Para que possa haver o reconhecimento de uma morte digna a partir da liberdade de opção do paciente é imprescindível que ocorra a ponderação entre os princípios da dignidade da pessoa humana e da autonomia da vontade versus o direito à vida, já consagrados e universalizados pelos direitos humanos e reconhecidos como direitos fundamentais no ordenamento jurídico brasileiro. Diante do caso concreto, cada princípio colidente possui um peso diverso e a partir da ponderação chega-se à prevalência de certos princípios em detrimento de outros, para que seja reconhecida a liberdade de opção por uma morte digna.
Não é possível negar os benefícios trazidos pela Medicina nas últimas décadas para a cura e erradicação de doenças frente a condições muito adversas. Ocorre que está havendo um mau uso desses recursos em alguns casos, aumentando inutilmente o sofrimento dos pacientes com resultados ineficazes, trazendo novas implicações legais, éticas e econômicas (FRANÇA, 2010).
Não há dúvidas de que o sistema médico nas últimas décadas passa por um processo gradual de desumanização diante dos grandes centros de tratamentos equipados com inúmeros aparelhos e máquinas fruto do desenvolvimento tecnológico. Um paciente terminal que nesses centros ingresse pode ter sua vida prolongada por um tempo indefinido, em vista dos aparelhos e máquinas que substituem as funções vitais do corpo humano, mesmo sem expectativa de cura. Será que é correto submeter um paciente em estágio terminal a práticas médicas desnecessárias ou desproporcionais? É lícito e ético tirar de uma pessoa o seu direito de morrer conforme a sua vontade? Se isso acontecer estará se cometendo um erro irreparável, posto que está sendo esquecido que a morte digna é um direito de todas as pessoas, do qual ninguém nunca poderá ser privado (CAMATA, 2010).
Nesse contexto, os avanços da Medicina e os progressos oriundos do campo da biotecnologia acabam por gerar uma gigantesca discussão em torno da vida humana. Hoje não se considera mais a ideia de vida como o simples ato de respirar, isso passou a ser uma simples garantia de sobrevida, ou como meio de garantir os batimentos cardíacos. Essa discussão em torno do direito à vida volta-se às questões da dignidade e qualidade de vida diárias. Emerge, então, emerge a pergunta: pacientes em estado terminal possuem o direito de morrer com dignidade e em paz? Ou, necessariamente, devem sobreviver, mesmo que em estado vegetativo, aguardando a morte cerebral ou a parada cardíaca? (SÁ; NAVES, 2002).
Um dos principais valores reconhecidos pelos documentos de direitos humanos a todos é o seu poder de autodeterminação/liberdade, oriundo do princípio da autonomia. Ao ser conferido ao ser humano o poder de autodeterminação passou-se a se admitir praticamente todas as manifestações da vontade pessoal, mesmo que contrárias à moral geral, e que não atinjam direitos de terceiros. A dignidade humana também confere ao sujeito o poder de liberdade, sendo que os avanços das ciências devem servir para melhorar as condições de existência da espécie humana, respeitando e valorizando o ser humano (MELO; NUNES, 2011).
Em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) estão doentes em estado crítico, que apenas estão vivos por estarem ali. Permanecem vivos, mas ligados a uma infinidade de aparelhos, fios e tubos que “entram e saem de orifícios, de pontos na pele e de cavidades do
paciente. Respiradores e marca-passos cardíacos continuamente ligados com batidas na mesma cadência. Alguns indivíduos conscientes e outros inconscientes.” (SÁ; NAVES, 2002, p. 103).
Muitos possuem sequelas e lesões que vão além de quadros clínicos, necessitando de cuidados diários – certo dia os rins não funcionam adequadamente, no outro dia o enfermo é acometido por uma infecção devido à debilidade do corpo. Existem outros pacientes com lesões oriundas de doenças degenerativas, cuja cura ainda não foi encontrada pela Medicina e cuja vida mingua a cada dia, passando a depender de outras pessoas para fazer valer os seus direitos, não havendo garantias que serão bem representados. Existe, ainda, a dependência física, porque muitos deixam de ter o controle sobre seus estímulos e sensações, voltando ao tempo que eram crianças, necessitando que outros façam sua higiene pessoal, os vistam, os alimentem (SÁ; NAVES, 2002).
Muitos estão na UTI mesmo já tendo recebido “alta médica”, não porque estão curados, mas porque, a partir daquele momento, sua vida se restringirá a um leito de hospital e precisarão de cuidados 24 horas do dia, sendo alimentados por sonda. Essas condições permitem uma vida digna? Independentemente da qualidade de vida, a vida humana deve ser em todas as ocasiões preservadas? Deve-se empregar todos os meios e recursos médicos e biotecnológicos para prolongar por um pouco mais a vida de um doente terminal? É preciso que se utilize todos os meios terapêuticos ainda que os seus efeitos sejam mais nocivos do que benéficos aos pacientes? (SÁ; NAVES, 2002).
Na década de 1950, o papa Pio XII, preocupado com a humanização dos casos dos pacientes terminais, passou a admitir o uso de analgésicos no controle da dor, mesmo que essa prática abreviasse indiretamente a vida do paciente, apelou-se para uma ação direta e indireta ao mesmo tempo, isto é, o princípio do duplo efeito: um efeito desejado como o alívio da dor e outro indesejável, com a abreviação da vida. Também foi introduzida a diferenciação entre meios ordinários e extraordinários, oportunidade em que restou reconhecido que ninguém é obrigado a fazer uso dos meios extraordinários para manter a própria vida (MARTIN, 2002).
A consolidação e o reconhecimento dos direitos humanos fizeram com que os pacientes terminais passassem a ser tratados como pessoas livres e conscientes, com uma série de direitos, com destaque ao direito de decidir sobre seu tratamento e sua vida. Muitas pessoas acabam morrendo antes da hora por não terem acesso aos serviços de saúde, enquanto muitas outras acabam morrendo com as dores de uma doença e a perda da sua dignidade devido à obstinação terapêutica (MARTIN, 2002).
O Código de Ética Médica proíbe o uso de tratamentos que, nos pacientes terminais ou com doenças sem cura, gerem sofrimentos adicionais, sem que haja benefício. Trata-se de um escarnecimento terapêutico. O avanço da Ciência pode trazer inúmeros benefícios para as gerações futuras, mas isso não pode acontecer a qualquer preço, nem à custa de mais sofrimentos para quem já está padecendo de dores. É preciso saber o momento certo de curar e deve-se reconhecer os limites do ser humano e aceitar a morte com a mesma naturalidade que se recebe um nascimento. Em muitos casos não existe um medo da morte, mas do processo de morrer, que na maioria das vezes vem acompanhado pelo sentimento de humilhação, a perda do controle sobre a própria vida, a desintegração física, mental, espiritual, social e o medo arrasador das dores das doenças fatais (MARTIN, 2002).
Hoje, em função dos avanços científicos e tecnológicos no âmbito da Medicina, fala-se em um processo de morrer que pode ser perfeitamente controlado pelos meios de suporte vital, segundo os quais é possível adiar ou antecipar a morte. Quando resta evidente que não há mais cura e uma qualidade de vida aceitável, é necessário evitar o prolongamento da vida e assegurar uma morte com um mínimo de dignidade, sem dores, devendo se observar os princípios bioéticos da beneficência e não maleficência (POLES; BOUSSO, 2009).
Os princípios da vida biológica, sem dúvida, contrastam com os princípios da vida mental e, em particular, com os da vida das pessoas. Esses princípios são evidentes quando se compara um ser cujo cérebro foi destruído, exceto a base inferior, e um ser com um cérebro em pleno funcionamento. No primeiro, é suficiente recorrer aos princípios da vida biológica e, no segundo, aos princípios mentais. “Um corpo com morte total do cérebro, ou com morte de todo cérebro, exceto de sua base, não suporta uma vida mental, e menos ainda a vida como pessoa.” (ENGELHARDT, 1998, p. 293).
As medidas terapêuticas aplicadas ao paciente contra a sua vontade são consideradas intervenções médicas abusivas, que violam a ética médica e o consentimento legal e informado do paciente e, consequentemente, a dignidade da pessoa humana, em razão do desrespeito pela autonomia, integridade física, moral e psíquica do paciente (PITHAN, 2004). O Código Civil, ao se referir sobre os direitos da personalidade, no seu art. 15, evidencia a possibilidade de recusa terapêutica, haja vista que inexistem procedimentos absolutamente livres de riscos, pois o paciente tem o direito de padecer de sua enfermidade. A partir desse dispositivo observa-se uma nova postura de valorização da autonomia do paciente, diante dos riscos dos novos recursos biotecnológicos, que não atendem aos interesses e necessidades do próprio paciente (VILLAS BÔAS, 2010).
O Direito Constitucional que protege o direito à vida não compreende, no entanto, um dever de se adiar por tempo indefinido a morte natural pelo uso de todos os meios que possam prolongar a vida. O direito à vida não comporta um dever de sobrevida artificial e obrigatório, ao custo de sofrimento (VILLAS-BÔAS, 2010). A simples existência de técnicas capazes de prolongar a vida de um paciente terminal não obriga o seu uso. O uso da ciência e dos seus recursos deve ser para fazer o bem do homem e não o contrário (VILLAS-BÔAS, 2010).
Nesse norte, pode-se afirmar que um indivíduo não tem poder sobre o início da sua própria vida, mas tem poder sobre o seu fim. A morte é algo inevitável e inerente à condição do ser humano, não interferindo com a capacidade de alguém que busca antecipá-la. A finitude da vida e do corpo são comuns a toda humanidade. A medicalização da vida, todavia, pode transformar a morte em um longo e doloroso processo. Antes temiam-se a morte e as doenças, hoje, contudo, teme-se o poder humano sobre a morte, o prolongamento de uma vida de sofrimento, a morte adiada e dolorosa (BARROSO; MARTEL, 2010).
A eutanásia passou a ostentar novas feições em vista dos progressos e avanços médico-científicos da atualidade, que possibilitam o prolongamento da vida em fase terminal, por períodos de tempo indeterminados, mas com total comprometimento da qualidade de vida. A questão é alvo de inúmeras discussões éticas e jurídicas, envolvendo os princípios da dignidade da pessoa humana, da autonomia da vontade (liberdade) e do direito à vida (BARBOZA, 2010).
A morte e as questões envolvendo os conflitos do fim da vida sempre marcaram a história e as sociedades. A eutanásia ativa ou passiva, voluntária ou involuntária, sempre existiu como uma prática usual e aceita pela maioria das civilizações, em alguma fase de sua história. Nas civilizações ocidentais, o surgimento do ideal cristão fez com que a morte se tornasse algo culturalmente intocável (COSTA, 2001).
A maioria das práticas eutanásicas de que se tem conhecimento desde a Grécia Antiga até a época nazista se fundamentava em motivos políticos, sociais, eugênicos, médicos, no entanto, nunca levou em consideração a vontade do paciente. Hoje, a eutanásia tem como protagonista o próprio enfermo e o seu direito de que não se prolongue o seu sofrimento e a possibilidade de decidir sobre o seu morrer. Fala-se em uma eutanásia autônoma, a partir de um direito que ampare os doentes terminais que desejam morrer, haja vista que na era dos direitos humanos, entre tais direitos encontra-se o direito de decidir sobre as questões atinentes ao próprio corpo na área da saúde (PESSINI, 2004).
No Brasil, não existe autorização legal para a prática da eutanásia, nem para o suicídio assistido. Já é pacífico, contudo, que a suspensão de esforço terapêutico tem amparo na
Constituição Federal de 1988, nos arts. 1º, inc. III, e 5º, inc. III, que institui a dignidade da pessoa humana como fundamento da República Federativa do Brasil e assegura que ninguém será submetido à tortura ou a tratamento desumano e degradante; o Código Civil, no art. 15, autoriza o paciente a se recusar a ser submetido a determinados tratamentos médicos; o Código de Ética Médica, além de reconhecer os direitos acima citados, reconhece a autonomia do paciente e proíbe que o médico realize qualquer procedimento terapêutico sem autorização ou contra a vontade do paciente, fora as situações de emergência (RIBEIRO, 2010).
Muitos, no entanto, já admitem que a pessoa tem a liberdade de fato, ou o direito de deliberar sobre os aspectos relacionados a sua própria morte, sem que venha a sofrer sanções civis ou religiosas. A liberdade do indivíduo para decidir sobre a sua própria morte é uma conquista fundamental que a coletividade humana precisa reconhecer a todos os indivíduos (COSTA, 2001).
Se os pacientes capazes possuem o direito legal e moral de se recusarem a serem submetidos a tratamentos, direito que deve ser respeitado pelos profissionais da saúde, acarretando sua morte, “temos razões para supor que esses pacientes têm um direito similar de pedir a assistência de especialistas que estejam dispostos a tanto para ajudá-los a controlar as condições em que irão morrer.” (BEAUCHAMP; CHILDRESS, 2002, p. 251).
Nesse sentido, a omissão de tratamento é justificada pelos princípios da autonomia e não maleficência. Esse argumento tem por base a premissa de que é preciso haver uma reforma na ética e na lei em vista da aparente inconsistência entre (1) os fortes direitos à autonomia, que autorizam as pessoas em situações penosas e de desesperança a recusarem tratamentos que lhe causem a morte; e (2) a aparente rejeição de um direito de autonomia semelhante, o direito de planejar a morte por meio de um acordo mútuo entre o médico e o paciente (BEAUCHAMP; CHILDRESS, 2002).
Esse direito praticamente nunca foi reconhecido em leis ou códigos de ética médica. A crença tradicional proíbe qualquer tipo de assistência, autorizando apenas, em um pequeno número de casos, o deixar morrer. É preciso, todavia, repensar e avaliar os aspectos em torno da morte piedosa, suicídio assistido e a omissão de tratamento com o intuito de causar a morte, posto que já existe uma opinião pacífica, nos códigos de ética médica e decisões judiciais, sobre a possibilidade e o direito de o paciente recusar tratamentos médicos. “Sustentaremos, então, que intervenções piedosas por parte de médicos não são inerentemente erradas nem são incompatíveis com o papel de um profissional da saúde.” (BEAUCHAMP; CHILDRESS, 2002, p. 253).
Tanto a eutanásia ativa voluntária como o suicídio assistido são exemplos de assistência em atos que culminem na morte. Muitos autores defendem que esses atos são ações de beneficência. “Acreditamos que em alguns casos há razões morais suficientes para justificar o ato de matar por piedade e o de prestar assistência num suicídio.” (BEAUCHAMP; CHILDRESS, 2002, p. 254).
Causar a morte de uma pessoa pode ser considerado errado em virtude do dano ou da perda que pode ser causado à pessoa morta e não em razão de perdas enfrentadas por outros. Se uma pessoa, contudo, passa a desejar mais a morte do que os benefícios e os projetos de vida, então causar sua morte, em vista de um pedido autônomo, não lhe prejudicaria e nem lhe causaria lesões (embora possa prejudicar a outros, ou à sociedade, contrariando seus interesses, o que poderia ser apontado como uma razão em desfavor da prática) (BEAUCHAMP; CHILDRESS, 2002).
Ao contrário, deixar de ajudar essas pessoas a morrer poderá lhes causar frustrações em seus planos e perdas, prejudicando-as, podendo causar-lhes desespero e indignidade. Ademais, se o ato passivo de deixar morrer não está a lesar ou prejudicar o paciente, posto que não viola os seus direitos, então, de forma análoga, a eutanásia voluntária ativa e o suicídio assistido não lesariam e nem prejudicariam a pessoa que morre quando parte do próprio paciente o pedido de forma autônoma (BEAUCHAMP; CHILDRESS, 2002).
A Corte Colombiana já reconheceu a exclusão de penalidade para os médicos que praticam a eutanásia piedosa, possibilitando ao paciente uma morte digna. A referida Corte entende por eutanásia piedosa e morte digna o que a Bioética classifica como eutanásia passiva voluntária, isto é, a eutanásia praticada pelo médico a pedido do paciente sem perspectiva de cura, nos casos em que a retirada ou não do suporte médico implicaria sua morte. O respeito à autonomia do paciente, isto é, o respeito a sua dignidade, diante do sofrimento, é a peça-chave da sentença. Morte digna na sentença passou a ser “sinônimo de morte derivada de eutanásia passiva pelo não prolongamento de tratamentos inúteis em casos de doenças terminais com sofrimento intenso e incontrolável.” (DINIZ, 2001, p. 172).
A sentença reconhece a importância e defende o direito à vida, reforçando o papel do Estado em sua manutenção, mas acaba por reconhecer que o direito à vida não pode ser absoluto. A vida continua a ser sagrada, mas não intocável. Restou reconhecido o direito individual de decisão sobre a própria a vida e a quem a mesma pertence, ou seja, a autodeterminação no fim da vida84 (DINIZ, 2001).
84 No Brasil, o Ministério da Justiça chegou a discutir nas linhas da Corte Colombiana a proposta de exclusão de ilicitude nos casos de eutanásia passiva voluntária, restando o projeto arquivado (DINIZ, 2001).
A autonomia do paciente e o seu direito de morrer em paz precisam ser garantidos. Apenas a eutanásia passiva permite que o paciente tenha o direito de optar pela sua própria morte, não no aspecto de uma morte manipulada, mas sim com a consciência do processo de morrer (BORGES, 1996).
Mas a eutanásia somente pode ser considerada em situações limites ou terminais, onde a qualidade de vida do paciente já deixou de existir. Assim, “a autonomia revela-se, enquanto manifestação da liberdade e da dignidade humana, um dos princípios norteadores a serem resguardados em tais situações, sob pena de violação do princípio da dignidade da pessoa humana.” (BARBOZA, 2010, p. 47-47).
Assim, a solicitação pela eutanásia é legítima quando for uma decisão autônoma, expressa, responsável e livre do paciente que deseja pôr fim a sua própria vida, é um respeito pela sua liberdade/autonomia. O paciente, a partir de sua autonomia, tem o direito de poder escolher em eliminar as dores e sofrimentos que lhe acometem e morrer com dignidade, no tempo e no lugar que escolher. O exercício da liberdade garante ao paciente estar no controle do seu próprio destino (SILVA, 2004). Desse modo,
[...] a expressão mais lúcida desse direito arroga o próprio direito de morrer como manifestação de decisão livre e pessoal em relação a quem não quer mais prolongar uma existência de sofrimento e sem expectativa de recuperação. O procedimento da ‘morte digna’, em última análise, se materializa como respeito à última vontade do doente, cujas chances de melhora se esgotaram. (SILVA, 2004, p. 132).
No ano de 1950, um grupo de intelectuais solicitou que a Organização das Nações Unidas incluísse na Declaração dos Direitos Humanos o direito à eutanásia voluntária, no entanto, a emenda não foi aceita.
A eutanásia deveria ser defendida e apoiada por todos aqueles que prezam os Direitos Humanos, por ser uma prática que
[...] busca a boa e doce morte sem prolongar, desnecessariamente, a agonia e o constrangimento da invasão da intimidade pelo emprego de meios extraordinários ou artificiais que fazem com que o viver, cada vez mais, seja alongar o viver à morte, degradando o indivíduo (SZTAJN, 2002, p. 181).
Sá (2005) entende ser possível a prática da eutanásia passiva, ou ortotanásia, como exercício regular da Medicina e, nas situações terminais, entendendo o médico que a morte é iminente e inevitável devido ao avanço e à evolução da doença, ao médico seria facultado, a pedido do próprio paciente, suspender o tratamento médico, que não lhe proporciona benefícios, mas apenas prolonga seu sofrimento.
Quanto à prática da eutanásia ativa, essa seria possível se fosse a pedido do paciente, sem vício do consentimento, apresentando quadro de doença terminal e grave, com sofrimentos físicos e psíquicos insuportáveis, o que deveria ser atestado por médicos, e o ato que interromperia a vida deveria ser realizado por profissional. O suicídio assistido mostra-se viável, desde que seguidos os parâmetros e caminhos estabelecidos para a prática da eutanásia ativa (SÁ, 2005). Nessa linha,
[...] o imperativo ético no debate sobre a eutanásia consiste em nunca esquecer que um pedido de assistência a uma morte consentida, ou um pedido de eutanásia ativa, é o último espaço da liberdade a que o homem tem direito. Ninguém pode confiscar esse direito, sempre revogável, que somente seria justificável caso persistisse obstinação terapêutica desproporcionada, que, como vimos, é unanimemente condenada. (PESSINI, 2004, p. 310).
A maioria das pessoas condena a eutanásia por acreditar que essa prática violaria o valor intrínseco e a santidade da vida humana e acredita que em todas as circunstâncias as