2.2 TPM TOTAL PRODUCTIVE MAINTENANCE
2.2.1 OS OITO PILARES DO TOTAL PRODUCTIVE MAINTENANCE
O Programa TPM é composto de oito pilares de sustentação que são listados a seguir (Figura 3) e melhor explicados na sequência (BENELLI, PILATTI, FRASSON, 2009).
I- MANUTENÇÃO AUTÔNOMA
II- MANUTENÇÃO PLANEJADA
III- MELHORIAS ESPECÍFICAS IV- EDUCAÇÃO E TREINAMENTO
V- MANUTENÇÃO DA QUALIDADE
VI- CONTROLE INICIAL VII- TPM ADMINISTRATIVO
Figura 3 – Os oito pilares do TPM
Fonte: Adaptado pelo autor do original de Nakajima, 1989.
I- MANUTENÇÃO AUTÔNOMA (MA)
Segundo Gonçalves (2014), a proposta da manutenção autônoma relaciona-se à mudança do conceito dos colaboradores (operadores) de linha do tipo “eu opero”, “você concerta”, para o conceito de que “do meu equipamento cuido eu”.
As etapas de implementação da MA Etapa 0: Preparação. Etapa 1: Limpeza e inspeção. Etapa 2: Medidas contra fontes de sujeira e locais difíceis. Etapa 3: Elaboração dos padrões provisórios de limpeza/ inspeção/ lubrificação. Etapa 4: Inspeção geral. Etapa 5: Inspeção autônoma. Etapa 6: Padronização. Etapa 7: Efetivação do controle autônomo.
Aqui, nas etapas de 0 a 3, procura-se reduzir o tempo entre quebras, buscando a satisfação das condições básicas do equipamento, o cumprimento das condições de uso, a restauração das deteriorações, melhorias de pontos deficientes e elevação das habilidades dos operadores.
A implantação de metodologias como a técnica dos 5S importada do Japão. A implementação do método contém 5 sensos, que devem ser seguidos: - Senso de Utilização
(Seiri). - Senso de Limpeza (Seiso). - Senso de Ordenação (Seiton). - Senso de Saúde (Seiketsu). E, por fim, (Shitsuke). - Senso de Autodisciplina (PAULA et al, 2010).
A prática de melhorias contínuas, KAIZEN (obtidas por pequenas mudanças nos processos existentes, por meio da criatividade das pessoas que trabalham com o equipamento), resulta no fazer com que as inspeções sejam rotineiras e eficientes. Quanto a inspeção geral, o equipamento será restaurado por meio de inspeções gerais da parte externa e do aperfeiçoamento da confiabilidade (DOGRA et al, 2011).
II- MANUTENÇÃO PLANEJADA (MP)
Para Chakravorty (2011), este pilar objetiva maximizar a confiabilidade dos equipamentos e sua disponibilidade física, eliminando aspectos como a manutenção não programada, bem como reduzindo a frequência da manutenção programada, mantendo dessa forma o equipamento em sua condição normal.
Outro aspecto, refere-se à tomada de consciência acerca das perdas decorrentes das falhas de equipamentos e às mudanças da forma de pensar as divisões de produção e manutenção, com redução de falhas e defeitos com o mínimo custo (PAULA et al 2010). Atuação das funções da Produção e Manutenção, podem ser melhor especificadas como a seguir:
Produção – Cabe a este setor a observação das condições básicas do equipamento (limpeza e lubrificação), bem como a manutenção das condições operacionais, a restauração das deteriorações por meio da inspeção e descobertas precoces, além do aprimoramento dos conhecimentos de operação dos equipamentos.
Manutenção – Aqui, cabe o fornecimento de apoio técnico as atividades de Manutenção Autônoma desenvolvidas pela produção. É importante, por um lado, não omitir e garantir a restauração de deteriorações por meio de procedimentos de inspeção, verificação e desmontagem e, por outro lado, estar atento e ser efetivo quando do descobrimento de falhas de projeto e esclarecimento das condições operacionais. Destaca-se, ainda, o aprimoramento dos conhecimentos de manutenção. No intento de manter o maior controle possível sobre a ocorrência de falhas, Silva (2013) indica seguir as etapas:
1. Aumentar o MTBF (“Mean Time Between Failures”, Tempo Médio Entre Falhas): - Introdução da Manutenção Autônoma. - Restauração de deteriorações negligenciadas. - Remoção das deteriorações forçadas provocadas por fadiga. - Estabelecer condições
básicas (limpeza, lubrificação e reapertos). - Manter as condições de operação (vibração, ruídos, carga adequada).
2. Prolongar a vida útil: - Melhoria nos pontos fracos do projeto e nos pontos relacionados a sobrecarga. Eliminação de falhas esporádicas por meio de melhoria nos métodos operacionais e de reparo.
3. Restauração das deteriorações às condições originais: - Padronização e execução da manutenção periódica. - Compreensão da natureza das deteriorações internas, por meio dos 5 sentidos.
4. Previsão das falhas: - Técnicas de diagnósticos de equipamentos: vazamentos, rachaduras, corrosão, vibração excessiva, deterioração do lubrificante, afrouxamento, medição da vibração, medição ultra-sônica, avaliação das vedações, etc. (SILVA, 2013).
III- MELHORIAS ESPECÍFICAS (ME)
A chamada Melhoria Individual descreve a atividade destinada a erradicar de forma concreta as oito grandes perdas de um equipamento. Uma vez eliminadas tais perdas, ocorre uma melhoria na eficiência global do equipamento alcançando a chamada Eficiência Operacional Máxima, que tem relação direta com o OEE (AVANCINI, HELLENO e SIMON 2015).
Essa eficiência, como trata o autor, expressa a utilização plena das funções e capacidades de um equipamento. Avancini, Helleno e Simon (2015), ainda destaca que o aumento da eficiência, deve ser trabalhado identificando e eliminando os oito fatores principais que constituem o obstáculo à eficiência.
Neste trabalho não há uma discussão mais aprofundada dessas perdas por não serem o foco principal de pesquisa.
IV- EDUCAÇÃO E TREINAMENTO (ET)
Este pilar tem como objetivo prover recurso estruturado para desenvolvimento de novas habilidades e conhecimentos junto ao pessoal da manutenção e da produção. Partindo da filosofia TPM, pode-se definir “habilidade” como sendo o poder de agir de forma correta e automaticamente (sem pensar), com base em conhecimentos adquiridos sobre todos os fenômenos e utiliza-los durante um grande período. Furlan e Leão (2010), destacam que o pilar referente a educação e treinamento é fundamental para o processo de melhoria, desenvolvimento de novos conhecimentos e habilidades. Por tudo isso, é fundamental que o operador seja
continuamente capacitado, por meio de cursos e palestras, para que o mesmo possa conduzir uma manutenção voluntária, sem o receio de cometer erros.
As habilidades deste pilar são classificadas em 5 fases: 1. Não sabe;
2. Conhece a teoria;
3. Pratica com dificuldade e dispersão; 4. Pratica com habilidade;
5. Pratica com muita habilidade e ensina.
Todo sistema TPM é alicerçado no ser humano e dele depende para a obtenção de resultados efetivos. Do ponto de vista da empresa, um programa de treinamento deve ser visto como um investimento no qual não se deve economizar, tendo em vista que o retorno é garantido.
V- MANUTENÇÃO DA QUALIDADE (MQ)
A Manutenção da Qualidade é compreendida pelas atividades destinadas a definir as condições do equipamento que excluam defeitos de qualidade; partem, assim, do conceito de manutenção do equipamento em perfeitas condições, como referência a ser mantida e, dessa forma, garantir a perfeita qualidade dos produtos processados. A manutenção da qualidade do produto e a garantia da sua homogeneidade vêm se tornado cada vez mais importante dentre as atividades de produção. Partindo da observação de que é fundamental garantir as boas condições das máquinas, uma vez que estas afetam significativamente a garantia da qualidade do produto final, o trabalho no equipamento é um dos pontos centrais da produção, principalmente quando se tem a adoção de sistemas de automação e economia de energia nas linhas de produção. Daí, segundo Santos (2009), a importância do uso responsável de indicadores como o OEE, que permite que as empresas acompanhem seus processos de produçao industrial de forma tal que possam identificar perdas executando mensurações sistemáticas de disponibilidade, desempenho e qualidade.
VI- CONTROLE INICIAL (CI)
Esse pilar do TPM desenvolve métodos e atividades que visam reduzir as perdas do no processo de produção plena, por meio da adoção de aprimoramento das deficiências do equipamento. Assim, tanto para processos como em máquinas novas é aplicado um conjunto de
práticas obtidas por meio dos conhecimentos adquiridos com a experiência em processos e máquinas que já sofreram aperfeiçoamento do TPM, resultando assim em equipamentos livres de reparos, de facíl manutenção e uso (CHAKRAVORTY, 2011).
O TPM objetiva alcançar o máximo rendimento operacional global das máquinas, minimizando os custos de durante sua vida útil.
Segundo Sharma, Shudhansu e Bhardwa (2012), destaca-se a administração inicial das máquinas ser fundamental para possibilitar um projeto que previna a necessidade de manutenção. O pilar de Controlo Inicial participa da definição dos atributos envolvidos no investimento de uma máquina nova, baseada nas informações que contribua para a prevenção de manutenção.
VII- TPM ADMINISTRATIVO (ADM)
Para Sharma, Shudhansu e Bhardwa (2012) esse pilar tem como foco a agilização, aprimoramento e consequente melhoria da qualidade de informações administrativas de forma a desburocratizar e eliminar o desperdício e possíveis desperdícios oriundos das actividades de escritório. Destaca-se, assim, a importância da efetividade de todas as atividades organizacionais.
Dessa forma, segundo tais autores, os resultados devem ser obtidos como contribuição para o gerenciamento da empresa. Assim sendo, busca-se lidar com o escritório aplicando-se técnicas do TPM para equipamentos no escritório, como ocorre na própria fábrica, definindo o setor e estabelecendo metas.
Silva (2013) destaca ainda dois aspectos tidos como missão do escritório no TPM, sendo o que e quais tarefas devem ser realizadas para apoio as acções do TPM na produção.
É vital, então, pensar nos setores administrativos como Vendas, Marketing, Desenvolvimento e Projeto ou mesmo quanto as atividades de melhoria individual buscando o aprimoramento de aspectos como minimizem as perdas neste departamentos.
VIII- SEGURANÇA, SAÚDE E MEIO AMBIENTE (SHE)
Pode-se considerar como objetivo deste pilar eliminar toda e qualquer perda relativa ao meio ambiente, higiene e segurança. Todos os níveis hierárquicos dos departamentos de produção, manutenção e engenharia devem buscar trabalhar para que se alcancem tais objetivos.
A segurança pode ser melhorada consideravelmente quando, além da atuação da do departamento de segurança a manutenção e a produção também se preocupam com este fator.
Tais cuidados individuais devem ser exigidos e viabilizados pela empresa, evitando ainda as faltas por motivo de doença e outros contratempos afins (AVANCINI et al, 2015).