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Os Organismos Internacionais

No documento 2006 Nestor Claudio David Catera (páginas 91-97)

A UNESCO, criada em 1945, é um organismo especializado do sistema de Nações Unidas, cujos propósitos são: Contribuir à paz e à segurança colaborando estreitamente entre as nações mediante a educação, a ciência e a cultura com a finalidade de: Assegurar o respeito universal à justícia, à lei, aos direitos humanos e às liberdades fundamentais, que sem distinção de raza, sexo, idioma ou religião, a Carta das Nações Unidas reconhece a todos os povos do mundo.

Partindo do princípio proclamado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujo artículo 27 assinala que “toda pessoa tem direito a tomar parte livremente na vida cultural da comunidade, a gozar das artes e a participar no progresso científico e dos benefícios que dele resultarem”

A UNESCO realiza um aporte significativo para o desenvolvimento e aperfeiçoamento da legislação cultural internacional moderna. Em virtude da disposiçãoo no páragrafo 4 do artículo IV de sua Constituição, a Conferência Geral da UNESCO está facultada para levar adiante uma ação normativa nos campos de sua competência tendente à aprobação de instrumentos internacionais de diversa natureza jurídica na ordem do direito internacional. (Harvey; 1992: 235)

Os membros que compõem as Nações Unidas são os Estados que formam parte da UNESCO, com direito a um voto por país. A quantidade total de membros plenos é de 187 e 4 deles estão como membros associados. Para sua melhor implementação têm se divido em cinco regiões: a) a África, b) os Estados Árabes c) a Asia e Pacífico d) a América Latina e o Caribe e) a Europa e América do Norte; sendo seus idiomas oficiais o espanhol, o inglês, o francês, o árabe, o chinês e o russo.

Os órgãos que compõem a UNESCO são três: A Conferência Geral, integrada por todos os Estados membros, o Conselho Executivo composto por 58 Estados membros elegidos pela Conferência Geral e a Secretaria que possui um Diretor Geral está organizada por setores (Educação, Ciências Exatas e Naturais, Ciências Sociais e Humanas, Cultura, Comunicação informação e informática, Instituto de Estatística da UNESCO, Gestão e Administração, Escritórios, Institutos e Centros Autônomos. Dentro do setor da Cultura, cuja sede está em París, podemos encontrar um organograma que atende à questão do patrimônio cultural:

A UNESCO, em relação com o patrimônio, atúa em torno a três eixos básicos: a prevenção, a gestão e a intervenção, elementos básicos para garantizar a conservação e o uso social do patrimônio. (Ballart, 2001:89)

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A divisão do patrimônio cultural, a divisão da criatividade, industrias culturais e direito de autor, departamento de diálogo intercultural e pluralismo para uma cultura da Paz, unidade de políticas culturais para o desenvolvimento, unidade do relatório mundial sobre a cultura e o centro do patrimônio mundial da UNESCO.

Na América Latina e o Caribe encontram-se diferentes escritórios, tais como o escritório da Cultura para América Latina e o Caribe na Havana, o Centro regional de Ciência e Tecnología para a América Latina e o Caribe em Montevideu, o escritório regional de Educação para América Latina e o Caribe em Santiago de Chile e o escritório regional de Comunicação para América Latina e o Caribe em Panamá. Além disso , existem escritórios da UNESCO em Buenos Aires, Asunção, La Paz, Brasília, Montevideu e Santiago de Chile.

Em 1998, a UNESCO apresentou um plano de ações no marco da Conferência Intergovernamental sobre Políticas Culturais para o desenvolvimento, celebrada em Estocolmo onde, dentro do objetivo número três, explicita: “lograr uma participação direta dos cidadãos e das comunidades locais nos programas de conservação do patrimônio e estabelecer um listado das melhores práticas para as políticas de patrimônio” (dos Estados membros e associados)

Cada setor apresenta programas bimestrais, onde é possìvel destacar dentro dos denominados grandes programas bianuais para o período 2000/2001 o programa número 3 (três) que leva por título Desenvolvimento cultural: patrimônio e criatividade.

Dentro deste Programa, define-se como objetivo geral a salvaguarda e a revitalização do patrimônio material e imaterial colocando quatro eixos de ação. O primeiro eixo diz sobre a aplicação de instrumentos normativos e sobre a ação preventiva para proteger o patrimônio cultural; o segundo eixo coloca o tema do patrimônio cultural e o desenvolvimento; o terceiro fala sobre preservação e revitalização do patrimônio imaterial enquanto o último eixo propõe a restauração de patrimônios afetados pelos conflitos.

O segundo objetivo do Programa é a promoção da Convenção do Patrimônio Mundial que na atualidade possui 582 (445 culturais, 117 naturais, 20 mixtos) de 114 países sobre um total de 156 Estados membros.

Cabe destacar que a UNESCO incorpora, no ano 2004, a Rede de Cidades Criativas da Aliança Global para a Diversidade Cultural. Esta Rede focaliza o fomento de novas modalidades de associação entre o setor público, o privado e a sociedade, en prol de liberar o potencial criativo, social e econômico das indústrias culturais no mundo. Nesse programa, que trata de vincular cidades (escolhidas em distintos ítens que atinjam à criação cultural) para que elas compartilhem experiências e intercambiem conhecimento são galardoadas as

93 cidades de Buenos Aires – Argentina (desenho), Edimburgo – Escocia (literatura), Popayán

–Colômbia (gastronomia), Santa Fe –Estados Unidos e Asuán – Egipto (arte popular).

Finalmente, a UNESCO possui instrumentos normativos internacionais aprovados pelos Estados signatários nos principais campos da cultura e específicamente em matéria de patrimônio cultural e de direitos culturais e do artista. Estes instrumentos podem se clasificar em três áreas, conforme as obrigações que elas impõem:

• Recomendação: Trata-se de um texto da Organização dirigido para um ou vários

Estados, convidando-os a adotarem um comportamento determinado ou a atuarem de certa maneira num âmbito cultural específico. A recomendação carece de todo poder vinculante para os Estados Membros.

• Convenção: Este termo, sinónimo de tratado, designa todo acordo concluido entre

dois ou mais Estados. Supõe uma vontade comum das partes, para as que a convenção gera compromissos jurídicos obrigatórios.

• Declaração: A declaração é um compromisso puramente moral ou político, que

compromete os Estados em virtude do princípio de boa fe.

Cabe destacar que estas convenções, cartas e recomendaciones tem sido analisadas em profundidade da ótica da participação cidadã, ao longo de todo o capítulo IV.

O International Council on Monuments and Sites (ICOMOS), conformado en Veneza em 1964, durante o Vigésimo oitavo Congresso Internacional de Arquitetos e Técnicos dedicados aos monumentos históricos de conservação e restauração de monumentos e sítios do patrimônio cultural, é a única organização internacional não governamental proposta pela UNESCO. Sua missão principal consiste em “promover a teoria, a metodología e a tecnologia aplicada à conservação, a proteção e revalorização de monumentos e sítios, baseando-se nos princípios da Carta Internacional de Veneza”.

No seu portal oficial podem se ler seus objetivos principais, entre os que se destacam: (i) Reunir os especialistas da conservação do mundo todo e constituir um lugar permanente de diálogo profissional e de intercâmbio, (ii) Recolher, aprofundar e difundir a informação sobre os princípios, as técnicas e as políticas de conservação (iii) Colaborar no nível nacional e internacional na criação de centros de documentação especializada na conservação, (iv) Acolher a adopção e a aplicação de convenções internacionais sobre a conservação e a puesta en valor do patrimônio arquitetônico (v) Participar na elaboração de programas de formação para os especialistas em conservação em nível mundial, (vi) Colocar a sua rede de profissionais altamente qualificados e aos especialistas ao serviço da comunidade internacional.

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Entre suas principais atividades se destacam: a) Acrescentar sua presência ao redor do mundo apoiando a criação e o crecimento dos comités nacionais do ICOMOS; b) Extender a influência da carta de Veneza na criação dos textos doctrinários flexibilizando-os para os setores específicos do patrimônio arquitetônico; c) Definir as ténicas de gestão adaptadas para os bens culturais; d) Desenvolver os programas de formação num marco multilateral em colaboração com os comités nacionais e os comités científicos internacionais; e) Enriquecer o centro de documentação internacional UNESCO-ICOMOS em París e instalar uma diapoteca e uma videoteca consagrada ao patrimônio arquitetônico; f) Organizar e gerir (ou dirigir) as missões de expertos à demanda das administrações culturais e as entidades legais que julgam necessárias a intervenção de um consultor para uma pergunta de conservação particular; g) Jogar um papel vital como conselheiro da UNESCO sobre os bens culturais a serem incluidos na Lista do patrimônio mundial e sobre o seguimento dos bens já inscritos; h) Informar aos meios especializados para uma grande distribuição das Notícias do ICOMOS, os periódicos científicos, a série Monumentos e Sítios sobre o patrimônio de países em particular e seus atos e conferências e j) Despertar o interesse do público para a conservação através da utilização dos meios e a celebração do dia internacional de monumentos e sítios, datado para 18 de abril.

Administrativamente, este organismo conta com quase 6000 membros em mais de 107 países, entre os que encontram-se a Argentina, o Brasil e o Chile. Sua sede se encontra localizada na cidade de París e suas línguas de trabalho são o inglês e o francês. Os órgãos administrativos do ICOMOS são: A Assembléia Geral, o Comité executivo, o Comité consultivo, os Comitês nacionais, os Comitês internacionais e o Secretariado.

Cada um destes órgãos estabelece seus regulamentos internos, modalidades de funcionamento e escolhe seu pessoal segundo as prescripções de seus estatutos. Não obstante, para levar adiante a tarefa de conformar os comitês em cada pais, o ICOMOS reagrupa as administrações, instituições e pessoas interessadas em quatro categorias: instituições, benfeitores, individuais e membros de honra.

Além disso, existe uma rede de Comitês Temáticos Especializados, órgãos técnicos consagrados ao estudo de problemas particulares que abordem os seguintes temas: arte rupreste, arquitetura vernacular, madeira, barro, formação, arqueologia, concreto, pedra, patrimônio subaquático, jardins históricos, fotogrametria, sismologia, turismo cultural, cidades históricas, vitrais e organização ou Comitê de legislação. A inscrição nestes Comitês Temáticos abrange a todos seus membros associados, por indicação dos Comitês Nacionais.

95 Através de cada comitê nacional do ICOMOS, todos os membros podem participar de sua

ação, desenvolvendo assim seus programas ou plano nacional, para o qual devem acreditar sua qualificação para a especialidade além de estarem em exercício da profissão.

O Comitê Argentino do ICOMOS foi criado em 1973 e adere à políticas, objetivos e atividades do ICOMOS internacional da conservação do patrimônio, adaptando-as ás possibilidades, recursos, regiões e a identidade cultural do pais, procurando um aporte duplo: o mais avançado da disciplina em nível mundial, e uma projeção ao âmbito internacional das características particulares do patrimônio argentino.

O Comitê Argentino colabora e realiza trabalhos em conjunto com organismos e instituições nacionais, regionais e internacionais, privadas ou governamentais, como a Comissão Nacional de Museus e Monumentos e de Lugares Históricos, o Arquivo e Comitês nacionais da área -Brasil, Bolivia, Chile, Paraguai e Uruguai-, Comitês Nacionais da Ibero-américa e a Convenção do Patrimônio Mundial.

Dentro de suas políticas de comunicação e sensibilização fomenta campanhas publicitárias, animações culturais, programas de rádio e TV para a difusão, publicações, itinerários culturais e visitas a monumentos, e trabalha na educação formal através da escola secundária e com alguns municípios na organização de visitas guiadas e exposições.

O Comitê Brasileiro do ICOMOS, denominado ICOMOS/BRASIL, foi fundado em 17 de agosto de 1978 no Rio de Janeiro e registrado em 2 de maio de 1980 em Brasília, e como seus pares latinoamericanos adere às políticas, objetivos e atividades do ICOMOS internacional da conservação do patrimônio, adaptando elas às possibilidades, recursos, regiões e identidade cultural do pais.

O ICOMOS/BRASIL está representado em vários Conselhos Culturais em todo o pais, em nível nacional, estadual e municipal quanto no Conselho do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Conselho Nacional de Incentivo à Cultura e o Conselho da Cultura do Estado da Bahia, entre outros. Aquí o ICOMOS, tem como objetivos o estudo, análise e divulgação dos métodos, das técnicas da política de proteção, conservação, restauração e valorização dos monumentos, conjuntos e sítios naturais ou de valor cultural e o seu entorno.

Em definitiva, o ICOMOS constitui uma rede de expertos que fornece os benefícios surgidos dos intercâmbios interdisciplinários de seus membros, devido a que conta com profissionais como arquitetos, historiadores, arqueólogos, historiadores da arte, geógrafos, antropólogos, engenheros, urbanistas e arquivistas, que contribuem com seus aportes para a geração de normas e técnicas de aplicação para todo tipo de bens culturales de valor patrimonial.

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Não obstante, tanto no Estatuto geral do ICOMOS, quanto nos Comitês Nacionais da Argentina, do Brasil e do Chile não foi possìvel detectar objetivos específicos nem atividades programadas no referente à participação cidadã.

Como foi mencionado os documentos emanados pela UNESCO amostram que a evolução do pensamento em torno ao patrimônio cultural tem abarcado a informação, a difusão, a educação e a participação da sociedade. Não é claro então, se no ideário do ICOMOS o tema da participação cidadã está incluido em suas ações, ou se este objetivo é o próximo passo a ser dado pelo Organismo.

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No documento 2006 Nestor Claudio David Catera (páginas 91-97)