esse é o caso, por exemplo, com que se deparam os redatores de um jornal impresso, principalmente aqueles de grande circulação diária, cujas informações são organizadas sob a forma de cadernos ou seções – como: Editorial, Cotidiano, Economia e, dentre outros, o “Ilustrada” – contudo, as notícias publicadas em todos eles, exceção feita a algumas delas que compõem o Caderno de Editoriais, poucas são as que convidam os leitores a reflexões mais aprofundadas. Entretanto, os produtores dos jornais sabem que os seus leitores – por outro lado, dispondo de pouco tempo para absorver informações mais elaboradas – diante de textos muito expandidos, ou longos para suas leituras diárias, não hesitarão em substituir aquele que compram diariamente pelo jornal concorrente.

Segundo o autor, nesse contexto em que impera a velocidade do tempo, onde os segundos e os minutos são extremamente valiosos, é preciso situar os jornais televisionados que apresentam um vasto e denso conteúdo informativo de notícias, compactadas de forma extremamente reduzidas. Neles, elas estão assimiladas a imagens que complementam a linguagem telegráfica desses tipos de textos escritos para serem lidos para os telespectadores. A notícia compacta é uma exigência dos

tempos modernos, em que maximizar a produção, otimizar o tempo, usar a engenharia das atividades também são aplicadas às produções dos discursos dos administradores de empresas, dentre os quais estão aqueles responsáveis pela produção de notícias jornalísticas. Essas empresas, à semelhança de quaisquer outras, despendem seus esforços “para um só ponto: cortar excessos, concentrar informações, não se estender em raciocínios que não sejam, antes de tudo, produtivos. Daí, no contexto empresarial, a comunicação sempre direta, as mensagens curtas (...) a tecnologia fazendo por si só tudo que lhe for possível” (RODRIGUES, 2005: 2). Ressalta-se que nesse contexto, a construção do relato referente aos acontecimentos abaixo registrados resulta de leituras de notícias publicadas pelo Jornal Folha de São Paulo, Revistas Veja, Época e, também, notícias on line sobre o fato que envolve o chamado Escândalo do Dossiê.

O Brasil foi governado por oito anos, de 2002 até 2010, pelo Presidente Lula (Luís Inácio da Silva) – pernambucano de Garanhuns, co-fundador do partido de esquerda PT (Partido dos Trabalhadores) – o trigésimo quinto Presidente da República Federativa do Brasil, após ter participado de três outras disputas presidenciais: no pleito de 1989, ficou em 2º lugar na disputa com Fernando Collor de Melo; nos pleitos de 1994 e 1998, Lula foi derrotado ainda no primeiro turno pelo candidato do PSDB Fernando Henrique Cardoso. O petista assumiu a presidência da República Brasileira, em 01 de janeiro de 2003, após vencer, em segundo turno, o candidato do PSDB, José Serra. Em 2006, foi reeleito, também em segundo turno, vencendo, desta vez, o candidato Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo, na eleição de 29 de outubro de 2006. O mandato do ex-presidente Lula encerrou-se em janeiro de 2011, quando ele passou a faixa presidencial para a também petista presidente Dilma Rousseff.

A expectativa tanto da esquerda brasileira quanto da internacional a respeito do governo de um ex-sindicalista, sob o lema da ética e da justiça na política, foi grande. Na campanha de 1989, ele defendeu a imagem de um corporativista “que entra na política para defender o interesse dos trabalhadores, emblematizada no slogan ‘trabalhador vota em trabalhador’” (GOMES, 2006: 3) e, em 22 de junho de 2002, no início da campanha, foi publicada pela imprensa a Carta ao Povo Brasileiro (ANEXO B) com a clara pretensão de apresentar aos empresários os compromissos e as estratégias econômicas do governo do PT e, consequentemente, acalmar os

investidores e atores econômicos preocupados com o futuro do país. Lula, apesar de dirigir-se ao “povo brasileiro” – assumindo o compromisso de mudança “O Brasil quer mudar. Mudar para crescer, incluir, pacificar. Mudar para conquistar o desenvolvimento econômico que hoje não temos e a justiça social que tanto almejamos” – busca aliados, principalmente daqueles que não compactuam com a posição ideológica petista.

O primeiro mandato do governo Lula (2003-2006), embora embalado pela expectativa de mudança, foi abalado, na segunda metade do primeiro mandato, por uma série de denúncias de corrupção e desvio de dinheiro público. Dentre tantos escândalos divulgados pela mídia, alguns se destacaram: 1) Escândalo dos Bingos, noticiado em fevereiro de 2004; 2) Escândalo dos Correios, maio de 2005; 3) Escândalo do Mensalão, divulgado em maio de 2005; 4) Escândalo do Dossiê, setembro de 2006. Em todos esses escândalos, segundo a imprensa escrita e oral, estavam envolvidas pessoas diretamente ligadas ao governo do presidente Lula. O Escândalo do Dossiê, ou Escândalo dos Aloprados, envolve o Dossiê Vedoin – composto por um vídeo de 24 minutos e fotos em que Serra e Alckmin eram retratados juntos, em uma cerimônia de entrega de ambulância, em Cuiabá, ao lado de Luiz Antônio Vedoin, – esse acusado de envolvimento no esquema fraudulento de compras de ambulâncias, chefe da máfia das Sanguessugas11. Esse material foi

interceptado pela Polícia Federal, em um hotel, em São Paulo, juntamente com uma mala com o valor de 1,7 milhões de reais. Durante as investigações descobriu-se que o dossiê seria vendido pelo próprio empresário Luiz Antônio Vedoin para o PT, ficando Valdebran Padilha e Gedimar Passos, ligados ao Partido dos trabalhadores responsáveis pela negociação. Eles indicaram Freud Godoy, ex-assessor especial do presidente Lula no Planalto, como o responsável por parte do dinheiro da compra do dossiê.

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O Escândalo das Sanguessugas, também conhecido como máfia das ambulâncias, foi deflagrado, em 04 de maio de 2006, quando foi descoberta uma quadrilha que negociava com assessores de parlamentares a liberação de emendas individuais ao Orçamento da União para que fossem destinadas a municípios específicos. Com recursos garantidos, o grupo - que também tinha um integrante ocupando cargo no Ministério da Saúde - manipulava a licitação e fraudava a concorrência valendo-se de empresas de fachada. Dessa maneira, os preços da licitação eram superfaturados, chegando a ser até 120% superiores aos valores de mercado. O "lucro" era distribuído entre os participantes do esquema. Dezenas de deputados foram acusados e o caso deu origem, no mesmo ano, ao Escândalo do Dossiê.

O conteúdo desse falso dossiê, ao favorecer a campanha petista, acusaria os candidatos do PSDB José Serra e Geraldo Alckmin de envolvimento no Escândalo das Sanguessugas: o primeiro concorria ao governo de São Paulo em disputa com Aloizio Mercadante do PT; o segundo concorria à presidência da República, concorrendo com a reeleição de Lula. O escândalo foi deflagrado depois que a revista Época emitiu uma nota revelando ter sido procurada por Osvaldo Bargas, ex- secretário do Ministério do Trabalho durante a gestão Lula, e Jorge Lorenzetti, integrante da Campanha à reeleição de Lula, com a oferta de “denúncias” contra os políticos tucanos. Os petistas disseram que a oferta não tinha relação com PT nem com o governo, mas que o presidente do partido, Ricardo Berzoini, tinha conhecimento do teor e do encontro com a Revista Época. Como na reta final do processo de reeleição, para preservar a sua imagem diante do eleitorado, Lula afastou da coordenação da campanha o presidente do PT Ricardo Berzoini.

Ainda de acordo com a Época, as denúncias não foram levadas a cabo porque Bargas telefonou, no mesmo dia, para os repórteres da revista avisando que a pessoa interessada em fazer as denúncias havia desistido de fazê-las. Na ocasião, Berzoini, confirmou saber que um integrante da campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha procurado repórteres da Época para tratar de questões de interesse jornalístico e, em nota oficial, assegurou que não tinha conhecimento do conteúdo abordado entre o assessor da campanha de Lula e a venda de “denúncias” contra os tucanos.

Contudo, em 10 de outubro de 2006, os eleitores estavam, há 19 dias, da eleição presidencial, quando também elegeriam o prefeito para a cidade de São Paulo. Dois candidatos do PSDB disputam o segundo turno com candidatos do PT: Geraldo Alckmin, a presidência da República com Lula e Serra a prefeitura de São Paulo com Aluízio Mercadante, devendo-se considerar os eleitores de São Paulo, na sua maioria, não são adeptos incondicionais das candidaturas petistas. Esse partido ocupou por uma única vez a prefeitura da capital desse Estado, mas jamais elegeu um governador e, mesmo Lula, jamais obteve vitória significativa nos pleitos eleitorais a que concorreu à presidência, embora fosse eleito, tanto para exercer o primeiro e o segundo mandato presidencial.