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Os novos tecidos: técnicos, funcionais e inteligentes

No documento UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA (páginas 75-80)

4.4 A evolução do vestuário

4.4.1 Os novos tecidos: técnicos, funcionais e inteligentes

Ao pesquisar sobre tecidos que desempenham funções especiais encontramos diferentes nomenclaturas utilizadas em sua definição. Com maior freqüência são nomeados como tecidos técnicos, tecidos funcionais e tecidos inteligentes. É necessário compreender

se tais definições se diferem ou se complementam e que tipo de material cada uma engloba para identificar qual tecnologia deve ser pesquisada para aplicação no presente estudo.

Conforme explica o Grupo de Trabalho sobre Têxteis Técnicos da Confederação Européia do Vestuário e Têxtil (EURATEX) não existe um conceito universalmente aceito para designar têxteis técnicos, porém existem duas vertentes neste sentido. A primeira indica que têxteis técnicos são todos os produtos que não são têxteis tradicionais e por isso não são têxteis para o vestuário e para o lar, a segunda apresenta uma abordagem técnica e outra comercial, a técnica indica que têxteis técnicos são têxteis que cumprem requisitos técnicos com o objetivo de conferir elevado desempenho e a comercial sugere que têxteis técnicos são um grupo de produtos que fornecem soluções para os desafios que se apresentam na sociedade como questões ambientais, de segurança, saúde e outros (CITEVE, 2010). Embora não exista uma definição precisa há uma classificação sobre têxteis técnicos que agrupa em 12 aplicações uma série de produtos apresentados na Figura 11.

Figura 11 - Aplicações para têxteis técnicos. Fonte: David Rigby Associates apud Citeve (2010) (traduzido e adaptado).

Por este agrupamento percebemos que os têxteis técnicos para aplicação exclusiva no vestuário estão presentes em três aplicações diferentes que são: Clothtech (Roupas), Protech (Proteção) e Sporttech (Esportes).

Quanto à nomenclatura têxteis funcionais, Morgado (2010), indica que substratos têxteis funcionais são substratos que além das suas características estéticas e decorativas se caracterizam pelo seu desempenho funcional frente aos estímulos externos que podem condicionar o seu ciclo de vida.

Os têxteis funcionais devem englobar pelo menos uma característica envolvendo saúde e proteção, fácil cuidado e valorização estética e conforto, como discriminado na Figura 12.

Figura 12 - Características dos têxteis funcionais. Fonte: Citeve (2010) (traduzido e adaptado) Já os têxteis inteligentes correspondem à geração mais recente de têxteis técnicos. São produzidos por tecnologias que desenvolvem nos materiais têxteis capacidades para o desempenho de funções que eram disponibilizadas por outros produtos, desenvolvidos também por outras ciências, como a da saúde. Estes materiais possuem capacidade para interagir com micro organismos, com o ser humano e o meio ambiente.

Entre outras encontram-se as funções de percepção da atividade física, a função bioativa na eliminação de bactérias e a capacidade de auto modificação dos materiais (CITEVE, 2010).

A denominação “têxteis inteligentes” tem origem nos materiais inteligentes, que são chamados desta forma por sua capacidade de captar os estímulos ambientais e reagir por meio de alterações mecânicas, químicas, elétricas, térmicas, magnéticas e outras (LASCHUK, 2008). As áreas de pesquisa em relação às novas tecnologias envolvendo o setor têxtil podem ser agrupadas desta forma (TAO, 2001, p.4):

- Para sensores/atuadores: Materiais foto-sensíveis, fibras óticas, polímeros condutores, materiais termo-sensíveis, materiais com memória de forma, membranas e revestimentos inteligentes, polímeros químico-responsivos, materiais mecânico-responsivos, microcápsulas, micro e nanomateriais;

- Transmissão de sinais, processamento e controle: Redes neuronais e sistemas de controle, teoria e sistemas cognitivos e

- Para processos integrados e produtos: Fotônica e eletrônica em vestuário, estruturas adaptáveis e responsivas, biomimetismo, bioprocessamento, liberação de substâncias químicas e de remédios.

A principal diferença entre os Têxteis Técnicos e Têxteis Funcionais para os Têxteis Inteligentes é a transformação das funcionalidades passivas e de âmbito abrangente em funcionalidades “Smart” (Inteligente), ativas e personalizadas para o usuário ou nicho de mercado, capaz de modificar sua forma, estrutura e função em virtude de estímulos externos (meio ambiente).

Morgado (2008) salienta que no futuro pensaremos no “vestuário como uma segunda pele”, capaz de proteger, estimular, hidratar, relaxar, ou mesmo servir de suporte para os acessórios que permitem comunicar, transmitir e exteriorizar sensações, monitorizar e controlar os sinais vitais. A Figura 13 demonstra uma nova concepção para o vestuário, que deixa de ser um objeto externo ao corpo humano e passa a integrar-se a ele na interação com o ambiente em que estão inseridos.

Figura 13 - Interação corpo-vestuário-ambiente. Fonte: Plataforma Tecnológica Européia (PTE) apud Morgado (2010)

O fato de o vestuário ser a primeira barreira entre o corpo humano e o meio ambiente que nos rodeia, obriga os artigos têxteis a evoluir no sentido de conferir novas performances e novas funcionalidades capazes de auxiliar o ser humano na execução de tarefas tornando o trabalho menos árduo e protegendo das adversidades.

Na atividade agrícola de aplicação de agrotóxicos o ser humano está exposto às variações climáticas, no caso do clima tropical um dos problemas é o calor excessivo gerado pelo esforço físico da atividade e as altas temperaturas do ambiente. Há ainda as questões relativas à grande exposição aos raios ultravioletas, o contato com substâncias tóxicas que podem causar intoxicações e o contato com o próprio EPI (macacão) que pode causar problemas dérmicos devido à fricção na pele de materiais de toque áspero e que muitas vezes encontram-se com vestígios de substâncias tóxicas.

O desenvolvimento de roupas resistentes aos pesticidas tem recebido considerável atenção de pesquisadores, pois, a exposição da pele aos pesticidas é um perigo para a saúde dos agricultores (ZHANG e RAHEEL, 2003). O vestuário usado atualmente para a proteção de pesticidas não confere proteção adequada, especialmente para as mãos e as coxas, mesmo que os agricultores utilizem os pulverizadores com tratores de cabine fechada e usando vestuários de proteção com luvas e botas de borracha (FENSKE et.al., 2002; ELMI et.al, 1998).

O vestuário exerce funções de extrema importância na realização das tarefas do aplicador de agrotóxicos, a principal é o isolamento do usuário impedindo a passagem de substâncias tóxicas, mas ao mesmo tempo deve propiciar o conforto térmico e tátil.

No documento UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA (páginas 75-80)